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Morretes
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Morretes

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📍Estado
Paraná
📌Melhor época
O ano todo; primavera e outono com clima agradável; verão mais quente e úmido
📌Dias sugeridos
1 a 2 dias (passeio clássico de um dia saindo de Curitiba)
📌Moeda
Real brasileiro (BRL, R$)
💱 USD exchange rate
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🌤️ Weather in Morretes
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Morretes é uma cidadezinha histórica pequena e encantadora ao pé da Serra do Mar, no litoral do Paraná, famosa por dois motivos: a espetacular viagem de trem que a liga a Curitiba descendo a serra, e o barreado, seu prato típico cozido durante horas em panela de barro. Com seu centro colonial de casarões portugueses, o rio que corta a cidade e o entorno de Mata Atlântica, Morretes é um dos passeios mais gostosos do Sul do Brasil.

A grande atração é a travessia ferroviária da Serra do Mar: um trem turístico que sai de Curitiba e desce por uma das ferrovias mais bonitas e vertiginosas do Brasil, construída no século XIX, passando por 13 túneis, 41 pontes e viadutos, cachoeiras e mirantes sobre a Mata Atlântica preservada, até chegar a Morretes. Já na cidade, o ritual é sentar para almoçar o barreado, acompanhado de banana e farinha de mandioca, e passear pelo centro histórico às margens do rio Nhundiaquara.

Este guia percorre o essencial de Morretes com um olhar prático: como chegar (principalmente no famoso trem), o que ver no centro e nos arredores, onde provar o barreado, onde dormir e como combinar a visita com Curitiba, Antonina, Paranaguá e a Ilha do Mel. Morretes é trem, história colonial, Mata Atlântica e boa mesa: o coração do litoral paranaense.

📖 História de Morretes

Morretes nasceu no século XVIII como vila colonial na rota que ligava o litoral de Paranaguá ao planalto de Curitiba, num ponto às margens do rio Nhundiaquara, ao pé da Serra do Mar. Foi passagem obrigatória dos antigos caminhos de tropeiros e da produção que subia e descia a serra (ouro, erva-mate, mercadorias do porto). No século XIX foi construída a célebre ferrovia Curitiba-Paranaguá, uma façanha de engenharia que atravessou a Serra do Mar e consolidou Morretes como destino da viagem. Seu centro conserva a arquitetura colonial portuguesa, e sua gastronomia, encabeçada pelo barreado, expressa a herança dos colonos do litoral. A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Morretes fica em Paraná

The southern state of araucaria pine forests and great waters: from the Jesuit missions of Guairá razed by the bandeirantes to the gold of Paranaguá, from yerba mate and the tropeiros to European immigration and the coffee of the north. Home to the Iguazú Falls, to Itaipú and to Curitiba, a world benchmark in urban planning.

Ler a história de Paraná →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Curitiba

Saem de Curitiba, a 44 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.

1
Uma das viagens de trem mais bonitas do Brasil, descendo a Serra do Mar entre mata e viadutos.
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A viagem de trem de Curitiba a Morretes é um dos percursos ferroviários mais espetaculares do Brasil e o principal motivo pelo qual muita gente visita a cidade. A linha, construída no século XIX como uma proeza da engenharia da época, desce a Serra do Mar ao longo de cerca de 70 km, entre 13 túneis, 41 pontes e viadutos suspensos sobre os abismos, atravessando uma das maiores áreas preservadas de Mata Atlântica do país. O trajeto dura de 3 a 4,5 horas, dependendo do serviço, com vista para cachoeiras, vales, picos e mirantes como o famoso Viaduto do Carvalho.
ℹ️ Operado pela Serra Verde Express; saída da Estação Rodoferroviária de Curitiba às 8:30 (volta de Morretes às 15:00). Funciona diariamente em janeiro-fevereiro (alta temporada de verão) e de sexta a domingo no resto do ano: confira o calendário e reserve com antecedência.
2
Centro histórico e rio Nhundiaquara
Centro colonial português à beira do rio, com casarões, igrejas e restaurantes de barreado.
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O centro histórico de Morretes é um encanto: um conjunto de casas coloniais de arquitetura portuguesa, coloridas e com telhados característicos, dispostas ao longo do rio Nhundiaquara, cortado por pontes. É ideal para passear, fotografar, visitar as igrejas históricas e curtir o clima tranquilo de cidadezinha à beira d'água. Aqui se concentram os restaurantes que servem o barreado, as lojas de artesanato, os doces (as famosas balas de banana) e as cachaças artesanais.
ℹ️ Acesso livre; centro para percorrer a pé. Restaurantes de barreado no almoço.
3
Estrada da Graciosa
Histórica estrada cênica entre Curitiba e o litoral, atravessando a Serra do Mar.
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A Estrada da Graciosa é uma estrada histórica e sinuosa que liga o planalto de Curitiba ao litoral, descendo a Serra do Mar em paralelo à linha do trem. Seu traçado, com curvas, mirantes, antigos recantos de pedra, vegetação exuberante e vistas para a Mata Atlântica, faz dela uma das rotas cênicas mais bonitas do Paraná. Muita gente combina as duas coisas: desce de trem até Morretes e volta de carro ou van pela Graciosa, para curtir as duas perspectivas da Serra do Mar.
ℹ️ Estrada cênica de acesso livre; percurso de carro. Dirija com cuidado nas curvas; vale a pena parar nos mirantes.
4
Parque Estadual Pico do Marumbi
Trilhas e montanhismo em plena Mata Atlântica da Serra do Mar.
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O Parque Estadual Pico do Marumbi é um destino clássico de trilhas e montanhismo em uma das regiões de maior biodiversidade de Mata Atlântica do Brasil. Tem cumes rochosos, trilhas de diferentes níveis de dificuldade, rios e cachoeiras, e dá para chegar até de trem (há parada em Marumbi). É ideal para caminhadas, banhos em rios cristalinos e, para os mais experientes, subidas aos cumes do maciço. O acesso ao parque é gratuito.
ℹ️ Acesso gratuito (Instituto Água e Terra). Chegada de trem (parada Marumbi) ou de carro. Informe-se sobre a dificuldade das trilhas; algumas subidas exigem experiência e equipamento.
5
O barreado (experiência gastronômica)
O prato símbolo de Morretes: carne cozida durante horas em panela de barro vedada.
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Mais que um prato, o barreado é um ritual. Carne (vários cortes) cozida lentamente durante muitas horas em uma panela de barro vedada com uma massa de farinha e água (daí o nome 'barreado'), até desmanchar em fiapos. É servido com farinha de mandioca e rodelas de banana, e costuma ser oferecido em rodízio (à vontade). É herança dos colonos do litoral paranaense e o imperdível gastronômico da visita. Prová-lo em um dos restaurantes históricos do centro, na hora do almoço, é parte essencial da experiência.
ℹ️ Servido no almoço nos restaurantes do centro. Rodízios a partir de ~R$ 40–55 por pessoa (2025).
6
Antonina (passeio próximo)
Cidade portuária colonial à beira da Baía de Paranaguá, a poucos minutos de Morretes.
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A cerca de 15 km de Morretes, Antonina é outra joia colonial do litoral paranaense, com seu centro histórico bem conservado, a igreja matriz, casarões dos tempos do porto e vista para a Baía de Paranaguá. Mais tranquila e menos turística que Morretes, conserva um charme melancólico e é perfeita para combinar na mesma viagem: passear pelas ruas de pedra, ver o pôr do sol sobre a baía e provar a cozinha do litoral. Seu tradicional carnaval (Carnaval de Antonina) é famoso na região.
ℹ️ A 15 km de Morretes (cerca de 20–30 min de carro ou ônibus). Acesso livre ao centro histórico.
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Tren Serra do Mar (Curitiba-Morretes, solo bilhete)A partir de R$ 206 por pessoa na classe turística; as classes superiores e os vagões premium custam mais (fonte: Serra Verde Express, verificado em julho de 2026)
Tren Serra do Mar — paquete completo (ida en tren, vuelta en van)A partir de R$ 488 por pessoa, conforme o serviço (fonte: Serra Verde Express, verificado em julho de 2026)
Centro histórico de MorretesGrátis (acesso livre)
Estrada da GraciosaGrátis (percurso de carro)
Parque Estadual Pico do MarumbiGrátis (acesso livre, Instituto Água e Terra)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Viagem de trem pela Serra do Mar (classe turística)
DuraçãoAprox. 3 a 4,5 h (trajeto)
OperadoraSerra Verde Express
Preço
A partir de R$ 206 por pessoa (fonte: Serra Verde Express, verificado em julho de 2026)
Almoço de barreado (rodízio)
Duração1-2 h
OperadoraRestaurantes do centro (Madalozo, Terra Nossa, Empório do Largo)
Preço
R$ 40–55 por pessoa nos rodízios; até ~R$ 112 em restaurantes mais sofisticados (fonte: levantamento de cardápios / Onde Comer e Beber, verificado em julho de 2026)
Trekking no Marumbi
DuraçãoMeio dia a dia inteiro
OperadoraPor conta própria / guias de montanha
Preço
Grátis (parque); guia opcional R$ 150–300 por grupo (fonte: guias de montanha locais, verificado em julho de 2026)
Rafting e aventura nos rios da região
DuraçãoMeio dia
OperadoraOperadoras de turismo de aventura locais
Preço
R$ 120–250 por pessoa aprox. (fonte: operadoras de aventura locais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

MeioPreçoDuraçãoObservações
Trem turístico (saindo de Curitiba)A partir de R$ 206 por pessoa (fonte: Serra Verde Express, verificado em julho de 2026)Aprox. 3 a 4,5 hO jeito mais famoso de chegar; operado pela Serra Verde Express
Carro / aluguelAluguel R$ 120–250 por dia aprox. (fonte: agregadores Rentcars/Localiza, verificado em julho de 2026)VariávelPermite percorrer a Estrada da Graciosa e a região do litoral
Ônibus saindo de CuritibaA partir de R$ 38–45 por pessoa (fonte: Viação Graciosa, verificado em julho de 2026)Aprox. 1 h 20 minOpção econômica; conexões também com Antonina e Paranaguá
A péGrátisVariávelO centro histórico de Morretes se percorre a pé
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Curitiba → Morretes (trem Serra do Mar)Serra Verde ExpressA partir de R$ 206 por pessoa (fonte: Serra Verde Express, verificado em julho de 2026)Aprox. 3 a 4,5 h
Curitiba → Morretes (ônibus pela BR-277)Viação GraciosaA partir de R$ 38–45 por pessoa (fonte: Viação Graciosa, verificado em julho de 2026)Aprox. 1 h 20 min (cerca de 70 km)
Curitiba → Morretes (carro pela Estrada da Graciosa / BR-277)Carro próprio ou alugadoCombustível + pedágios (variável)Aprox. 1 a 1,5 h
Paranaguá / Antonina → MorretesCarro ou ônibus (Viação Graciosa)R$ 8–20 por pessoa aprox. (fonte: Viação Graciosa, verificado em julho de 2026)Aprox. 20-40 min
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Pousadas charmosas e de estilo
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 365–650 a diária aprox. Ex.: Pousada do Oásis (a partir de ~R$ 365), Casa da Estação (a partir de ~R$ 624). Estilo, conforto e boa localização perto do centro (fonte: Booking/Pena Estrada, verificado em julho de 2026)
Pousadas e hotéis de padrão médio
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 239–280 a diária aprox. Ex.: Nhundiaquara Hotel (a partir de ~R$ 250), Pousada Dona Siroba (a partir de ~R$ 240), Pousada Serra Verde (a partir de ~R$ 239), Armazém do Porto Chalé Jasmim (a partir de ~R$ 245) (fonte: Booking, verificado em julho de 2026)
Hospedagens econômicas e rurais
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 120–220 a diária aprox. Pousadas simples, chalés e hospedagens no entorno rural e serrano para orçamentos apertados (fonte: Booking, verificado em julho de 2026)

🍴 Onde comer

Barreado en restaurantes históricos
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Rodízio de barreado R$ 40–55 por pessoa; restaurantes mais sofisticados até ~R$ 112. Ex.: Madalozo, Terra Nossa, Empório do Largo, Ponte Velha (fonte: Onde Comer e Beber / levantamento de cardápios, verificado em julho de 2026)
Cocina del litoral paranaense
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Peixes, frutos do mar e pratos regionais R$ 45–90 por prato. À beira do rio e no centro histórico (fonte: levantamento de cardápios, verificado em julho de 2026)
Cafés y comida casual
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Cafés, lanches e prato feito R$ 20–50 por pessoa. À beira do rio e no centro (fonte: levantamento local, verificado em julho de 2026)
Dulces y cachaças artesanales
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Balas de banana R$ 5–15, doces caseiros R$ 8–20, cachaças artesanais R$ 25–80 a garrafa. Lembrancinhas típicas da região (fonte: levantamento local, verificado em julho de 2026)

📖 História de Morretes

Origem, formação e o que dizem as fontes.

A cidadezinha ao pé da serra, entre o porto e o planalto

Antes de existir o trem, a única forma de subir do litoral do Paraná ao planalto de Curitiba era no lombo de mula, por caminhos de pedra que escalavam a muralha verde da Serra do Mar. E nessa subida, às margens do rio Nhundiaquara, havia uma parada obrigatória onde as tropas descansavam, a produção do interior era negociada e as mercadorias do porto eram carregadas: Morretes. Tudo o que hoje faz a fama da cidade — o trem, o barreado, o centro colonial — nasceu dessa condição de dobradiça entre dois mundos, o litoral e a serra.

Morretes se formou no século XVIII como vila colonial do litoral paranaense, na rota que ligava o porto de Paranaguá ao planalto de Curitiba. A região já tinha conhecido antes o ciclo do ouro de aluvião e depois a economia da erva-mate; por seus caminhos passavam os tropeiros que conduziam as mulas rumo a São Paulo. Junto com a vizinha Antonina e com Paranaguá, Morretes fez parte dessa antiga trama colonial do litoral sul, onde o mar, o porto e a serra davam o ritmo da vida.

O centro da vila foi ganhando forma com a arquitetura portuguesa típica: casarios coloniais de cores vivas, igrejas e um traçado que se acomoda às curvas do rio. Esse conjunto histórico, que se conserva até hoje e pode ser percorrido a pé em poucos minutos, é um dos grandes atrativos da cidade e o testemunho mais visível da sua origem colonial. Passear pela margem do Nhundiaquara, com a Serra do Mar recortada ao fundo, é espiar a Morretes de dois séculos atrás.

1880-1885: a epopeia da ferrovia da Serra do Mar

O marco que transformou a história de Morretes foi a construção da ferrovia que liga Curitiba a Paranaguá atravessando a Serra do Mar, uma das maiores façanhas da engenharia do Brasil Império. As obras começaram em 5 de junho de 1880 e avançaram em três trechos simultâneos, com milhares de trabalhadores enfrentando a mata, a chuva e o desnível abrupto da serra. A linha foi inaugurada em 2 de fevereiro de 1885, depois de anos de esforço, e as primeiras marias-fumaça (locomotivas a vapor) começaram a subir a montanha.

O trecho mais difícil — a subida da Serra do Mar — ficou a cargo do engenheiro João Teixeira Soares, que assumiu a direção em 1882 justamente onde começava a parte mais íngreme. Para vencer os precipícios foi preciso perfurar túneis, lançar pontes sobre os rios e pendurar viadutos sobre o vazio. O mais célebre é o Viaduto do Carvalho, com cerca de 84 metros de extensão e pilares de alvenaria cravados na rocha, batizado em homenagem a Carlos de Carvalho, então presidente da província do Paraná. Esse viaduto e os mirantes do percurso continuam tirando o fôlego dos passageiros do trem turístico.

A ferrovia atendia a uma necessidade concreta: ligar o produtivo planalto de Curitiba ao porto de Paranaguá para escoar a erva-mate e outros produtos rumo ao mar. A obra dinamizou a economia da região e consolidou Morretes como parada-chave do traçado. Com o tempo, esse percurso pela mata atlântica — entre cachoeiras, vales e viadutos — se transformaria em um dos grandes atrativos turísticos do Sul do Brasil, e a ferrovia deixaria de ser uma artéria de carga para virar um destino em si mesma.

O barreado: um ritual de 300 anos na panela de barro

Se o trem é a alma da viagem, o barreado é a alma da mesa. Mais do que um prato, é um ritual com mais de três séculos de história. Sua origem é atribuída aos colonos portugueses — em especial os de raiz açoriana — que chegaram ao litoral do Paraná no século XVIII; os registros mais antigos apontam a vila de Guaraqueçaba como berço da receita. O nome vem do verbo "barrear": vedar a tampa da pesada panela de barro com uma pasta de farinha de mandioca e cinza, para que o vapor não escape e a carne cozinhe no próprio caldo durante muitas e muitas horas, quase a ponto de desmanchar.

O barreado esteve intimamente ligado às festas. Era preparado para o entrudo — o antecessor do Carnaval — porque tinha uma virtude prática genial: requentado, não perde o sabor, então era feito com antecedência e livrava as pessoas de cozinhar durante os dias de folia. Essa mesma qualidade fez dele também o alimento dos tropeiros, que paravam em Morretes atrás de cachaça e barreado para matar a fome antes de encarar a serra. Fartura, festa e estrada: num só prato se cruzam três fios da história do litoral.

Hoje o barreado é o imperdível gastronômico de Morretes. É servido no almoço, quase sempre em sistema de rodízio, acompanhado de farinha de mandioca e rodelas de banana, nos restaurantes históricos do centro. A identidade gastronômica da cidade se completa com seus doces — as famosas balas de banana —, suas cachaças artesanais e os produtos do litoral. Cidade histórica, porta de entrada da Serra do Mar e capital do barreado, Morretes une patrimônio colonial, natureza atlântica e boa mesa.

A origem do nome "barreado"
O nome vem do verbo "barrear": vedar a tampa da panela de barro com uma mistura de farinha e cinza para que o vapor não escape durante o longo cozimento. A técnica e a palavra são uma herança dos colonos açorianos do litoral do Paraná.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Barreado

Do trem de carga ao destino turístico (séculos XX-XXI)

Ao longo do século XX, a ferrovia da Serra do Mar continuou cumprindo sua função original de transporte de carga entre o planalto e o porto de Paranaguá, mas o avanço das rodovias — em especial a BR-277 e a histórica Estrada da Graciosa — foi levando boa parte do movimento de passageiros e mercadorias para o carro e o caminhão. O trem, porém, guardava algo que nenhuma estrada podia oferecer: um trajeto de beleza excepcional através de uma das maiores extensões preservadas de mata atlântica do Brasil.

Foi essa qualidade cênica que, nas últimas décadas do século, deu origem ao trem turístico. Operadoras especializadas resgataram o percurso como uma experiência de viagem em si, com diferentes categorias de serviço, e a descida de Curitiba a Morretes entre túneis, viadutos e mirantes se tornou um dos passeios mais célebres do Sul do país. Assim, Morretes passou a receber um fluxo constante de visitantes que descem para almoçar o barreado e conhecer o centro histórico; em um único verão, entre dezembro e março, o trem chega a transportar dezenas de milhares de passageiros.

Em paralelo, a região consolidou a proteção do seu entorno natural com áreas como o Parque Estadual Pico do Marumbi e o reconhecimento da Serra do Mar como reserva da biosfera. Hoje Morretes vive em grande parte do turismo: patrimônio colonial, gastronomia, natureza atlântica e o mítico trem convivem para fazer da cidade um dos passeios mais queridos do Paraná. Que a mesma via aberta na picareta e na pá em 1880 para descer a erva-mate até o porto seja hoje a que leva viajantes para contemplar a mata é, talvez, a melhor síntese da história de Morretes.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Morretes»: https://es.wikipedia.org/wiki/Morretes
  • Wikipedia (PT) — «Morretes»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Morretes
  • Wikipedia (PT) — «Estrada de Ferro Curitiba Paranaguá»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada_de_Ferro_Curitiba_Paranagu%C3%A1
  • Gazeta do Povo — «Ferrovia 130 anos: a primeira ferrovia»: https://especiais.gazetadopovo.com.br/ferrovia-130-anos/a-primeira-ferrovia/
  • Governo do Paraná — «Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba celebra 140 anos»: https://www.parana.pr.gov.br/aen/Noticia/Estrada-de-Ferro-Paranagua-Curitiba-celebra-140-anos-de-historia-integracao-e-turismo
  • Wikipedia (PT) — «Barreado»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Barreado
  • Clube Candeias — «As raízes do Barreado»: https://www.clubecandeias.com/conteudo/uma-historia-saborosa-conheca-as-raizes-do-barreado
  • Instituto Água e Terra — Parque Estadual Pico do Marumbi: https://www.iat.pr.gov.br/Pagina/Parque-Estadual-Pico-do-Marumbi-PEPM
  • Serra Verde Express (oficial): https://serraverdeexpress.com.br/
  • Prefeitura de Morretes: https://www.morretes.pr.gov.br/

❓ Perguntas frequentes

Quanto custa o trem de Curitiba a Morretes?+
A passagem só de ida na classe turística custa a partir de uns R$ 206 por pessoa (verificado em julho de 2026) e inclui guia a bordo. As classes superiores e os vagões premium custam mais. O pacote completo (ida de trem e volta de van) sai a partir de uns R$ 488 por pessoa. Vale reservar com antecedência e conferir o calendário, porque fora do verão o trem não funciona todos os dias.
Como é a viagem de trem até Morretes?+
É um dos percursos ferroviários mais bonitos do Brasil: o trem sai de Curitiba às 8:30 e desce a Serra do Mar ao longo de cerca de 70 km, passando por 13 túneis e 41 pontes e viadutos, com mirantes sobre a Mata Atlântica, cachoeiras e vales, até Morretes (de 3 a 4,5 horas, dependendo do serviço). A volta de Morretes costuma sair às 15:00.
O que é o barreado?+
É o prato típico de Morretes: carne cozida lentamente durante muitas horas em uma panela de barro vedada, até desmanchar, servida com farinha de mandioca e banana. É uma herança dos colonos do litoral. É servido no almoço, muitas vezes em rodízio, a partir de uns R$ 40–55 por pessoa (verificado em julho de 2026).
Dá para ir e voltar no mesmo dia saindo de Curitiba?+
Sim, é o passeio clássico: descer de trem pela manhã, almoçar o barreado e passear pelo centro de Morretes, e voltar de van, ônibus ou carro pela Estrada da Graciosa. Dormir lá permite curtir com mais calma e explorar a natureza do Marumbi ou visitar Antonina.
É preciso pagar entrada no Parque Pico do Marumbi?+
Não, o acesso ao Parque Estadual Pico do Marumbi é gratuito (ele é administrado pelo Instituto Água e Terra do estado do Paraná). Dá para chegar de trem (parada Marumbi) ou de carro. Algumas trilhas e subidas exigem experiência; vale se informar e, para os cumes, contratar um guia.
O trem funciona todos os dias?+
Depende da temporada. No verão (janeiro e fevereiro, até o começo de março) o trem da Serra do Mar funciona diariamente por causa da alta demanda; no resto do ano, opera principalmente de sexta a domingo. Por isso vale consultar o calendário oficial da Serra Verde Express e reservar com antecedência, sobretudo na alta temporada, em feriados e fins de semana.

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