Ilha Grande é a maior ilha da baía de Angra dos Reis, um paraíso de Mata Atlântica preservada, praias de sonho e águas cristalinas na Costa Verde fluminense. Sem carros (só se circula a pé ou de barco), mantém um clima tranquilo e selvagem, com mais de cem praias, trilhas pela mata, cachoeiras e uma rica vida marinha. Sua praia mais famosa, Lopes Mendes, costuma aparecer entre as mais bonitas do Brasil.
O principal núcleo é a Vila do Abraão, onde se concentram pousadas, restaurantes, agências e o cais. É dali que saem as trilhas e os barcos para as praias e os pontos de mergulho. A ilha faz parte de áreas protegidas que resguardam sua mata e seu litoral, e seu passado inclui uma época sombria como sede de um presídio, hoje em ruínas.
Este guia percorre o essencial de Ilha Grande: as melhores praias (Lopes Mendes, Aventureiro, Lagoa Azul), as trilhas pela mata, o mergulho e os passeios de barco, a Vila do Abraão, como chegar de barco a partir do continente e como se locomover sem carros. É um destino ideal para natureza, praia, trilhas e desconexão.
Habitada antigamente por indígenas e depois parada de navegadores, contrabandistas e piratas na época colonial, Ilha Grande teve ao longo do século XX usos ligados ao isolamento: um lazareto para doentes e, sobretudo, um presídio de segurança máxima (o Instituto Penal Cândido Mendes), que paradoxalmente ajudou a preservar sua natureza ao limitar o desenvolvimento. Depois do fechamento e da demolição do presídio em 1994, a ilha se consolidou como destino de ecoturismo, e seu conjunto natural e histórico foi reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco em 2019 (junto com Paraty). A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Cidade Maravilhosa and its state: from Villegagnon's França Antártica to the founding by Estácio de Sá in 1565, from the gold of Minas to the Portuguese court of 1808, capital of the Empire and of the Republic for almost two centuries. Land of Christ the Redeemer and Sugarloaf, of carnival and bossa nova, and of a coastline running from Búzios to colonial Paraty.
Ler a história de Rio de Janeiro →Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.
Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.
Origem, formação e o que dizem as fontes.
Poucas ilhas do Brasil escondem um passado tão contraditório: a mesma Ilha Grande que hoje aparece entre os paraísos de praia do país foi, em diferentes séculos, refúgio de piratas, estação de quarentena para doentes e sede de um dos presídios mais temidos do país. E, curiosamente, foi essa história sombria que salvou a sua mata. Mas vamos começar do começo, muito antes dos canhões e das grades.
Antes da chegada dos europeus, a Ilha Grande era habitada por povos indígenas, sobretudo os tupinambás, que viviam da pesca, da caça e da coleta numa ilha coberta por uma Mata Atlântica exuberante. A abundância de enseadas abrigadas, água doce e recursos marinhos fazia da ilha um lugar propício para a vida humana. Com a colonização portuguesa no século XVI, sua posição estratégica — bem na rota do litoral entre os portos do Sudeste — a transformou em escala de navegadores e, segundo a tradição, em refúgio de contrabandistas e piratas que aproveitavam suas enseadas escondidas para ancorar e esconder mercadorias. As águas da baía de Angra, salpicadas de mais de trezentas ilhas, eram um labirinto perfeito para essas atividades clandestinas.
Durante o período colonial e o século XIX, a ilha teve uma população dedicada à pesca e a pequenas atividades agrícolas, num relativo isolamento. Essa distância em relação aos grandes centros seria, com o tempo, a chave para os usos que a ilha teria no século XX: um lugar afastado, ideal tanto para isolar doenças quanto para confinar prisioneiros.
O isolamento da Ilha Grande definiu boa parte da sua história nos séculos XIX e XX. Primeiro funcionou ali um lazareto, uma estação sanitária onde imigrantes e viajantes ficavam em quarentena para evitar a propagação de doenças contagiosas, aproveitando a separação natural que a ilha oferecia em relação ao continente. O prédio do lazareto, hoje em ruínas perto da Vila do Abraão, é um dos vestígios que ainda dá para ver.
Mais tarde, a ilha passou a sediar instituições penais. Antes do presídio moderno funcionou a Colônia Correcional de Dois Rios, tristemente famosa por um pavilhão apelidado de 'Caldeirão do Diabo' pela dureza das suas condições. Sobre essa herança foi erguido o Instituto Penal Cândido Mendes, um presídio de segurança máxima que ao longo do século XX abrigou tanto presos comuns perigosos quanto presos políticos, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). Em suas celas conviveram criminosos e militantes de esquerda, e dessa mistura forçada nasceu, segundo uma versão bastante difundida, a Falange Vermelha, embrião do Comando Vermelho, uma das maiores organizações criminosas do Brasil. Pelos seus pavilhões passaram figuras que depois contariam a sua experiência, como o jornalista e político Fernando Gabeira.
Essa função carcerária teve, no entanto, uma consequência inesperada e positiva: durante todos esses anos, o acesso à ilha foi restrito e o desenvolvimento urbano e turístico ficou travado. Enquanto grande parte do litoral do Sudeste se urbanizava a toda velocidade, a Ilha Grande manteve sua mata e suas praias em grande parte intactas, como se o presídio tivesse funcionado como guardião involuntário da sua natureza. Esse paradoxo — uma prisão temida que salvou um paraíso — é hoje uma das histórias mais fascinantes do destino.
A grande virada veio em 1994, quando o presídio de Dois Rios foi desativado e demolido. Livre do seu passado carcerário, a Ilha Grande pôde reorientar o seu destino para o que a natureza preservada oferecia: o ecoturismo. A Vila do Abraão foi crescendo como base dos visitantes, e as praias, as trilhas pela Mata Atlântica e as águas cristalinas da baía atraíram viajantes do mundo todo.
A ilha passou a integrar um conjunto de áreas naturais protegidas que resguardam tanto a mata quanto o litoral, com normas que limitam as construções e proíbem carros, preservando o seu caráter selvagem. Praias como Lopes Mendes viraram ícones do turismo de natureza brasileiro, e as trilhas até cachoeiras, mirantes e a própria Dois Rios — com as ruínas do antigo presídio transformadas em museu — combinam paisagem e memória histórica.
Em 2019, o conjunto formado por Paraty e Ilha Grande foi inscrito pela Unesco como Patrimônio Mundial, numa categoria mista que reconhece ao mesmo tempo o seu valor cultural e a sua biodiversidade excepcional. Assim, a ilha que durante décadas foi sinônimo de reclusão é hoje um símbolo de conservação, natureza e turismo sustentável, um raro exemplo de como o isolamento forçado acabou protegendo um tesouro natural.
Além da sua história humana, a Ilha Grande é antes de tudo um santuário de natureza excepcional. Ocupa cerca de 193 km² e conserva uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica preservada do estado do Rio de Janeiro, um bioma que no resto do país foi devastado e do qual restam apenas fragmentos. Essa mata exuberante, com seus morros, cachoeiras e florestas, abriga uma biodiversidade notável: macacos (como o bugio), bichos-preguiça, uma grande variedade de aves — tucanos, beija-flores, aves de rapina — e uma vida marinha abundante nas suas águas.
A proteção legal da ilha foi sendo construída com várias unidades de conservação sobrepostas: o Parque Estadual da Ilha Grande, a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e um parque marinho, que juntos resguardam tanto a mata quanto o litoral e os recifes. Essas áreas regulam o turismo, limitam as construções e mantêm a proibição de carros, num esforço para equilibrar a visitação com a conservação de um ecossistema frágil.
A ilha é também um laboratório valioso para a ciência: na antiga área do presídio de Dois Rios funciona um centro de estudos ambientais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), dedicado à pesquisa da Mata Atlântica e dos ecossistemas costeiros. Assim, o mesmo lugar que durante décadas foi prisão é hoje palco de estudo e proteção da natureza, selando a transformação da Ilha Grande num emblema de conservação da Costa Verde.