Angra dos Reis é um dos grandes paraísos náuticos do Brasil, uma baía recortada da Costa Verde fluminense salpicada, segundo a tradição, por cerca de 365 ilhas e centenas de praias de águas calmas e transparentes. Localizada entre o Rio de Janeiro e a histórica Paraty, combina o verde intenso da Mata Atlântica com um mar cor de esmeralda, ideal para passeios de barco (escunas), mergulho e snorkel.
A grande atração é navegar entre ilhas como a Ilha Grande (a maior de todas), Cataguases, Botinas ou a famosa Lagoa Azul, parando para nadar em águas cristalinas. A cidade de Angra, de origem colonial, conserva igrejas e um centro histórico, mas a maioria dos visitantes a usa como base para sair para o mar. É também um destino de marinas, veleiros e casas de veraneio.
Este guia percorre o essencial de Angra dos Reis: os passeios de barco pelas ilhas, as melhores praias e pontos para banho, o centro histórico, como chegar à Ilha Grande, onde comer peixes e frutos do mar e como se deslocar a partir do Rio ou de Paraty. É um destino ideal para quem ama o mar, a navegação e a natureza tropical.
Angra dos Reis foi avistada por navegadores portugueses no início do século XVI (o nome lembra a chegada por volta do Dia de Reis) e se desenvolveu como vila colonial e porto. Durante séculos viveu do comércio, primeiro ligado ao ciclo do ouro e do café que descia da serra, e depois à pesca e à atividade portuária. No século XX ganhou infraestrutura industrial e portuária, enquanto seu litoral de ilhas e praias se consolidava como um dos principais destinos náuticos do país.
Ler a história completa ↓The Cidade Maravilhosa and its state: from Villegagnon's França Antártica to the founding by Estácio de Sá in 1565, from the gold of Minas to the Portuguese court of 1808, capital of the Empire and of the Republic for almost two centuries. Land of Christ the Redeemer and Sugarloaf, of carnival and bossa nova, and of a coastline running from Búzios to colonial Paraty.
Ler a história de Rio de Janeiro →Um guia que mora no lugar conta em meia hora o que nenhuma placa explica. Nós buscamos na Civitatis: com guia em espanhol e reserva online sem complicação. Em Angra Dos Reis eles têm 7 passeios. Veja as de baixo: toque em qualquer uma para ver todas.
Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.
Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.
Origem, formação e o que dizem as fontes.
Em 6 de janeiro de 1502 —dia de Reis—, segundo a tradição, os navegadores de uma das primeiras expedições portuguesas que reconheciam o litoral do Brasil entraram numa baía abrigada, salpicada de ilhas verdes até onde a vista alcançava. Batizá-la foi fácil: 'angra' significa enseada, e aquela era a enseada dos Reis. Mais de cinco séculos depois, o nome continua intacto e a paisagem que deslumbrou aqueles marinheiros —o mar esmeralda, a mata caindo na água, as '365 ilhas'— é exatamente o que continua trazendo viajantes até aqui. Poucas vezes um topônimo conta tão bem a origem de um lugar: Angra dos Reis é, literalmente, a 'baía dos Reis'.
Antes da chegada dos europeus, a região era habitada por povos indígenas, em especial os tupinambás, que viviam do mar e da mata. Com a colonização portuguesa, a área foi se integrando aos poucos à rede de povoados do litoral, num processo marcado pelos conflitos com os indígenas e com outras potências europeias que rondavam a costa.
Ao longo dos séculos XVI e XVII, Angra foi se consolidando como vila colonial e porto, com a construção de igrejas e conventos que até hoje fazem parte do seu centro histórico, como o Convento de São Bernardino de Sena. Sua posição numa baía abrigada e rica em ilhas fez dela um ponto estratégico do litoral da atual região do Rio de Janeiro.
Durante os séculos XVIII e XIX, Angra dos Reis viveu épocas de prosperidade ligadas à sua função portuária. No ciclo do ouro, parte da riqueza que descia do interior buscava saída pelos portos do litoral e, mais tarde, durante o auge do café no Vale do Paraíba, Angra e os portos vizinhos da Costa Verde tiveram um papel no embarque de mercadorias para os mercados internacionais.
A economia da região girava em torno do comércio marítimo, da pesca e da agricultura, num litoral ainda relativamente isolado pela barreira da Serra do Mar. O movimento do porto deixou sua marca na arquitetura e no traçado da cidade, que combinava a vocação marinheira com a herança religiosa colonial.
Com o tempo, as mudanças nas rotas comerciais e nos meios de transporte fizeram declinar a importância portuária tradicional de Angra. Mas sua condição de baía abrigada, cercada de ilhas e de natureza exuberante, guardava um destino diferente para o século seguinte: o de se tornar um dos grandes cenários náuticos e turísticos do Brasil.
O século XX transformou profundamente Angra dos Reis. De um lado, a região ganhou infraestrutura industrial e portuária de grande porte, com a construção de um porto importante, um terminal petrolífero e, nas décadas seguintes, a usina nuclear de Angra, instalada no litoral do município. Essas obras conviveram, não sem tensões, com a vocação natural e turística da região.
De outro lado, a abertura da rodovia Rio-Santos (BR-101), que ligou pela costa o Rio de Janeiro a Santos passando por Angra e Paraty, foi decisiva para o turismo. Ao ficar acessível por terra, a baía das 365 ilhas se revelou um paraíso náutico ao alcance das grandes cidades do Sudeste, atraindo veranistas, marinas, veleiros e casas de veraneio da elite.
Desde então, Angra dos Reis se consolidou como um dos principais destinos da Costa Verde fluminense: passeios de escuna entre as ilhas, praias de águas cristalinas como a Lagoa Azul, mergulho e a vizinha Ilha Grande formam hoje sua grande atração. A cidade mantém assim uma dupla identidade — o porto e a indústria, de um lado, e o turismo de mar e natureza, do outro — que define seu caráter contemporâneo.
Uma das marcas mais singulares da Angra moderna é a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, na praia de Itaorna, no litoral do município. A primeira unidade, Angra 1, começou a operar comercialmente em 1985, seguida por Angra 2, conectada à rede em 2000 e em operação comercial desde 2001; as duas fazem de Angra dos Reis a única cidade do Brasil com produção de energia nuclear. A instalação da usina, junto com um grande porto e um terminal petrolífero (TEBIG, da Petrobras), deu ao município um perfil industrial incomum para um destino de praia.
Essa convivência entre indústria pesada e turismo de natureza não ficou livre de polêmicas. Debates sobre segurança nuclear, planos de evacuação da região e o impacto ambiental sobre a baía acompanharam o desenvolvimento da usina durante décadas, numa área que ao mesmo tempo era promovida pela pureza de suas águas e pela sua biodiversidade. A construção interrompida de uma terceira unidade, Angra 3, se arrastou por anos como símbolo dessas tensões.
Mesmo assim, o rumo turístico de Angra se firmou com força. A baía das '365 ilhas', a Ilha Grande —que no século XX chegou a abrigar um famoso presídio, hoje desativado— e as praias da Costa Verde se transformaram em um dos principais cenários náuticos do país. Nas últimas décadas, a pressão turística levou as autoridades a adotar medidas de gestão, como cadastro de entrada e taxas de turismo sustentável para a Ilha Grande, num esforço para equilibrar o enorme fluxo de visitantes com a preservação de um patrimônio natural excepcional.
A história mais extraordinária da baía está escondida na sua maior ilha. Por mais de um século, a Ilha Grande —hoje sinônimo de praias paradisíacas— foi um lugar para onde ninguém queria ir. Na década de 1880, o Império instalou ali um lazareto, uma estação de quarentena onde os navios que chegavam da Europa tinham que isolar seus passageiros diante do medo de epidemias como a cólera. Pouco depois, em 1903, a República fundou na enseada de Dois Rios uma colônia correcional, embrião do que viria a ser um dos presídios mais temidos do Brasil.
O Instituto Penal Cândido Mendes, na Vila Dois Rios, funcionou durante boa parte do século XX como uma 'Alcatraz brasileira', separada da civilização pelo mar e pela mata. Por suas celas passaram presos comuns e também presos políticos: em 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, ficou detido ali o escritor Graciliano Ramos, que deixaria o relato da experiência no clássico 'Memórias do Cárcere'. Décadas depois, durante a ditadura militar, a convivência entre presos políticos e presos comuns na ilha deu origem, no fim dos anos 70, à organização criminosa que depois ficaria conhecida como Comando Vermelho: uma consequência imprevista e sombria daquela política penitenciária.
O presídio foi desativado e demolido em 1994, e seu fim marcou o renascimento da ilha. Paradoxalmente, um século de isolamento forçado a havia salvado da especulação imobiliária que transformou outros trechos do litoral: a Mata Atlântica permaneceu quase intacta, sem estradas nem prédios. Sobre essa herança se construiu o destino atual —pousadas pequenas na Vila do Abraão, trilhas, praias virgens como Lopes Mendes—, e nas ruínas do presídio funciona hoje um museu administrado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que mantém em Dois Rios um centro de estudos ambientais.
A consagração veio em 2019, quando a Unesco inscreveu o sítio 'Paraty e Ilha Grande – Cultura e Biodiversidade' na lista do Patrimônio Mundial, o primeiro sítio misto (cultural e natural) do Brasil. O reconhecimento selou o destino da baía: aquele ancoradouro de navegantes, porto do ouro e do café, cadeia e quarentena, é hoje um dos santuários de natureza e turismo náutico mais valiosos da América do Sul, com o desafio permanente de não deixar que a fama destrua o que o isolamento soube conservar.