Poucas cidades respiram tanta história, tanta música e tanta elegância quanto Viena. Capital da Áustria e antigo centro do vasto Império Austro-Húngaro, foi por mais de seis séculos a sede da dinastia Habsburgo, e essa herança imperial se sente em cada esquina: palácios monumentais, avenidas imponentes, igrejas barrocas e um centro histórico declarado Patrimônio Mundial pela Unesco. Caminhar pelo Ring — o grande bulevar circular que contorna o centro — é como passear por um museu a céu aberto do século XIX.
Mas Viena não é só mármore e ouro: é, acima de tudo, a cidade da música. Aqui viveram e compuseram Mozart, Beethoven, Schubert, Haydn, Brahms e a família Strauss; aqui nasceu a valsa vienense, e até hoje a Ópera Estatal, a Filarmônica e o concerto de Ano-Novo são eventos de fama mundial. E é também a cidade do café: os grandes cafés vienenses, com seus mármores, jornais pendurados em varetas e sua Sachertorte, são uma instituição reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural imaterial, um lugar para ficar horas sentado sem ninguém te apressar.
Este guia percorre o essencial de Viena com um olhar prático e acolhedor: como organizar os grandes palácios, quais museus escolher, onde ouvir boa música, como se locomover no impecável transporte público e como se deixar levar pelo ritmo gentil de uma cidade que, ano após ano, lidera os rankings de qualidade de vida do mundo. Viena combina como poucas a grandeza do passado com um conforto e uma limpeza que a tornam um prazer para o viajante.
Vim sozinho em 2023 com um voo de sessenta euros desde Dubrovnik: não fiz a fila do Café Sacher, subi os 343 degraus da torre de Santo Estêvão e fui ver a sala de ginástica da Sissi.
Ler a minha experiência completa →Viena nasceu como o acampamento romano de Vindobona, erguido no século I às margens do Danúbio para vigiar a fronteira do Império. Depois de séculos como praça fronteiriça, em 1156 tornou-se residência dos duques Babenberg e, a partir do fim do século XIII, o centro do poder da dinastia Habsburgo, que a governaria até 1918. Viena resistiu a dois grandes cercos otomanos, o de 1529 e o de 1683; este último, rompido com a ajuda do rei polonês João III Sobieski, marcou o início do fim da expansão turca na Europa central. Passado o perigo otomano, a cidade floresceu no barroco, com palácios como o Belvedere e Schönbrunn. No século XVIII, sob a imperatriz Maria Teresa e seu filho José II, Viena viveu reformas profundas e um esplendor cultural em que brilharam Haydn e Mozart. O Congresso de Viena (1814-1815) reorganizou a Europa depois de Napoleão, e em meados do século XIX o imperador Francisco José mandou derrubar as muralhas para construir o majestoso Ring. Por volta de 1900, a 'Viena fin de siècle' foi uma das capitais culturais do mundo: Gustav Klimt e a Secessão na arte, Sigmund Freud na psicanálise, Otto Wagner na arquitetura. O assassinato do herdeiro do trono em Sarajevo, em 1914, desencadeou a Primeira Guerra Mundial, após a qual o Império caiu. Anexada pela Alemanha nazista em 1938 e danificada na Segunda Guerra, Viena ficou dividida em zonas de ocupação até que a Áustria recuperou sua plena soberania em 1955. Desde então renasceu como uma capital próspera, sede de organismos da ONU e, repetidas vezes, a cidade com melhor qualidade de vida do mundo. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The heart of the country: the imperial Habsburg capital with its Ring and its palaces, the Danube and the Wachau valley, and Linz, the industrial city marked by its Nazi past. This is where Austria was born as a state and where its history beat for a thousand years.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes dos palácios e das valsas, o que hoje é Viena era uma fronteira. Por volta do século I da nossa era, os romanos instalaram nesta curva do Danúbio um acampamento militar chamado Vindobona, parte da linha defensiva do limes que protegia a província da Panônia dos povos germânicos do outro lado do rio. Vindobona chegou a abrigar uma legião e uma população civil de vários milhares de pessoas; acredita-se que o imperador filósofo Marco Aurélio tenha morrido perto daqui, no ano 180, durante as campanhas contra os marcomanos. Sob o centro atual de Viena ainda aparecem, de vez em quando, vestígios daquele assentamento.
Com a queda do Império Romano do Ocidente, Vindobona se despovoou e a região ficou nas mãos de diferentes povos. O nome 'Wien' (Viena) reaparece documentado na Idade Média, e a cidade foi crescendo como praça estratégica sobre o Danúbio. O grande salto veio com a dinastia Babenberg, que em 1156 fez de Viena sua residência e elevou a Áustria à categoria de ducado. Sob os Babenberg foi construído o primeiro grande templo e a cidade começou a ganhar cara de capital regional.
Em 1278, depois da batalha de Marchfeld, Rodolfo I de Habsburgo derrotou o rei boêmio Otacar II e os Habsburgo assumiram o controle da Áustria. Começava assim a ligação entre essa família e Viena, que duraria mais de seis séculos e que transformaria a cidade, com o tempo, em uma das grandes capitais da Europa.
Desde o fim do século XIII e, sobretudo, a partir do XV, Viena foi o centro de poder da Casa de Habsburgo, a dinastia que chegaria a reinar sobre boa parte da Europa com o lema 'A.E.I.O.U.' e a famosa política dos casamentos ('Que os outros façam a guerra; tu, feliz Áustria, casa-te'). Em 1452, Frederico III foi coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico e, a partir de então, a coroa imperial ficou quase permanentemente nas mãos dos Habsburgo, com Viena como uma de suas sedes principais.
A cidade se encheu de instituições de governo e da corte: o Hofburg, o palácio imperial no coração da cidade, foi crescendo século após século, ganhando alas, pátios e estilos conforme o gosto de cada imperador. Viena se transformou na capital política, militar e religiosa de um vasto conjunto de reinos e territórios. A catedral de Santo Estêvão (Stephansdom), com seu inconfundível telhado de telhas vitrificadas e sua altíssima torre sul, virou o símbolo espiritual da cidade e foi subindo ao longo dos séculos góticos.
Essa posição central teve um preço: Viena era também a porta da Europa Central diante do Império Otomano, em plena expansão. A cidade murada se preparou para resistir, e essa condição de bastião de fronteira marcaria dois dos episódios mais dramáticos da sua história.
Viena foi, durante séculos, a fronteira entre a cristandade da Europa Central e o poder do Império Otomano. Duas vezes os exércitos do sultão chegaram até suas muralhas com a intenção de tomá-la, e duas vezes a cidade resistiu, em episódios que ficaram gravados na memória europeia.
O primeiro cerco aconteceu em 1529, quando Solimão, o Magnífico, depois de conquistar a Hungria, marchou sobre Viena com um exército enorme. O outono chuvoso, as dificuldades logísticas e a resistência da guarnição frustraram o ataque, e os otomanos se retiraram. Mas a ameaça não desapareceu: a cidade reforçou suas muralhas e viveu por mais de um século sob a sombra de uma nova ofensiva.
Ela veio em 1683, naquele que talvez seja o episódio mais famoso da história vienense. Um grande exército otomano comandado pelo grão-vizir Kara Mustafá sitiou a cidade durante dois meses. Viena estava prestes a cair quando, em 12 de setembro de 1683, uma coalizão cristã liderada pelo rei da Polônia João III Sobieski — com tropas do Sacro Império e de vários principados alemães — desceu do Kahlenberg e desbaratou o exército otomano na batalha de Viena, com uma das maiores cargas de cavalaria da história. A vitória marcou o início do recuo otomano na Europa. A lenda — não totalmente confirmada — atribui a esse episódio a origem do café vienense (com os sacos de café abandonados pelos turcos) e até dos croissants, em forma de meia-lua.
Com o perigo otomano afastado, Viena viveu uma época de esplendor. Os séculos XVII e XVIII trouxeram o barroco, e a aristocracia e a corte competiram para erguer palácios deslumbrantes. O arquiteto Johann Bernhard Fischer von Erlach e outros mestres deram à cidade joias como a igreja de São Carlos (Karlskirche), o palácio Belvedere do príncipe Eugênio de Saboia — o general que havia derrotado os otomanos — e a grande ampliação de Schönbrunn, o palácio de verão imperial concebido como a resposta austríaca a Versalhes.
O século XVIII é dominado pela figura de Maria Teresa, a única mulher que governou os domínios dos Habsburgo (1740-1780). Mãe de dezesseis filhos — entre eles Maria Antonieta, futura rainha da França —, Maria Teresa modernizou o Estado, reformou o exército, a administração e a educação, e impulsionou uma fase de prosperidade. Seu filho José II levou adiante reformas iluministas mais radicais, em sintonia com o espírito da época.
Essa Viena próspera e refinada se tornou a capital musical da Europa. Com o mecenato da corte e da aristocracia, a cidade atraiu ou viu nascer os maiores compositores do classicismo: Joseph Haydn, Wolfgang Amadeus Mozart — que se instalou em Viena e morreu aqui em 1791 — e, já entrando no século XIX, Ludwig van Beethoven. Nascia a fama de Viena como 'a cidade da música', que chegaria ao auge com a família Strauss e a valsa.
O século XIX transformou a aparência de Viena para sempre. Em 1857, o imperador Francisco José I mandou demolir as velhas muralhas medievais que cercavam o centro e que tinham ficado obsoletas. No lugar delas foi traçada a Ringstrasse, um majestoso bulevar circular ladeado por edifícios monumentais que se tornaram o palco da vida pública: a Ópera Estatal, o Parlamento (em estilo grego clássico), a Prefeitura (neogótica), a Universidade, o Burgtheater e os grandes museus de História da Arte e de História Natural. Essa fase de arquitetura eclética e historicista é conhecida como o 'estilo Ringstrasse'.
Ao mesmo tempo, Viena viveu um dos momentos culturais mais férteis da história europeia, conhecido como a 'Viena fin de siècle' ou 'Wiener Moderne'. Nas décadas em torno de 1900, a cidade era um caldeirão de ideias e de arte: o pintor Gustav Klimt e o movimento da Secessão Vienense romperam com o academicismo; Otto Wagner revolucionou a arquitetura; Sigmund Freud fundava a psicanálise; Arnold Schönberg transformava a música; e nos cafés se cruzavam escritores, cientistas e pensadores. Era a capital do Império Austro-Húngaro, um mosaico de povos que convergiam para Viena.
Esse mundo brilhante e cosmopolita desmoronou com a Primeira Guerra Mundial. A derrota de 1918 dissolveu o Império Austro-Húngaro, e Viena — uma capital pensada para governar mais de cinquenta milhões de pessoas — ficou à frente de uma pequena república alpina de apenas seis ou sete milhões de habitantes.
A Primeira República austríaca, nascida em 1918, foi uma fase turbulenta. Na 'Viena Vermelha' dos anos 1920, o governo social-democrata da cidade impulsionou um ambicioso programa de habitação social — com conjuntos emblemáticos como o Karl-Marx-Hof — e políticas sociais pioneiras. Mas a crise econômica, os conflitos políticos e a ascensão do autoritarismo levaram a uma guerra civil em 1934 e a um regime austrofascista.
Em março de 1938 aconteceu o Anschluss: a anexação da Áustria pela Alemanha nazista de Hitler, recebida em Viena por multidões na Heldenplatz. Os anos seguintes foram trágicos: a próspera e criativa comunidade judaica de Viena — que tinha dado ao mundo Freud e tantos artistas e cientistas — foi perseguida, expulsa e, em grande parte, assassinada no Holocausto. A cidade sofreu bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial e foi tomada pelo Exército Vermelho em 1945.
Depois da guerra, a Áustria e Viena foram divididas em zonas de ocupação pelas quatro potências aliadas, uma situação que o cinema imortalizou em 'O Terceiro Homem'. A ocupação terminou em 1955 com o Tratado de Estado, que devolveu a plena soberania à Áustria em troca de sua neutralidade permanente. Desde então, Viena se reconstruiu e prosperou: hoje é uma cidade próspera, segura e verde, sede de órgãos da ONU e da OPEP, eleita repetidas vezes entre as cidades com melhor qualidade de vida do mundo. Seu centro histórico, com a herança dos Habsburgo e da Ringstrasse, é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2001.