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Mercedes (Buenos Aires)
🇦🇷 Argentina · Buenos Aires

Mercedes (Buenos Aires)

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📍Província/Estado
Buenos Aires (sede do Partido de Mercedes)
📌Melhor época
Primavera e outono, pelo clima agradável; de quinta a domingo e em feriados para encontrar abertas a Pulpería de Cacho e as estâncias
📌Dias sugeridos
1 a 2 dias
📌Moeda
Peso argentino (ARS). Por causa da inflação, os preços mudam com frequência; vale levar um pouco de dinheiro vivo, principalmente para a pulpería e o campo
📌Como chegar
De Buenos Aires pelo Acceso Oeste e pela RN5 (uns 100-110 km, 1,5 a 2 h de carro). Também dá para ir de trem pela linha Sarmiento (ramal Moreno–Mercedes) ou de ônibus. Combina fácil com Luján.
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Mercedes é uma cidade do noroeste da província de Buenos Aires, sede do seu partido (o equivalente a um município), localizada em pleno pampa úmido, a pouco mais de cem quilômetros da capital. É uma típica cidade bonaerense de tradição agropecuária, com ruas arborizadas, praça central e casas do fim do século XIX e começo do XX. É conhecida sobretudo pela forte ligação com a cultura gaúcha e pelo seu grande símbolo turístico: a histórica Pulpería de Cacho Di Catarina (Pulpería 'Lo de Cacho').

Essa pulpería —uma antiga casa de campo e venda de bebidas que virou um museu vivo do gaúcho e da tradição— é uma visita imperdível: com seu armazém de secos e molhados, suas paredes cobertas de objetos, fotos e lembranças e seu clima de outra época, é um dos lugares mais fotografados e queridos do pampa bonaerense. Mercedes oferece ainda um centro histórico com patrimônio, estâncias de turismo rural, gastronomia de campo (o salame quintero é um clássico regional) e uma vida tranquila de cidade do interior.

Este guia percorre o essencial de Mercedes com um olhar prático: a Pulpería de Cacho, o centro histórico, as estâncias e o turismo rural, a gastronomia gaúcha e como chegar e se locomover. É um passeio ideal saindo de Buenos Aires para mergulhar na tradição gaúcha e na vida de campo do pampa, a pouca distância da cidade grande.

📖 História de Mercedes (Buenos Aires)

Mercedes foi fundada em 1745 como um forte de fronteira (a Guardia de Luján), um dos postos avançados que defendiam o interior bonaerense dos malones, os ataques indígenas. Com o tempo, virou uma próspera cidade agropecuária do noroeste da província, profundamente ligada à tradição gaúcha e à vida de campo. A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Mercedes (Buenos Aires) fica em Buenos Aires Province

The agro-export heart of Argentina: the endless pampa that was the land of the Querandí and the Pampa peoples, the domain of governor Rosas, the engine of cattle and wheat with La Plata as its purpose-built capital, cradle of the gaucho and of the Atlantic Coast where the whole country spends its summer.

Ler a história de Buenos Aires Province →

🗺️ O que ver

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1
Pulpería de Cacho Di Catarina ('Lo de Cacho')
Pulpería histórica e armazém de campo, museu vivo do gaúcho.
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A Pulpería de Cacho Di Catarina, conhecida como 'Lo de Cacho', é o grande símbolo de Mercedes e uma das pulperías históricas mais famosas da Argentina. O prédio é de por volta de 1830 e é considerado uma das pulperías em funcionamento contínuo mais antigas do país. O nome vem de Roberto 'Cacho' Di Catarina, o lendário 'último pulpero', que atendeu no balcão durante décadas até sua morte, em junho de 2009; hoje quem mantém o lugar vivo é a família —Aída Di Catarina e sua filha Fernanda Pozzi, quarta geração à frente do balcão—, fiéis ao espírito de sempre. É uma antiga casa de campo e venda de bebidas que conserva o clima de antigamente, com paredes cobertas de fotos, objetos antigos, lembranças e assinaturas, num ambiente acolhedor e cheio de afeto. É um lugar para tomar alguma coisa, provar o salame quintero, as empanadas fritas e o vermute, ouvir histórias e mergulhar na tradição crioula. Sua personalidade fez dela uma parada obrigatória e muito fotografada; todo fim de semana recebe centenas de visitantes.
ℹ️ Calle 29 y Río, nos arredores de Mercedes. Abre de quinta a domingo: quinta e sexta a partir das 18 h, sábado do meio-dia até a madrugada e domingo das 12 às 23 h (fonte: buenosairesconnect.com, verificado em julho de 2026). Vale confirmar por telefone e levar dinheiro vivo.
2
Centro histórico e Plaza San Martín
O centro da cidade, com sua praça, sua catedral e prédios de época.
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O centro de Mercedes se organiza em torno da praça principal (Plaza San Martín), rodeada pelos prédios institucionais e religiosos da cidade, entre eles a Catedral. O centro histórico conserva construções do fim do século XIX e começo do XX, reflexo da prosperidade agrária, com fachadas de estilo italiano, casas baixas e ar de cidade do interior. Percorrer o centro a pé permite apreciar o patrimônio arquitetônico e a vida tranquila de uma típica cidade do pampa.
ℹ️ Passeio a pé pelo centro; acesso livre à praça e às fachadas.
3
Estâncias e turismo rural
Estâncias do pampa com dia de campo, cavalgadas e tradição gaúcha.
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O Partido de Mercedes, em pleno pampa úmido, é região de estâncias de gado e agricultura, e várias delas oferecem turismo rural: dias de campo com asado crioulo, cavalgadas, passeios de charrete (sulky), demonstrações de habilidades gaúchas e hospedagem em casarões históricos. É a melhor forma de viver de perto a cultura do gaúcho e a vida do campo bonaerense, complementando a visita à pulpería e ao centro. Mercedes é, junto com San Antonio de Areco, uma referência da tradição gaúcha perto de Buenos Aires.
ℹ️ Reservar com antecedência; a oferta varia conforme a estância. A maioria funciona nos fins de semana.
4
Gastronomia gaúcha: o salame quintero
O famoso salame de Mercedes e a cozinha de campo da região.
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Mercedes é considerada a capital nacional do salame quintero, um embutido artesanal da região muito apreciado em toda a província, feito em chácaras e fábricas familiares da área. Prová-lo —junto com outros frios, queijos e a picada de campo (a tábua de frios argentina)— faz parte da experiência, principalmente na pulpería de Cacho e em armazéns e lojas locais. A gastronomia de Mercedes se completa com o asado crioulo, as empanadas e a cozinha tradicional do pampa, que se aproveita tanto na cidade quanto nas estâncias. Todo ano, além disso, acontece a Fiesta del Salame Quintero.
ℹ️ Procurar o salame quintero nos armazéns e na pulpería; ótimo para levar de lembrança.
5
Museo Municipal de Ciencias Naturales Carlos Ameghino
Museu de paleontologia e arqueologia regional, reaberto em 2025 após uma reforma completa.
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O Museo Municipal de Ciencias Naturales Carlos Ameghino é um museu pequeno, mas cheio de coisas boas: guarda fósseis do período Pleistoceno encontrados em escavações às margens do rio Luján, além de peças de arqueologia regional e salas de biodiversidade. Reabriu em novembro de 2025 após uma reforma completa, com novas salas e exposições. É um bom complemento cultural ao roteiro gaúcho, ideal para uma parada de uma hora no centro, e muito recomendável se você viaja com crianças interessadas em paleontologia.
ℹ️ Calle 26 N° 512 esquina 21. Terça a sexta das 8 às 14 h; sábados, domingos e feriados das 10 às 14 h. Entrada gratuita (fonte: município de Mercedes, verificado em julho de 2026).
6
Parque Municipal Independencia
Grande parque de 54 hectares nas duas margens do rio Luján, com piscina, camping e esportes.
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O Parque Municipal Independencia é o grande pulmão verde de Mercedes: 54 hectares distribuídos dos dois lados do rio Luján, ligados por uma ponte para pedestres. O setor do 'Parque Viejo', criado em 1914, tem fogueiras, churrasqueiras e uma piscina, ideal para passar o dia; o 'Parque Nuevo', incorporado em 1981, soma campos de futebol, rúgbi e tênis, área de vôlei de praia, playground e um circuito para ciclistas. É onde os moradores de Mercedes praticam esporte, acampam e fazem um asado nos fins de semana, e um bom respiro verde depois de percorrer o centro histórico.
ℹ️ Acesso livre e gratuito; piscina e áreas de camping com tarifa à parte conforme a temporada (verificar na visita).
7
Catedral de Mercedes (Nuestra Señora de las Mercedes)
O principal templo da cidade, em frente à praça central.
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A Catedral de Mercedes, dedicada a Nuestra Señora de las Mercedes —padroeira e origem do nome da cidade—, é o principal edifício religioso do centro histórico, localizada em frente à Plaza San Martín. De estilo historicista, com sua fachada e sua torre, domina a paisagem do centro e é um bom ponto de partida para percorrer a região central, com suas lojas, confeitarias e casarões de época.
ℹ️ Visita livre ao exterior; interior conforme os horários das missas. Em frente à praça central.
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Pulpería de Cacho Di Catarina (consumo de picada/almuerzo, por persona)Não cobra entrada; paga-se o consumo. Empanadas fritas e picada com salame quintero, US$ 15–30 por pessoa (faixa segundo Tripadvisor e RestaurantGuru, verificado em julho de 2026)
Museo Municipal de Ciencias Naturales Carlos AmeghinoGrátis (fonte: Municipalidad de Mercedes, verificado em julho de 2026)
Parque Municipal IndependenciaAcesso livre e gratuito; piscina e camping com tarifa à parte conforme a temporada (fonte: Municipalidad de Mercedes, verificado em julho de 2026)
Casco histórico y Plaza San MartínGrátis (acesso livre à praça e às fachadas)
Catedral de MercedesGrátis (acesso livre conforme os horários das missas)
Salame quintero artesanal (para llevar)US$ 6–14 por quilo, conforme a fábrica (faixa segundo blogs de viajantes e lojas locais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Almoço/picada na Pulpería de Cacho
Duração1 a 2 h
OperadoraPulpería de Cacho Di Catarina (quinta a domingo, ver horários)
Preço
US$ 15–30 por pessoa, conforme o consumo (faixa segundo Tripadvisor e RestaurantGuru, verificado em julho de 2026)
Dia de campo em estância (com asado, cavalgada e habilidades gaúchas)
DuraçãoDia inteiro
OperadoraEstâncias do Partido de Mercedes
Preço
US$ 50–110 por pessoa, conforme a estância e se inclui almoço completo (faixa segundo agências de turismo rural bonaerense, verificado em julho de 2026)
Cavalgada ou passeio de charrete (sulky)
Duração1 a 3 h
OperadoraEstâncias e prestadores rurais da região
Preço
US$ 20–45 por pessoa (faixa segundo prestadores rurais da região, verificado em julho de 2026)
Passeio guiado pelo centro histórico
PreçoGrátis ou com contribuição voluntária; roteiro autoguiado sem custo
Duração1 a 2 h
OperadoraDirección de Turismo de Mercedes
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Carro próprio
PreçoCombustível / estacionamento de baixo custo
DuraçãoVariável
Observações
O mais prático para chegar à pulpería (nos arredores) e às estâncias do partido
Táxi/remís
DuraçãoVariável
ObservaçõesDisponível na cidade; vale combinar o preço antes para ir à pulpería
Preço
US$ 3–8 por corrida urbana; mais caro para os arredores ou para a pulpería (faixa segundo fóruns locais, verificado em julho de 2026)
A pé
Grátis
DuraçãoVariável
ObservaçõesO centro histórico e a região central dá para percorrer caminhando
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Buenos Aires → Mercedes (Acceso Oeste / RN5)
Companhias aéreas / empresasCarro próprio; ônibus (linha 504 e outras)
DuraçãoAprox. 1,5 a 2 h (uns 100-110 km)
Preço médio
De carro, combustível + pedágios; de ônibus, US$ 5–10 por trecho (faixa segundo empresas de ônibus, verificado em julho de 2026)
Trem linha Sarmiento (ramal Moreno–Mercedes)
Companhias aéreas / empresasTrenes Argentinos (linha Sarmiento)
Preço médio
$684,44 ARS com cartão SUBE de Moreno a Mercedes (tarifa de julho de 2026, trecho completo); tarifas por seção a partir de $224 ARS (fonte: Trenes Argentinos, verificado em julho de 2026)
Duração
Aprox. 1 h 46 min a partir de Moreno; fazer baldeação em Moreno saindo da CABA
Luján → Mercedes
Companhias aéreas / empresasCarro; ônibus
DuraçãoAprox. 30-40 min (uns 25 km)
Preço médio
US$ 2–5 por trecho (faixa segundo empresas de ônibus locais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Hotéis e pousadas na cidade
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 35–60 a diária (faixa segundo Booking.com e agregadores, verificado em julho de 2026). Boa base para um passeio de fim de semana
Chalés e aluguéis de fim de semana
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 50–90 a diária, conforme a capacidade (faixa segundo sites de aluguel tipo Airbnb e guiadecabanias.com, verificado em julho de 2026)
Estâncias e casas de campo (turismo rural)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 90–180 por pessoa/noite, muitas vezes com refeições e atividades incluídas (faixa segundo agências de turismo rural bonaerense, verificado em julho de 2026)

🍴 Onde comer

Pulpería y picada de campo
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Salame quintero, frios, queijos, empanadas fritas e vermute na Pulpería de Cacho Di Catarina: US$ 15–30 por pessoa (faixa segundo Tripadvisor e RestaurantGuru, verificado em julho de 2026)
Parrilla y cocina criolla
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Asado, empanadas e pratos de campo em bodegones (restaurantes tradicionais) como El Trompezón, Oveja Bar ou Lo de Puri: US$ 12–28 por pessoa (faixa segundo blogs de viajantes, verificado em julho de 2026)
Cafés, confiterías y pizzerías del centro
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Bares, confeitarias e pizzarias ao redor da praça: US$ 5–14 por pessoa (faixa segundo fóruns e blogs locais, verificado em julho de 2026)

📖 História de Mercedes (Buenos Aires)

Origem, formação e o que dizem as fontes.

A Guardia de Luján: um forte de fronteira (1745)

Corria fevereiro de 1741 quando o general Gaspar de Bustamante, alarmado com os malones (os ataques indígenas) que assolavam o interior de Buenos Aires, mandou erguer 'fortes nas fronteiras de cada partido'. Quatro anos depois, no início de 1745, o mestre de campo Juan de San Martín cumpriu essa ordem no local conhecido como fronteira do rio Luján. Ali construiu um forte de estacas com um quarteirão e meio de extensão. Ele se tornaria a Guardia de Luján, a capital militar de toda a fronteira bonaerense e a origem da atual cidade de Mercedes.

Como outros fortes da linha de fronteira, a Guardia de Luján marcava o limite entre o território que espanhóis e crioulos de fato controlavam e as terras dominadas pelos povos originários do pampa. Em 1752 chegou um reforço importante: sob o comando do capitão José de Zárate foi formado o Primeiro Regimento de Cavalaria, os lendários 'Blandengues de la Frontera'. Eles se organizavam em companhias pagas com nomes tão eloquentes como La Valerosa, La Atrevida e La Invencible. Esta última, com uns 53 soldados, foi a primeira unidade a sair em campanha.

A vida nesses fortes de fronteira era dura e perigosa: guarnições isoladas, alerta permanente contra os malones e um entorno de campo aberto onde o Estado quase não se fazia presente. Em volta da Guardia foi crescendo, pouco a pouco, um povoado de colonos, milicianos, gaúchos e comerciantes, que daria origem à futura cidade. O nome atual vem da invocação de Nossa Senhora das Mercês (Nuestra Señora de las Mercedes), padroeira sob cuja proteção o fortim foi colocado.

Essa origem de fronteira deixou uma marca profunda na identidade de Mercedes. A figura do gaúcho, o cavaleiro do pampa que conhecia o terreno como ninguém e era hábil com o cavalo, está intimamente ligada a essa história de fronteira, estâncias e campo aberto. A cultura gaúcha, que hoje é uma das grandes atrações de Mercedes, tem raízes naqueles tempos de fortes, malones, blandengues e vida ao relento na planície. Só em 1865, já consolidada como povoação civil, Mercedes foi declarada oficialmente cidade.

Fundação como Guardia de Luján
Mercedes nasceu do forte conhecido como Guardia de Luján, estabelecido por volta de 1745 na linha de fronteira bonaerense. A data e as circunstâncias exatas da fundação podem variar conforme as fontes históricas.
Fonte: https://es.wikipedia.org/wiki/Mercedes_(Buenos_Aires)

De forte a cidade agrária de tradição gaúcha

Ao longo do século XIX, a fronteira com os povos originários foi se deslocando para o sul e o oeste. Com isso, a região de Mercedes deixou de ser um confim perigoso e virou terra segura e produtiva. O pampa úmido que a rodeia, de solos férteis, se transformou em uma das grandes regiões agrícolas e pecuárias do país. Mercedes cresceu como cidade de serviços e de comercialização dessa produção, e como sede do seu partido no noroeste da província de Buenos Aires.

A chegada da ferrovia e o auge agroexportador do fim do século XIX e começo do XX trouxeram prosperidade. Ela aparece no centro histórico da cidade: edifícios institucionais, a catedral, casarões e lojas de fachadas em estilo italianizante em torno da praça. Mercedes ganhou o perfil de uma típica cidade próspera do interior bonaerense, ligada ao campo e aos seus ritmos.

Mas, ao contrário de outras cidades do pampa, Mercedes manteve e cultivou com força especial a sua identidade gaúcha. A cultura crioula sobreviveu ali: o cavalo, o asado, as habilidades campeiras, as pulperías. Isso fez da cidade, junto com San Antonio de Areco, uma das grandes referências da tradição gaúcha perto de Buenos Aires. Essa identidade encontrou seu símbolo mais famoso em uma velha pulpería dos arredores.

A Pulpería de Cacho: memória viva das pulperías

Nos séculos XVIII e XIX, as pulperías foram uma instituição fundamental da vida rural argentina. Eram armazéns de secos e molhados com balcão de bebidas que serviam ao mesmo tempo de loja, taberna, posto de parada e ponto de encontro de gaúchos, camponeses e viajantes na imensidão do pampa. Ali se comprava de tudo, se bebia, se jogava, se contavam histórias e, às vezes, se resolviam brigas. Com a modernização do campo, a maioria desapareceu, e as pulperías ficaram como lembrança de um mundo que já não existe.

Em Mercedes sobreviveu uma das mais célebres: a Pulpería de Cacho Di Catarina, conhecida como 'Lo de Cacho'. É uma antiga casa de campo e armazém de 1830 que virou um verdadeiro museu vivo da tradição graças ao empenho de Roberto 'Cacho' Di Catarina. Chamado de 'o último pulpero', ele cuidou do lugar até morrer, em junho de 2009. Hoje a família continua o trabalho, já na quarta geração atrás do balcão. As paredes, forradas de fotos, objetos antigos, lembranças e assinaturas de visitantes, e o ambiente acolhedor e afetivo recriam o espírito das velhas pulperías. É lugar para tomar alguma coisa, provar o salame e o vermute, bater papo e sentir o passado gaúcho.

A pulpería virou o símbolo turístico de Mercedes e um dos lugares mais queridos e fotografados do pampa bonaerense. Ali a história de fronteira, a cultura crioula e a nostalgia do campo se reúnem em um só lugar. Junto com o salame quintero, as estâncias e o centro histórico, ela faz de Mercedes uma escapada ideal para reencontrar a tradição gaúcha a pouca distância de Buenos Aires.

O salame quintero e a tradição gaúcha que continua viva

Entre o fim do século XIX e o começo do XX, Mercedes recebeu uma forte leva de imigrantes italianos. Eles se instalaram sobretudo na periferia da cidade e formaram as prestigiadas chácaras (quintas) que ainda hoje a rodeiam. Com eles chegou também a receita de um embutido que marcaria para sempre a identidade gastronômica local: o salame quintero. Ele é feito com 80% de carne de porco e 20% de carne bovina, toucinho cortado à faca e pimenta em grão, e é curado no clima seco e temperado da região. Os quinteros, produtores dessas chácaras, ficaram famosos pela qualidade do embutido que faziam, no começo, para o consumo da família.

A festa que consagrou esse produto nasceu de uma conversa entre amigos. Em 1969, um grupo reunido no velho armazém de Berterreix, na esquina das ruas 29 e 42, lançou a ideia de organizar uma festa dedicada ao salame. Entre os idealizadores estavam os irmãos Luis Alberto e Juan Antonio Vanin. Na gestão do prefeito Dr. Julio César Gioscio, a organização do evento foi confiada a Ulises D'Andrea. A ideia amadureceu por seis anos, até que em agosto de 1975, no salão do Club Ateneo de la Juventud, aconteceu a primeira Fiesta Nacional del Salame Quintero. Desde então ela é realizada sem interrupção. Cresceu tanto que em 2001 foi transferida para o Instituto Martín Rodríguez e, mais tarde, para o Parque Municipal Independencia. Lá ela dura hoje três dias, com concurso de salames, feira de artesanato, praça de alimentação e shows, e já passou da 50ª edição.

Essa gastronomia se entrelaçou com a sobrevivência da tradição gaúcha. As jineteadas (rodeios crioulos), as habilidades campeiras, as pulperías e o culto ao cavalo e ao asado mantiveram viva em Mercedes uma identidade rural que foi se apagando em muitas outras cidades do pampa. A proximidade de Buenos Aires, em vez de apagar essa identidade, transformou-a em atração turística: todo fim de semana, portenhos e turistas chegam em busca de um contato autêntico com a cultura do campo.

Assim, nas últimas décadas, Mercedes se firmou como destino de escapada e de turismo de tradição. A proposta combina patrimônio, gastronomia e memória gaúcha: a Pulpería de Cacho, com quase dois séculos de história, as estâncias com dia de campo, o salame quintero e sua tradicional festa, o centro histórico e o Museo Ameghino, com seus fósseis do Pleistoceno. A cidade de fronteira que nasceu em 1745 para se defender dos malones é hoje uma das portas de entrada mais queridas para a tradição do pampa, a pouco mais de cem quilômetros da cidade grande.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Mercedes (Buenos Aires)»: https://es.wikipedia.org/wiki/Mercedes_(Buenos_Aires)
  • Wikipedia (ES) — «Partido de Mercedes»: https://es.wikipedia.org/wiki/Partido_de_Mercedes
  • Wikipedia (ES) — «Pulpería»: https://es.wikipedia.org/wiki/Pulper%C3%ADa
  • Wikipedia (ES) — «Gaucho»: https://es.wikipedia.org/wiki/Gaucho
  • Wikipedia (ES) — «Fiesta Nacional del Salame Quintero»: https://es.wikipedia.org/wiki/Fiesta_Nacional_del_Salame_Quintero
  • Dato Posta — «Historia de Mercedes, primer período: Guardia de Luján (1745-1812)»: https://www.datoposta.com/historia-de-mercedes-primer-periodo-guardia-de-lujan-1745-1812/
  • Canal26 — «La historia de Mercedes, cuna de la Fiesta del Salame Quintero»: https://www.canal26.com/turismo/2025/09/12/la-historia-de-mercedes-cuna-de-la-fiesta-del-salame-quintero-de-nacer-como-fortin-a-su-iconica-pulperia-de-195-anos/
  • Agrofy News — Pulpería de Cacho Di Catarina: https://news.agrofy.com.ar/pulperia/197822/cacho-di-catarina-viaje-tiempo-tradiciones-pulperia-192-anos
  • Municipalidad de Mercedes / Turismo: https://web.archive.org/web/20251210043724/https://munimer.gob.ar/turismo/

❓ Perguntas frequentes

O que é a Pulpería de Cacho e por que ela é famosa?+
É uma pulpería histórica e armazém de campo nos arredores de Mercedes, conhecida como 'Lo de Cacho' por causa de Roberto 'Cacho' Di Catarina, o 'último pulpero', que atendeu ali até sua morte, em 2009; hoje a família continua à frente (quarta geração). O prédio é de por volta de 1830 e é uma das pulperías em funcionamento contínuo mais antigas do país. Conserva o clima de antigamente, com paredes cobertas de objetos, fotos e lembranças. A ideia é ir tomar alguma coisa, provar o salame quintero e as empanadas e mergulhar na cultura crioula. É um dos lugares mais queridos e fotografados do pampa.
Quando a Pulpería de Cacho abre e quanto custa?+
Abre de quinta a domingo: quinta e sexta a partir das 18 h, sábado a partir do meio-dia e domingo das 12 às 23 h (confirme antes de ir, principalmente em feriados). Não cobra entrada: paga-se o consumo. Uma picada de campo com salame quintero, queijos, empanadas fritas e bebida fica em torno de US$ 15–30 por pessoa (verificado em julho de 2026). Vale levar dinheiro vivo.
Não dá para confundir com outras Mercedes?+
Existem várias cidades chamadas Mercedes na Argentina (por exemplo, em Corrientes e em San Luis). Esta é a Mercedes da província de Buenos Aires, no noroeste bonaerense, sede do Partido de Mercedes, a pouco mais de cem quilômetros da capital.
O que se come em Mercedes?+
O produto mais famoso é o salame quintero, um embutido artesanal que faz a cidade ser considerada a capital nacional do salame. Vem acompanhado de frios, queijos e picadas de campo, sobretudo na pulpería. A cozinha se completa com o asado crioulo, as empanadas e a gastronomia tradicional do pampa.
Como chegar saindo de Buenos Aires?+
De carro pelo Acceso Oeste e pela RN5 (uns 100-110 km, 1,5 a 2 horas). Também há trens da linha Sarmiento (ramal Moreno–Mercedes), bem baratos com o cartão SUBE, e ônibus. Dá para combinar facilmente com uma visita a Luján, a uns 25 km.
Quantos dias vale ficar?+
Com 1 dia (de fim de semana) dá para conhecer a pulpería, o centro histórico e comer uma boa picada. Com 2 dias, dá para somar um dia de campo em estância, o Museo Ameghino, o Parque Municipal Independencia e aproveitar com mais calma a tradição gaúcha e a vida de cidade do interior.

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