Esquina é uma cidade tranquila do sudoeste de Corrientes, debruçada sobre o ponto onde o rio Corriente entrega suas águas ao grande Paraná. É um destino clássico do Litoral para quem ama pesca esportiva, natureza de rio e a calmaria de uma cidadezinha ribeirinha, longe do agito dos grandes centros turísticos.
Sua fama está ligada ao pacu, esse saboroso peixe de rio que dá nome à sua grande celebração: a Fiesta Nacional del Pacú, que reúne música, gastronomia de rio e muitos pescadores e visitantes. Mas Esquina é muito mais que pesca: é orla ao entardecer, ilhas e riachos do Paraná, áreas alagadas cheias de aves e o ritmo sereno da vida no Litoral.
Este guia percorre o essencial de Esquina com um olhar prático: a cidade e sua orla, a pesca esportiva e os passeios de lancha pelo rio e pelos esteros, a Fiesta Nacional del Pacú e como se locomover por este cantinho do sul de Corrientes, um destino autêntico para descansar no ritmo do rio.
Esquina nasceu como um povoado e porto sobre o rio Paraná, na confluência com o rio Corriente, numa região de passagem e comércio fluvial do Litoral. Seu nome faz referência justamente à 'esquina', o ângulo que os rios formam nesse ponto. Foi fundada em 10 de fevereiro de 1806 em terras doadas pelo mestre de postas Benito Lamela, que anos antes (1799) havia erguido uma capela em honra a Santa Rita de Cássia, até hoje padroeira da cidade. O povoado foi destruído em 1839 após a batalha de Pago Largo e reconstruído em 1846 no local atual. Com o passar dos anos, consolidou-se como uma cidade ligada à pecuária, ao comércio fluvial e à pesca, e cresceu como uma típica cidade ribeirinha de Corrientes. Hoje é conhecida sobretudo pela pesca esportiva e pela Fiesta Nacional del Pacú, que celebra a cultura de rio da região. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Founded in 1588 as San Juan de Vera de las Siete Corrientes, it is the most Guaraní and most federalist province in Argentina: cradle of chamamé, declared Intangible Cultural Heritage of Humanity, setting of the outbreak of the War of the Triple Alliance and home of the Esteros del Iberá, where the jaguar roars again after seventy years.
Ler a história de Corrientes →Saem de Reconquista, a 96 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.
Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.
Origem, formação e o que dizem as fontes.
Há uma cena que se repete todo mês de fevereiro em Esquina há 39 edições: centenas de pescadores inscritos, lanchas alinhadas na orla ao amanhecer e uma cidade inteira de apenas uns quinze mil habitantes tomada pela festa mais importante que tem, dedicada inteiramente a um peixe, o pacu. Que uma cidadezinha do sudoeste de Corrientes tenha construído toda a sua identidade em torno do rio, a ponto de organizar uma festa nacional em sua homenagem, não é por acaso: é o ponto alto de mais de dois séculos de uma vida moldada, literalmente, pela água.
Esquina nasceu e cresceu graças à sua localização privilegiada à beira d'água: o ponto exato onde o rio Corriente deságua no grande rio Paraná, no sudoeste da atual província de Corrientes. Essa posição estratégica, no ângulo que os dois cursos formam ao se encontrar, está na própria origem do nome do lugar, que alude justamente à 'esquina' ou ao canto que os rios desenham na sua confluência, um topônimo tão simples quanto descritivo, típico da toponímia ribeirinha do Litoral.
Durante a época colonial e os primeiros tempos da independência, os rios eram as grandes vias de comunicação e de comércio do Litoral, muito mais confiáveis e rápidas que as estradas de terra, quase intransitáveis em época de chuva. Nesse contexto, povoados e portos como o de Esquina cumpriam um papel de passagem, embarque e abastecimento para a navegação de cabotagem entre Buenos Aires, Santa Fe, Corrientes e o Paraguai, e para a vida rural da região ao redor. O lugar foi ganhando forma de povoado em torno dessa atividade fluvial e do campo que o cercava, com estancieiros, comerciantes e pescadores dividindo a mesma barranca.
A região, de clima subtropical e solos aptos para a pecuária, logo somou a criação de gado bovino e o comércio de couros e produtos derivados como base econômica, junto com a pesca de subsistência e o movimento constante do porto. Assim, sobre a barranca do Paraná, foi se consolidando o povoado que com o tempo se tornaria sede do seu próprio departamento, um dos vinte e cinco em que se divide a província de Corrientes.
Ao longo dos séculos XIX e XX, Esquina se firmou como uma típica cidade de Corrientes no Litoral, com a vida organizada em torno do rio e do campo. A pecuária foi um dos pilares da sua economia, junto com a agricultura, o comércio fluvial e a pesca, numa região de banhados, lagoas e áreas alagadas que caracterizam o sul da província de Corrientes.
Como sede do seu departamento, a cidade foi ganhando as instituições, o comércio e os serviços próprios de um centro regional. Sua população, de raiz crioula e com contribuições de imigrantes, foi forjando uma identidade ligada à cultura do Litoral: o chamamé, a devoção religiosa, a vida no campo e, de maneira muito especial, a relação cotidiana com o rio Paraná e suas riquezas.
A pesca, primeiro de subsistência e comercial, com o tempo também foi se voltando para a pesca esportiva, à medida que o Paraná se firmava como um dos grandes destinos do país para essa atividade. Essa transformação abriria uma nova etapa para Esquina, que começaria a enxergar o turismo de pesca e de natureza como uma oportunidade de desenvolvimento.
O assentamento que crescia sobre a barranca do Paraná foi adquirindo, ao longo do século XIX, as formas de um povoado organizado, e sua certidão de nascimento tem nome e sobrenome: a história formal de Esquina começa com Benito Lamela, mestre de posta do lugar, que em 1799 ergueu uma capela em honra a Santa Rita de Cássia para cumprir uma promessa. Em volta desse pequeno templo a população foi se agrupando, e em 10 de fevereiro de 1806, em terras doadas pelo próprio Lamela, o povoado foi oficialmente fundado. Santa Rita continua sendo até hoje a padroeira de Esquina, e todo 22 de maio sua festa reúne milhares de fiéis de toda a região: poucas cidades argentinas conservam um vínculo tão direto entre a sua origem e a sua devoção.
A história de Esquina, porém, esteve longe de ser tranquila. Em 1839, após a derrota de Corrientes na batalha de Pago Largo diante das tropas de Entre Ríos, o povoado foi atacado e destruído junto com a sua capela; no ano seguinte, o governo provincial ordenou a sua dissolução e os moradores se dispersaram. Só em 1846 Esquina foi reconstruída, realocada um pouco mais a noroeste, sobre a barranca do rio Corriente, onde fica o centro atual. À medida que a província se organizava depois das guerras civis, a cidade foi ganhando importância como sede do seu departamento, com suas autoridades, sua paróquia, sua escola e suas instituições, acompanhando os altos e baixos da história de Corrientes sem perder o perfil de povoado ribeirinho voltado para o campo e para o rio.
Ao longo do século XX, a chegada de serviços, a melhoria das estradas e a ligação com o resto do país por terra e por água firmaram Esquina como um centro regional do sudoeste de Corrientes. A identidade crioula, a fé popular, o chamamé e a relação cotidiana com o Paraná foram tecendo o caráter de uma comunidade que, sem perder sua escala humana, se preparava para se reinventar com o turismo de rio.
Nas últimas décadas, Esquina consolidou seu perfil turístico em torno da pesca esportiva e da cultura de rio, aproveitando a riqueza de peixes do Paraná e a confluência com o rio Corriente. Espécies como o pacu, o dourado (conhecido como o 'tigre do rio' pela força e pela briga que dá), o surubim, o patí e a boga atraem pescadores de todo o país e do exterior, e a cidade desenvolveu uma infraestrutura de dezenas de guias credenciados, lodges e prestadores de serviço preparada para recebê-los durante boa parte do ano.
Dessa tradição pesqueira nasceu a Fiesta Nacional del Pacú, dedicada a um dos peixes de rio mais apreciados da região pela carne firme e saborosa. Com o passar das décadas, ela se transformou numa celebração de uma semana inteira: a 39ª edição, realizada de 8 a 15 de fevereiro de 2026, combinou o torneio de pesca de barranco e o torneio de pesca embarcada, o Torneo de Truco Pacú, a tradicional Gran Peña de Pescadores, o Festival e Eleição da Rainha, os Carnavales Esquinenses e, para fechar, o jantar dos pescadores com entrega de prêmios, que naquele ano distribuiu mais de 40 milhões de pesos. A inscrição no torneio, de AR$ 700.000 em 2026, inclui o acesso a todos esses eventos, uma amostra da escala que a festa foi ganhando com o passar dos anos.
Além do torneio competitivo, a festa reúne gastronomia típica — em que o pacu é a estrela absoluta, preparado na brasa, em chupín (um ensopado de peixe) ou frito —, shows de folclore e chamamé com artistas de renome nacional e o clima festivo característico do Litoral, tornando-se o principal evento da cidade e uma vitrine da sua identidade ribeirinha para o resto do país.
Hoje Esquina se apresenta ao visitante como um destino tranquilo e autêntico do sul de Corrientes: pesca esportiva durante boa parte do ano, passeios de lancha entre ilhas e áreas úmidas, observação de aves e da fauna do Litoral, orlas para ver o pôr do sol e o calor humano da cultura litorânea, sempre com o chamamé ao fundo. Uma cidade que, fiel à sua origem de dois séculos atrás, continua vivendo de frente para o rio e que todo mês de fevereiro presta homenagem a ele do jeito mais correntino possível: com música, pesca e boa mesa.