Volendam é a Holanda dos cartões-postais em forma de vila: um porto pesqueiro às margens de um mar interior, com o dique cheio de casinhas de madeira, os barcos atracados, o cheiro de peixe defumado e arenque fresco, e uma tradição de trajes típicos que continua viva nas festas e nas fotos de lembrança. A apenas meia hora de Amsterdã, é um dos passeios mais queridos e fotogênicos do país.
Fundada como aldeia de pescadores, Volendam viveu durante séculos voltada para o antigo Zuiderzee, o grande mar interior que se ligava ao Mar do Norte. A pesca do arenque e da enguia marcou sua vida, sua economia e seu caráter. Quando, no século XX, o Zuiderzee foi fechado por um grande dique e transformado em lago, a vila soube se reinventar com o turismo, conservando com orgulho sua identidade: os trajes, a música, a gastronomia do mar e o clima acolhedor e festivo.
Este guia percorre o essencial de Volendam com um olhar prático e caloroso: o famoso dique e a orla, o porto, o peixe que você precisa provar, a tradição do traje típico e da foto de época, os museus da vila e, principalmente, a combinação imperdível com a ilha de Marken atravessando de ferry. Um programa delicioso para viver a Holanda mais autêntica e tradicional, pertinho da cidade grande.
Volendam tem origem no século XIV, ligada à vizinha Edam: quando os moradores de Edam construíram um novo porto e fecharam parcialmente seu acesso ao mar, o antigo canal virou um terreno ganho da água, e ali, às margens do Zuiderzee, foi se formando uma aldeia de pescadores: 'Vollendam' significaria algo como 'o dique aterrado' ou 'preenchido'. Durante séculos, Volendam viveu de costas para a terra e de frente para o mar: a pesca do arenque, da enguia e de outros peixes no Zuiderzee era o sustento da comunidade, que desenvolveu uma cultura própria muito marcante, com seus trajes típicos, seu dialeto, sua religiosidade católica (ao contrário de boa parte da Holanda protestante ao redor) e seus costumes. No fim do século XIX e começo do XX, Volendam ficou famosa entre os artistas: pintores de toda a Europa (até Picasso passou por aqui) chegavam atraídos pelo pitoresco do lugar, pelos pescadores e pelos trajes. A grande mudança veio com a construção do Afsluitdijk (1932), o enorme dique que fechou o Zuiderzee e o transformou em um lago de água doce (o IJsselmeer/Markermeer), acabando com a pesca marítima tradicional. Volendam então redirecionou sua economia para o turismo, conservando e exibindo com orgulho sua identidade. Hoje é uma das vilas mais visitadas dos Países Baixos. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The heart of the Golden Age: the city born from a dam on the river Amstel, capital of world trade and seat of the VOC, with its UNESCO-listed canal belt, its Jewish history and the Anne Frank House, and around it the windmills of the Zaanse Schans, the Haarlem of Frans Hals and the old fishing villages of the Zuiderzee.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Volendam nasceu como uma humilde vila de pescadores às margens do Zuiderzee, o grande mar interior que durante séculos definiu a vida desta parte dos Países Baixos. Suas origens remontam ao fim do século XIV: naquela época, os moradores da vizinha Edam decidiram fechar com um dique o braço de água que ligava seu porto ao Zuiderzee, abrindo um novo canal direto para o mar. O antigo porto ficou assim obstruído ou 'cheio', e é desse fato que deriva o próprio nome do lugar, 'Vollendam' ou 'Volle-dam', que pode ser entendido como 'o dique cheio' ou 'o dique que entope o porto'.
Ao redor desse dique, um grupo de pescadores foi construindo suas casas de madeira, dando forma a uma comunidade que vivia exclusivamente do mar. A pesca do arenque e da enguia nas águas salobras do Zuiderzee se tornou o sustento de gerações inteiras de volendammers. A vila cresceu espremida contra o dique, com seu porto característico, seus cais e seus barcos de fundo chato, adaptados às águas rasas do mar interior.
Essa dependência total do mar moldou não só a economia, mas também a identidade de Volendam: uma comunidade fechada, profundamente religiosa e com fortes tradições próprias, que se manteve católica mesmo depois que boa parte da Holanda se voltou para o protestantismo após a Reforma. Essa singularidade religiosa e cultural ajudou a preservar o caráter único da vila ao longo dos séculos.
Se tem uma coisa que deixou Volendam famosa no mundo inteiro é o seu traje tradicional, um dos mais reconhecíveis de todos os Países Baixos. A roupa feminina inclui o inconfundível 'hul', uma touca de renda branca com as pontas levantadas que parece duas pequenas asas, além de saias listradas, aventais e um corpete ricamente decorado. Os homens usavam calças bufantes escuras, jaqueta e boné, um conjunto pensado para a vida no mar e no cais.
Ao contrário de outros lugares onde a vestimenta regional desapareceu, em Volendam o traje sobreviveu como símbolo de identidade e orgulho, e ainda hoje alguns moradores mais velhos o usam no dia a dia ou nas festas. Essa permanência, somada ao visual pitoresco do porto, transformou Volendam em um ímã para artistas e viajantes desde o fim do século XIX.
Desse fascínio nasceu uma tradição que continua bem viva: a de se fotografar vestido com o traje típico nos estúdios fotográficos da vila. O que começou quando os primeiros turistas e pintores queriam uma lembrança com a roupa local virou uma das grandes atrações atuais de Volendam, onde milhares de visitantes se fotografam todo ano vestidos como autênticos pescadores e aldeãs do Zuiderzee.
No fim do século XIX, Volendam virou um destino preferido de pintores de toda a Europa, atraídos pela luz do Zuiderzee, pelos trajes coloridos e pela vida simples da vila de pescadores. Chegaram artistas dos Países Baixos, da Alemanha, da França, da Inglaterra, dos Estados Unidos e de outros países, no que ficou conhecido como a 'colônia de artistas' de Volendam. Eles pintavam o porto, os barcos, o interior das casas e, sobretudo, os moradores com a vestimenta tradicional.
O epicentro dessa efervescência artística foi o Hotel Spaander, fundado em 1881 por Leendert Spaander. Muitos pintores que não conseguiam pagar a estadia pagavam com suas obras, e assim as paredes do hotel foram se cobrindo de quadros. Com o tempo, o Spaander reuniu uma das coleções de arte mais singulares do país, com centenas de pinturas que até hoje decoram seus salões, o que o transforma em um verdadeiro museu vivo daquela época de ouro.
Diz-se até que artistas do porte de Pablo Picasso ou Pierre-Auguste Renoir teriam passado por Volendam, mas esses relatos fazem parte da tradição local e convém encará-los com cautela. O que é indiscutível é que a vila deixou sua marca na história da arte do fim do século XIX e que essa fama de vilarejo pitoresco, alimentada pelos pintores, lançou as bases do turismo que hoje a sustenta.
O acontecimento que mais transformou a vida de Volendam no século XX foi uma das maiores obras hidráulicas da história neerlandesa: o fechamento do Zuiderzee. Em 1932 foi concluído o Afsluitdijk, um enorme dique de cerca de 32 quilômetros que separou o mar interior do Mar do Norte. Com essa obra, as águas salgadas do Zuiderzee foram se transformando no lago de água doce que hoje é conhecido como IJsselmeer.
Para uma comunidade que vivia da pesca do arenque e da enguia em águas salgadas, a mudança foi dramática. O fechamento do mar interior alterou completamente o ecossistema, acabou com as pescarias tradicionais e obrigou Volendam a se reinventar. Muitos pescadores tiveram que mudar de profissão, e a vila passou a olhar cada vez mais para o turismo como nova fonte de renda.
Paradoxalmente, aquele mesmo cenário que o fechamento do Zuiderzee parecia condenar — o porto, os barcos, os trajes, a vida tradicional — se tornou o grande capital de Volendam. A vila soube conservar e valorizar seu patrimônio, de modo que a pesca, que deixou de ser o sustento econômico central, sobrevive hoje sobretudo como atração cultural: as casas de peixe defumado e as barracas de arenque e de kibbeling no cais são herdeiras diretas daquela tradição marinheira.
Pouca gente imaginaria que uma pequena vila de pescadores se tornaria um verdadeiro celeiro de estrelas da música popular neerlandesa, mas foi exatamente isso que aconteceu em Volendam. A partir de meados do século XX, a vila deu origem a um gênero e a uma cena conhecidos como 'Palingsound' (literalmente, 'o som da enguia', em referência à tradição pesqueira local), que virou sinônimo de música pop e folk feita em Volendam.
Dessa pequena comunidade saíram alguns dos artistas e bandas mais populares dos Países Baixos. The Cats, uma banda surgida nos anos 1960, fez enorme sucesso e é considerada a origem do Palingsound. Depois viriam nomes como Jan Smit, BZN e vários cantores que mantiveram viva essa tradição e levaram o nome de Volendam às paradas de sucesso do país. A proporção de músicos famosos por habitante fez da vila um caso quase único.
Essa vocação musical continua fazendo parte da identidade volendammer e está presente nos bares, nas festas e nos eventos da vila. A música, junto com o traje típico, o porto e a gastronomia marinheira, completa o retrato de uma vila que soube transformar sua tradição e seu jeito de ser em uma marca cultural reconhecida em todo o país.