Concepción del Uruguay é uma das cidades com mais história de Entre Ríos e da Argentina: berço de acontecimentos e figuras decisivos da organização nacional, profundamente ligada ao grande caudilho entrerriano Justo José de Urquiza, o homem que derrotou Rosas em Caseros e abriu caminho para a Constituição de 1853. Às margens do rio Uruguai, 'La Histórica' —como é conhecida— combina seu rico patrimônio com o charme de suas praias e de seu entorno fluvial.
O grande ímã da região é o Palacio San José, a suntuosa residência que Urquiza mandou construir nos arredores da cidade: um palácio de campo com jardins, lagos, capela e dependências, que foi cenário da vida e da trágica morte do caudilho e que hoje é Monumento Histórico Nacional e um dos museus mais impressionantes do país. Na cidade, somam-se o Colégio Nacional fundado por Urquiza (berço de presidentes e figuras ilustres), igrejas, praças e um centro histórico carregado de memória.
Este guia percorre o essencial de Concepción del Uruguay com um olhar prático e acolhedor: como visitar o Palacio San José, o que ver na cidade histórica, como aproveitar o rio e as praias, quando ir, como combiná-la com o corredor do rio Uruguai e onde comer e se hospedar. 'La Histórica' é um destino ideal para quem gosta de história argentina, com o bônus do rio e da natureza do Litoral.
Concepción del Uruguay foi fundada em 1783 às margens do rio Uruguai e se tornou uma das cidades mais importantes de Entre Ríos, chegando a ser capital provincial em diferentes momentos. Sua história está indissoluvelmente ligada a Justo José de Urquiza, governador de Entre Ríos e líder da Confederação Argentina, que derrotou Juan Manuel de Rosas na batalha de Caseros (1852) e promoveu a Constituição de 1853. Urquiza fez da cidade um polo de progresso, fundando o histórico Colegio del Uruguay (1849), e mandou construir nas proximidades o Palacio San José, onde foi assassinado em 1870. A cidade é conhecida como 'La Histórica' por seu papel na organização nacional. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Mesopotamian province between the Paraná and the Uruguay: land of Charrúas and Minuanes, stronghold of the federalism of Urquiza —the victor of Caseros—, cradle of Argentina's Jewish and Swiss colonies, of hot springs, palm groves and the carnival of Gualeguaychú.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
São quase sete da noite de 11 de abril de 1870. Na varanda do Palacio San José, um homem de 68 anos aproveita a tranquilidade de sua residência enquanto as filhas têm aulas de música e a esposa amamenta a caçula no quarto. De repente, cerca de 50 homens armados cercam a propriedade aos gritos de 'Abaixo o tirano! Viva o general Ricardo López Jordán!'. Minutos depois, Justo José de Urquiza — o caudilho que havia derrotado Rosas, transformado esta cidade em polo de poder e impulsionado a primeira Constituição argentina — jaz morto em seu próprio palácio. Nesse mesmo dia, na mesma hora, dois de seus filhos são assassinados em Concordia. Essa cena, tão violenta quanto decisiva, é a chave para entender por que Concepción del Uruguay é chamada, com orgulho e sem exagero, de 'La Histórica'.
Mas a cidade já existia quase um século antes dessa tragédia. Concepción del Uruguay foi fundada em 25 de junho de 1783 por Tomás de Rocamora, às margens do rio Uruguai, no leste da atual província de Entre Ríos. Sua localização, num ponto estratégico do rio que servia de fronteira e de via de comunicação com a Banda Oriental (o atual Uruguai) e o restante do Litoral, deu a ela desde cedo uma importância particular. O rio Uruguai era uma artéria vital para o comércio, o transporte e as comunicações, e as cidades instaladas em suas margens se tornavam centros de atividade.
A cidade cresceu como um dos principais núcleos de Entre Ríos, numa província que, durante o século XIX, seria protagonista dos grandes conflitos da organização nacional argentina. Entre Ríos, terra de caudilhos e de forte marca federalista, teve papel central nas lutas entre as províncias e Buenos Aires, e Concepción del Uruguay esteve no coração desses acontecimentos, chegando a ser capital provincial em diferentes momentos.
Essa relevância histórica e política seria ampliada pela figura que marcaria para sempre o destino da cidade: Justo José de Urquiza. Sob sua influência, Concepción del Uruguay se tornaria um polo de poder e de progresso, cenário de decisões fundamentais para o país. O vínculo entre a cidade e o caudilho entrerriano seria tão profundo que, até hoje, não dá para contar a história de um sem a do outro.
Justo José de Urquiza, governador de Entre Ríos, foi uma das figuras decisivas da história argentina do século XIX, e Concepción del Uruguay foi um dos centros de seu poder. Urquiza liderou a oposição a Juan Manuel de Rosas, o poderoso governador de Buenos Aires que dominava a Confederação, e em 1852 o derrotou na batalha de Caseros, pondo fim ao seu longo regime. Aquela vitória abriu caminho para a organização constitucional do país.
Urquiza foi o grande impulsionador do processo que levou à promulgação da Constituição Nacional de 1853, base do ordenamento institucional argentino, e se tornou o primeiro presidente constitucional da Confederação Argentina. Sua liderança marcou uma etapa fundamental na construção do Estado nacional, em meio às tensões entre a Confederação (com capital em Paraná) e o Estado de Buenos Aires, que se manteve separado durante anos.
A partir de sua base entrerriana, Urquiza também impulsionou o progresso material e cultural da região. Em Concepción del Uruguay, fundou em 1849 o histórico Colegio del Uruguay, uma instituição de ensino pioneira e prestigiosa por cujas salas passariam futuros presidentes da Nação (como Julio Argentino Roca e Victorino de la Plaza) e inúmeras figuras de destaque. Esse impulso educacional e modernizador transformou a cidade num farol de progresso, reforçando seu lugar na história nacional e lhe rendendo o orgulhoso apelido de 'La Histórica'.
O símbolo mais poderoso do poder e da riqueza de Urquiza é o Palacio San José, a suntuosa residência de campo que ele mandou construir em meados do século XIX nos arredores de Concepción del Uruguay. O palácio, uma mansão senhorial incomum para a época na região, tinha numerosos cômodos, dois amplos pátios, jardins, lagos artificiais, uma capela e diversas dependências. Era ao mesmo tempo residência, centro de poder e vitrine do status do caudilho, que recebia ali personalidades da política nacional e internacional.
Mas o Palacio San José também foi palco de uma tragédia que o país inteiro lembra até hoje. Em 1870, Ricardo López Jordán, antigo aliado de Urquiza dentro do federalismo entrerriano, o acusava de ter se tornado funcional ao poder de Buenos Aires e de trair a causa federal. Na tarde de 11 de abril daquele ano, enquanto Urquiza descansava na varanda do palácio e as filhas tinham aulas de música, um grupo de cerca de 50 homens armados e leais a López Jordán invadiu a propriedade aos gritos de 'Abaixo o tirano!'. O caudilho levou um tiro no rosto e foi finalizado a facadas nos braços da esposa. Nesse mesmo dia, e quase na mesma hora, dois de seus filhos — o coronel Waldino e Justo Carmelo de Urquiza, chefes militar e político de Concordia — foram assassinados naquela cidade por homens do mesmo movimento. Dias depois, López Jordán foi proclamado governador de Entre Ríos pela Legislatura, desencadeando uma rebelião aberta contra o governo nacional que levaria anos para ser contida.
A morte do caudilho em sua própria residência abalou o país e pôs um fim dramático à vida de um de seus grandes protagonistas. O quarto onde aconteceu o crime preserva a memória daquele episódio, e durante décadas circularam versões sobre o destino final de seus restos mortais, que permaneceram ocultos por um tempo antes de serem identificados com certeza. Hoje eles descansam ao lado dos de sua esposa, Dolores Costa, na Basílica de la Inmaculada Concepción.
Com o tempo, o Palacio San José foi declarado Monumento Histórico Nacional e transformado em museu, tornando-se um dos sítios históricos mais importantes e visitados da Argentina. Percorrer suas salas, seu mobiliário e seus jardins é espiar a vida de Urquiza e uma época crucial da história nacional. O palácio, junto com o Colegio del Uruguay, a basílica que guarda os restos do caudilho e o centro histórico da cidade, forma um conjunto patrimonial que faz de Concepción del Uruguay e seus arredores um destino imprescindível para quem quer entender as origens da Argentina moderna.
Após a morte de Urquiza em 1870 e o declínio de seu projeto político, Concepción del Uruguay perdeu parte do protagonismo nacional que tivera nas décadas da organização constitucional, mas manteve intacto seu enorme peso simbólico e histórico. A cidade havia sido capital de Entre Ríos em diferentes momentos do século XIX e um dos centros do federalismo argentino, e esse legado ficou gravado em seu patrimônio, suas instituições e sua identidade.
O Colegio del Uruguay continuou formando líderes e profissionais, consolidando sua fama de 'berço de presidentes'; a Basílica de la Inmaculada Concepción passou a guardar os restos de Urquiza e de sua esposa; e o Palacio San José, transformado em museu nacional, tornou-se um dos sítios históricos mais visitados do país. A cidade assumiu com orgulho o apelido de 'La Histórica', que resume seu papel nas origens da Argentina moderna.
A Concepción del Uruguay de hoje combina esse patrimônio com sua condição de cidade ribeirinha do corredor do rio Uruguai. Junto com Colón, Gualeguaychú e as termas de Entre Ríos, integra um circuito turístico que reúne história, praias de rio (como Banco Pelay), termas e natureza. 'La Histórica' é, assim, ao mesmo tempo um destino de memória nacional e um lugar de descanso e lazer no Litoral, onde o legado de Urquiza convive com a vida tranquila às margens do grande rio.