Florianópolis, 'Floripa' para todo mundo, é a capital de Santa Catarina e uma das cidades mais bonitas e desejadas do Brasil. Seu coração bate sobre a Ilha de Santa Catarina, uma ilha longa e montanhosa cercada pelo Atlântico, que reúne cerca de 42 praias para todos os gostos: das águas calmas e elegantes do norte aos mares bravos e às dunas do leste, passando por vilas de pescadores, lagoas, trilhas e cantinhos selvagens no sul. Ela é chamada de 'Ilha da Magia', e basta percorrê-la um pouco para entender por que tantos viajantes — e tantos brasileiros, argentinos e uruguaios — voltam ano após ano.
Mas Floripa não é só praia. É a Lagoa da Conceição, sua grande lagoa cercada de morros, gastronomia e vida noturna; são as dunas douradas da Joaquina e do Santinho, onde se pratica sandboard; é o surfe da Praia Mole e da Joaquina, palco de campeonatos; e é, sobretudo, sua raiz açoriana. Os imigrantes das ilhas dos Açores que chegaram no século XVIII deixaram uma marca profunda em vilas como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, com suas casinhas coloridas, suas igrejas brancas, seus cultivos de ostras e uma cultura do mar que continua muito viva. Somam-se a isso o centro histórico, o Mercado Público e uma das melhores ofertas gastronômicas do Sul do país.
Este guia percorre Florianópolis com um olhar prático e acolhedor: quais praias escolher de acordo com o que você procura, onde surfar ou descer as dunas de sandboard, como aproveitar as ostras e os frutos do mar açorianos, o que fazer na Lagoa e como se deslocar por uma ilha maior do que parece. Floripa combina natureza, esporte, boa vida e um calor humano muito particular: é um destino para relaxar de frente para o mar, mas também para descobrir uma cultura ilhoa única no Brasil.
Aqui começou tudo: cheguei em 2016 com a passagem de ida e mil pesos, sem saber português. Fui expulso de um hostel por olhar o sol, um desconhecido me deu cinquenta reais quando eu não tinha o que comer, e bati de moto três dias depois de chegar.
Ler a minha experiência completa →Muito antes dos europeus, a Ilha de Santa Catarina era habitada por povos indígenas: os sambaquis (montes de conchas) espalhados pelo litoral comprovam a presença de populações muito antigas, e quando os portugueses chegaram a ilha era território de grupos de língua tupi-guarani, os carijós. Por sua posição estratégica na rota marítima para o Rio da Prata, a ilha — chamada pelos indígenas de 'Meiembipe' e conhecida pelos navegadores como 'Ilha dos Patos' e depois 'Ilha de Santa Catarina' — foi ponto de passagem de exploradores desde o século XVI. O povoamento estável começou no fim do século XVII com Francisco Dias Velho, considerado o fundador do núcleo de Nossa Senhora do Desterro (a atual Florianópolis) por volta de 1673-1675. No século XVIII, a Coroa portuguesa fortificou a ilha para defender a fronteira sul contra a Espanha, erguendo fortalezas que ainda estão preservadas, e promoveu uma intensa imigração de colonos das ilhas dos Açores e da Madeira, que deram à região sua marca cultural açoriana: o sotaque, a religiosidade, a pesca artesanal, a produção de farinha de mandioca e o cultivo de ostras. A cidade, então chamada Desterro, foi capital da província de Santa Catarina. Em 1894, depois da Revolução Federalista, recebeu seu nome atual, 'Florianópolis', em homenagem ao presidente Floriano Peixoto. Ao longo do século XX, com a construção das pontes que a ligaram ao continente — a imponente Ponte Hercílio Luz, inaugurada em 1926 —, o crescimento da universidade e o turismo, Floripa deixou de ser uma cidade portuária tranquila para se tornar um dos destinos e polos tecnológicos mais dinâmicos do Sul do Brasil. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The southern state of beaches, islands and cool highlands: settled by Azoreans, Germans and Italians, stage of Garibaldi's short-lived Juliana Republic and of the bloody Guerra do Contestado. Land of Florianópolis and its dozens of beaches, of the Blumenau Oktoberfest and of the only corner of Brazil where it regularly snows.
Ler a história de Santa Catarina →Um guia que mora no lugar conta em meia hora o que nenhuma placa explica. Nós buscamos na Civitatis: com guia em espanhol e reserva online sem complicação. Em Florianopolis eles têm 18 passeios. E aqui tem free tours: você reserva sem pagar nada e no final dá ao guia o que achar justo, então experimentar não custa nada. Aqui embaixo deixo três para você ver do que se trata: toque em qualquer uma e abrem todas.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes da chegada dos europeus, a Ilha de Santa Catarina já era habitada por povos que viviam do mar. Os testemunhos mais antigos dessa presença são os sambaquis: enormes montes formados ao longo de milênios por camadas de conchas, ossos de peixes, restos de fogueiras e sepultamentos, deixados por populações de pescadores-coletores que ocuparam o litoral do sul do Brasil há milhares de anos. Esses sambaquis, espalhados pela costa da ilha e da região, são verdadeiros arquivos arqueológicos da vida daqueles povos primitivos.
Mais tarde, em tempos próximos à chegada dos portugueses, a ilha e o litoral catarinense eram habitados por grupos de língua tupi-guarani, conhecidos como carijós. Eles viviam da pesca, da caça, da coleta e do cultivo, e chamavam a ilha, segundo as fontes, de 'Meiembipe' (que costuma ser traduzido como 'montanha ao longo do canal' ou 'terra ao longo da água'). Também deixaram sua marca nas inscrições rupestres — gravuras nas rochas — que ainda se conservam em praias como a do Santinho e na Ilha do Campeche, hoje protegida justamente pelo seu valor arqueológico.
Com a chegada dos navegadores europeus no século XVI, a ilha recebeu nomes diferentes. Foi conhecida como 'Ilha dos Patos' e, finalmente, como 'Ilha de Santa Catarina', topônimo que acabou se impondo e que daria nome a toda a futura província e ao estado. Aquela ilha estratégica, na rota marítima rumo ao Rio da Prata, seria disputada e cobiçada nos séculos seguintes, mas sua história mais profunda começa com esses povos do mar que a habitaram primeiro.
Durante boa parte dos séculos XVI e XVII, a Ilha de Santa Catarina foi, sobretudo, um ponto de passagem. Sua posição estratégica na rota marítima entre os portos do Atlântico e o Rio da Prata a transformou em escala de navegadores, exploradores e expedições de diversas bandeiras, que paravam para fazer aguada e se reabastecer. Mas não havia um povoamento europeu estável, além de contatos esporádicos com os indígenas carijós.
O primeiro assentamento permanente chegou no fim do século XVII pelas mãos do bandeirante paulista Francisco Dias Velho. Por volta de 1673-1675, Dias Velho se instalou na ilha com sua família, agregados e indígenas, e fundou o núcleo que daria origem à cidade: o povoado de Nossa Senhora do Desterro, nome pelo qual a cidade seria conhecida por mais de dois séculos. Por isso, Dias Velho é considerado o fundador de Florianópolis, embora sua história tenha tido um final trágico: ele morreu anos depois em um confronto ligado à presença de corsários e aos conflitos da época.
O pequeno Desterro cresceu lentamente como vila portuária. Em 1726 foi elevado à categoria de vila (Vila de Nossa Senhora do Desterro), com sua igreja, sua praça e sua organização municipal. A vila vivia da pesca, da agricultura de subsistência e do comércio de passagem, e sua importância crescia à medida que a Coroa portuguesa tomava consciência do valor estratégico da ilha para defender sua fronteira sul diante da expansão espanhola. Esse valor militar marcaria o grande capítulo seguinte da sua história.
O século XVIII foi decisivo para a identidade da ilha. A rivalidade entre as coroas de Portugal e da Espanha pelo domínio do sul da América — com o Rio da Prata como grande disputa — transformou a Ilha de Santa Catarina em uma peça militar de primeira ordem. Para defendê-la e afirmar a soberania portuguesa, a Coroa mandou fortificar a entrada das suas baías. Em meados do século foi erguido um sistema de fortalezas: Santa Cruz de Anhatomirim, São José da Ponta Grossa, Santo Antônio de Ratones e São João, que guardavam os acessos à ilha. Várias delas se conservam hoje restauradas e são uma atração histórica de Florianópolis.
Mas o fato que mais marcou a ilha foi humano: a grande imigração açoriana. Entre as décadas de 1740 e 1750, a Coroa portuguesa promoveu a transferência para Santa Catarina (e para o Rio Grande do Sul) de milhares de colonos vindos das ilhas dos Açores e da Madeira, no Atlântico. Esses imigrantes — camponeses e pescadores que fugiam da superpopulação e das dificuldades das suas ilhas — chegaram em grande número e se espalharam por toda a Ilha de Santa Catarina, fundando freguesias que existem até hoje: Santo Antônio de Lisboa, Ribeirão da Ilha, Lagoa da Conceição, Canasvieiras, entre outras.
Os açorianos deram à ilha sua marca cultural mais profunda e duradoura. Trouxeram seu jeito de falar (o falar 'manezinho'), seu catolicismo e suas festas religiosas, sua arquitetura de casinhas coloridas e igrejas brancas, a pesca artesanal, a fabricação de farinha de mandioca nos engenhos e, com o tempo, o cultivo de ostras. Essa herança açoriana — ainda viva nas vilas de pescadores, na gastronomia do mar, nas tradições e no jeito ilhéu — é um dos grandes traços de identidade da Florianópolis atual e o que a diferencia de outros destinos brasileiros.
Com a chegada do século XIX e a organização política do Brasil independente, Desterro consolidou seu papel como centro da região. A vila foi elevada à categoria de cidade em 1823, pouco depois da independência, e se tornou a capital da província de Santa Catarina. Como capital e porto, Desterro foi o coração administrativo, militar e comercial da província durante todo o período imperial.
A cidade cresceu em torno da sua baía e do seu porto. Foram construídos prédios públicos, igrejas e residências que ainda fazem parte do centro histórico atual — como o palácio do governo e a matriz —, e a vida girava em torno do comércio marítimo, da pesca e da produção agrícola das freguesias açorianas. Desterro era uma cidade portuária de ritmo tranquilo, fortemente ligada ao mar e à sua herança portuguesa, com uma sociedade organizada em torno das paróquias e das tradições religiosas.
Na segunda metade do século XIX, a cidade recebeu melhorias urbanas e um certo impulso modernizador, em sintonia com o progresso do Império. No entanto, sua economia continuava relativamente modesta em comparação com os grandes centros do país, e sua população mantinha o caráter ilhéu e tradicional herdado dos colonos açorianos. Esse perfil tranquilo de capital provincial portuária mudaria de nome — e em parte de destino — com a chegada da República e as turbulências políticas do fim do século.
A mudança de nome da cidade está diretamente ligada a um dos episódios mais violentos dos primeiros anos da República brasileira: a Revolução Federalista, um conflito sangrento que abalou o sul do país entre 1893 e 1895, colocando frente a frente os partidários do governo central do presidente Floriano Peixoto e os rebeldes federalistas (maragatos), que questionavam os rumos da jovem República.
Desterro teve um papel infeliz nessa guerra: a cidade chegou a ser tomada pelas forças rebeldes federalistas, que a usaram como base. Quando as tropas leais ao governo retomaram o controle, a repressão foi dura, com fuzilamentos e punições a quem havia apoiado ou tolerado a rebelião, em episódios sombrios que deixaram uma marca na memória da cidade. A capital catarinense pagou caro pelo seu envolvimento no conflito.
Como gesto político após a derrota dos rebeldes, em 1894 a cidade foi rebatizada em homenagem ao presidente Floriano Peixoto, o 'Marechal de Ferro', figura central do governo republicano que havia sufocado a revolução. Assim, Nossa Senhora do Desterro passou a se chamar 'Florianópolis' — literalmente, 'cidade de Floriano' —, nome que mantém até hoje. A mudança foi tão contestada quanto imposta: para muitos moradores, o velho nome Desterro tinha raízes fortes, e o novo lembrava um episódio doloroso. Mas 'Florianópolis' acabou se impondo e ficou como o nome definitivo da capital de Santa Catarina.
O século XX transformou Florianópolis por completo. O marco fundador dessa modernização foi a construção da Ponte Hercílio Luz, inaugurada em 1926: uma imponente ponte pênsil metálica que, pela primeira vez, ligou a ilha ao continente, pondo fim ao isolamento que havia marcado sua história. A ponte — uma das maiores do seu tipo no mundo na época — virou o grande símbolo da cidade. Com o tempo vieram outras pontes (Colombo Salles e Pedro Ivo Campos) para dar conta do trânsito crescente, e a velha Hercílio Luz, depois de décadas fechada, foi restaurada e devolvida à paisagem como ícone iluminado.
Ao longo do século, a cidade foi deixando para trás seu perfil de tranquila capital portuária. A criação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1960 impulsionou um forte crescimento populacional, intelectual e econômico, atraindo estudantes e profissionais. A partir das décadas de 1970 e 1980, o turismo decolou: as praias da ilha — o surfe da Joaquina, as areias do norte, a Lagoa da Conceição — ficaram famosas em todo o Brasil e no Cone Sul, e Florianópolis se transformou em um dos grandes destinos de verão do continente, especialmente querido por argentinos e uruguaios.
A Floripa de hoje combina várias almas. É uma capital moderna e um dos maiores polos de tecnologia e inovação do Brasil, com alta qualidade de vida; é um destino turístico de primeiro nível, com cerca de 42 praias para todos os gostos; e é, ao mesmo tempo, a 'Ilha da Magia' que preserva sua raiz açoriana nas vilas de pescadores, nas ostras, nas festas e no falar manezinho. Essa mistura de natureza espetacular, cultura ilhoa, esporte, gastronomia e modernidade é o que faz de Florianópolis um dos lugares mais desejados do sul do Brasil, e um destino onde a história — dos carijós aos açorianos, de Desterro a Floripa — continua muito presente sob o sol e o mar.