Itacaré é um dos destinos mais fascinantes do litoral sul da Bahia: um lugar onde a Mata Atlântica se abraça com o mar e onde praias selvagens, emolduradas pela mata e pelos coqueiros, convivem com cachoeiras, rios e um forte espírito de surf e aventura. Localizada na 'Costa do Cacau' — a região que viveu o auge do cacau retratado pelo escritor Jorge Amado —, Itacaré combina natureza exuberante, clima boêmio e uma energia jovem e descontraída.
Aqui o programa é ativo e ao ar livre: surfar as ondas das praias, fazer a trilha que liga as paradisíacas Praias do Sul (Resende, Tiririca, do Costa, da Ribeira), descer de rafting ou de tirolesa no rio de Contas, tomar banho em cachoeiras escondidas na mata ou simplesmente percorrer as praias que se sucedem entre a vegetação. Quando a noite cai, a Rua da Pituba se enche de restaurantes, bares e música, num clima festivo e cosmopolita que é a marca do lugar.
Este guia percorre o essencial de Itacaré com um olhar prático: quais praias não perder, como é a famosa trilha entre as praias, que atividades de ecoturismo e aventura existem, como chegar (via Ilhéus, por uma rodovia panorâmica no meio da mata), onde aproveitar a vida noturna e a gastronomia baiana e como se locomover. Itacaré é natureza, surf e boemia: um destino para quem busca aventura e mar no coração verde da Bahia.
A região de Itacaré, no litoral sul da Bahia, era habitada antes da colonização por povos indígenas, entre eles os tupiniquins, que viviam da pesca, da caça e da coleta na exuberante Mata Atlântica e junto à foz do rio de Contas. O nome 'Itacaré' é de origem tupi. Com a colonização portuguesa, a área foi se integrando lentamente ao sistema colonial; os jesuítas estiveram presentes na região e foi fundado um núcleo ligado à foz do rio, que servia de saída para a produção do interior. Durante os séculos XIX e XX, todo o sul da Bahia viveu sob o signo do cacau: a 'Costa do Cacau' foi uma das grandes regiões produtoras do mundo, uma época de riqueza, coronéis do cacau, conflitos por terra e esplendor que o escritor baiano Jorge Amado imortalizou em romances como 'Gabriela, cravo e canela' e 'Terras do sem-fim'. Itacaré, com seu porto fluvial, participou dessa economia cacaueira, exportando a produção. A crise do cacau no fim do século XX — causada pela praga da 'vassoura-de-bruxa' e pela queda dos preços — afundou a economia regional. Itacaré encontrou então no turismo de natureza, no surf e no ecoturismo uma nova vocação, favorecida pelo entorno de Mata Atlântica preservada e praias espetaculares. Hoje é um dos destinos mais boêmios e verdes da Bahia. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The cradle of Brazil: this is where Cabral landed in 1500 and where Salvador was founded, the country's first capital for more than two centuries. The heart of Afro-Brazilian culture —candomblé, capoeira, axé— and of a coastline that runs from the Chapada Diamantina to the beaches of Porto Seguro.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Antes de ser o paraíso do surfe e da boemia que é hoje, Itacaré foi porto do ouro pardo: pela foz do rio de Contas saíam para o mundo as sacas de cacau que deixaram milionários um punhado de 'coronéis' e desencadearam guerras pela terra no sul da Bahia. Mas a história do lugar começa muito antes, quando nessa mesma foz, entre a mata e o mar, não havia plantações nem coronéis, e sim povos indígenas que conheciam cada curva do rio.
A região de Itacaré, no litoral sul da Bahia, foi habitada muito antes da colonização por povos indígenas, entre eles os tupiniquins, de língua tupi, que viviam da pesca, da caça, da coleta e de cultivos em um ambiente excepcional: a exuberante Mata Atlântica que cobre o litoral e a foz do rio de Contas no Atlântico. Esse encontro entre a mata, o rio e o mar oferecia a seus habitantes originários um território riquíssimo em recursos.
O próprio nome 'Itacaré' é de origem tupi, como tantos topônimos do litoral brasileiro, e conserva a marca daquele mundo indígena anterior aos europeus. A foz do rio de Contas, navegável rumo ao interior, era um ponto estratégico tanto para os povos originários quanto, mais tarde, para os colonizadores, já que permitia a comunicação entre o litoral e as terras do sertão.
Com a chegada dos portugueses à Bahia a partir de 1500 e a consolidação da colônia, toda essa região entrou lentamente na órbita colonial. A densa Mata Atlântica, difícil de penetrar, fez com que a ocupação fosse mais tardia e gradual do que em outras áreas, o que, paradoxalmente, contribuiria séculos depois para preservar boa parte dessa floresta que hoje é o grande atrativo natural de Itacaré.
A ocupação efetiva da região de Itacaré pelos portugueses foi avançando ao longo dos séculos coloniais, ligada à foz do rio de Contas, que servia de via de comunicação e de saída para a produção do interior. Como em boa parte da Bahia, os jesuítas estiveram presentes na região durante o período colonial, no seu trabalho de catequese dos povos indígenas e de organização do território, deixando sua marca na formação dos primeiros núcleos de povoamento.
Em torno da foz do rio formou-se um povoado que funcionava como pequeno porto fluvial: por ali passava a produção que descia do interior pelo rio de Contas rumo ao mar e, dali, seguia para outros pontos do litoral. Essa função portuária, modesta mas estratégica, foi a base econômica do lugar durante muito tempo, em uma região ainda dominada pela mata densa e de povoamento disperso.
A localidade foi crescendo lentamente a partir dessa atividade ligada ao rio e ao mar. Com o tempo, Itacaré se constituiu como município, integrando-se à rede de cidades e vilas do sul da Bahia. Seu destino, porém, ficaria marcado pelo grande ciclo econômico que transformaria toda a região a partir do século XIX: o do cacau.
Durante os séculos XIX e XX, todo o sul da Bahia viveu sob o signo do cacau. A região — que passou a ser chamada de 'Costa do Cacau' — se tornou uma das grandes zonas produtoras de cacau do mundo, com a cidade de Ilhéus como sua grande capital. Foi uma época de enorme riqueza e, ao mesmo tempo, de violência: o poder dos 'coronéis do cacau' (os grandes fazendeiros), os conflitos sangrentos pela terra, a exploração dos trabalhadores e o esplendor de uma elite que enriquecia com o 'fruto de ouro'.
Esse mundo foi imortalizado pelo escritor baiano Jorge Amado, nascido na região, em alguns dos romances mais célebres da literatura brasileira: 'Terras do sem-fim', sobre as lutas pela terra do cacau, e 'Gabriela, cravo e canela', ambientado em Ilhéus. As obras de Amado deram fama mundial à 'civilização do cacau' do sul da Bahia e a seus personagens, paisagens e conflitos.
Itacaré, com seu porto na foz do rio de Contas, participou dessa economia cacaueira: por ali saía parte da produção da região. A cidade e toda a Costa do Cacau prosperaram no ritmo do cacau, em uma época que deixou sua marca na cultura, na sociedade e na economia do sul baiano, e que ainda hoje é lembrada na produção de chocolate artesanal e na memória literária de Jorge Amado.
O próspero mundo do cacau entrou em uma crise profunda no fim do século XX. Às oscilações dos preços internacionais do cacau somou-se, nos anos 1980 e 1990, uma catástrofe agrícola devastadora: a praga da 'vassoura-de-bruxa', uma doença causada por um fungo que atacou as plantações de cacau do sul da Bahia e destruiu boa parte da produção. As consequências foram dramáticas para toda a região.
A crise afundou a economia cacaueira, arruinou muitos produtores, provocou desemprego em massa e êxodo rural, e mergulhou a 'Costa do Cacau' em uma longa depressão econômica. Cidades e povoados que tinham vivido do 'fruto de ouro' precisaram buscar novas alternativas para sobreviver. Foi o fim de uma era que havia marcado a identidade e a prosperidade do sul da Bahia por mais de um século.
Para Itacaré, no entanto, essa crise acabou abrindo, de forma inesperada, uma nova oportunidade. O relativo abandono econômico e a falta de um desenvolvimento industrial ou agrícola intensivo tinham deixado intacto seu maior tesouro: a exuberante Mata Atlântica que a cerca, suas praias selvagens, seus rios e suas cachoeiras. Esse patrimônio natural preservado se tornaria a base de uma nova vocação: o turismo de natureza.
Depois da crise do cacau, Itacaré encontrou no turismo de natureza sua nova vocação e seu renascimento. A partir do fim do século XX e, sobretudo, nas primeiras décadas do XXI, a cidade se transformou em um dos destinos mais boêmios, verdes e atraentes da Bahia. Sua combinação de Mata Atlântica preservada, praias selvagens emolduradas pela mata, rios, cachoeiras e boas ondas a transformou em um ímã para surfistas, ecoturistas e viajantes em busca de aventura e natureza.
Um marco importante nessa transformação foi a melhora do acesso: a construção e a pavimentação da rodovia BA-001 (a 'Linha Verde' do sul), uma estrada panorâmica entre Ilhéus e Itacaré que atravessa a mata, facilitou a chegada de visitantes e abriu a região ao turismo. Surgiram pousadas, hotéis, eco-lodges, restaurantes, escolas de surfe e agências de ecoturismo, e o centro — com sua Rua da Pituba — se encheu de vida noturna e de uma gastronomia surpreendentemente variada e cosmopolita.
Hoje Itacaré é um destino consolidado que vive da sua natureza e do seu clima jovem e descontraído, mas que também enfrenta o desafio de crescer sem destruir o ambiente que o torna especial. A preservação da Mata Atlântica, das praias e dos rios — em parte protegidos por reservas e unidades de conservação — é fundamental para o seu futuro. Assim, a história de Itacaré desenha um arco singular: de território indígena a porto do cacau, e da ruína da crise cacaueira ao renascimento como paraíso do ecoturismo e do surfe no coração verde da Bahia.