Santa Fe é uma daquelas cidades argentinas que se vivem à beira d'água. Capital da província de mesmo nome, ela se estende sobre a lagoa Setúbal, perto de onde o rio Salado encontra o Paraná, e tem uma das orlas mais longas do país: doze quilômetros de calçadão com vista para o rio. Acima desse cartão-postal se destaca seu maior símbolo, o Puente Colgante, que une as duas margens da lagoa e se ilumina ao entardecer. É uma cidade de clima do Litoral, de longas sestas no verão, de peixe de rio e de cerveja bem gelada.
Mas Santa Fe é muito mais que sua orla. É uma das cidades mais antigas da Argentina: foi fundada por Juan de Garay em 1573, primeiro perto da atual Cayastá — o local hoje conhecido como Santa Fe la Vieja — e transferida um século depois para o lugar onde está hoje. Em seu Cabildo foi aprovada nada menos que a Constituição Nacional de 1853, o texto que organizou o país, e por isso ela é conhecida como 'o berço da Constituição'. Seu centro histórico conserva joias coloniais como o Convento de San Francisco, de 1680, e a Manzana Jesuítica, com um dos colégios mais antigos do país.
E depois tem o lado mais festivo e cotidiano: Santa Fe é, com orgulho, a capital nacional da cerveja. A histórica Cervecería Santa Fe, fundada em 1912, dita o ritmo de uma cidade onde tomar um 'liso' — a cerveja servida em seu copo fino e característico — é quase um ritual. Foi aqui que nasceu o inusitado 'cervejoduto', um cano que leva cerveja fresca pelo alto desde a fábrica até o bar ao lado. Entre história, rio, peixe e cerveja, Santa Fe se aproveita sem pressa, com aquele acolhimento tranquilo do Litoral.
Santa Fe foi fundada por Juan de Garay em 15 de novembro de 1573, mas não no lugar onde a cidade fica hoje: o assentamento original foi erguido cerca de 80 km ao norte, perto da atual Cayastá, às margens do rio San Javier. Esse primeiro povoado — hoje conhecido como Santa Fe la Vieja — funcionava como escala estratégica na rota fluvial entre o Río de la Plata e Assunção. As inundações, os conflitos e os problemas de comunicação levaram a um longo processo de transferência da cidade para o local atual, concluído por volta de meados do século XVII (por volta de 1660-1670), reproduzindo o traçado urbano original. O sítio de Cayastá foi redescoberto pela arqueologia a partir de 1949 e hoje é um parque arqueológico e Monumento Histórico Nacional. A cidade ganhou um lugar central na história argentina quando, em seu Cabildo, a Convenção Constituinte aprovou a Constituição Nacional em 1º de maio de 1853 (jurada em 9 de julho daquele ano), o que lhe rendeu o título de berço da Constituição. Do seu passado colonial sobrevivem joias como o Convento e Igreja de San Francisco, concluído por volta de 1680, com um forro de madeira encaixado sem um único prego de ferro, e a Manzana Jesuítica, núcleo educacional e religioso da Companhia de Jesus. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Um guia que mora no lugar conta em meia hora o que nenhuma placa explica. Nós buscamos na Civitatis: com guia em espanhol e reserva online sem complicação. Em Rosario eles têm 7 passeios. E aqui tem free tours: você reserva sem pagar nada e no final dá ao guia o que achar justo, então experimentar não custa nada. Veja as de baixo: toque em qualquer uma para ver todas.
Saem de Rosario, a 146 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.
Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.
Origem, formação e o que dizem as fontes.
Santa Fe é uma cidade que se mudou inteira. Durante quase um século viveu a 80 quilômetros de onde está hoje, até que as enchentes, as epidemias e o assédio da fronteira obrigaram seus moradores a carregar seus santos, seus papéis e até os ossos de seus mortos para se reinstalar rio abaixo. A história começa em pleno século XVI, quando a coroa espanhola precisava garantir a rota fluvial que ligava o Rio da Prata a Assunção do Paraguai: para 'abrir portas à terra' e criar uma escala estratégica nesse longo caminho de água, o capitão Juan de Garay partiu de Assunção com um grupo de povoadores —em sua maioria criollos nascidos na América— e fundou a cidade de Santa Fe em 15 de novembro de 1573.
Mas essa primeira Santa Fe não foi erguida onde hoje fica a cidade, e sim uns 80 quilômetros ao norte, junto à atual localidade de Cayastá, às margens do rio San Javier. Aquele assentamento original —que a história conhece como 'Santa Fe la Vieja'— foi traçado com o clássico quadriculado espanhol: uma praça central, o cabildo, as igrejas, os conventos e os lotes distribuídos entre os moradores. Durante décadas funcionou como um polo do comércio e da comunicação fluvial do Litoral, e ali transcorreu a vida da cidade por quase um século.
Com o tempo, porém, o local mostrou seus limites: as cheias do rio, os conflitos com os povos originários da região e as dificuldades de comunicação tornaram cada vez mais incômoda a permanência em Cayastá. A cidade começou então um processo lento e trabalhoso de mudança para um lugar mais bem situado, mais ao sul. O antigo sítio ficou abandonado e, com os séculos, coberto pela terra e pelo mato, até que a arqueologia o resgatou do esquecimento: desde 1949 foi escavado e estudado, e hoje é o Parque Arqueológico Santa Fe la Vieja, declarado Monumento Histórico Nacional.
A passagem de Santa Fe la Vieja para a cidade atual não foi uma mudança de um dia para o outro, e sim um processo que se estendeu por anos. As cheias do rio, que inundavam repetidamente o núcleo original, somadas à insegurança e à decadência comercial do local, foram empurrando os moradores a buscar um lugar mais firme e com melhor comunicação.
A transferência se concretizou por volta de meados do século XVII, em torno dos anos 1660-1670, quando a cidade se reinstalou definitivamente em sua localização atual, às margens da lagoa Setúbal e perto da confluência do Salado com o Paraná. Longe de improvisar, os santafesinos replicaram no novo local o traçado urbano que já conheciam: a praça central, o cabildo, as igrejas e os conventos voltaram a organizar a vida do povoado segundo o esquema espanhol em tabuleiro de xadrez.
Esse novo local se mostrou muito mais conveniente, e sobre ele cresceu a Santa Fe que conhecemos hoje. Boa parte das construções coloniais mais antigas que ainda se conservam —como o Convento de San Francisco ou o núcleo jesuítico— já pertence a esta etapa, a da cidade reinstalada, que com o passar dos séculos se tornaria uma das capitais históricas mais importantes da Argentina.
Poucas cidades argentinas conservam um centro colonial tão carregado de história quanto Santa Fe. A joia maior é o Convento e Igreja de San Francisco, cuja construção terminou por volta de 1680 —data que aparece gravada em seu frontispício— e que é, por isso, uma das edificações mais antigas da cidade e do Litoral. Foi declarado Monumento Histórico Nacional em 1949.
San Francisco impressiona por sua técnica construtiva colonial. Suas paredes são de taipa, com mais de um metro de espessura, e seu grande atrativo é o forro artesoado do teto: uma estrutura de madeiras duras —cedro, ipê, algarobo, quebracho— trazidas do Paraguai por via fluvial e montada sem um único prego de ferro, com todas as peças travadas entre si por cunhas e encaixes de madeira. Uma proeza de carpintaria que sobreviveu a mais de três séculos.
A outra grande marca da época é a Manzana Jesuítica. A Companhia de Jesus desenvolveu em Santa Fe um intenso trabalho educativo e religioso, do qual sobrevivem o Colegio de la Inmaculada Concepción —uma das instituições de ensino mais antigas do país, ainda em funcionamento— e a igreja e santuário de Nuestra Señora de los Milagros. Esse quarteirão foi durante séculos um foco de ensino, ciência e fé, e hoje integra o chamado Camino de los Jesuitas, que percorre as antigas missões do Litoral. Juntas, essas construções contam o lado mais íntimo e antigo da cidade: o da Santa Fe colonial.
Se há um fato que deu a Santa Fe um lugar central na história argentina, foi a promulgação da Constituição Nacional. Depois de décadas de guerras civis entre unitários e federais e da queda de Juan Manuel de Rosas na batalha de Caseros (1852), as províncias concordaram em reunir um Congresso Geral Constituinte para finalmente organizar o país. A cidade escolhida para essa tarefa fundacional foi Santa Fe.
A Convenção Constituinte se reuniu no Cabildo da cidade. Ali, os representantes das províncias —com a notável ausência inicial de Buenos Aires— debateram e redigiram o texto que organizaria politicamente a Nação. A principal base doutrinária do projeto foram as ideias que Juan Bautista Alberdi havia exposto em suas célebres 'Bases y puntos de partida para la organización política de la República Argentina'. A Constituição Nacional foi aprovada em 1º de maio de 1853 e jurada solenemente em 9 de julho daquele mesmo ano.
Daquele Cabildo histórico não resta hoje o edifício: foi demolido tempos depois e em seu terreno, na Plaza 25 de Mayo, ergue-se a atual Casa de Governo provincial. Mas a memória do feito continua muito viva. Em 2018 foi inaugurado na cidade o Museo de la Constitución Nacional, com oito salas que reconstroem aquele processo fundacional. Por tudo isso, Santa Fe ostenta com orgulho o título de 'berço da Constituição': foi aqui que a Argentina se deu, enfim, sua lei fundamental.
A Santa Fe moderna somou ao seu perfil histórico uma identidade muito mais festiva: a de capital nacional da cerveja. Em novembro de 1912 foi fundada a Cervecería Santa Fe, aproveitando uma combinação feliz de fatores: o acesso ao porto e à ferrovia, a mão de obra dos imigrantes centro-europeus que conheciam o ofício e a boa água do Paraná. Com o passar das décadas, essa fábrica se tornou um emblema da cidade e deu forma a uma verdadeira cultura cervejeira.
Essa cultura tem rituais próprios. O mais santafesino de todos é o 'liso': tomar a cerveja num copo fino e liso de uns 250 centímetros cúbicos, um costume que remonta à década de 1930 e que hoje é patrimônio cultural da cidade. E tem também sua maior curiosidade, o 'cervezoducto': um cano de uns 850 metros, inaugurado em 2011 e considerado único no gênero na América Latina, que transporta cerveja fresca pelo alto desde os tanques da fábrica até as chopeiras do bar ao lado, o Patio de la Cervecería. Uma raridade que virou símbolo do orgulho cervejeiro local.
O outro grande marco da Santa Fe contemporânea é uma obra de engenharia: o Túnel Subfluvial, inaugurado em 13 de dezembro de 1969. Concebido para ligar Santa Fe à cidade de Paraná, na província de Entre Ríos, esse túnel passa por baixo do rio Paraná ao longo de quase três quilômetros de tubos pré-fabricados que foram afundados no leito do rio e unidos debaixo d'água: uma técnica pioneira para a época. Em 2001 foi rebatizado 'Raúl Uranga–Carlos Sylvestre Begnis', em homenagem aos governadores de Entre Ríos e Santa Fe que assinaram em 1960 o tratado que tornou a obra possível. Hoje liga todos os dias as duas capitais irmãs separadas pelo rio, e é um dos grandes símbolos do progresso da região.