Ottawa é a capital do Canadá, uma cidade serena e elegante às margens do rio Ottawa, no limite entre o Ontário anglófono e o Quebec francófono. Diferente de Toronto ou Montreal, ela não impressiona pelo tamanho nem pelo ritmo frenético, e sim pelo jeito de capital tranquila e verde: aqui ficam o Parlamento com suas torres neogóticas debruçadas sobre o rio, as grandes instituições nacionais, as embaixadas e alguns dos melhores museus do país. É a cidade onde o Canadá conta a sua própria história.
O coração da cidade é a colina do Parlamento (Parliament Hill), com a imponente Peace Tower, e o canal Rideau, uma obra de engenharia do século XIX declarada Patrimônio Mundial pela Unesco que atravessa a cidade: no verão, dá para navegar e passear pelas margens, e no inverno ele vira a pista de patinação no gelo natural mais longa do mundo. A poucos passos pulsa o ByWard Market, o bairro mais animado, com seu mercado, restaurantes e vida noturna. E, do outro lado de uma ponte, já na província de Quebec, fica Gatineau, com o grande Museu Canadense de História.
Este guia percorre o essencial de Ottawa com um olhar prático e acolhedor: como visitar o Parlamento, quais museus escolher e quanto custam, como aproveitar o canal Rideau em cada estação, onde comer no ByWard Market e como escapar para a natureza do Parque da Gatineau. Ottawa é uma capital em escala humana, que se percorre a pé e de bicicleta, e que surpreende pela mistura de solenidade institucional e vida descontraída.
A região de Ottawa foi habitada durante milênios pelo povo algonquino (anishinaabe), para quem o rio Ottawa (Kichi Sibi, 'o grande rio') era uma rota de comércio e de vida. O nome 'Ottawa' vem da palavra algonquina 'adawe', que significa 'comerciar', em referência aos povos que comerciavam ao longo do rio. A presença europeia cresceu com o comércio de peles e, sobretudo, com a madeira. O povoado moderno nasceu em 1826 com a construção do canal Rideau, dirigida pelo tenente-coronel John By, do exército britânico, uma obra militar destinada a criar uma rota segura entre Montreal e os Grandes Lagos que evitasse o rio São Lourenço (vulnerável diante dos Estados Unidos após a Guerra de 1812). O acampamento dos operários deu origem a Bytown, em homenagem a By. Em 1855, Bytown foi reincorporada com o nome de Ottawa. A grande virada veio em 1857: a rainha Vitória, para encerrar as disputas entre as cidades candidatas (Toronto, Montreal, Quebec, Kingston), escolheu Ottawa como capital da Província do Canadá. A escolha, surpreendente por se tratar de uma cidade madeireira relativamente pequena, se baseou na sua posição de fronteira entre as zonas anglófona e francófona e na maior distância da fronteira com os Estados Unidos, o que a tornava mais fácil de defender. Com a Confederação de 1867, Ottawa se tornou a capital do novo Domínio do Canadá. Seus edifícios parlamentares neogóticos foram inaugurados nesses anos (e reconstruídos após um incêndio em 1916). Ao longo do século XX, a cidade cresceu como centro administrativo, diplomático e, mais tarde, tecnológico. O canal Rideau foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco em 2007. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Canada's economic and demographic heart: land of the Iroquoian and Algonquian nations, refuge of the Loyalists, cradle of Upper Canada and the country's industrial engine, home to Toronto, to the national capital Ottawa and to Niagara Falls.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de existir qualquer cidade, a região onde hoje fica Ottawa foi, durante milhares de anos, território do povo algonquino (anishinaabe). Para eles, o grande rio que hoje chamamos de Ottawa era o Kichi Sibi (ou Kitchissippi), 'o grande rio', uma artéria vital de comunicação, comércio, pesca e vida que atravessava suas terras. A confluência dos rios Ottawa, Gatineau e Rideau — onde a cidade está — era um ponto de encontro e de passagem de grande importância.
O rio Ottawa foi, durante séculos, uma das grandes rotas de canoa do comércio de peles, ligando o São Lourenço aos Grandes Lagos superiores e ao interior do continente. Por essas águas passaram povos originários, exploradores e os voyageurs do comércio de peles. A região, portanto, foi um corredor estratégico muito antes de alguém pensar em fundar uma capital.
O próprio nome da cidade e do rio guarda essa herança. 'Ottawa' vem da palavra algonquina 'adawe', que significa 'comerciar' ou 'trocar', em referência aos povos que comerciavam ao longo do rio (os odawa, ou 'ottawa', eram de fato conhecidos como comerciantes). Assim, o nome da capital do Canadá homenageia, sem que muita gente saiba, a atividade ancestral de troca dos povos originários que viviam em suas margens. Vale lembrar, além disso, que Ottawa está em território algonquino não cedido, um fato que o país reconhece de forma cada vez mais explícita.
A cidade moderna nasceu por um motivo militar. Depois da Guerra de 1812 contra os Estados Unidos, o Império Britânico ficou preocupado com a vulnerabilidade de sua principal rota de navegação na região: o rio São Lourenço, que corria colado à fronteira americana e podia ser facilmente bloqueado em caso de um novo conflito. A solução foi construir uma via de navegação alternativa, interior e segura, que ligasse Montreal aos Grandes Lagos pelo interior: o canal Rideau.
A obra monumental foi confiada ao tenente-coronel John By, engenheiro militar dos Royal Engineers britânicos, que chegou em 1826 para dirigir a construção do canal entre o rio Ottawa e Kingston, às margens do lago Ontário. By montou seu acampamento e sua base de operações no ponto onde o canal encontraria o rio Ottawa, descendo por um impressionante conjunto de eclusas. Ao redor desse acampamento de operários, engenheiros e fornecedores surgiu um povoado que logo recebeu o nome de Bytown, em homenagem ao coronel.
O canal Rideau, concluído em 1832, foi uma proeza de engenharia para a época, com dezenas de eclusas e barragens ao longo de cerca de 200 quilômetros, construído em condições duríssimas (centenas de trabalhadores morreram, muitos de malária). Embora nunca tenha sido usado na guerra temida, virou uma rota comercial e, com o tempo, uma joia do patrimônio: em 2007 foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco como o canal desse tipo mais bem conservado da América do Norte que continua em funcionamento. Bytown, enquanto isso, cresceu como uma rude vila madeireira e operária.
Em 1855, a crescente vila de Bytown foi reincorporada como cidade e mudou seu nome para Ottawa, tirado do rio. Era então uma cidade madeireira próspera, mas relativamente modesta, dedicada sobretudo à indústria da madeira, que descia pelos rios até o mercado. Pouca gente teria imaginado o destino que estava prestes a lhe caber.
A então Província do Canadá (a união dos atuais Ontário e Quebec) passava anos sem conseguir decidir uma capital permanente: o governo ia se alternando entre cidades como Kingston, Montreal, Toronto e Quebec, numa rivalidade que não se resolvia. Para encerrar a disputa, em 1857 a questão foi submetida à decisão da rainha Vitória. E a rainha, surpreendentemente, escolheu Ottawa.
A escolha, que espantou muita gente por se tratar de uma vila madeireira comparativamente pequena, tinha seus motivos. Ottawa ficava bem na fronteira entre o Canadá Oeste (anglófono) e o Canadá Leste (francófono), o que a tornava um ponto de compromisso entre as duas comunidades. Além disso, ficava mais longe da fronteira com os Estados Unidos do que cidades como Toronto ou Kingston, o que a tornava militarmente mais defensável (uma preocupação muito presente na época). Sua localização junto ao canal Rideau e aos rios também pesou a favor. Assim, quase da noite para o dia, a madeireira Ottawa virou a futura capital, e começaram as obras dos grandiosos edifícios parlamentares.
O destino de Ottawa foi selado com a Confederação. Em 1º de julho de 1867, as colônias britânicas da América do Norte se uniram para formar o Domínio do Canadá, um novo país dentro do Império Britânico, e Ottawa, que já tinha sido escolhida capital da antiga Província do Canadá, foi confirmada como capital do novo país. Essa data, 1º de julho, é hoje o Canada Day, a festa nacional, que em Ottawa é comemorada com especial intensidade na colina do Parlamento.
Para abrigar o novo governo, as obras dos edifícios parlamentares já tinham começado no alto da colina que domina o rio. O conjunto, de magnífica arquitetura neogótica vitoriana — com suas torres, agulhas e telhados de cobre —, foi erguido a partir de 1859 e completado nas décadas seguintes, tornando-se o símbolo arquitetônico do país. A escolha do estilo gótico, inspirado no Parlamento britânico de Westminster, buscava transmitir solidez, tradição e vínculo com a Coroa.
Um episódio dramático marcou sua história: em 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, um grande incêndio destruiu o edifício central original (o Centre Block), e só a Biblioteca do Parlamento se salvou graças a umas portas de ferro que foram fechadas a tempo. O Centre Block foi reconstruído nos anos seguintes e, como parte dessa reconstrução, foi erguida a Peace Tower, a torre em memória dos mortos na guerra, inaugurada nos anos 1920, que se tornou o emblema mais reconhecível do Parlamento canadense.
Ao longo do século XX, Ottawa se transformou de uma rude cidade madeireira em uma capital moderna, verde e planejada. No começo do século ainda era, em boa parte, um centro da indústria da madeira, com serrarias às margens do rio. Mas, à medida que crescia como sede do governo federal, foi ganhando um perfil mais administrativo, diplomático e residencial.
Um ponto de virada foi o esforço deliberado para embelezar e planejar a capital. Já no período entreguerras, e sobretudo em meados do século, o governo encomendou planos urbanísticos para dar a Ottawa a dignidade de uma capital nacional. O urbanista francês Jacques Gréber elaborou nos anos 1940 e 1950 um plano influente que reorganizou a cidade: os trilhos do trem foram tirados do centro, foram criados parques e cinturões verdes (o Greenbelt), as margens do canal e do rio foram embelezadas e grandes áreas naturais, como o Parque da Gatineau, foram preservadas. A Comissão da Capital Nacional (NCC) ficou encarregada de manter esse caráter verde e cerimonial.
Assim, Ottawa se consolidou como uma capital em escala humana, com muitas áreas verdes, museus nacionais (criados e ampliados ao longo do século) e um peso forte do emprego público. Nas últimas décadas do século XX e no começo do XXI, ganhou ainda um importante setor de tecnologia, que lhe rendeu o apelido de 'Vale do Silício do Norte'. A cidade também se expandiu: em 2001, vários municípios vizinhos se fundiram na atual cidade de Ottawa.
A Ottawa de hoje é uma capital próspera, tranquila e profundamente identificada com seu papel institucional. Com cerca de um milhão de habitantes (e mais de um milhão e meio somando a vizinha Gatineau, em Quebec), é uma cidade confortável, segura e verde, onde a vida gira em torno do governo, da diplomacia, da tecnologia e da cultura. Sua posição de fronteira entre o Ontário anglófono e o Quebec francófono faz dela uma das cidades mais bilíngues do Canadá, onde inglês e francês convivem nas ruas, nas placas e no dia a dia.
Culturalmente, Ottawa concentra as grandes instituições nacionais: o Museu Canadense de História (o mais visitado do país, do outro lado do rio), a Galeria Nacional do Canadá, o Museu Canadense da Guerra, o da Natureza e outros, além do Centro Nacional de Artes. Seu calendário é marcado por grandes eventos: o Festival Canadense das Tulipas em maio (um legado da gratidão dos Países Baixos ao Canadá depois da Segunda Guerra Mundial), as comemorações do Canada Day em 1º de julho na colina do Parlamento e o festival de inverno Winterlude.
Sua joia patrimonial é o canal Rideau, Patrimônio Mundial da Unesco desde 2007, que no verão é navegado e percorrido a pé e no inverno vira a pista de patinação natural mais longa do mundo, símbolo da relação dos canadenses com o inverno. Para o viajante, Ottawa oferece uma capital em escala humana: solene, mas descontraída, rica em história e instituições, cercada de natureza e fácil de percorrer a pé e de bicicleta. É o lugar onde o Canadá se pensa e se representa.