Paraná é a capital da província de Entre Ríos, uma cidade de barrancos verdes e pores do sol dourados debruçada sobre o rio que lhe dá nome. Construída sobre colinas e falésias de várias dezenas de metros acima da água, oferece mirantes e passeios com vistas amplas do Paraná, em frente à cidade de Santa Fe, na outra margem.
Seu grande orgulho paisagístico é o Parque Urquiza, um enorme parque em degraus sobre o barranco, com monumentos, escadarias e trilhas que descem até a orla e o rio. Lá embaixo, praias, balneários e um calçadão à beira do rio completam o quadro. Paraná também é uma cidade com peso histórico: entre 1854 e 1861 foi a capital da Confederação Argentina, o país sonhado pelo general Justo José de Urquiza, e conserva prédios e praças daquela época fundadora da organização nacional.
Outro de seus ícones é o Túnel Subfluvial, uma obra de engenharia única na América Latina que passa por baixo do leito do rio para ligar Paraná a Santa Fe. Com sua história confederal, seus barrancos, seu rio generoso para a pesca e seu clima quente entrerriano, Paraná é uma capital tranquila, verde e muito agradável no coração do Litoral.
Paraná cresceu às margens do rio de mesmo nome e teve seu momento de maior protagonismo nacional entre 1854 e 1861, quando foi a capital da Confederação Argentina, o Estado liderado por Justo José de Urquiza após a separação de Buenos Aires. Depois da batalha de Pavón (1861) e da reunificação do país, a capital voltou para Buenos Aires e Paraná ficou como capital de Entre Ríos. O Túnel Subfluvial, inaugurado em 1969, marcou outro marco ao ligá-la a Santa Fe por baixo do rio. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Mesopotamian province between the Paraná and the Uruguay: land of Charrúas and Minuanes, stronghold of the federalism of Urquiza —the victor of Caseros—, cradle of Argentina's Jewish and Swiss colonies, of hot springs, palm groves and the carnival of Gualeguaychú.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Como uma cidade chega a ser capital de um país inteiro sem sequer ter uma ata de fundação própria? Paraná nasceu, ao contrário de tantas cidades coloniais fundadas com cerimônia, escrivão e traçado em xadrez, sem um ato de fundação formal e solene, quase por um acúmulo espontâneo de gente às margens de um rio. Suas origens remontam ao século XVII, quando moradores vindos da vizinha Santa Fe, na outra margem do rio, começaram a atravessar e a se estabelecer na barranca entrerriana, em um local que ficou conhecido como a 'Bajada del Paraná' ou simplesmente 'La Bajada'. Era o ponto natural por onde se descia das colinas até o rio para atravessar até Santa Fe em canoas e balsas, um vau estratégico no meio de uma região de brejos, ilhas e banhados onde as travessias seguras eram raras.
Durante muito tempo, esse povoado disperso de estancieiros, pescadores e alguns comerciantes dependeu administrativa e religiosamente de Santa Fe, sem autoridades nem instituições próprias. Com o passar dos anos, a população foi crescendo sobre as barrancas, aproveitando a posição elevada e estratégica sobre o rio Paraná — que a protegia das cheias que atingiam outras povoações ribeirinhas mais baixas — e foi ganhando autonomia aos poucos, primeiro como curato independente e depois como vila com cabildo próprio, já perto do fim do período colonial. A cidade conserva até hoje essa relação íntima com seu rio e com a vizinha santafesina do outro lado, uma relação que o tempo transformaria em um dos vínculos urbanos mais peculiares do país: duas capitais de província, separadas por um rio, mas unidas primeiro por balsas, depois pelo transbordador e, finalmente, por um túnel debaixo d'água.
O grande momento histórico de Paraná chegou em meados do século XIX e transformou para sempre a fisionomia da cidade. Depois da batalha de Caseros, em 3 de fevereiro de 1852, na qual Justo José de Urquiza — entrerriano, governador de Entre Ríos e caudilho federal que tinha rompido com o regime rosista — derrotou o governador de Buenos Aires, Juan Manuel de Rosas, à frente do Exército Grande, a Argentina entrou em um período de organização nacional que vinha sendo adiado havia décadas. Foi convocado um Congresso Constituinte em Santa Fe, que em 1853 aprovou a primeira Constituição Nacional. Mas Buenos Aires, que não aceitava as condições da nova ordem federal nem abrir mão do controle da alfândega do porto — sua principal fonte de recursos —, separou-se do resto das províncias com a revolução de 11 de setembro de 1852, e as demais se constituíram como a Confederação Argentina, sob a liderança de Urquiza e amparadas pela recém-criada Constituição de 1853.
Essa Confederação precisava de uma capital e, depois de considerar várias opções, a escolhida foi Paraná, no coração do território entrerriano de Urquiza e com boa conexão fluvial. Entre 24 de março de 1854 e dezembro de 1861, a cidade foi a capital da Confederação Argentina: ali funcionaram o governo nacional, o Congresso bicameral, a Corte Suprema de Justiça e as demais instituições do país que Urquiza tentava consolidar sem Buenos Aires. A pequena Bajada del Paraná, até então um povoado de poucas quadras, virou de repente sede do poder nacional: chegaram diplomatas estrangeiros, foram construídos ou adaptados prédios de governo — como o novo Senado, erguido em 1858-1859 ao lado da Catedral —, enquanto o Colegio del Uruguay (fundado por Urquiza em 1849 na vizinha Concepción del Uruguay) formava os quadros dirigentes do novo Estado. A cidade viveu quase oito anos de protagonismo político e cultural sem precedentes, que deixaram uma marca urbana — praças, prédios, traçado — ainda reconhecível hoje no seu centro histórico.
A convivência entre a Confederação e Buenos Aires foi tensa e terminou em guerra. Em 17 de setembro de 1861, os exércitos dos dois lados se enfrentaram na batalha de Pavón. O resultado foi ambíguo no campo militar, mas decisivo no plano político: embora a Confederação não tivesse sido claramente derrotada, Urquiza retirou suas tropas e, na prática, entregou a vitória a Bartolomé Mitre e a Buenos Aires.
Com essa virada, o projeto de um país com capital em Paraná chegou ao fim. Em dezembro de 1861, Paraná deixou de ser a capital da Confederação; pouco depois, o país se reunificou sob a liderança portenha e a capital voltou para Buenos Aires. Paraná retomou então seu papel de capital provincial. Mas aqueles anos de protagonismo nacional deixaram uma marca indelével: a cidade guarda com orgulho a memória de ter sido, por alguns anos, a capital do país sonhado por Urquiza.
O outro grande marco da história de Paraná é uma obra de engenharia sem precedentes na região: o Túnel Subfluvial, hoje chamado oficialmente de Raúl Uranga – Carlos Sylvestre Begnis, em homenagem aos governadores de Entre Ríos e Santa Fe que o impulsionaram. Inaugurado em 13 de dezembro de 1969, o túnel passa por baixo do leito do rio Paraná para unir as cidades de Paraná e Santa Fe, que durante séculos só tinham se conectado pela água.
A obra é única na América Latina: tem cerca de 2.397 metros de comprimento e desce até perto de 30 metros abaixo do nível do rio, aguentando a passagem diária de milhares de veículos. Mais do que uma simples ligação rodoviária, o túnel simboliza a integração de duas províncias e de duas regiões, e virou um emblema de Paraná. Hoje é possível percorrê-lo em uma visita guiada, com uma sala de projeção que conta os segredos da sua construção.
A Paraná de hoje é uma capital tranquila e verde, orgulhosa das suas barrancas sobre o rio, do seu Parque Urquiza — um dos mais bonitos do país — e da sua história. O centro histórico, em volta da Plaza 1º de Mayo e da Catedral, conserva prédios da época da Confederação, testemunhos daqueles anos em que a cidade foi sede do governo nacional.
Lá embaixo, a orla, as praias e o rio mostram o lado natural e de lazer: pesca de dourado e surubim, passeios de lancha pelas ilhas, entardeceres dourados sobre a água. E por baixo de tudo isso, o Túnel Subfluvial continua unindo Paraná a Santa Fe, lembrando a vocação integradora desta cidade. Capital provincial, ex-capital nacional e cidade de rio, Paraná combina história, paisagem e a calma acolhedora do Litoral entrerriano.