Natal é a capital do Rio Grande do Norte e uma das grandes portas de entrada do Nordeste: uma cidade luminosa, debruçada sobre o Atlântico na foz do rio Potengi, famosa pelos quase 300 dias de sol por ano (daí o apelido de 'Cidade do Sol'), pelas dunas que avançam até o mar e pelos passeios de buggy. Foi fundada no dia de Natal de 1599 ao redor do Forte dos Reis Magos, uma fortaleza em forma de estrela erguida sobre um banco de areia na barra do Potengi, e mantém esse clima de vila colonial atlântica misturado ao de um balneário moderno.
O coração turístico bate em Ponta Negra, a praia urbana mais famosa da cidade, com seu calçadão de quiosques, bares e restaurantes e, sobretudo, com o Morro do Careca, uma duna gigante de mais de cem metros encaixada entre dois morros cobertos de vegetação: o cartão-postal absoluto de Natal. É dali que se organiza quase toda a vida do visitante: os hotéis, a vida noturna e a saída dos passeios. Mais ao norte, a Via Costeira reúne os grandes resorts de frente para o mar, margeando o Parque das Dunas, uma enorme reserva urbana de Mata Atlântica, a segunda maior do tipo no Brasil.
Mas o que torna Natal única é o que está ao redor. Ao norte, o Litoral Norte oferece o passeio mais clássico: o buggy 'com ou sem emoção' pelas dunas de Genipabu, com paradas para dromedários, tirolesas sobre lagoas (Lagoa de Pitangui, Lagoa de Jacumã) e, mais longe, as piscinas naturais dos parrachos de Maracajaú, o 'Caribe potiguar', a 7 km da costa. Ao sul, o Litoral Sul guarda o Maior Cajueiro do Mundo em Pirangi (uma única árvore que cobre quase um hectare), as falésias coloridas de Tabatinga e, principalmente, a deslumbrante Praia da Pipa, com a Baía dos Golfinhos e suas falésias. Some a isso uma história intensa, dos potiguaras e holandeses ao papel-chave de Natal na Segunda Guerra Mundial como 'Trampolim da Vitória', e você tem um destino que combina praia, natureza e memória.
O litoral do Rio Grande do Norte era habitado pelos potiguaras (povo da família tupi-guarani cujo nome significa 'comedores de camarão') muito antes da chegada dos europeus; aliados primeiro dos franceses e depois dos holandeses, resistiram durante décadas à conquista portuguesa. O marco fundador veio quando a Coroa ibérica (em plena União Ibérica, com Portugal e Espanha sob Filipe II) mandou erguer uma fortaleza para defender a barra do rio 'Grande': em 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis, começou a construção do Forte dos Reis Magos, em forma de estrela, e quase um ano depois, em 25 de dezembro de 1599, a cidade foi fundada a uma légua do forte e batizada de Natal por causa da data. Em 1633 os holandeses invadiram a região, tomaram o forte e rebatizaram a vila de Nova Amsterdã, dominando-a até serem expulsos em 1654. Retomada pelos portugueses, Natal cresceu devagar até que o ciclo do algodão, o 'ouro branco', transformou a cidade na segunda metade do século XIX, sobretudo o bairro da Ribeira, junto ao porto do Potengi. Seu momento mais célebre veio na Segunda Guerra Mundial: por ser o ponto do Brasil mais próximo da África, Natal abrigou a base aérea de Parnamirim (Parnamirim Field), a maior base norte-americana fora dos Estados Unidos, conhecida como o 'Trampolim da Vitória', por onde passaram milhares de aeronaves rumo às frentes da Europa e da África. Depois da guerra, Natal se reinventou como capital do sol, das dunas e do turismo de praia. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The state on Brazil's corner, where the continent bends south and comes closest to Africa: land of the Potiguara and of the Fortaleza dos Reis Magos, of cotton and of the country's largest salt works. This is where the Second World War's 'Springboard to Victory' took off, and today its dunes, buggies and falésias define the sun of Natal and Pipa.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de existir a cidade de Natal, todo o litoral do atual Rio Grande do Norte era habitado pelos potiguaras (ou potiguares), um povo da grande família linguística tupi-guarani que se espalhava pela costa dos atuais estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão. O nome, de origem tupi, é um retrato do seu modo de vida: 'potï' significa 'camarão' e 'guara', 'comedor', de modo que 'potiguara' quer dizer literalmente 'comedor de camarão'. Daí vem, até hoje, o gentílico 'potiguar', usado para tudo o que é do Rio Grande do Norte.
Estima-se que, antes da chegada dos europeus em 1500, a população potiguara podia chegar a várias dezenas de milhares de pessoas espalhadas ao longo da costa. Viviam da pesca, da caça, da coleta e do cultivo de mandioca e milho, em aldeias perto dos rios e do mar. O conhecimento que tinham do território — as barras dos rios, as dunas, os manguezais — seria decisivo nas guerras coloniais que viriam.
Durante os séculos XVI e XVII, os potiguaras resistiram com força ao projeto de colonização portuguesa. Longe de se submeter, fizeram alianças estratégicas com os inimigos de Portugal: primeiro com os franceses, que comerciavam pau-brasil no litoral, e mais tarde com os holandeses durante a ocupação neerlandesa do Nordeste. Essa resistência fez com que a conquista do Rio Grande fosse tardia e sangrenta, e explica por que a fundação de Natal só aconteceu no fim do século XVI, bem depois de outras capitanias do Nordeste.
O preço dessa resistência foi altíssimo. Depois da expulsão definitiva dos holandeses em 1654, a represália colonial e as epidemias dizimaram a população potiguara, e boa parte das suas comunidades no Rio Grande do Norte sumiu do mapa ou foi absorvida. Hoje existem comunidades potiguaras reconhecidas, sobretudo no litoral norte da Paraíba e em alguns pontos do Rio Grande do Norte, mas a sua marca ficou gravada para sempre no gentílico e na identidade do estado.
A origem de Natal está ligada de forma inseparável a uma fortaleza. No fim do século XVI, em plena União Ibérica (quando as coroas de Portugal e Espanha estavam unidas sob Filipe II), a necessidade de conter os franceses que comerciavam no litoral e de garantir a barra do 'Rio Grande' levou à decisão de erguer uma fortificação e fundar uma vila perto dela. A construção do forte começou em 6 de janeiro de 1598, dia da Epifania ou Dia de Reis no calendário católico; por causa dessa data, a fortaleza recebeu o nome de Forte dos Reis Magos, em homenagem aos três Reis Magos.
O forte foi erguido em forma de estrela sobre um banco de areia na foz do rio Potengi, uma localização estratégica que dominava a entrada do rio e o litoral. O desenho estrelado, típico da arquitetura militar da época, permitia cobrir todos os ângulos de aproximação. Quase um ano depois do início da obra, em 25 de dezembro de 1599, a cidade foi fundada oficialmente a uma légua da fortificação.
A data de fundação — o dia de Natal — deu nome à cidade: Natal. Assim, a capital do Rio Grande do Norte é uma das poucas grandes cidades do mundo cujo nome celebra literalmente a data em que nasceu, um detalhe que a própria cidade exibe com orgulho e que dá origem à sua tradição natalina.
Nas primeiras décadas, Natal foi uma vila pequena e pobre, mais um posto militar do que uma cidade próspera. Os relatos da época falam de apenas algumas dezenas de casas, muitas cobertas de palha, em volta do forte e da incipiente Cidade Alta. A prosperidade de verdade levaria séculos para chegar, mas o Forte dos Reis Magos ficou para sempre como o 'marco zero' da cidade: o ponto de onde Natal nasceu.
Nas primeiras décadas do século XVII, a potência comercial neerlandesa voltou os olhos para o Nordeste açucareiro do Brasil. A Companhia das Índias Ocidentais holandesa, que dominava boa parte do comércio europeu e queria controlar a produção e a distribuição do açúcar, lançou uma ofensiva sobre o litoral brasileiro. Depois de tomar Recife e Pernambuco, os holandeses avançaram para o norte.
Em 12 de junho de 1633, uma esquadra holandesa saída de Recife — com onze embarcações e mais de 800 homens sob o comando do almirante Jan Cornelissen Lichthardt — invadiu o Rio Grande do Norte, tomou o Forte dos Reis Magos e dominou Natal. Sob o controle neerlandês, a vila foi rebatizada como 'Nova Amsterdã' e o próprio forte passou a se chamar, por um tempo, Forte Ceulen. No ano seguinte à invasão, os holandeses conquistaram também os engenhos de açúcar mais importantes da região, os engenhos de Cunhaú (no atual Canguaretama) e Ferreiro Torto (na atual Macaíba).
A ocupação holandesa do Rio Grande do Norte durou de 1633 a 1654. Foi um período de guerra, alianças instáveis e violência: os holandeses contaram com o apoio de parte dos potiguaras, inimigos dos portugueses, enquanto a população de Natal continuava pequena — os relatos falam de cerca de 30 casas, a maioria coberta de palha. A região também foi palco de episódios trágicos, como os massacres de Cunhaú e Uruaçu (1645), em que fiéis católicos foram assassinados, fatos pelos quais a Igreja reconheceu, séculos depois, os 'Mártires de Cunhaú e Uruaçu'.
A presença holandesa terminou em 1654, quando os neerlandeses capitularam e foram expulsos do Nordeste brasileiro depois das campanhas da 'Insurreição Pernambucana'. Com o controle português restabelecido, a fortificação voltou a se chamar Forte dos Reis Magos e Natal retomou o seu lento crescimento como vila colonial portuguesa.
Depois da expulsão dos holandeses, Natal passou por quase dois séculos de crescimento lento e modesto. Era uma vila pequena, periférica dentro do imenso território colonial, marcada pelas secas do interior e por uma economia de subsistência. Desse período colonial sobrevivem joias como a Igreja de Santo Antônio — a 'Igreja do Galo' —, inaugurada em 1766 pelos colonizadores portugueses, um dos templos mais antigos da cidade, em estilo barroco, famosa pelo para-raios de bronze em forma de galo que coroa a sua torre.
A grande virada veio com uma cultura agrícola: o algodão, o chamado 'ouro branco'. Impulsionada pela demanda europeia da indústria têxtil, a produção algodoeira transformou a economia do Rio Grande do Norte na segunda metade do século XIX. Natal virou o ponto de saída dessa riqueza, e o comércio do algodão movimentou especialmente o bairro da Ribeira, às margens do rio Potengi, onde funcionava um pequeno porto de onde a produção era exportada.
A Ribeira viveu então a sua época de ouro: encheu-se de casas comerciais, armazéns, escritórios e residências, e a cidade começou a se modernizar no ritmo da Belle Époque. Desse impulso nasceu, já no começo do século XX, o Teatro Alberto Maranhão (inaugurado em 1904), uma construção elegante em estilo art nouveau na praça Augusto Severo, símbolo da Natal que queria ser europeia e moderna. O centro histórico da cidade — os bairros da Cidade Alta e da Ribeira — conserva até hoje esse mosaico de arquitetura colonial, neoclássica, art déco e modernista.
No plano administrativo, o Rio Grande do Norte foi por muito tempo dependente de Pernambuco; o século XIX consolidou Natal como capital e centro político do estado. Mesmo assim, por volta de 1900 ela ainda era uma cidade relativamente pequena e tranquila. Nada indicava que, poucas décadas depois, ela se tornaria, por causa da sua geografia, um ponto-chave da história mundial.
O momento em que Natal entrou de vez na história mundial chegou com a Segunda Guerra Mundial, e o motivo foi pura geografia. Natal é o ponto do território brasileiro mais próximo do continente africano: da sua 'esquina' do Atlântico, a distância até o oeste da África é a menor de todo o continente americano. Numa guerra travada dos dois lados do oceano, essa posição fez dela um elo estratégico para ligar as Américas às frentes da Europa e da África.
O governo de Getúlio Vargas autorizou a instalação de uma grande base aérea em Parnamirim, na região metropolitana de Natal. O Núcleo da Base Aérea de Natal foi criado em 2 de março de 1942 e ativado em 7 de agosto do mesmo ano. Ali, dividindo o mesmo aeródromo, os Estados Unidos montaram o 'Parnamirim Field', que chegou a ser a maior base aérea norte-americana fora do território dos Estados Unidos durante o conflito. Pela sua importância, as Forças Aliadas a batizaram de 'Trampolim da Vitória'.
De Natal decolavam diariamente aviões que cruzavam o Atlântico Sul rumo às frentes de combate no norte da África e na Europa, encurtando enormemente as rotas entre os continentes. Estima-se que cerca de 20.000 aeronaves passaram pela base durante o período da guerra, um número que dá a dimensão do tráfego militar que a cidade teve. Natal viveu então uma transformação acelerada: a chegada de milhares de soldados norte-americanos mudou o dia a dia, a economia e até a cultura da cidade, no que muitos historiadores chamam de 'americanização' de Natal.
Esse capítulo deixou uma marca profunda. Houve até um episódio famoso: em janeiro de 1943, o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt e o presidente brasileiro Getúlio Vargas se reuniram em Natal (a chamada 'Conferência de Natal' ou 'Conferência do Potengi') para coordenar a participação do Brasil na guerra. Hoje, a Base Aérea de Natal e diversos memoriais lembram esse papel da cidade como 'Trampolim da Vitória', um orgulho histórico que continua sendo celebrado.
Passada a guerra, Natal entrou numa nova fase. A infraestrutura herdada da presença militar — em especial o aeroporto de Parnamirim, por muito tempo o principal da cidade — e o contato com o mundo deixado pela 'americanização' ajudaram a projetar a cidade. Ao longo da segunda metade do século XX, Natal cresceu, se urbanizou e começou a olhar para o seu maior patrimônio: as praias, as dunas e o sol quase permanente.
A partir do fim do século XX, o turismo virou um dos motores da cidade. A consolidação de Ponta Negra como balneário, a construção da Via Costeira com seus grandes resorts de frente para o mar (margeando o Parque das Dunas) e a popularização dos passeios de buggy pelas dunas de Genipabu e pelo Litoral Sul transformaram Natal em um dos destinos de praia mais visitados do Nordeste brasileiro. A cidade ganhou o apelido de 'Cidade do Sol' pelos cerca de 300 dias de sol por ano.
Um novo salto veio no século XXI com a abertura, em 2014, do Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves (NAT), no município vizinho de São Gonçalo do Amarante, que substituiu o antigo aeroporto de Parnamirim como porta de entrada aérea da região. No mesmo ano, Natal foi uma das cidades-sede da Copa do Mundo de futebol de 2014 no Brasil, o que impulsionou obras e deu mais visibilidade internacional à cidade.
Hoje Natal combina suas duas almas: a do balneário moderno — Ponta Negra, o Morro do Careca, os resorts, os buggies e os passeios para Maracajaú, Pirangi e Pipa — e a da cidade histórica que nasceu num dia de Natal de 1599, guardada pelo velho Forte dos Reis Magos em forma de estrela. Capital potiguar, 'Cidade do Sol' e antigo 'Trampolim da Vitória', Natal é um destino onde praia, natureza e memória convivem às margens do Potengi e do Atlântico.