Poucas obras humanas impressionam tanto pela escala quanto a Usina de Itaipu. Erguida sobre o rio Paraná, na fronteira entre Paraguai e Brasil, é uma das maiores centrais hidrelétricas do mundo e um monumento à engenharia do século XX. Sua barragem de concreto se estende por quase 8 quilômetros e a vazão que move suas turbinas abastece de eletricidade boa parte de dois países. Vê-la de perto, espiar seu vertedouro e entender os números por trás da obra é uma experiência que deixa sem palavras.
Itaipu é uma empresa binacional, fruto de um acordo histórico entre Paraguai e Brasil, e é muito mais que uma parede de concreto: o complexo inclui um completo centro de visitantes, mirantes, áreas naturais protegidas, refúgios de fauna e museus que contam a história, o funcionamento e o enorme impacto —energético, ambiental e social— da usina. A visita combina engenharia colossal, história recente do Paraguai e natureza recuperada nos arredores.
Este guia percorre a Usina de Itaipu com um olhar prático e acolhedor: quais modalidades de visita existem, como é o passeio panorâmico e os circuitos técnicos, quando o espetacular vertedouro é aberto, como chegar a partir de Ciudad del Este e como combiná-la com o Salto del Monday e as Cataratas do Iguaçu. Itaipu é uma parada imperdível do leste paraguaio e uma lição viva sobre energia, água e integração regional.
A ideia de aproveitar o enorme potencial hidrelétrico do rio Paraná entre Paraguai e Brasil se concretizou com o Tratado de Itaipu, assinado pelos dois países em 1973. A construção da usina começou pouco depois e se prolongou por toda a década, mobilizando dezenas de milhares de trabalhadores em uma das maiores obras de engenharia da história: foi preciso desviar o curso do Paraná, escavar milhões de metros cúbicos de rocha e terra e erguer uma barragem de concreto gigantesca. O reservatório começou a encher em 1982, e a primeira unidade geradora entrou em funcionamento em 1984. Ao longo dos anos seguintes as turbinas foram completadas até alcançar uma potência instalada colossal, que fez de Itaipu a maior hidrelétrica do mundo em produção de energia durante décadas, antes de ser superada em potência pela usina chinesa de Três Gargantas (embora Itaipu tenha continuado batendo recordes de geração anual). A obra transformou por completo a região do Alto Paraná: impulsionou o crescimento explosivo de Ciudad del Este, modificou a paisagem, inundou áreas que obrigaram a realocar populações e cobriu o antigo Salto de Sete Quedas (Salto del Guairá), cachoeiras que ficaram submersas no reservatório. Itaipu é hoje símbolo da integração entre Paraguai e Brasil, uma peça-chave da energia dos dois países e um destino turístico de primeira ordem. A história detalhada está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The department of the east and of the Triple Frontier: land of Ciudad del Este —the capital of trade, founded in 1957—, of the colossal Itaipú dam at Hernandarias, of the Salto del Monday and of Paraguay's great energy and commercial hub.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A história de Itaipu começa com uma velha aspiração compartilhada: aproveitar o enorme potencial hidrelétrico do rio Paraná no trecho que separa o Paraguai do Brasil. O Paraná, um dos rios mais caudalosos do mundo, oferecia nessa região condições excepcionais para gerar energia em grande escala, mas sua exploração exigia um acordo entre os dois países que compartilham suas águas.
Após anos de negociações, não isentas de tensões diplomáticas —entre elas, a disputa pela região de Salto del Guairá—, Paraguai e Brasil assinaram em 1973 o Tratado de Itaipu, que estabeleceu as bases jurídicas da futura usina. O acordo criou a entidade binacional Itaipu, de propriedade compartilhada em partes iguais pelos dois Estados, e definiu o regime de construção, financiamento, operação e divisão da energia gerada. Foi um marco da diplomacia e da integração sul-americana, embora suas cláusulas —especialmente as referentes à venda da energia paraguaia excedente ao Brasil— gerassem debates que se prolongam até hoje.
O tratado refletia o contexto de sua época: dois regimes autoritários (o de Stroessner no Paraguai e a ditadura militar brasileira) impulsionando uma obra faraônica como símbolo de progresso e de cooperação. Itaipu nascia assim não só como um projeto de engenharia, mas como uma peça geopolítica de primeira ordem no Cone Sul.
A construção de Itaipu foi uma das maiores empreitadas de engenharia civil da história. Iniciada na década de 1970, mobilizou dezenas de milhares de trabalhadores —fala-se em picos de várias dezenas de milhares de operários ao mesmo tempo— e consumiu quantidades colossais de concreto, ferro e maquinário. A magnitude da obra deu origem a comparações célebres: a quantidade de concreto empregada e de ferro e aço utilizados costuma ser equiparada à de várias dezenas de grandes estádios ou à da torre Eiffel multiplicada muitas vezes.
Um dos desafios mais espetaculares foi desviar o curso do próprio rio Paraná para poder construir a barragem principal a seco. Para isso, foi escavado um enorme canal de desvio e foram removidos milhões de metros cúbicos de terra e rocha, em uma das maiores operações de movimentação de solo já realizadas. Uma vez desviado o rio, ergueu-se a gigantesca barragem de concreto, que combina diferentes tipos de estrutura ao longo de seus quase 8 quilômetros de extensão.
A obra transformou completamente a região. Surgiram acampamentos e cidades para os trabalhadores, foram construídas estradas e serviços, e o fluxo de pessoas e dinheiro impulsionou o crescimento explosivo de Ciudad del Este e de Foz do Iguaçu. Foi uma empreitada que, além dos números, marcou uma geração de paraguaios e brasileiros e ficou gravada como símbolo do esforço e da ambição de toda uma época.
Em 1982, após anos de obras, chegou um dos momentos decisivos: o enchimento do reservatório. Com o fechamento da barragem, as águas do Paraná começaram a se acumular e a inundar um vasto território rio acima, formando um enorme lago artificial que se estende pela fronteira entre Paraguai e Brasil. O reservatório, de grande superfície, obrigou a realocar numerosas populações e a transferir fauna e flora em uma das maiores operações de resgate ambiental da época.
O enchimento teve uma consequência de forte carga simbólica: sob as águas do reservatório ficaram submersos os Saltos del Guairá (conhecidos em português como Sete Quedas), um conjunto de cachoeiras que figurava entre as mais caudalosas do mundo e que era um sítio natural de enorme beleza e valor para os dois países. Seu desaparecimento sob o lago gerou polêmica e nostalgia, e ainda hoje é lembrado como o preço natural que a construção da usina cobrou.
O resgate de fauna durante o enchimento —a chamada 'Operação Mymba Kuera', em guarani— tornou-se um episódio célebre: equipes trabalharam para salvar animais encurralados pela subida das águas. O reservatório, uma vez estabilizado, não só alimentaria as turbinas da usina, mas também daria origem a novas atividades, áreas protegidas e refúgios biológicos em suas margens, numa tentativa de equilibrar o impacto da obra com a conservação.
Em 1984 entrou em funcionamento a primeira unidade geradora de Itaipu, e a partir daí, ano após ano, foram sendo acrescentadas turbinas até completar o total de unidades da usina. Cada turbina e seu gerador associado são peças gigantescas, e o conjunto deu a Itaipu uma potência instalada colossal, que por muito tempo fez dela a maior usina hidrelétrica do mundo.
Durante décadas, Itaipu deteve o recorde absoluto e abasteceu uma porção enorme da energia elétrica do Paraguai e uma parte muito significativa da do Brasil. Embora em termos de potência instalada tenha sido superada pela usina chinesa de Três Gargantas, Itaipu continuou batendo recordes mundiais de geração anual de energia, graças à vazão constante e abundante do rio Paraná, mantendo-se como uma das duas maiores usinas do planeta e, em vários anos, como a de maior produção real.
Para o Paraguai, Itaipu tem uma dimensão particular: o país consome só uma fração da energia que lhe cabe e, segundo o tratado, cede o excedente ao Brasil. Isso fez da usina um tema central da economia e da política paraguaia, com debates recorrentes sobre o preço dessa energia e sobre o futuro do acordo binacional, especialmente com a chegada dos prazos de revisão previstos. Itaipu é, assim, muito mais que uma obra de engenharia: é uma peça-chave da soberania energética e da relação entre os dois países.
Mais de quatro décadas depois de entrar em funcionamento, Itaipu é uma instituição central na vida do Paraguai e do Brasil. Continua gerando uma quantidade imensa de energia limpa e renovável, sustenta boa parte da matriz elétrica dos dois países e emprega milhares de pessoas. Sua gestão binacional, com setores paraguaio e brasileiro em paridade, faz dela um caso raro de administração conjunta de um recurso estratégico entre duas nações.
A relação de Itaipu com o seu entorno também mudou com o tempo. Depois das críticas pelo impacto ambiental da obra, a entidade desenvolveu importantes programas de proteção da natureza, reflorestamento e criação de refúgios biológicos ao redor do reservatório, num esforço para recuperar fragmentos da ameaçada Mata Atlântica do Alto Paraná. Também impulsionou projetos sociais, educativos e de desenvolvimento na região.
Hoje, além da função energética, Itaipu é um dos grandes destinos turísticos do Paraguai. Centenas de milhares de visitantes percorrem o complexo todos os anos: a visita panorâmica, os circuitos técnicos, a iluminação noturna e as áreas naturais. A usina foi reconhecida como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno da engenharia, e vê-la de perto ajuda a entender a escala do esforço humano, o peso da energia na vida moderna e a história recente da integração entre dois países que decidiram, juntos, domar um dos rios mais poderosos do planeta.