A pouco mais de meia hora da Cidade de Quebec, na costa de Beaupré, fica o Mont-Sainte-Anne, uma das estações de montanha mais importantes do leste do Canadá. Com um cume de uns 800 metros e um desnível esquiável considerável, é famoso pelo esqui alpino no inverno — com pistas iluminadas para esquiar à noite e vista para o rio São Lourenço — e, no verão, por ser uma meca do mountain bike reconhecida internacionalmente.
O Mont-Sainte-Anne combina a proximidade da capital da província com um entorno natural esplêndido. Do alto dá para avistar o largo São Lourenço e a ilha de Orléans, e no outono as encostas pegam fogo de tantas cores. É uma base ideal para combinar a montanha com passeios próximos, como o santuário de Sainte-Anne-de-Beaupré, a espetacular cachoeira de Montmorency ou o cânion de Sainte-Anne.
Este guia percorre o essencial do Mont-Sainte-Anne com um olhar prático: o que oferece em cada estação (esqui, bike, trilhas, tirolesas), como chegar saindo de Quebec, onde se hospedar e o que visitar nos arredores da Côte-de-Beaupré. Um destino de montanha acessível e completo, a um passo de uma das cidades mais bonitas da América do Norte.
O Mont-Sainte-Anne se desenvolveu como estação de esqui na década de 1960, impulsionado pela proximidade da Cidade de Quebec, e logo se consolidou como um dos centros de esportes de inverno de referência do leste do Canadá. O nome vem de Santa Ana, padroeira de Quebec, venerada no vizinho santuário de Sainte-Anne-de-Beaupré. Com os anos, ganhou o mountain bike de verão, que o levou a receber competições de nível mundial, como a Copa do Mundo da UCI. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Canada's great French-speaking province: cradle of New France, founded by Champlain in 1608, land of the St. Lawrence River, of the nationalist fervor of the Quiet Revolution and of a Latin, European culture unique in North America.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de existir um único teleférico ou uma única bicicleta de downhill, a grande montanha que hoje chamamos de Mont-Sainte-Anne era simplesmente o pano de fundo de uma das regiões mais antigas e devotas da Nova França. Aos seus pés, na Côte-de-Beaupré — uma estreita faixa de terra entre o rio São Lourenço e os primeiros contrafortes dos montes Laurentinos, a nordeste da Cidade de Quebec —, marinheiros bretões que temiam naufragar no grande rio se encomendavam a Sant'Ana. Em sua homenagem, construíram, por volta de meados do século XVII, uma capela que, com os séculos, se tornaria um santuário de peregrinação conhecido em toda a América.
Esta região foi uma das primeiras áreas colonizadas da Nova França: já no século XVII, os colonos franceses se estabeleceram ao longo da costa, formando uma sucessão de paróquias agrícolas que até hoje se reconhecem nos vilarejos da região. A montanha e todo o território devem seu nome a Sant'Ana, mãe da Virgem Maria e padroeira de Quebec, cuja devoção está no coração da identidade da Côte-de-Beaupré.
Durante séculos, a vida da região girou em torno da agricultura, da pesca no rio e dessa religiosidade intensa. A grande montanha, coberta de florestas e de neve boa parte do ano, era uma paisagem para ser contemplada, não um destino para se subir. Sua transformação em um dos grandes centros esportivos do leste do Canadá chegaria muito mais tarde, já bem adentrado o século XX, pelas mãos de um punhado de esquiadores pioneiros.
A aventura do esqui no Mont-Sainte-Anne começou em 1943, quando um grupo de esquiadores pioneiros decidiu abrir as primeiras pistas na montanha; em abril de 1944, os primeiros esquiadores desceram suas encostas. Mas o grande salto veio em janeiro de 1966, quando a montanha foi inaugurada oficialmente como estação de esqui, com quatro teleféricos — entre eles a única telecabine (gôndola) do leste do Canadá — e dez pistas. Aproveitando a proximidade com a Cidade de Quebec e o desnível considerável da montanha, o lugar se tornou rapidamente um dos destinos de inverno preferidos da capital provincial e de todo o leste do país.
Com os anos, a estação cresceu com novos teleféricos, pistas em várias encostas e um extenso sistema de esqui cross-country que chegou a ser um dos mais importantes do Canadá. O esqui noturno, com pistas iluminadas e vista para as luzes de Quebec e para o São Lourenço, virou uma de suas marcas registradas. O Mont-Sainte-Anne chegou até a sediar competições internacionais de esqui, consolidando seu prestígio esportivo em nível continental.
A proximidade com uma cidade Patrimônio da Humanidade como Quebec deu à estação uma vantagem única: a possibilidade de combinar esporte de montanha com turismo cultural e gastronômico, algo pouco comum nos grandes centros de esqui da América do Norte, muitas vezes isolados no meio da cordilheira. Esse duplo trunfo — neve de qualidade e uma das cidades mais bonitas do continente a quarenta minutos — continua sendo, até hoje, seu maior atrativo.
A partir das décadas de 1980 e 1990, o Mont-Sainte-Anne ganhou uma segunda vida na temporada quente ao apostar forte no mountain bike, um esporte então emergente. Aproveitando seu desnível e a gôndola que já levava esquiadores no inverno, a estação desenvolveu trilhas de downhill e cross-country que logo chamaram a atenção do circuito internacional. Em 1991, recebeu sua primeira Copa do Mundo de mountain bike da União Ciclística Internacional (UCI), o início de uma ligação que duraria décadas.
Desde então, a montanha se tornou uma das sedes mais emblemáticas do calendário mundial: sediou os Campeonatos Mundiais de mountain bike da UCI em três ocasiões — 1998, 2010 e 2019 —, recebendo os melhores ciclistas do planeta. Esse histórico lhe rendeu o apelido de 'templo do mountain bike' e consolidou o Mont-Sainte-Anne como um dos destinos de mountain bike mais reconhecidos do Canadá e de toda a América do Norte, com percursos exigentes e técnicos muito valorizados pelos profissionais.
Hoje o Mont-Sainte-Anne é um destino para as quatro estações: esqui alpino, esqui cross-country e raquetes de neve no inverno; mountain bike, trilhas e atividades de aventura no verão e no outono. Sua combinação de natureza, esporte de alto nível e proximidade com a Cidade de Quebec e com os atrativos da Côte-de-Beaupré o mantém como um dos polos turísticos de montanha mais completos do leste do país.
Não dá para entender o Mont-Sainte-Anne sem a Côte-de-Beaupré, a faixa histórica que o cerca e que é um dos berços da Nova França. O santuário de Sainte-Anne-de-Beaupré é a alma espiritual da região: a devoção a Sant'Ana nasceu aqui no século XVII e, segundo a tradição, os primeiros milagres atribuídos à santa remontam à construção de uma capela por volta de 1658. Ao longo dos séculos, sucessivas igrejas deram lugar à imponente basílica neorromânica atual, erguida no século XX após um incêndio, que recebe todos os anos mais de um milhão de peregrinos, o que a torna um dos grandes santuários da América do Norte.
A vizinha cachoeira de Montmorency (Chute Montmorency), com 83 metros — mais alta que as Cataratas do Niágara —, foi batizada em 1613 por Samuel de Champlain em homenagem ao duque de Montmorency, vice-rei da Nova França. Em seus arredores foi travado, em 1759, um episódio da guerra que opôs franceses e britânicos pelo controle de Quebec. Hoje é um parque administrado pela Sépaq e uma das atrações naturais mais visitadas da província.
A poucos quilômetros, o Canyon Sainte-Anne, um desfiladeiro escavado pelo rio Sainte-Anne-du-Nord, completa o conjunto de maravilhas naturais da região. Essa combinação de patrimônio religioso, história colonial e natureza espetacular é o que deu à região sua identidade muito antes de a montanha se tornar estação de esqui, e o que hoje permite ao visitante combinar esporte de montanha com uma viagem às origens da Nova França.