O Campo de Gelo Columbia (Columbia Icefield) é a maior massa de gelo das Montanhas Rochosas canadenses: um vasto manto de gelo, alimentado pelas nevascas de altitude, que se estende entre os parques nacionais de Jasper e Banff, na divisa entre Alberta e a Colúmbia Britânica. Dele descem várias geleiras, e é um dos poucos lugares do mundo onde a água do degelo acaba escoando para três oceanos diferentes. A mais acessível e famosa de suas geleiras é a Athabasca, que chega quase até a beira da estrada.
A geleira Athabasca é a grande estrela para o visitante: uma língua de gelo que desce a encosta e pode ser contemplada da estrada e pisada em passeios guiados em veículos especiais de rodas enormes (os 'Ice Explorers') ou em caminhadas com guia. Chega-se ao local pela Icefields Parkway (a 'Estrada dos Campos de Gelo'), uma das rotas cênicas mais espetaculares do mundo, que liga Lake Louise a Jasper entre picos, geleiras e lagos cor de turquesa.
Este guia percorre o Campo de Gelo Columbia com um olhar prático: o que é e por que é tão importante, o que ver e fazer (a geleira Athabasca, os passeios sobre o gelo, a passarela Skywalk, o centro de visitantes) e como chegar pela Icefields Parkway. É uma das paradas imperdíveis de qualquer viagem pelas Rochosas canadenses, onde dá para conhecer de perto o mundo das geleiras.
Um esclarecimento para quem estiver em dúvida: embora a cidade de Jasper tenha sofrido um incêndio grave em julho de 2024, tanto a Icefields Parkway quanto o Campo de Gelo Columbia, a geleira Athabasca e os grandes mirantes estão totalmente abertos e funcionando em 2026. A cidade de Jasper também foi reconstruída e funciona com hotéis, restaurantes e serviços; dá para visitar a região com total normalidade (verificado julho 2026).
O Campo de Gelo Columbia é um remanescente das grandes glaciações que moldaram as Rochosas. Ficou protegido dentro dos parques nacionais de Banff (1885, o primeiro do Canadá) e Jasper (1907). A construção da Icefields Parkway, concluída por volta de meados do século XX, abriu o acesso à geleira Athabasca e transformou a região em uma das grandes atrações das Rochosas. Desde então, os passeios sobre o gelo em veículos especiais aproximaram milhões de visitantes da experiência de pisar em uma geleira. Nas últimas décadas, o recuo da geleira Athabasca por causa do aquecimento global ficou visível e hoje é usado como testemunho das mudanças climáticas. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The province of the prairies and the Rockies: Blackfoot and Cree land, land of cattle ranching and oil, home of Banff —Canada's first national park—, of Lake Louise and of the dinosaurs of Drumheller.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Imagine um único floco de neve caindo sobre os cumes do Campo de Gelo Columbia. Dependendo de onde ele pousar — a poucos metros de distância —, sua água vai acabar em um de três oceanos diferentes: o Ártico, o Pacífico ou, passando pela distante baía de Hudson, o Atlântico. Este cantinho das Montanhas Rochosas é um dos pouquíssimos 'vértices hidrográficos' triplos do planeta, um ponto onde as águas do continente se dividem e tomam rumos que as separam por milhares de quilômetros. Essa raridade geográfica é só o começo de uma história muito mais antiga.
O Campo de Gelo Columbia é o maior manto de gelo das Rochosas canadenses, na divisa entre os atuais parques nacionais de Banff e Jasper, no limite entre Alberta e a Colúmbia Britânica. É um remanescente vivo das grandes glaciações que cobriram boa parte da América do Norte e moldaram o relevo das Rochosas, escavando vales, polindo cumes e deixando lagos e morenas pelo caminho. Ele é alimentado pelas abundantes nevascas de altitude, que se compactam ano após ano até virar gelo glacial, e dessa enorme reserva descem várias geleiras rumo aos vales: a Athabasca, a Dome e a Saskatchewan, entre outras.
Durante milênios, essa região de altíssima montanha ficou praticamente inacessível, conhecida pelos povos originários das Rochosas e, mais tarde, explorada por montanhistas e cientistas que foram mapeando seus gelos. Sua preservação ficou garantida quando passou a integrar o sistema de parques nacionais do Canadá: Banff, criado em 1885 como o primeiro do país, e Jasper, estabelecido em 1907.
O que transformou o Campo de Gelo Columbia em uma das grandes atrações das Rochosas foi a construção da estrada que hoje conhecemos como Icefields Parkway (a 'Estrada dos Campos de Gelo', rodovia 93). Essa via cênica liga Lake Louise, no sul, a Jasper, no norte, atravessando uma paisagem espetacular de picos, geleiras, lagos turquesa e cachoeiras, e passa bem ao pé da geleira Athabasca.
A abertura da estrada, concluída por volta de meados do século XX, tornou acessível pela primeira vez aos visitantes comuns uma geleira que antes só os montanhistas alcançavam. A geleira Athabasca, cuja língua de gelo desce quase até a beira da estrada, virou assim a mais visitada do continente. Logo surgiram os passeios sobre o gelo, primeiro com veículos rudimentares e depois com os grandes veículos de rodas especiais (os 'Ice Explorers' ou 'Snocoaches'), que permitem que multidões pisem com segurança na superfície da geleira.
Ao longo das décadas, o local foi ganhando infraestrutura: um centro de visitantes (Columbia Icefield Discovery Centre), um lodge e, mais recentemente, a passarela panorâmica de vidro Columbia Icefield Skywalk, suspensa sobre o vale. A Icefields Parkway, por sua vez, se consolidou como uma das rotas turísticas mais famosas do mundo, percorrida todo ano por uma multidão de viajantes.
Além da sua beleza, a geleira Athabasca se tornou um dos testemunhos mais visíveis da mudança climática no Canadá. Como muitas geleiras de montanha no mundo, ela vem recuando de forma acentuada há décadas: sua língua de gelo encurtou de maneira notável, e seu volume e espessura diminuíram sensivelmente ao longo do último século.
O recuo é tão evidente que, na trilha de acesso ao pé da geleira, foram colocadas placas marcando até onde o gelo chegava em diferentes décadas. Caminhando entre essas placas, o visitante percorre fisicamente o terreno que a geleira deixou descoberto, uma experiência que torna palpável e comovente o efeito do aquecimento global.
Por isso, a visita ao Campo de Gelo Columbia ganhou um forte valor educativo: os guias e os centros de interpretação explicam não só a geologia e a formação das geleiras, mas também o degelo em andamento e suas consequências para os recursos hídricos da região. A geleira em que hoje se pode pisar é, de certa forma, um monumento natural em processo de desaparecimento, e isso acrescenta uma dimensão de urgência e reflexão a uma das experiências mais impactantes das Rochosas canadenses.
Embora os povos originários das Rochosas conhecessem essas montanhas desde tempos imemoriais, o Campo de Gelo Columbia permaneceu desconhecido para o mundo ocidental até o fim do século XIX. Ele foi 'descoberto' para a ciência europeia em 1898 pelos montanhistas britânicos John Norman Collie e Hermann Woolley, que subiram o monte Athabasca e, do cume, avistaram impressionados a imensa extensão do campo de gelo, até então não mapeada. Collie comparou a visão a um mar de gelo que se perdia no horizonte.
O nome 'Columbia' vem do vizinho monte Columbia, o segundo pico mais alto das Rochosas canadenses, que por sua vez leva o nome do rio Columbia, cujas águas nascem em parte deste campo de gelo. Já a geleira Athabasca e o rio de mesmo nome têm um nome de origem cree ('athapaskaw', 'onde há juncos' ou 'onde as canas se cruzam'), reflexo da presença indígena em toda a região.
Nas décadas seguintes, montanhistas, topógrafos e guias — muitos deles suíços contratados pela companhia ferroviária Canadian Pacific — exploraram e mapearam sistematicamente a área, abrindo rotas de subida aos seus cumes. Essa era de ouro do montanhismo nas Rochosas transformou o Campo de Gelo Columbia em um objetivo lendário para os alpinistas, muito antes de a estrada abri-lo ao turismo de massa.
O Campo de Gelo Columbia não é só uma atração turística: é também um valioso laboratório natural para a ciência. Há décadas, glaciologistas e climatologistas estudam aqui a dinâmica das geleiras de montanha, medindo ano após ano o balanço de massa da geleira Athabasca — a diferença entre a neve que se acumula no inverno e o gelo que se perde no verão. Esses registros, que estão entre os mais longos da América do Norte, documentam com precisão a perda contínua de gelo das últimas gerações.
A importância do campo de gelo vai além do simbólico. Suas geleiras alimentam rios — o Athabasca, o Saskatchewan Norte, o Columbia — dos quais dependem ecossistemas, cidades e a agricultura de vastas regiões do Canadá e dos Estados Unidos. A redução dessa reserva de água congelada tem, portanto, consequências práticas para milhões de pessoas a longo prazo.
Hoje, o Parks Canada e as operadoras de turismo buscam equilibrar o acesso dos visitantes com a proteção de um ambiente frágil. A experiência de pisar na geleira vem cada vez mais acompanhada de uma mensagem de conscientização. O futuro do Campo de Gelo Columbia, como o de tantas geleiras do mundo, está ligado ao das emissões globais, o que dá a essa maravilha das Rochosas uma relevância que vai além do turismo: é, ao mesmo tempo, um espetáculo natural e um alerta.