Viajá con Gus
Início › Brasil › Vitória
Vitória
🇧🇷 Brasil · Sudeste

Vitória

🪪 Que documentos eu preciso para entrar em Brasil?Escolha sua cidadania: a gente diz o visto, os dias e os trâmites, com a fonte oficial.

Ao deixar seu e-mail e sua cidadania você aceita receber a documentação que pediu e novidades de viagem toda semana. Você pode cancelar quando quiser. Como cuidamos dos seus dados.
Pule para o que você procura
📍Estado
Espírito Santo (capital)
📌Melhor época
O ano todo; o verão (dezembro a março) é mais quente e com clima de praia
📌Dias sugeridos
2 a 3 dias
📌Moeda
Real brasileiro (BRL)
💱 USD exchange rate
Loading rate…
🌤️ Weather in Vitória
Loading weather…

Vitória é a capital do Espírito Santo, uma cidade em grande parte construída sobre uma ilha numa baía, cercada de morros, manguezais e praias. Capital portuária e com forte atividade econômica, junta praias urbanas como Camburi, um centro histórico de origem colonial, mirantes com vista para a baía e uma ótima gastronomia capixaba baseada em frutos do mar, famosa pela sua moqueca.

Fundada no século XVI, é uma das capitais mais antigas do Brasil. A cidade mostra o contraste entre o passado histórico (igrejas, conventos, o centro antigo) e o perfil moderno de capital, com portos, pontes e uma vida cultural própria. A vizinha Vila Velha, com o Convento da Penha, e a região serrana capixaba completam o que a região metropolitana tem a oferecer.

Este guia percorre o essencial de Vitória: as praias urbanas e a Curva da Jurema, o centro histórico e o Palácio Anchieta, o Convento da Penha (em Vila Velha), a gastronomia capixaba e como chegar. É um destino para conhecer uma capital insular autêntica, com história, mar e a famosa moqueca capixaba.

📖 História de Vitória

Fundada em 1551 numa ilha de uma baía abrigada, seu nome lembra uma vitória dos portugueses sobre os indígenas, e ela se tornou capital da capitania do Espírito Santo. A posição insular facilitava a defesa, o que motivou sua escolha como sede. Porto colonial ligado ao açúcar e depois ao café, no século XX se transformou numa grande cidade portuária e industrial (com o minério de ferro e o porto de Tubarão), consolidando-se como o centro econômico e cultural do estado.

Ler a história completa ↓

🏛️ Vitória fica em Espírito Santo

The small capixaba state between the sea and the mountains: one of the original captaincies of 1535, a land of Italian and Pomeranian immigration, of mountain coffee and of a coastline of monazite sands and humpback whales.

Ler a história de Espírito Santo →

🗺️ O que ver

Passeios que dá para reservar

Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.

1
Praia de Camburi e praias urbanas
A principal praia urbana da cidade, extensa e com calçadão.
Leer más ↓
A Praia de Camburi é a grande praia urbana de Vitória, uma longa faixa de areia com calçadão, quiosques e ciclovia, muito frequentada pelos capixabas para esporte, lazer e banho de mar. É o principal ponto de encontro de praia da cidade. A Curva da Jurema, mais abrigada, é outra praia urbana popular com vista para a baía. São ideais para juntar praia e vida local em plena capital.
ℹ️ Acesso livre; com estrutura. Fique atento às condições do mar e à proximidade do porto.
2
Centro histórico e Palácio Anchieta
O centro colonial com igrejas, o palácio do governo e a Catedral.
Leer más ↓
O centro histórico de Vitória, na parte antiga da ilha, preserva sua herança colonial. Os destaques são o Palácio Anchieta, sede do governo estadual, construído sobre um antigo colégio jesuíta e que guarda o túmulo do padre José de Anchieta; a Catedral Metropolitana, em estilo neogótico; e praças, igrejas e escadarias com vista para a baía. Andar pelo centro antigo, com seus desníveis e mirantes, é uma forma de conhecer as origens e a história da capital.
ℹ️ Dá para percorrer a pé; o Palácio Anchieta e algumas igrejas têm horários de visitação (confira).
3
Convento da Penha (Vila Velha)
Santuário no alto de um penhasco com vista panorâmica, símbolo do estado.
Leer más ↓
Na vizinha Vila Velha, no alto de um penhasco rochoso, fica o Convento da Penha, um dos santuários marianos mais antigos e venerados do Brasil e símbolo do Espírito Santo. Lá de cima a vista panorâmica é espetacular: Vitória, Vila Velha, a baía e o mar. É lugar de peregrinação e visita obrigatória pela história, pelo valor religioso e, principalmente, pela vista. O acesso é subindo por uma rampa ou caminho.
ℹ️ Santuário aberto à visitação; melhor com céu limpo. Confira os horários.
4
Parques e manguezais (Manguezal / Parque Pedra da Cebola)
Áreas verdes urbanas, manguezais e mirantes naturais.
Leer más ↓
Vitória preserva ecossistemas de manguezal no seu entorno insular, importantes para a fauna e visitáveis em algumas áreas, e tem parques urbanos como o Parque Pedra da Cebola, com formações rochosas, jardins e áreas para caminhar. Esses espaços verdes, junto com os morros e mirantes da cidade, oferecem contato com a natureza e boas vistas dentro da capital.
ℹ️ Parques com acesso livre e horários; manguezais em áreas específicas (confira).
5
Vila Velha e Praia da Costa
A cidade vizinha com praias, o convento e o primeiro núcleo de colonização capixaba.
Leer más ↓
Vila Velha, em frente a Vitória do outro lado da baía e ligada por pontes, foi o primeiro núcleo de colonização do Espírito Santo. Além do Convento da Penha, tem praias urbanas muito populares como a Praia da Costa, com calçadão e vida noturna, e vestígios históricos. É parte inseparável da experiência na região metropolitana e costuma entrar no roteiro de quem visita a capital.
ℹ️ Ligada a Vitória por pontes; praias com estrutura. Dá para circular de carro ou ônibus.
6
Praia do Canto e a orla gastronômica
O bairro mais animado de Vitória, com bares, restaurantes de moqueca e vida noturna.
Leer más ↓
A Praia do Canto é o bairro nobre e gastronômico de Vitória: concentra a maior oferta de restaurantes de moqueca capixaba e frutos do mar, bares, cafés e vida noturna, especialmente em torno da região da 'Curva da Jurema' e das ruas internas. É o melhor lugar para provar a cozinha capixaba e para sair à noite na capital. Da orla também se tem uma bela vista da baía e da ponte que liga a Vila Velha. Imperdível para quem gosta de comer bem.
ℹ️ Região de bares e restaurantes; melhor à noite. Reserve nos restaurantes mais concorridos nos fins de semana.
📶Em nenhuma viagem fiquei sem internet. Chego e meu celular se conecta à rede mais forte do país que estou visitando: já posso avisar que cheguei, organizar o transporte, reservar passeios e seguir publicando conteúdo por um preço muito conveniente (barato mesmo!). Sempre uso o eSIM da Maya Mobile, confira os planos clicando no banner.Ver planos →Maya Mobile eSIM — ative o modo viagem e pronto
O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Playas (Camburi, Curva da Jurema, etc.)Grátis (acesso livre; serviços e quiosques à parte)
Convento da Penha (santuario, Vila Velha)Grátis (acesso à esplanada do Campinho e à capela, sem custo). Subida de van R$ 7 ida e volta ou R$ 5 só um trecho; 'trenzinho' R$ 20 ida e volta (R$ 10 um trecho); também dá para subir a pé ou de carro próprio (6:00 às 16:30, dias de semana) (fonte: site oficial Convento da Penha — horários e tarifas, verificado em julho de 2026)
Palácio Anchieta (visita guiada)Grátis. Visitas guiadas de 1 h que saem a cada 30 min: terça a sexta 9:00–17:00 e sábados, domingos e feriados 9:00–16:00 (fonte: Prefeitura de Vitória / SEG-ES, verificado em julho de 2026)
Parques urbanos (Pedra da Cebola, etc.)Grátis (acesso livre)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Passeio pelo centro histórico e Palácio Anchieta
DuraçãoMeio dia
OperadoraPor conta própria / guias e agências locais
Preço
Grátis por conta própria (a visita guiada do Palácio Anchieta é gratuita, de terça a domingo); city tour privativo com guia R$ 100–250 por pessoa aprox. (fonte: SEG-ES + agências locais, verificado em julho de 2026)
Visita ao Convento da Penha (Vila Velha)
Duração2-3 h
OperadoraPor conta própria
Preço
Acesso gratuito; van de subida R$ 7 ida e volta (fonte: site oficial Convento da Penha, verificado em julho de 2026)
Passeio de barco / escuna pela baía de Vitória
DuraçãoMeio dia
OperadoraOperadores náuticos da baía de Vitória
Preço
R$ 60–150 por pessoa aprox., conforme o passeio (fonte: operadores náuticos locais / agregadores, verificado em julho de 2026)
Experiência gastronômica de moqueca capixaba
DuraçãoVariável
OperadoraRestaurantes da Praia do Canto, Enseada do Suá e Ilha das Caieiras
Preço
Moqueca para dois R$ 100–160 na maioria dos restaurantes da Praia do Canto; até R$ 250 em casas de peixe premium (fonte: avaliações e blogs gastronômicos capixabas, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Carro próprio ou alugado
DuraçãoVariável
Preço
Aluguel R$ 150–300 por dia aprox.; gasolina e pedágios à parte (fonte: agregadores de aluguel / mercado local, verificado em julho de 2026)
Observações
Prático para circular entre a ilha, Vila Velha e a região serrana; pontes ligam as cidades da região metropolitana
Ônibus urbanos / Transcol
DuraçãoVariável
Preço
Tarifa única R$ 5,10 em dias úteis e R$ 4,50 aos domingos e feriados; permite integração com o sistema aquaviário pagando uma só passagem (fonte: CETURB-ES / GVBus, verificado em julho de 2026)
Observações
Rede de transporte integrada da região metropolitana da Grande Vitória
Táxi / apps (Uber, 99)
DuraçãoVariável
Preço
R$ 15–30 em trajetos curtos; R$ 40–80 até o aeroporto ou Vila Velha aprox. (fonte: tarifas de apps / levantamento local, verificado em julho de 2026)
Observações
Disponíveis em toda a cidade; os apps funcionam bem na região metropolitana
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Voo para Vitória (Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, VIX)
Companhias aéreas / empresasLATAM, GOL, Azul
DuraçãoConexões a partir do Rio (~1 h), São Paulo, Belo Horizonte etc.
Preço médio
Varia conforme a origem e a antecedência; trechos domésticos a partir de R$ 250–600 aprox. (fonte: buscadores de voos, verificado em julho de 2026)
Rio de Janeiro → Vitória (BR-101)
Companhias aéreas / empresasÁguia Branca, Itapemirim; carro
DuraçãoAprox. 7 a 8 h (cerca de 520 km)
Preço médio
R$ 110–180 de ônibus aprox. (fonte: Águia Branca / agregadores de passagens de ônibus, verificado em julho de 2026)
Belo Horizonte → Vitória (BR-262)
Companhias aéreas / empresasÁguia Branca, Gontijo; carro
DuraçãoAprox. 7 a 8 h
Preço médio
R$ 120–200 de ônibus aprox. (fonte: agregadores de passagens de ônibus, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Hotéis de alto padrão
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 350–700 a diária aprox.; hotéis executivos e de rede na Praia do Canto, Enseada do Suá e orla de Camburi, vários com vista para o mar (fonte: Booking / agregadores, verificado em julho de 2026)
Hotéis intermediários
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 200–350 a diária aprox.; hotéis médios no centro, em Camburi e Vila Velha, com boa relação entre preço e localização (fonte: Booking / agregadores, verificado em julho de 2026)
Hospedagens econômicas
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 110–200 a diária aprox.; hostels e hotéis econômicos para orçamentos apertados, vários perto do centro e de Camburi (fonte: Booking / Hostelworld, verificado em julho de 2026)
Hotéis pé na areia em Vila Velha (Praia da Costa)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 220–450 a diária aprox.; hotéis na orla da Praia da Costa, boa base para combinar praia, convento e vida noturna (fonte: Booking / agregadores, verificado em julho de 2026)

🍴 Onde comer

Moqueca y cocina capixaba
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Moqueca para dois R$ 100–160 na maioria; até R$ 250 em casas de peixe premium; também torta capixaba (Semana Santa) e casquinha de siri (fonte: blogs gastronômicos capixabas, verificado em julho de 2026)
Pescados y mariscos
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 60–180 por prato aprox.; peixe fresco, camarão e frutos do mar em restaurantes da costa, da Ilha das Caieiras e da baía (fonte: levantamento local, verificado em julho de 2026)
Restaurantes y bares de Praia do Canto
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 50–150 por pessoa aprox.; polo gastronômico com bares, cozinha internacional, hamburguerias e vida noturna (fonte: levantamento local, verificado em julho de 2026)
Lanchonetes y comida por kilo
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 30–60 por pessoa aprox.; restaurantes por quilo, lanchonetes e opções rápidas no centro e nos bairros (fonte: levantamento local, verificado em julho de 2026)

📖 História de Vitória

Origem, formação e o que dizem as fontes.

A fundação na ilha e a 'vitória' que deu o nome

Poucas cidades brasileiras trazem a origem escrita no próprio nome: Vitória se chama assim por causa de uma batalha. Quando, em 1551, os colonos portugueses conseguiram repelir os indígenas que resistiam à ocupação da baía, comemoraram o triunfo batizando de 'Vitória' o povoado que tinham acabado de transferir para uma ilha mais fácil de defender. Esse nome de guerra ficou para sempre como o da capital do Espírito Santo.

A capitania do Espírito Santo foi uma das primeiras divisões territoriais do Brasil colonial, concedida na década de 1530 dentro do sistema de capitanias hereditárias com que a coroa portuguesa tentou colonizar o imenso litoral do país. O primeiro núcleo de colonização se instalou na área da atual Vila Velha, mas logo os colonos buscaram um lugar mais seguro diante dos ataques indígenas: encontraram uma ilha numa baía abrigada, fácil de defender, e ali ergueram o núcleo que daria origem à cidade.

A nova vila, sobre a ilha, virou a capital da capitania do Espírito Santo. Sua posição estratégica, seu porto natural e seu caráter defensável a consolidaram como centro administrativo, religioso e comercial da região, papel que mantém até hoje como capital do estado.

Jesuítas, açúcar e café na época colonial

Durante a época colonial, Vitória e o Espírito Santo foram profundamente marcados pela atuação dos jesuítas, que tiveram papel central na evangelização dos indígenas e na organização do território. Uma figura-chave foi o padre José de Anchieta, missionário e um dos grandes nomes dos primórdios do Brasil, cuja memória está ligada à região; seu túmulo fica no Palácio Anchieta, construído sobre um antigo colégio jesuíta.

A economia colonial da capitania girava em torno da atividade portuária e agrícola. O açúcar, nos primeiros séculos, e mais tarde o café — que no século XIX se espalhou pelo interior montanhoso do Espírito Santo, em boa parte graças a imigrantes europeus — encontraram no porto de Vitória uma saída para os mercados internacionais. A cidade cumpriu assim a função de porta marítima do estado.

Apesar da antiguidade e da condição de capital, o Espírito Santo foi por muito tempo um estado relativamente pequeno e menos populoso que seus vizinhos. Vitória cresceu de forma moderada, preservando seu centro histórico colonial com igrejas, conventos e o palácio do governo, testemunhos dessa longa fase em que a cidade foi, antes de tudo, um porto e um centro religioso e administrativo.

O século XX: porto, minério de ferro e capital moderna

O século XX transformou radicalmente Vitória. A cidade se tornou um dos principais polos portuários do Brasil, em grande parte graças à exportação de minério de ferro vindo do interior, especialmente de Minas Gerais. O complexo portuário de Tubarão, ligado à grande mineração, fez do porto de Vitória um dos mais importantes do país em movimentação de granéis, atraindo indústria e população.

Esse boom econômico impulsionou um forte crescimento urbano. Vitória e as cidades vizinhas — Vila Velha, Serra, Cariacica — se integraram numa grande região metropolitana, a Grande Vitória, ligada por pontes que atravessam a baía. A capital se modernizou com avenidas, portos, indústria e novos bairros, sem perder seu núcleo histórico na ilha.

Hoje, Vitória é o centro econômico, político e cultural do Espírito Santo: uma capital insular que combina seu passado colonial — o Palácio Anchieta, as igrejas, o Convento da Penha em Vila Velha — com um presente de porto, comércio e serviços. Sua identidade gastronômica, simbolizada pela moqueca capixaba, e seu entorno de baía, manguezais e praias urbanas completam o retrato de uma das capitais mais antigas e singulares do Brasil.

O Convento da Penha e a identidade capixaba

Poucos lugares condensam tanto a história e a identidade do Espírito Santo quanto o Convento da Penha, no alto de um penhasco em Vila Velha, de frente para Vitória. Suas origens remontam a 1558, quando o frei franciscano Pedro Palácios ergueu uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Penha. Com os séculos, o santuário cresceu até se tornar um dos conjuntos religiosos mais antigos do Brasil e o principal símbolo do estado, com sua vista de 360 graus sobre a baía, a capital e o mar.

O convento é o coração de uma das tradições populares mais enraizadas da região: a Festa da Penha, peregrinação que todo ano, depois da Semana Santa, reúne centenas de milhares de devotos que sobem ao santuário, muitos de joelhos ou caminhando descalços, numa das maiores manifestações de fé do Sudeste brasileiro. A devoção mariana atravessa assim a história capixaba desde a colônia até hoje.

Além do lado religioso, a identidade capixaba — gentílico de quem nasce no Espírito Santo — se alimenta dessa mistura de herança indígena, portuguesa, africana e da imigração europeia (italianos, alemães, pomeranos) que povoou a serra no século XIX. Essa fusão aparece com força na gastronomia: a moqueca capixaba, feita na panela de barro sem leite de coco nem dendê, e a torta capixaba da Semana Santa são emblemas de uma cultura própria, diferente da dos grandes vizinhos do Sudeste e orgulhosamente local.

As paneleiras de Goiabeiras: o barro, o manguezal e a moqueca

A história de Vitória não se conta só com datas de fundação e ciclos portuários: também se conta com as mãos das paneleiras de Goiabeiras, as artesãs que há séculos modelam à mão as panelas de barro preto onde se prepara a moqueca capixaba. Em 2002, o ofício delas se tornou o primeiro bem inscrito no Livro dos Saberes do IPHAN (o instituto nacional do patrimônio), reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Não é pouca coisa: foi o primeiro de todo o país a receber esse título.

O processo é quase idêntico ao que os povos originários da região praticavam antes da chegada dos portugueses. As paneleiras tiram a argila de barrancos próximos, modelam sem torno, deixam secar ao sol e queimam a céu aberto; a cor preta característica e a impermeabilização final vêm da aplicação, ainda quente, de uma tintura de tanino extraída da casca do mangue-vermelho (Rhizophora) que cresce nos manguezais da cidade. Ou seja, o manguezal que cerca Vitória não é só paisagem: é a matéria-prima de um objeto do dia a dia. Mais de uma centena de famílias de Goiabeiras Velha vivem desse ofício, passado de mãe para filha.

Essa mesma trama de mar e manguezal sustenta a Ilha das Caieiras, o bairro de pescadores e desfiadeiras (as mulheres que desfiam o siri) onde nasceu boa parte da cozinha capixaba popular. A moqueca na panela de barro, a torta capixaba da Semana Santa e a casquinha de siri são o resultado dessa cadeia que liga o manguezal à mesa. Por isso, provar uma moqueca em Vitória não é apenas comer bem: é participar de uma tradição que o Brasil declarou patrimônio e que continua viva nas mãos de artesãs e pescadores, entre os mesmos manguezais que viram a cidade nascer há quase cinco séculos.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Vitória (Espírito Santo)»: https://es.wikipedia.org/wiki/Vit%C3%B3ria_(Esp%C3%ADrito_Santo)
  • Wikipedia (EN) — «Vitória, Espírito Santo»: https://en.wikipedia.org/wiki/Vit%C3%B3ria,_Esp%C3%ADrito_Santo
  • Wikipedia (EN) — «Espírito Santo»: https://en.wikipedia.org/wiki/Esp%C3%ADrito_Santo
  • Wikipedia (EN) — «José de Anchieta»: https://en.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_de_Anchieta
  • Wikipedia (PT) — «Convento da Penha»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Convento_da_Penha
  • Wikipedia (PT) — «Moqueca capixaba»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Moqueca_capixaba
  • Convento da Penha (sitio oficial): https://conventodapenha.org.br/
  • Setur Espírito Santo / Descubra ES (oficial) (el sitio ya no está en línea)
  • IPHAN — Ofício das Paneleiras de Goiabeiras: https://bcr.iphan.gov.br/bens-culturais/oficio-das-paneleiras-de-goiabeiras/
  • Prefeitura de Vitória — Paneleiras de Goiabeiras: https://vitoria.es.gov.br/semc/paneleiras-de-goiabeiras

❓ Perguntas frequentes

O que ver em Vitória em 2 ou 3 dias?+
Em 2-3 dias dá para ver o essencial: a praia de Camburi e a Curva da Jurema, o centro histórico com o Palácio Anchieta e a Catedral, um almoço de moqueca capixaba na Praia do Canto ou na Ilha das Caieiras, e atravessar para Vila Velha para subir ao Convento da Penha pela vista panorâmica. Com um dia a mais, inclua um passeio de barco pela baía ou uma escapada para a região serrana capixaba.
Quantos dias são necessários para conhecer Vitória?+
Dois dias bastam para ver a capital e o Convento da Penha; com três dias a visita fica tranquila e inclui Vila Velha, a gastronomia e algum passeio náutico. Se quiser incluir a região serrana capixaba (Domingos Martins, Pedra Azul), vale reservar um quarto dia.
Quanto custa subir ao Convento da Penha?+
O acesso ao santuário e à esplanada do Campinho é gratuito. A van custa R$ 7 ida e volta (R$ 5 só um trecho) e o 'trenzinho' R$ 20 ida e volta; também dá para subir a pé ou de carro próprio das 6:00 às 16:30 em dias de semana. Verificado em julho de 2026.
O que é a moqueca capixaba e onde comer em Vitória?+
É o prato símbolo do Espírito Santo: um cozido de peixe ou frutos do mar feito na panela de barro, com tomate, cebola, coentro e urucum, sem leite de coco nem dendê (o que a diferencia da baiana). As melhores regiões para comer são a Praia do Canto, a Enseada do Suá e a Ilha das Caieiras; uma moqueca para dois sai por volta de R$ 100–160.
Como chegar a Vitória?+
O mais prático é de avião até o aeroporto Eurico de Aguiar Salles (VIX), com voos diretos do Rio (~1 h), São Paulo e Belo Horizonte. Por terra, do Rio de Janeiro são cerca de 7-8 horas pela BR-101 (ônibus R$ 110–180) e de Belo Horizonte 7-8 horas pela BR-262.
Vitória é segura para viajar?+
Vitória é uma capital turística com regiões seguras e bem movimentadas (Praia do Canto, Camburi, a orla de Vila Velha), onde valem os cuidados de sempre em uma cidade grande brasileira: evitar exibir objetos de valor, usar apps de transporte à noite e não entrar em bairros periféricos que você não conhece. As áreas turísticas e gastronômicas são tranquilas para caminhar de dia e à noite, com bom senso.
Qual a melhor época para visitar Vitória?+
Dá para visitar o ano todo. O verão (dezembro a março) é mais quente e com clima de praia; no resto do ano o tempo é agradável e a cidade mantém sua vida cultural e gastronômica. Para quem quer peregrinar ao Convento da Penha, a grande data é a Festa da Penha, no domingo seguinte à Semana Santa.
Onde ficar em Vitória?+
A Praia do Canto e a Enseada do Suá são as regiões mais recomendadas (gastronomia, segurança e vida noturna); a orla de Camburi é boa para quem quer praia, e Vila Velha (Praia da Costa) é uma alternativa pé na areia perto do Convento. Há opções desde R$ 110 a diária em hostels até R$ 700 em hotéis de alto padrão com vista para o mar.

Outros destinos de Brasil

Alter do ChãoAngra dos ReisAracajuArraial d'AjudaArraial do CaboBalneário Camboriú
Ver todos os destinos de Brasil →A história de Brasil →
Fontes consultadas (9)
Continua planejando?
Explore mais destinos de Brasil
Ver todos os destinos →