A Usina de Itaipu (Itaipu Binacional) é uma das maiores hidrelétricas do mundo e uma das grandes obras de engenharia do planeta. Fica sobre o rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, ao lado da cidade de Foz do Iguaçu. Pelo tamanho colossal, pela produção de energia e pelo impacto que causa, é uma atração turística de primeira linha. Pode ser visitada em circuitos guiados e costuma ser combinada com as Cataratas do Iguaçu, que ficam bem perto.
Durante muito tempo, Itaipu foi a maior hidrelétrica do mundo em geração de energia, e continua sendo uma das duas maiores, junto com a usina chinesa de Três Gargantas. As dimensões impressionam: a barragem, o vertedouro, as turbinas e o imenso lago (reservatório) que se estende rio acima. Os circuitos turísticos permitem percorrer a barragem, entender como ela funciona, ver a casa de máquinas (em visitas especiais) e admirar a grandiosidade da obra, incluindo a espetacular iluminação noturna.
Este guia reúne o essencial da visita a Itaipu com olhar prático: como chegar a partir de Foz do Iguaçu, quais circuitos existem (panorâmico, especial, iluminação), que outras atrações o complexo oferece (como o Refúgio Biológico e o Polo Astronômico) e como combinar a visita com as Cataratas e o lado paraguaio. Itaipu é engenharia monumental, energia e natureza recuperada: uma das visitas mais impactantes do Sul do Brasil.
A Usina de Itaipu nasceu de um tratado binacional entre Brasil e Paraguai (o Tratado de Itaipu, assinado em 1973) para aproveitar o potencial hidrelétrico do rio Paraná, que marca a fronteira entre os dois países. A construção, iniciada nos anos 70, foi uma obra faraônica que exigiu desviar o rio Paraná, movimentar enormes volumes de terra e concreto e realocar populações; entre as consequências esteve o alagamento do Salto de Sete Quedas. A usina começou a gerar energia em 1984 e foi sendo ampliada ao longo dos anos, chegando a ser a maior hidrelétrica do mundo em produção. Sua propriedade e operação são binacionais, divididas entre Brasil e Paraguai. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The southern state of araucaria pine forests and great waters: from the Jesuit missions of Guairá razed by the bandeirantes to the gold of Paranaguá, from yerba mate and the tropeiros to European immigration and the coffee of the north. Home to the Iguazú Falls, to Itaipú and to Curitiba, a world benchmark in urban planning.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A Usina de Itaipu nasceu de um acordo histórico entre o Brasil e o Paraguai para aproveitar juntos o enorme potencial hidrelétrico do rio Paraná, que marca a fronteira entre os dois países nesse trecho. Depois de anos de negociações, que tiveram suas tensões diplomáticas (inclusive com a Argentina, pelo uso das águas do Paraná), os dois países assinaram em 1973 o Tratado de Itaipu, que estabeleceu as bases para a construção e a exploração binacional da barragem.
O tratado criou a entidade binacional Itaipu, com propriedade e gestão divididas em partes iguais entre o Brasil e o Paraguai e responsável por construir e operar a usina. A energia gerada é dividida entre os dois países. O acordo definiu os termos dessa divisão e da cessão dos excedentes, pontos que foram revistos e debatidos ao longo das décadas.
Naquela época, a região crescia a todo vapor e a demanda por energia só aumentava. Itaipu foi pensada como uma obra estratégica para o desenvolvimento dos dois países, capaz de fornecer uma quantidade enorme de energia limpa e de impulsionar a integração regional. Ao mesmo tempo, trouxe impactos sociais e ambientais importantes.
A construção de Itaipu começou na década de 1970 e foi uma das maiores obras de engenharia do século XX. Foi preciso desviar o curso do caudaloso rio Paraná, escavando para isso um enorme canal de desvio, erguer uma barragem colossal de concreto e terra e mobilizar dezenas de milhares de trabalhadores durante anos. Os números da obra (volumes de concreto, de ferro e de terra removida) estão entre os mais impressionantes da história da construção.
A formação do gigantesco reservatório (o lago de Itaipu), que se estende por mais de cem quilômetros rio acima, teve consequências importantes. De um lado, obrigou a reassentar muitas famílias e comunidades cujas terras ficaram debaixo d'água. De outro, fez desaparecer o Salto de Sete Quedas (Saltos del Guairá), um conjunto de cachoeiras que era um dos maiores espetáculos naturais da América do Sul e que ficou submerso pelo reservatório, uma perda muito lamentada.
Para amenizar os impactos ambientais, Itaipu criou programas de conservação, reflorestamento das margens do lago e refúgios biológicos para a fauna. Assim, a obra deixou uma marca enorme, tanto no desenvolvimento energético quanto na transformação do território e do meio ambiente.
Itaipu começou a gerar energia em 1984 e, nos anos seguintes, foi ganhando novas unidades geradoras até chegar à capacidade total. Durante muito tempo foi a maior usina hidrelétrica do mundo em produção de energia. Continua sendo uma das duas maiores do planeta, ao lado da usina chinesa de Três Gargantas, que a superou em potência instalada, embora Itaipu tenha mantido recordes de geração anual. Sua contribuição para as matrizes energéticas do Brasil e do Paraguai é enorme.
Além de gerar energia, Itaipu virou uma grande atração turística. A entidade binacional montou um programa de turismo completo (Turismo Itaipu), com vários roteiros para conhecer a barragem: o panorâmico, o especial (que entra no interior da usina) e a iluminação noturna, além de atrações complementares como o Refúgio Biológico Bela Vista e o Polo Astronômico. Todo ano, a barragem recebe multidões de visitantes.
Ao lado de Foz do Iguaçu e das Cataratas do Iguaçu, Itaipu faz parte de um dos polos turísticos mais importantes do Brasil. A visita junta o fascínio por uma obra de engenharia monumental com uma reflexão sobre energia, desenvolvimento e meio ambiente na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
É difícil exagerar a escala de Itaipu. O concreto usado na construção daria para erguer dezenas de estádios como o Maracanã, e o ferro e o aço empregados dariam para construir centenas de torres Eiffel. Quando o vertedouro é aberto, ele pode liberar uma vazão de água equivalente a dezenas de vezes a das Cataratas do Iguaçu, que ficam a poucos quilômetros dali. Não é por acaso que, em 2000, a American Society of Civil Engineers (Sociedade Americana de Engenheiros Civis) escolheu Itaipu como uma das Sete Maravilhas da Engenharia do Mundo Moderno, ao lado de obras como o Canal do Panamá e o túnel sob o Canal da Mancha.
Essa grandiosidade tem um lado menos brilhante, que faz parte da história honesta da barragem. A formação do reservatório inundou uma área enorme e obrigou milhares de famílias a deixar suas casas, muitas delas de pequenos agricultores. Também encobriu para sempre o Salto de Sete Quedas (Saltos del Guairá), um conjunto de cachoeiras que muita gente considerava ainda mais imponente que as Cataratas do Iguaçu. A perda desse patrimônio natural, somada ao impacto ambiental sobre o rio Paraná e sua fauna, continua sendo estudada e lembrada. Isso explica por que Itaipu criou depois amplos programas de reflorestamento, refúgios biológicos e conservação.
Hoje, a binacional também se apresenta como um ator ambiental: mantém corredores de biodiversidade nas margens do lago, cria e reintroduz espécies ameaçadas e monitora a qualidade da água de um reservatório do qual dependem milhões de pessoas. No fim das contas, a história de Itaipu é a de uma obra que resume as grandes tensões do desenvolvimento do século XX. De um lado, energia limpa e abundante. Do outro, pessoas deslocadas e uma transformação irreversível da paisagem. Entender esses dois lados é parte do que torna a visita tão fascinante.
O Tratado de Itaipu incluiu um documento-chave, o Anexo C. Ele definiu as bases financeiras e as condições da dívida contraída para construir a barragem, além das regras de comercialização da energia entre o Brasil e o Paraguai. Esses termos geraram tensão ao longo da história. O Paraguai consome só uma parte da energia a que tem direito e, durante décadas, vendeu o excedente ao Brasil em condições que muita gente em Assunção considerava desvantajosas. Por isso Itaipu virou um tema central e delicado da política e da soberania paraguaias.
Um ponto de virada veio em 2023, quando a dívida da construção da barragem foi quitada. Isso abriu a renegociação do Anexo C entre os dois países. Com a dívida paga, a discussão passou a girar em torno do preço da energia (a tarifa) e de como dividir os benefícios de uma usina que, já amortizada, podia gerar eletricidade a um custo muito menor. A negociação, acompanhada de perto pelos governos de Lula da Silva e de Santiago Peña, mostrou que Itaipu continua sendo um assunto estratégico e diplomático de primeira ordem para a região.
Para além dos números, Itaipu deixou um legado profundo. Transformou a economia e a paisagem da tríplice fronteira, impulsionou o desenvolvimento de Foz do Iguaçu e de Ciudad del Este, forneceu energia limpa a dois países e virou símbolo da integração entre o Brasil e o Paraguai, e também das desigualdades entre eles. Hoje, como obra em operação e como destino turístico, ela representa ao mesmo tempo o orgulho por uma façanha da engenharia e o debate permanente sobre como administrar de forma justa um recurso compartilhado.