A poucos quilômetros da agitação comercial de Ciudad del Este, a natureza oferece um dos seus melhores espetáculos no leste paraguaio: o Salto del Monday. Ali, o rio Monday despenca por um degrau de rocha em uma cachoeira de mais de 40 metros de altura, levantando uma névoa permanente e um rugido constante, bem no coração da mata subtropical. É um daqueles cartões-postais que surpreendem pela beleza e por estarem tão perto da cidade.
Embora costume ficar à sombra da sua famosa vizinha, as Cataratas do Iguaçu, do outro lado da fronteira, o Salto del Monday tem um charme próprio e a vantagem de ser muito mais tranquilo e menos lotado. O parque municipal que o protege, de 1,6 hectare, conta com passarelas e mirantes que permitem chegar perto da cachoeira por diferentes ângulos, sentir a força da água e curtir o entorno natural, com vegetação exuberante e fauna local.
Este guia percorre o Salto del Monday com um olhar prático e acolhedor: como é o parque e seus mirantes, que atividades dá para fazer (incluindo a famosa tirolesa), quando o salto fica mais caudaloso, como chegar desde Ciudad del Este e como combiná-lo com a usina de Itaipu e as Cataratas do Iguaçu. É uma parada natural imperdível para equilibrar as compras e a engenharia da região com um banho de mata, água e verde.
O Salto del Monday é uma formação natural do rio Monday, cujo nome vem do guarani e costuma ser associado à ideia de 'roubo de água' ou relacionado a expressões da língua guarani ligadas ao rio (existem diferentes interpretações sobre sua origem). O salto fica no distrito de Presidente Franco, bem perto de Ciudad del Este, pouco antes de o rio Monday despejar suas águas no rio Paraná. Por muito tempo foi um recanto natural conhecido pelos moradores da região; com o desenvolvimento turístico do Alto Paraná, impulsionado pelo crescimento de Ciudad del Este, pela construção da usina de Itaipu e pela proximidade das Cataratas do Iguaçu, o salto foi preparado como atrativo turístico, com a criação de um parque municipal de 1,6 hectare que o protege e permite a visita por meio de passarelas e mirantes. Hoje é um dos ícones naturais do leste paraguaio e um complemento natural do circuito da Tríplice Fronteira. A história detalhada do salto e da região está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The department of the east and of the Triple Frontier: land of Ciudad del Este —the capital of trade, founded in 1957—, of the colossal Itaipú dam at Hernandarias, of the Salto del Monday and of Paraguay's great energy and commercial hub.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
O Salto do Monday deve seu nome ao rio que o forma, o rio Monday, um curso d'água do leste do Paraguai que percorre o departamento de Alto Paraná e deságua no grande rio Paraná, bem perto de Ciudad del Este. A cachoeira se forma pouco antes dessa foz, onde o rio despenca por um degrau de rocha numa queda de cerca de 40 metros.
O nome 'Monday' vem da língua guarani, idioma nacional do Paraguai junto com o espanhol, e seu significado deu origem a diferentes interpretações. Uma das mais difundidas o relaciona com a ideia de 'roubo de água' ou com expressões guaranis ligadas à água e ao rio ('y' significa 'água' em guarani). Como acontece com muitos topônimos guaranis, convivem várias versões sobre sua origem exata, o que acrescenta uma aura de mistério ao lugar.
Além da etimologia, o nome reflete a profunda raiz guarani de toda a região. O povo guarani habitou durante séculos essas terras do leste, cortadas por rios e cobertas pela selva da Mata Atlântica do Alto Paraná, e deixou sua marca indelével na língua, nos nomes dos lugares e na cultura. O Salto do Monday é, também em seu nome, um testemunho dessa herança.
Muito antes de existir qualquer cidade ou parque, as terras onde hoje cai o Salto do Monday faziam parte do vasto domínio do povo guarani e estavam cobertas pela exuberante Mata Atlântica do Alto Paraná, um dos ecossistemas mais ricos e biodiversos da América do Sul. Rios caudalosos, quedas d'água e uma selva densa formavam uma paisagem de enorme abundância natural.
Os guaranis viviam em harmonia com esse ambiente, do qual obtinham alimento, água e materiais, e ao qual atribuíam sentido espiritual. Os rios e as cachoeiras, como o próprio Salto do Monday, eram lugares carregados de significado dentro de sua cosmovisão. A marca guarani sobrevive até hoje na língua — amplamente falada no Paraguai —, nos nomes dos lugares e na cultura da região.
Com a chegada dos europeus e, séculos mais tarde, com a expansão da fronteira agrícola e o crescimento das cidades, grande parte daquela floresta original foi desaparecendo. O Salto do Monday, com o parque que hoje o protege, conserva um fragmento daquela selva e permite imaginar como era a paisagem que os guaranis conheceram e habitaram por gerações.
Durante muito tempo, o Salto do Monday foi um recanto natural conhecido sobretudo pelos moradores da região, no distrito de Presidente Franco, vizinho da atual Ciudad del Este. Era um lugar de beleza imponente, mas relativamente afastado, sem a infraestrutura que hoje permite visitá-lo com conforto.
A situação mudou com a transformação que todo o leste paraguaio viveu na segunda metade do século XX. A fundação de Ciudad del Este (então Puerto Presidente Stroessner) em 1957, a abertura da Ponte da Amizade para o Brasil em 1965 e, sobretudo, a construção da usina de Itaipu a partir dos anos 1970 povoaram e dinamizaram a região, atraindo trabalhadores, comerciantes e, com o tempo, turistas.
Nesse contexto de desenvolvimento e de crescente interesse turístico — impulsionado pela proximidade das Cataratas do Iguaçu, do outro lado da fronteira —, o Salto do Monday foi preparado como atração, com a criação de um parque que o protege e o valoriza por meio de passarelas, mirantes e serviços. Assim, uma cachoeira que durante séculos tinha sido um segredo local se tornou um dos ícones naturais do leste paraguaio e uma parada habitual do circuito da Tríplice Fronteira.
É impossível falar do Salto do Monday sem mencionar sua célebre vizinha: as Cataratas do Iguaçu, um dos conjuntos de quedas d'água mais espetaculares do planeta, situadas a poucas dezenas de quilômetros, na fronteira entre Argentina e Brasil. A fama mundial do Iguaçu, uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo, ofuscou por muito tempo o mais modesto Salto do Monday.
No entanto, essa comparação, longe de tirar seu valor, ajuda a entender o atrativo particular do Monday. Enquanto as Cataratas do Iguaçu recebem multidões de visitantes do mundo inteiro, o Salto do Monday oferece uma experiência mais íntima e tranquila, com sua própria queda de cerca de 40 metros, sua névoa, seus arco-íris e seu entorno de selva, a um passo de Ciudad del Este. Para muitos viajantes, visitar os dois saltos numa mesma viagem permite apreciar duas facetas distintas da força da água na região.
A proximidade dos dois grandes rios — o Monday, que deságua no Paraná logo depois do salto, e o Iguaçu, que forma as cataratas antes de também se unir ao Paraná — reflete a riqueza hídrica da Tríplice Fronteira. Hoje, o Salto do Monday, a usina de Itaipu e as Cataratas do Iguaçu formam, juntos, um circuito natural e de engenharia único na América do Sul, no qual o salto paraguaio brilha com luz própria.