Goiânia é a capital de Goiás e uma das cidades planejadas mais notáveis do Brasil: foi projetada nos anos 30 como nova capital do estado, com um traçado de avenidas radiais e muita arborização que a transformou em uma das cidades mais verdes do país. É um importante centro urbano do Centro-Oeste, conhecido pelo patrimônio Art Déco, pela vida noturna, pelos parques e pela cena gastronômica e musical em plena expansão (berço da música sertaneja).
Embora não seja um destino de turismo de massa, Goiânia tem atrativos próprios — parques como o Bosque dos Buritis e o Parque Vaca Brava, o conjunto Art Déco do centro, museus e uma vida cultural ativa — e funciona como base e porta de entrada para alguns dos grandes destinos de Goiás: a Chapada dos Veadeiros (com seus cânions e cachoeiras), a cidade colonial de Pirenópolis, a Cidade de Goiás e as águas termais de Caldas Novas.
Este guia percorre o essencial de Goiânia com olhar prático: o patrimônio Art Déco e os parques, a vida cultural e gastronômica, como usar a cidade como base para a Chapada dos Veadeiros e Pirenópolis, como chegar e se locomover, e onde comer e se hospedar.
Goiânia foi planejada e fundada na década de 1930 (oficialmente em 1933, com inauguração em 1942) para substituir a antiga capital colonial, a Cidade de Goiás (Goiás Velho), considerada pouco adequada ao crescimento. Projetada sob influência do urbanismo moderno e com um notável conjunto Art Déco, cresceu vertiginosamente até se tornar uma das maiores metrópoles do Centro-Oeste e base do turismo em Goiás. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The state of the Central-West and the Cerrado: land of the colonial gold of Goiás Velho, of the hot springs of Caldas Novas and of the landscapes of the Chapada dos Veadeiros, one of Brazil's great natural sanctuaries.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
No começo dos anos 30, onde hoje se ergue uma metrópole com mais de um milhão e meio de habitantes, não havia praticamente nada: só cerrado, algumas fazendas e o povoado de Campinas. Goiânia é, literalmente, uma cidade inventada. Primeiro ela foi desenhada numa planta e só depois foi construída no terreno, mais de duas décadas antes de o Brasil repetir a façanha, em escala maior, com Brasília. Entender a história dela é entender por que um país decidiu, em plena Era Vargas, fundar uma capital do zero no meio do interior.
Até então, a capital de Goiás era a antiga Cidade de Goiás (Goiás Velho), um núcleo colonial do ciclo do ouro espremido num vale com pouco espaço para crescer. Era considerada pouco adequada para acompanhar o crescimento e a modernização do estado. A decisão de transferir a capital, impulsionada pelo interventor Pedro Ludovico Teixeira, fazia parte do clima político da Era Vargas e do ideal da "Marcha para o Oeste", que buscava integrar e desenvolver o interior do país. A nova capital foi projetada de propósito num local mais favorável, com um plano urbanístico moderno. O projeto teve papel de destaque do urbanista Attílio Corrêa Lima e, depois, da firma de Armando de Godoy. Ele se inspirou nas ideias urbanísticas da época (com ecos do City Beautiful e das cidades-jardim), com um traçado que combinava avenidas radiais e diagonais, praças, setores diferenciados e muitas áreas verdes. A fundação oficial é de 1933. A capital foi transferida de fato em 1937 e inaugurada formalmente em 1942, depois do chamado Batismo Cultural de Goiânia.
Um dos legados mais valiosos dessa concepção é o rico patrimônio arquitetônico Art Déco erguido no núcleo original, em torno da Avenida Goiás e da Praça do Bandeirante. Prédios públicos, cinemas e estações de linhas geométricas e elegantes traduzem o espírito moderno e otimista com que Goiânia foi pensada. Hoje formam um dos conjuntos Art Déco mais importantes do país, reconhecido pelo IPHAN.
Pensada inicialmente para uma população modesta, Goiânia teve um crescimento vertiginoso que superou de longe as previsões de quem a planejou. A expansão da fronteira agrícola no cerrado, o avanço da pecuária e da agricultura e o papel da cidade como centro administrativo e de serviços de Goiás atraíram um fluxo constante de gente vinda do campo e de outras regiões do país.
Em poucas décadas, a cidade planejada virou uma grande metrópole, uma das maiores do Centro-Oeste brasileiro, com uma extensa região metropolitana. Esse crescimento acelerado trouxe os desafios típicos da urbanização rápida: expansão além do plano original, infraestrutura e mobilidade. Mesmo assim, a cidade conservou boa parte do seu caráter arborizado e dos seus amplos espaços verdes, e continua com fama de lugar com boa qualidade de vida e muita vegetação.
A proximidade com Brasília, inaugurada em 1960 a pouco mais de 200 quilômetros, reforçou o dinamismo da região. Goiânia se consolidou como polo econômico, educacional, médico e de serviços para Goiás e áreas vizinhas, e faz parte de uma das regiões mais pujantes do interior brasileiro. Seu perfil de cidade jovem e em constante expansão contrasta com o passado colonial da antiga capital, que ficou como testemunho histórico do Goiás do ouro.
Com o passar das décadas, Goiânia criou uma identidade cultural própria e surpreendentemente vibrante. A cidade se firmou como um dos grandes polos da música sertaneja, com muitos artistas e duplas saídos da região, e ganhou uma vida noturna, gastronômica e de bares bem agitada. A culinária do cerrado faz parte dessa identidade regional, com o pequi como ingrediente emblemático e pratos como a galinhada e a pamonha.
Goiânia também funciona como grande porta de entrada e base logística para os destinos turísticos de Goiás. Daqui se chega à Chapada dos Veadeiros, parque nacional de cânions e cachoeiras declarado Patrimônio Mundial. Também se chega à encantadora cidadezinha colonial de Pirenópolis, à histórica Cidade de Goiás, antiga capital e também Patrimônio Mundial, e às famosas águas termais de Caldas Novas. Com seu aeroporto e suas ligações rodoviárias, a capital articula o turismo do estado.
Assim, a história de Goiânia junta três coisas: a origem como capital planejada e moderna dos anos 30, o crescimento explosivo até virar a grande metrópole do cerrado e o papel atual de polo cultural, gastronômico e base turística. Quem visita encontra uma cidade verde e dinâmica, com um valioso patrimônio Art Déco, uma cena cultural ativa e uma posição estratégica para descobrir as maravilhas naturais e históricas de Goiás.
Um capítulo trágico e marcante na história de Goiânia é o acidente radiológico de setembro de 1987. Ele é considerado um dos piores acidentes nucleares civis da história e o maior já ocorrido fora de uma instalação nuclear. Tudo começou quando dois catadores de sucata encontraram um velho aparelho de teletrapia numa clínica de radioterapia abandonada no centro da cidade. Dentro dele havia uma cápsula com cloreto de césio-137, um material altamente radioativo.
Sem conhecer o perigo, eles desmontaram a fonte e venderam as peças para um ferro-velho. Lá, o dono ficou fascinado pelo pó azul que brilhava no escuro, o césio-137, e o distribuiu entre parentes e vizinhos. Eles manusearam o material, passaram na pele e chegaram até a ingeri-lo, sem saber que se tratava de um veneno invisível. A contaminação se espalhou por várias casas e pessoas.
Quando os primeiros doentes chegaram aos hospitais com sintomas graves, semanas depois, e a causa foi identificada, já havia dezenas de contaminados. O balanço oficial foi de quatro mortes diretas nas semanas seguintes, centenas de pessoas com algum grau de contaminação e milhares examinadas. A descontaminação obrigou a demolir casas e a enterrar enormes quantidades de rejeitos radioativos num depósito especial. O episódio deixou uma marca profunda na memória da cidade e inspirou obras, livros e filmes. Também virou um caso de estudo mundial sobre os riscos das fontes radioativas órfãs e a importância da segurança radiológica.