Poucas cidades do Brasil surpreendem tanto à primeira vista quanto Balneário Camboriú. Chegando pelo litoral, o que aparece é um skyline de arranha-céus altíssimos alinhados de frente para o mar, refletindo na areia de uma praia em forma de meia-lua: uma imagem tão futurista que lhe valeu o apelido de 'Dubai brasileira'. Em poucas décadas, este balneário de Santa Catarina deixou de ser uma tranquila vila de pescadores para se tornar um dos destinos de praia mais vibrantes, modernos e verticais do sul do país, com alguns dos edifícios mais altos de toda a América do Sul.
Mas Balneário Camboriú não é só concreto e altura: é praia, natureza e diversão na mesma medida. Tem a enorme Praia Central, com sua avenida e seus quiosques; o bondinho do Parque Unipraias, que atravessa o morro até a paradisíaca Praia de Laranjeiras; o Cristo Luz, um monumento com mirante que ilumina a cidade à noite; a moderna roda-gigante FG Big Wheel, com vista de 360 graus; e praias mais reservadas e verdes ao sul, como Estaleiro e Estaleirinho. E quando o sol se põe, a cidade mostra sua outra cara: bares, restaurantes e uma vida noturna das mais famosas do Brasil, na região da Barra Sul e da avenida Atlântica.
Este guia percorre Balneário Camboriú com um olhar prático e próximo: quais praias escolher, como subir no bondinho e no Cristo Luz, onde encontrar a melhor vista, como se deslocar entre a Praia Central e as praias mais selvagens, onde a noite acontece e como organizar a visita de acordo com a temporada. É um destino ideal para combinar sol, mar, mirantes espetaculares, compras e festa, muito procurado por famílias, casais e jovens de todo o Brasil e dos países vizinhos.
Morei uns dias em Meia Praia, no apartamento de uma professora aposentada que me deixou a casa sozinho com três dias de me conhecer. Da rodoviária daqui saiu meu ônibus de volta para Foz, em 7 de março de 2016.
Ler a minha experiência completa →O nome 'Camboriú' tem origem indígena, do tupi-guarani, e costuma ser associado a expressões ligadas a um 'rio dos camborás' ou à ideia de um curso d'água e peixes, em alusão ao rio Camboriú. A região foi habitada por povos originários e, a partir do século XVIII, foi povoada por colonos de origem portuguesa, sobretudo vindos dos Açores, que se dedicaram à pesca e à agricultura no que então era um tranquilo litoral de vilas de pescadores pertencente ao município de Camboriú. Durante boa parte de sua história, a atual Balneário Camboriú foi uma pequena localidade costeira de pescadores. A grande mudança veio no século XX: em meados do século, a beleza da praia começou a atrair veranistas, e em 1964 Balneário Camboriú se emancipou como município independente de Camboriú. A partir daí viveu um crescimento vertiginoso, impulsionado pelo turismo de sol e praia e por uma intensa verticalização: a construção de torres cada vez mais altas de frente para o mar transformou o perfil da cidade e lhe deu seu característico skyline, que a converteu em um símbolo do turismo do Sul do Brasil e na chamada 'Dubai brasileira'. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The southern state of beaches, islands and cool highlands: settled by Azoreans, Germans and Italians, stage of Garibaldi's short-lived Juliana Republic and of the bloody Guerra do Contestado. Land of Florianópolis and its dozens of beaches, of the Blumenau Oktoberfest and of the only corner of Brazil where it regularly snows.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Poucas cidades do mundo cresceram em direção ao céu tão rápido quanto Balneário Camboriú: em 1964, quando se emancipou como município, era uma vila de pescadores de casas baixas; hoje concentra os arranha-céus residenciais mais altos da América do Sul, torres de mais de 250 metros que, à tarde, fazem sombra na mesma praia onde os carijós pescavam há cinco séculos. E, mesmo assim, o nome dessa 'Dubai brasileira' de vidro e concreto continua sendo o que os povos originários lhe deram. 'Camboriú' tem raiz indígena, do tronco linguístico tupi-guarani, como tantos topônimos do litoral brasileiro. Seu significado exato é objeto de várias interpretações, mas todas remetem ao ambiente natural do lugar e, em particular, ao rio Camboriú, que deságua no mar nesta região do litoral catarinense. A 'Balneário Camboriú' de hoje nasceu, de fato, como um balneário ligado ao antigo município de Camboriú, do qual tomou o nome.
Entre as interpretações mais difundidas, o nome costuma ser associado à ideia de um curso d'água e à presença de peixes ou de um tipo específico de peixe, além de expressões que aludem a 'rio dos camborás'. Como acontece com muitos topônimos tupi-guaranis, a tradução precisa varia conforme os autores e as fontes, por isso vale tomar essas versões como aproximações, e não como uma etimologia única e fechada.
O que está claro é que o topônimo conserva a marca dos povos originários que habitavam o litoral muito antes da chegada dos colonos europeus. O rio Camboriú e seus arredores — praias, morros e vegetação de Mata Atlântica — eram um território rico para seus primeiros habitantes, e o nome que lhe deram sobreviveu ao longo dos séculos, primeiro no município de Camboriú e depois no balneário que acabaria se tornando mundialmente famoso.
Antes da chegada dos europeus, o litoral da atual Santa Catarina — incluindo a região do rio Camboriú — era habitado por povos indígenas. Na costa predominavam grupos de língua tupi-guarani, em especial os carijós (um ramo dos guaranis do sul), que viviam da pesca, da coleta de mariscos, da caça e do cultivo da mandioca, em aldeias espalhadas pelas praias, enseadas e fozes dos rios.
A presença humana neste litoral é, além disso, muito antiga. Ao longo da costa catarinense e do sul do Brasil existem os 'sambaquis', enormes montes formados pelo acúmulo de conchas, restos de comida, ossos e sepultamentos, deixados por populações de caçadores-coletores-pescadores que habitaram a região durante milhares de anos. Esses sítios arqueológicos são testemunho da longa ocupação humana do litoral, muito antes de qualquer cidade.
Com a chegada dos navegadores e colonizadores europeus, a partir do século XVI, o litoral catarinense foi sendo incorporado às rotas e domínios da Coroa portuguesa. A população indígena sofreu o impacto da conquista — doenças, deslocamentos, escravização e miscigenação —, e pouco a pouco o território ficou aberto à colonização portuguesa que marcaria os séculos seguintes. A marca indígena, porém, sobreviveu nos nomes dos lugares, como o próprio Camboriú.
O povoamento europeu estável do litoral catarinense se intensificou no século XVIII, com uma decisão-chave da Coroa portuguesa: trazer colonos vindos das ilhas dos Açores e da Madeira para garantir a posse do território diante da disputa com a Espanha pelo sul do continente. Entre as décadas de 1740 e 1750, milhares de imigrantes açorianos chegaram a Santa Catarina e se instalaram ao longo da costa, fundando vilas e se dedicando à pesca e à agricultura.
Essa imigração açoriana deixou uma marca profunda e duradoura na cultura do litoral catarinense, que se sente até hoje: no jeito de falar, na arquitetura das casas e igrejas coloniais, nas festas religiosas, no folclore, no artesanato (como a renda de bilro) e, muito especialmente, na gastronomia, com sua cozinha baseada em peixes e frutos do mar. A região do rio Camboriú fez parte desse mundo de pequenas comunidades pesqueiras e agrícolas de raiz açoriana.
Durante muito tempo, o que hoje é Balneário Camboriú foi exatamente isso: um litoral tranquilo de vilas de pescadores, dependente do município de Camboriú, com uma linda praia ainda longe do turismo de massa. A vida girava em torno do mar, da pesca artesanal e do ritmo calmo das comunidades costeiras. Essa fisionomia simples e pesqueira se manteria até boa parte do século XX, quando tudo começaria a mudar.
A grande virada na história de Balneário Camboriú chegou em meados do século XX. A beleza de sua praia — uma ampla enseada de areia em forma de meia-lua — começou a atrair veranistas que procuravam um lugar para curtir o mar, primeiro de forma tímida e depois com intensidade cada vez maior. Pouco a pouco, a antiga vila de pescadores foi se transformando em um balneário, com as primeiras casas de veraneio, pousadas e serviços para os visitantes.
Esse crescimento como destino turístico foi lhe dando uma identidade própria, diferente da do município de Camboriú, do qual dependia e que ficava um pouco mais para o interior. A força do balneário litorâneo levou a um processo de emancipação: em 1964, Balneário Camboriú se separou de Camboriú e se constituiu como município independente. A partir daí, a cidade pôde administrar seu próprio desenvolvimento, fortemente voltado para o turismo de sol e praia.
A emancipação coincidiu com o início de uma fase de expansão acelerada. Com o passar das décadas, Balneário Camboriú deixou de ser só mais um balneário para se tornar um dos principais destinos turísticos do sul do Brasil, atraindo visitantes não apenas de todo o país, mas também da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e do Chile. O veraneio em massa e a construção civil não parariam de crescer, lançando as bases da transformação urbana mais espetacular da cidade.
O traço que deixou Balneário Camboriú famosa no mundo todo é o seu skyline: a impressionante muralha de arranha-céus que se ergue bem em frente à Praia Central. Essa verticalização foi resultado de um processo de décadas, impulsionado pelo sucesso turístico da cidade, pela forte demanda imobiliária de veranistas e por um modelo de desenvolvimento que apostou na construção em altura sobre a estreita faixa entre a praia e os morros. Onde antes havia casas baixas de veraneio, foram surgindo torres cada vez mais altas.
Com o tempo, essa corrida rumo ao céu levou Balneário Camboriú a concentrar alguns dos edifícios mais altos do Brasil e de toda a América do Sul, com torres residenciais que passam com folga dos 200 metros de altura. A densidade e a altura dos prédios, alinhados de frente para o mar, criaram um cartão-postal urbano tão singular — um balneário com cara de grande metrópole — que lhe rendeu o apelido de 'Dubai brasileira', pelo qual é conhecida popularmente. À noite, com todas as torres iluminadas refletindo no mar, a imagem é inconfundível.
Essa transformação também trouxe seus desafios: o alargamento da Praia Central, por meio de um grande projeto de engorda da faixa de areia, buscou em parte responder à sombra que as torres altas projetam sobre a praia à tarde e ampliar o espaço da orla. A verticalização é alvo de debates urbanísticos e ambientais, mas é, sem dúvida, a marca registrada da cidade e uma de suas principais atrações turísticas.
Hoje, Balneário Camboriú é um dos destinos turísticos mais importantes e reconhecíveis do sul do Brasil, e um dos que mais atraem visitantes de todo o país e do Cone Sul. Em poucas décadas, passou de vila de pescadores a metrópole vertical do veraneio, recebendo a cada temporada multidões de turistas brasileiros, argentinos, uruguaios, paraguaios e chilenos que chegam em busca de sol, praia, diversão e modernidade.
Além do famoso skyline e da Praia Central, a cidade foi somando um leque de atrações que a diferenciam de outros balneários: o bondinho do Parque Unipraias, que liga a Barra Sul à natureza do morro e à Praia de Laranjeiras; o monumento e mirante do Cristo Luz, iluminado à noite; a moderna roda-gigante FG Big Wheel; e uma oferta intensa de gastronomia, compras e entretenimento. As praias mais preservadas do sul, ligadas pela estrada Interpraias, oferecem o contraponto verde e tranquilo à cidade vertical.
Mas, se tem algo que distingue Balneário Camboriú, além do seu perfil urbano, é a vida noturna: a cidade é famosa em todo o Brasil por seus bares, beach clubs e grandes baladas, especialmente no verão, o que a transformou em um ímã para o público jovem. Essa combinação — praia, skyline espetacular, atrações modernas, gastronomia de frutos do mar e festa — resume a identidade de uma cidade que se reinventou por completo em menos de um século e que continua crescendo rumo ao céu de frente para o Atlântico.