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Mausoléus de Revash
🇵🇪 Peru · Selva

Mausoléus de Revash

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📍Província/Estado
Distrito de Santo Tomás, província de Luya, região de Amazonas, Peru
📌Melhor época
Temporada de menos chuva, de maio a setembro (estradas e trilhas em melhor estado)
📌Dias sugeridos
1 dia (bate-volta saindo de Chachapoyas, muitas vezes combinado com o Museu de Leymebamba)
📌Moeda
Sol peruano (PEN); leve dinheiro em espécie de Chachapoyas, pois não há caixas eletrônicos em Santo Tomás
📌Horário
O sítio e o mirante são visitados de dia, aproximadamente das 8h às 17h; confirme na hora da visita
📌Como chegar
De Chachapoyas por estrada até Santo Tomás (cerca de 2 h) e depois uma caminhada de 45 minutos a 1 hora até o mirante dos mausoléus
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Os Mausoléus de Revash são um dos sítios funerários mais impressionantes e fotogênicos da cultura Chachapoyas, localizados na região de Amazonas, no norte do Peru. Trata-se de um conjunto de construções funerárias — pequenas casas de pedra e barro pintadas de vermelho e creme — encaixadas em uma saliência de um penhasco, em meio a uma paisagem imponente de montanhas e cânions da selva alta.

Vistos de longe, os mausoléus parecem minúsculas casinhas coladas na parede rochosa, com telhados de duas águas e decorações pintadas, em um local praticamente inacessível. Foram construídos pelos chachapoyas, os 'guerreiros das nuvens', como túmulos coletivos para seus ancestrais importantes, e fazem parte do singular e elaborado culto aos mortos dessa cultura.

Este guia percorre o essencial dos Mausoléus de Revash com um olhar prático: o preço real da entrada, como chegar de Chachapoyas via Santo Tomás, o que dá para ver do sítio, como combiná-lo com outros atrativos chachapoyas, como o Museu de Leymebamba, e o que levar em conta para o passeio. Um destino imperdível para quem ama arqueologia e as paisagens da região de Amazonas.

📖 História de Mausoléus de Revash

Os Mausoléus de Revash são túmulos coletivos da cultura Chachapoyas, construídos em pedra e barro e pintados de vermelho e creme, encaixados em um penhasco da região de Amazonas. Datam de antes da conquista inca e refletem o elaborado culto aos ancestrais dos 'guerreiros das nuvens'. Embora tenham sido saqueados no passado, continuam sendo um dos sítios funerários chachapoyas mais espetaculares. A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Mausoléus de Revash fica em Amazonas

The land of the Chachapoyas, 'the warriors of the clouds': high cloud forest with fortresses such as Kuélap, sarcophagi and mausoleums hanging from cliffs, and the imposing Gocta waterfall.

Ler a história de Amazonas →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Chachapoyas

Saem de Chachapoyas, a 43 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.

1
Os mausoléus no penhasco
Túmulos chachapoyas em forma de casinhas pintadas, encaixados em uma saliência rochosa.
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O grande atrativo do sítio são os próprios mausoléus: um conjunto de construções funerárias chachapoyas erguidas em uma saliência natural de um penhasco, a certa altura acima do vale. Têm forma de pequenas casas de pedra e barro, com telhados de duas águas e paredes pintadas de vermelho e creme, decoradas com motivos geométricos e figuras. A localização, quase pendurada na parede rochosa, os torna tão enigmáticos quanto espetaculares. Esses mausoléus funcionavam como túmulos coletivos, onde eram depositados os restos — mumificados e em fardos funerários — de personagens importantes da sociedade chachapoya, junto com oferendas. O acesso à saliência era extremamente difícil, o que protegia os ancestrais e reforçava o caráter sagrado do lugar.
ℹ️ São vistos principalmente de um mirante em frente ao penhasco, a certa distância. Leve binóculos e câmera com zoom, calçado de trekking, água e protetor solar.
2
Mirante em frente ao penhasco
Ponto de observação de onde se vê o conjunto completo dos mausoléus.
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O percurso termina em um mirante natural situado em frente ao penhasco onde ficam os mausoléus, do outro lado de uma ravina. De lá se tem a melhor perspectiva do conjunto: a saliência rochosa com as construções pintadas, o contraste de cores entre a pedra cinza, o vermelho e o creme das paredes, e a paisagem verde da selva alta ao fundo. É o ponto obrigatório para as fotografias do sítio.
ℹ️ O mirante fica a 45 minutos a 1 hora de caminhada do ponto de acesso para veículos em Santo Tomás. Melhor luz pela manhã.
3
A paisagem e a caminhada de montanha
Trilhas e mirantes em um cenário de montanhas e cânions da selva alta.
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A visita a Revash é também uma experiência de natureza e trilha. Para chegar ao mirante de onde se veem os mausoléus, é preciso percorrer uma trilha de montanha, atravessando uma paisagem de morros verdes, vegetação de selva alta e vistas amplas sobre o vale e os cânions da região de Amazonas. A caminhada, de dificuldade moderada, faz parte do encanto do passeio. O entorno é propício para a observação de aves e para aproveitar a tranquilidade de uma zona rural e pouco movimentada.
ℹ️ Convém ir com guia local. Leve calçado adequado, água, lanches, boné, protetor solar e capa de chuva.
4
Povoado de Santo Tomás
Localidade de acesso ao sítio, ponto de partida da caminhada e de contato com guias locais.
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Santo Tomás é o povoado de onde parte a caminhada até o mirante de Revash. É uma localidade rural tranquila da província de Luya, com arquitetura simples de adobe e telhas, onde é possível contratar guias locais, mulas e conhecer um pouco do dia a dia da serra amazônica antes de começar a subida.
ℹ️ Tem restaurantes básicos e algumas mercearias; convém levar água e lanches de Chachapoyas.
5
Museu de Leymebamba (combinável com Revash)
Museu que exibe centenas de múmias e fardos funerários chachapoyas resgatados da Laguna de los Cóndores.
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A pouca distância de Revash, o povoado de Leymebamba abriga um dos museus mais importantes do Peru dedicados à cultura Chachapoyas. Conserva mais de 200 múmias e numerosos fardos funerários, cerâmica e tecidos resgatados da Laguna de los Cóndores nos anos 1990, além de uma reconstrução do contexto funerário chachapoya. É a visita ideal para complementar a experiência de Revash com contexto histórico e arqueológico.
ℹ️ Entrada: S/ 20 por pessoa (2025, confirmar na hora da visita). Pode ser combinado com Revash em um passeio de dia inteiro saindo de Chachapoyas.
6
Casas de entalhe e outros sítios funerários de Luya
Outras construções funerárias chachapoyas próximas, menos conhecidas mas de grande valor arqueológico.
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A província de Luya concentra uma alta densidade de sítios funerários chachapoyas, entre eles as chamadas 'casas de entalhe' — construções esculpidas diretamente na rocha — e outros conjuntos de túmulos em penhasco menos visitados que Revash. Algumas operadoras incluem paradas nesses sítios adicionais dentro do mesmo roteiro, para quem quiser se aprofundar no patrimônio funerário da região.
ℹ️ Consulte a disponibilidade com as agências de Chachapoyas; costumam exigir caminhadas adicionais e guia local.
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Ingreso al sitio / mirador de los Mausoleos de RevashS/ 10–20 por pessoa, cobrado pela comunidade de Santo Tomás (fonte: Nomades e agências de Chachapoyas, verificado em julho de 2026; paga-se em dinheiro no local)
Entrada al Museo de Leymebamba (combinable)S/ 20 por pessoa (fonte: agências e guias de viagem, verificado em julho de 2026; paga-se em dinheiro)
Guía local en Santo TomásS/ 80–150 por grupo (dia inteiro)
Alquiler de caballo o mula con arrieroS/ 40–70 por trecho
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

AtividadePreçoDuraçãoOperadora
Caminhada até o mirante dos mausoléus (por conta própria)Grátis (mais o ingresso do sítio, S/ 15)45 min a 1 h de caminhada (ida)Independente, com guia local recomendado
Passeio combinado Revash + Museu de Leymebamba saindo de ChachapoyasUS$ 25–45 por pessoa conforme a agência (2025); inclui transporte, entradas e às vezes almoçoDia inteiro (8h30 às 18h aprox.)Agências de Chachapoyas (Nomades, Chachapoyas Travel, Chachapoyas Trip Adventures, entre outras)
Passeio privativo Revash + LeymebambaA partir de US$ 60–90 por pessoa em serviço privativo (2025, conforme o número de passageiros)Dia inteiroAgências especializadas de Chachapoyas
Observação de aves e paisagem na trilhaIncluída no passeioVariávelGuias locais
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Transporte por estrada de Chachapoyas a Santo Tomás
DuraçãoAprox. 2 horas
Preço
Incluído nos passeios (US$ 25–45); em transporte público, cerca de S/ 15–20 por pessoa (fonte: agências de Chachapoyas, verificado em julho de 2026)
Observações
A rota passa pela estrada em direção a Leymebamba; há combis e carros coletivos, embora o mais prático e frequente seja o passeio organizado. O transporte público é pago em dinheiro ao motorista.
Caminhada por trilha de Santo Tomás ao mirante
PreçoGrátis (incluída no ingresso do sítio)
Duração45 min a 1 h (ida)
ObservaçõesTrilha de montanha de dificuldade moderada
Locomoção dentro de Chachapoyas (mototáxi / coletivo)
DuraçãoPoucos minutos
Preço
S/ 2–5 por trajeto curto (fonte: levantamento local, verificado em julho de 2026)
Observações
Na cidade de Chachapoyas (base do passeio) você se desloca de mototáxi e combis; os coletivos e combis interprovinciais saem do terminal rodoviário e de pontos da zona de Grau/Salamanca. Pagamento em dinheiro ou Yape.
App / meio de pagamento (essencial para esta região)
Observações
Nem Chachapoyas nem Santo Tomás têm app de transporte urbano nem cartão de ônibus: tudo é informal (combis, coletivos, mototáxis) e se paga em DINHEIRO ao motorista, embora na cidade muitos aceitem Yape/Plin por QR. Em Santo Tomás não há caixas eletrônicos, então leve soles em espécie de Chachapoyas para a entrada, o guia e as mulas. Para se localizar, use o Google Maps; na trilha não há sinal. A forma mais simples de chegar a Revash é reservar um passeio, porque o transporte público até Santo Tomás é pouco frequente.
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Chachapoyas → Santo Tomás → mirante de RevashPasseio organizado ou transporte combinado + caminhadaUS$ 25–45 por pessoa em passeio combinado com Leymebamba (2025)Aprox. 2 h por estrada + 45 min a 1 h de caminhada
Chachapoyas → Leymebamba → Revash (rota combinada)Agências de ChachapoyasUS$ 25–45 por pessoa (dia inteiro, 2025)Dia inteiro (8h30 às 18h aprox.)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Hostels econômicos em Chachapoyas
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 8–15 a noite; ex.: Déjà Vu Backpackers e outros hostels de mochileiros no centro da cidade
Hotéis de categoria intermediária em Chachapoyas
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 25–50 a noite; hotéis e casarões boutique como Hostal Amazonas ou similares, com quartos confortáveis e café da manhã incluído
Hotéis superiores em Chachapoyas
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 60–110 a noite; redes como Casa Andina e hotéis boutique de categoria superior no centro histórico
Pousadas simples em Leymebamba
Preço$$$$$
Opções recomendadas
S/ 40–80 a noite; útil se você combinar a visita com o museu e pernoitar no caminho

🍴 Onde comer

Comida regional en Santo Tomás y Leymebamba
Preço$$$$$
Opções / prato típico
S/ 12–20 por menu; restaurantes simples com pratos da serra amazônica (caldos, tamales, cuy, truta)
Gastronomía en Chachapoyas
Preço$$$$$
Opções / prato típico
S/ 20–40 por prato; restaurantes com pratos típicos da região de Amazonas, como o juane, o cecinado e doces regionais
Restaurantes turísticos y cafés en Chachapoyas
Preço$$$$$
Opções / prato típico
S/ 35–60 por prato; opções com cardápio mais variado voltadas a viajantes, perto da Plaza de Armas

📖 História de Mausoléus de Revash

Origem, formação e o que dizem as fontes.

Os chachapoyas e seu culto aos ancestrais

Do fundo do vale, o que se vê no penhasco parece um povoado de casinhas vermelhas e brancas pendurado impossivelmente na rocha, a dezenas de metros do chão, sem nenhum caminho que chegue até ele. Mas ninguém nunca morou ali: é uma cidade de mortos. Os Mausoléus de Revash são uma das máximas expressões do culto aos ancestrais da cultura Chachapoyas, uma civilização que floresceu nas florestas nubladas do norte do Peru entre os séculos VIII e XV, antes da chegada dos incas. Conhecidos como os 'guerreiros das nuvens', os chachapoyas desenvolveram práticas funerárias tão elaboradas que transformavam seus mortos em guardiões eternos da paisagem, e o cuidado e a veneração dos ancestrais ocupavam um lugar central em sua vida espiritual.

Diferentemente de outras culturas andinas, os chachapoyas costumavam construir suas tumbas em lugares de acesso muito difícil, especialmente em saliências e cavidades de penhascos verticais. Essa escolha não era casual: a altura e a inacessibilidade protegiam os mortos da pilhagem, aproximavam-nos simbolicamente do céu e os colocavam como guardiões que vigiavam, das alturas, o território e os vales de seus descendentes.

Os chachapoyas praticavam dois grandes tipos de sepultamento em penhasco: os sarcófagos antropomorfos individuais (como os célebres de Karajía) e os mausoléus ou 'povoados dos mortos' (em quéchua, 'pucullos'), construções coletivas em forma de pequenas edificações. Revash pertence a este segundo tipo, e é um dos exemplos mais bonitos e mais conhecidos dos mausoléus chachapoyas.

Os mausoléus: arquitetura funerária no penhasco

Os Mausoléus de Revash consistem em um conjunto de construções funerárias erguidas em uma saliência natural de um penhasco, na região de Amazonas. Têm o aspecto de pequenas casas de pedra e barro (adobe), com telhados de duas águas e paredes rebocadas e pintadas em tons avermelhados e creme, decoradas com motivos geométricos e, em alguns casos, figuras. Vistos de longe, parecem um minúsculo povoado encostado na parede rochosa.

Essas edificações não eram moradias, e sim tumbas coletivas: em seu interior eram depositados os restos de personagens importantes da sociedade chachapoya, mumificados e envoltos em fardos funerários, acompanhados de oferendas. A localização, praticamente inacessível em uma cornija elevada, garantia a proteção dos falecidos e seu caráter sagrado, além de oferecer uma vista dominante sobre o vale.

A construção dos mausoléus em um lugar tão inacessível é um testemunho do domínio técnico dos chachapoyas e da importância que davam a seus ancestrais. A combinação de arquitetura, pintura mural e localização dramática faz de Revash um sítio de enorme valor arqueológico e estético, e uma das imagens emblemáticas do patrimônio funerário do Peru pré-hispânico.

Saque, estudo e valorização atual

Como ocorreu com muitos sítios funerários chachapoyas, os Mausoléus de Revash foram alvo de saques ao longo do tempo, o que causou a perda de múmias, fardos e objetos que originalmente abrigavam. Essa prática, motivada pela busca de tesouros e pela venda de peças, danificou o contexto arqueológico e privou a ciência de informações valiosas sobre os personagens ali enterrados e suas oferendas.

Apesar desses danos, o sítio conserva sua impressionante arquitetura e suas pinturas, e foi estudado por arqueólogos interessados em compreender as práticas funerárias chachapoyas. Pesquisas na região de Amazonas — como as realizadas em torno da Laguna de los Cóndores, cujo material é exibido no Museu de Leymebamba — trouxeram um conhecimento muito mais profundo sobre a mumificação, os fardos funerários e o mundo dos mortos dessa cultura, contexto que ajuda a interpretar sítios como Revash.

Hoje, os Mausoléus de Revash são um destino turístico e patrimonial de interesse crescente dentro do circuito chachapoya da região de Amazonas, junto com Kuélap, Karajía, Leymebamba e a cachoeira de Gocta. Sua conservação é importante não só por seu valor estético e arqueológico, mas também porque constituem um testemunho único da relação dos povos andinos pré-hispânicos com a morte, os ancestrais e a paisagem sagrada de montanhas e penhascos da selva alta.

Redescobrimento e estudos arqueológicos

Embora os moradores da região de Santo Tomás e Luya sempre soubessem da existência dos mausoléus — visíveis como pequenas manchas de cor no penhasco, vistas do vale —, o sítio permaneceu fora do interesse acadêmico e turístico durante boa parte do século XX. Seu nome, Revash, deriva da denominação local do cânion e do morro onde fica o conjunto funerário, no distrito de Santo Tomás, província de Luya.

Os estudos sistemáticos sobre os sítios funerários chachapoyas da região de Amazonas se intensificaram a partir de meados do século XX, com expedições e trabalhos de arqueólogos peruanos e estrangeiros interessados em documentar os diferentes tipos de arquitetura funerária dessa cultura: os sarcófagos individuais do tipo Karajía, os mausoléus coletivos do tipo Revash e as cavernas funerárias com fardos, como as da Laguna de los Cóndores. Essas pesquisas permitiram situar Revash dentro de uma tradição funerária mais ampla e complexa, característica dos chachapoyas da bacia do rio Utcubamba e de seus afluentes.

O interesse turístico por Revash cresceu de forma notável a partir da promoção da região de Amazonas como destino arqueológico, paralelamente à crescente fama de Kuélap e de outros sítios chachapoyas. Hoje o Ministério da Cultura do Peru e as autoridades regionais reconhecem Revash como parte do patrimônio arqueológico protegido, embora sua gestão turística continue sendo, em grande medida, coordenada com a comunidade de Santo Tomás.

As cores e os símbolos de Revash: uma linguagem pintada

Uma das características que distinguem Revash de outros mausoléus chachapoyas é sua decoração pintada. As paredes das construções conservam pictografias em vermelho, ocre e creme: figuras esquemáticas de pessoas com os braços abertos, cruzes em forma de 'T', círculos, animais como camelídeos e aves, e motivos geométricos cujo significado exato ainda é debatido. Essas pinturas rupestres não eram meramente decorativas; para os especialistas, faziam parte de uma linguagem simbólica ligada à morte, à fertilidade e à passagem dos falecidos ao mundo dos ancestrais. A cor vermelha, obtida de óxidos de ferro, tinha no mundo andino uma forte carga ligada ao sangue, à vida e ao sagrado.

A técnica construtiva também revela o engenho dos chachapoyas. Os mausoléus foram erguidos com pedras pequenas unidas com barro e depois rebocados, sobre uma cornija natural que os construtores precisaram alcançar descendo de cima com cordas ou usando andaimes de madeira, já que não existe acesso direto a partir do vale. Essa dificuldade extrema fazia parte da mensagem: os mortos importantes ficavam fora do alcance dos vivos comuns, protegidos e ao mesmo tempo vigilantes, olhando eternamente para o território de seus descendentes.

Por volta do século XV, os chachapoyas foram submetidos, após uma dura resistência, pelo Império Inca de Túpac Yupanqui, e muitos deles foram transferidos (pelo sistema de mitmaqkuna) para outras regiões. Com a posterior chegada dos espanhóis e a evangelização, o culto aos ancestrais foi perseguido e muitos mausoléus ficaram abandonados e expostos ao saque. O fato de Revash ter sobrevivido cinco séculos com suas pinturas visíveis, em um canto tão remoto da selva alta, é o que hoje o transforma em uma cápsula do tempo única do mundo funerário pré-hispânico.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Revash»: https://es.wikipedia.org/wiki/Revash
  • Wikipedia (ES) — «Cultura Chachapoyas»: https://es.wikipedia.org/wiki/Cultura_Chachapoyas
  • Wikipedia (ES) — «Sarcófagos de Karajía»: https://es.wikipedia.org/wiki/Sarc%C3%B3fagos_de_Karaj%C3%ADa
  • Wikipedia (ES) — «Laguna de los Cóndores»: https://es.wikipedia.org/wiki/Laguna_de_los_C%C3%B3ndores
  • PROMPERÚ — Perú Travel, Mausoleos de Revash: https://www.peru.travel/es/atractivos/mausoleos-de-revash
  • Marvelous Peru — Mausoleos de Revash: historia, cómo llegar, precios: https://www.marvelousperu.com/blog/mausoleos-de-revash-historia-precios/
  • Nomades — Revash Mausoleums: tours, precios y horarios: https://www.nomades.com/en/chachapoyas/revash-mausoleums-id840
  • Museo de Leymebamba — momias y fardos funerarios de la Laguna de los Cóndores (contexto funerario chachapoya): https://www.museoleymebamba.org/
  • Wikipedia (ES) — «Kuélap» (contexto de la cultura Chachapoyas y su conquista inca): https://es.wikipedia.org/wiki/Ku%C3%A9lap

❓ Perguntas frequentes

O que são os Mausoléus de Revash?+
São construções funerárias da cultura Chachapoyas: pequenas 'casinhas' de pedra e barro, pintadas de vermelho e creme, encaixadas em uma saliência de um penhasco na região de Amazonas. Funcionavam como túmulos coletivos para os ancestrais importantes e refletem o elaborado culto aos mortos dos 'guerreiros das nuvens'.
Quanto custa a entrada?+
O ingresso no sítio custa entre S/ 10 e S/ 20 por pessoa (verificado em julho de 2026), cobrado pela comunidade de Santo Tomás e pago em dinheiro. Se combinar com o Museu de Leymebamba, é preciso somar mais S/ 20 por essa entrada. Os passeios organizados saindo de Chachapoyas, que incluem transporte e as duas entradas, ficam em torno de US$ 25–45 por pessoa.
Como se paga o transporte e a entrada na região?+
Em dinheiro. Nem Chachapoyas nem Santo Tomás têm cartão nem app de transporte: combis, coletivos e mototáxis são pagos em soles ao motorista, assim como a entrada do sítio, o guia e as mulas. Na cidade de Chachapoyas muitos comércios e mototáxis aceitam Yape ou Plin por QR, mas em Santo Tomás não há caixas eletrônicos nem sempre há sinal, então leve de Chachapoyas todo o dinheiro em espécie de que for precisar. O mais cômodo é reservar um passeio, que resolve o transporte — escasso no transporte público — e costuma incluir as entradas.
Como chegar?+
De Chachapoyas, por estrada em direção a Santo Tomás (cerca de 2 horas), seguido de uma caminhada de 45 minutos a 1 hora até o mirante de onde se veem os mausoléus. O mais comum é ir em passeio organizado, muitas vezes combinado com o Museu de Leymebamba, em um bate-volta de dia inteiro.
Dá para visitar de perto?+
Na verdade não: os mausoléus estão encaixados em um penhasco de acesso muito difícil, por isso são observados a certa distância de um mirante em frente ao penhasco. Convém levar binóculos e uma câmera com bom zoom para apreciar os detalhes das construções e suas pinturas.
Com o que dá para combinar a visita?+
É comum combinar Revash com o Museu de Leymebamba, que conserva centenas de múmias e fardos funerários chachapoyas resgatados da Laguna de los Cóndores. Ambos fazem parte do circuito do patrimônio funerário chachapoya na zona sul da região de Amazonas.
Qual é a melhor época para ir?+
A temporada de menos chuva, de maio a setembro, com estradas e trilhas em melhor estado. Por ser uma zona de montanha e floresta nublada, convém levar agasalho e proteção contra a chuva durante todo o ano.

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