Ciudad del Este é uma das cidades mais vibrantes e singulares do Paraguai: a segunda maior do país, capital do departamento de Alto Paraná e coração da célebre Tríplice Fronteira, onde Paraguai, Brasil e Argentina se encontram às margens do rio Paraná. É famosa em toda a América do Sul pela sua intensíssima atividade comercial — é um dos grandes centros de compras do continente —, mas também é a porta de entrada para alguns dos grandes ícones turísticos da região.
A partir de Ciudad del Este chega-se à imponente usina de Itaipu, uma das maiores obras de engenharia do mundo; ao lindo Salto Monday, uma cascata espetacular a poucos quilômetros; e, cruzando a Ponte da Amizade rumo ao Brasil, às lendárias Cataratas do Iguaçu, uma das Sete Maravilhas Naturais do mundo. Poucas cidades concentram tanto em tão pouco espaço: comércio, engenharia colossal e natureza monumental, tudo em um raio reduzido.
Este guia percorre Ciudad del Este com um olhar prático e acolhedor: como são as compras e o centro comercial, o que visitar nos arredores (Itaipu, o Salto Monday e as Cataratas do Iguaçu), como funciona a dinâmica da Tríplice Fronteira, como se locomover e como cruzar as fronteiras com bom senso. Ciudad del Este é pura energia e a base perfeita para explorar um dos cantos mais fascinantes do Paraguai.
Ciudad del Este é uma cidade jovem: foi fundada em 3 de fevereiro de 1957 com o nome de Puerto Presidente Stroessner, na época do regime de Alfredo Stroessner, como parte de uma política de desenvolvimento rumo ao leste do país e de integração com o Brasil. Seu crescimento explosivo esteve ligado a dois grandes acontecimentos: a construção da Ponte da Amizade sobre o rio Paraná, inaugurada em 1965, que a conectou com Foz do Iguaçu, no Brasil; e, sobretudo, a construção da usina de Itaipu a partir dos anos setenta, que atraiu milhares de trabalhadores e dinamizou toda a região. Com a queda de Stroessner em 1989, a cidade passou a se chamar Ciudad del Este. Ao longo das décadas, consolidou-se como um dos maiores polos comerciais da América do Sul, graças ao seu regime de zona franca e ao enorme fluxo de compradores brasileiros e argentinos que cruzam a fronteira. Hoje é a segunda cidade do Paraguai, capital de Alto Paraná, e o centro da dinâmica e multicultural região da Tríplice Fronteira, com uma forte presença de comunidades de origens diversas (árabes, asiáticas, brasileiras e outras). A história detalhada da cidade, de Itaipu e da Tríplice Fronteira está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The department of the east and of the Triple Frontier: land of Ciudad del Este —the capital of trade, founded in 1957—, of the colossal Itaipú dam at Hernandarias, of the Salto del Monday and of Paraguay's great energy and commercial hub.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Ciudad del Este é, comparada com as antigas cidades coloniais do Paraguai, uma cidade muito jovem. Foi fundada em 3 de fevereiro de 1957, em plena selva do Alto Paraná, com o nome de Puerto Presidente Stroessner, em homenagem ao então presidente e ditador Alfredo Stroessner. Seu nascimento respondia a uma decisão política e geográfica de fundo: durante séculos o Paraguai tinha vivido de costas para o leste, uma região despovoada e coberta de mata, olhando quase exclusivamente para o rio Paraguai e o porto de Assunção. O regime impulsionou então uma política de 'marcha para o leste', destinada a povoar essa fronteira, integrar o país ao Brasil e abrir uma saída alternativa para o Atlântico através de portos brasileiros.
A cidade se ergueu quase do nada, sobre o barranco do rio Paraná, no ponto onde a fronteira paraguaia quase toca a brasileira. Nos primeiros anos foi um povoado pioneiro, de ruas de terra e construções precárias, habitado por colonos, comerciantes e trabalhadores atraídos pelas promessas da nova fronteira. Ninguém imaginava então que aquele vilarejo se tornaria, em poucas décadas, a segunda cidade do país e um dos maiores centros comerciais da América do Sul.
O impulso fundacional estava intimamente ligado a um grande projeto de infraestrutura que mudaria a região para sempre: a construção de uma ponte sobre o rio Paraná que unisse o Paraguai ao Brasil. Essa obra, somada mais tarde à usina de Itaipu, transformaria a jovem cidade fronteiriça em um nó estratégico do comércio e da energia do Cone Sul.
O acontecimento que selou o destino da jovem cidade foi a construção da Ponte da Amizade (Puente de la Amistad), inaugurada em 1965 sobre o rio Paraná. Essa grande estrutura de concreto, com um único arco de mais de 300 metros de vão que na época foi um dos maiores do tipo, uniu pela primeira vez de forma permanente o Paraguai ao Brasil, conectando a nascente Puerto Presidente Stroessner à cidade brasileira de Foz do Iguaçu.
A ponte foi muito mais que uma obra viária: foi a concretização física da política de integração com o Brasil e a chave que abriu ao Paraguai uma saída para o oceano Atlântico pela rota até Paranaguá. Para uma nação sem litoral, historicamente dependente da navegação fluvial pelo rio Paraguai e pelo Rio da Prata, contar com uma conexão terrestre direta até os portos brasileiros foi uma mudança estratégica de enorme alcance.
A partir da abertura da ponte, o fluxo de pessoas e mercadorias entre os dois países disparou. A cidade começou a se encher de comércios e a receber ondas de compradores brasileiros, atraídos pelos preços e pelo regime comercial especial paraguaio. A Ponte da Amizade se tornou assim o cordão umbilical da Tríplice Fronteira e o símbolo de uma região onde dois —e, somando a Argentina, três— países convivem em estreita relação cotidiana.
Se a ponte abriu a porta, foi a usina de Itaipu que provocou a verdadeira explosão da cidade. A partir de 1973, quando Paraguai e Brasil assinaram o Tratado de Itaipu, e especialmente durante a década de obras que se seguiu, milhares e milhares de trabalhadores, técnicos, engenheiros e fornecedores chegaram à região para erguer a que seria a maior hidrelétrica do mundo, sobre o rio Paraná, a poucos quilômetros rio acima da cidade, em Hernandarias.
A construção de Itaipu foi uma empreitada titânica que mobilizou uma quantidade enorme de mão de obra e de capital, e que transformou por completo a paisagem e a economia do Alto Paraná. Puerto Presidente Stroessner, que poucos anos antes era um povoado pioneiro, cresceu de maneira vertiginosa para alojar e abastecer essa população flutuante. Surgiram bairros, comércios, hotéis e serviços; a cidade se urbanizou a toda velocidade e multiplicou sua população em poucos anos.
Ao mesmo tempo, o regime comercial especial da cidade e a proximidade com o Brasil e a Argentina consolidaram sua vocação de grande centro de compras. Comerciantes de origens muito diversas —libaneses e sírios, chineses, coreanos, brasileiros e paraguaios— se instalaram no microcentro, dando forma à sociedade multicultural que caracteriza a cidade até hoje. Daquela combinação única —uma usina colossal, uma ponte internacional e uma zona comercial em plena fronteira— nasceu a metrópole vibrante e cosmopolita que conhecemos.
Durante mais de três décadas a cidade levou o nome de seu fundador, o general Alfredo Stroessner, cujo regime autoritário governou o Paraguai de 1954 a 1989. O nome 'Puerto Presidente Stroessner' era, em si mesmo, um monumento ao poder do ditador e à política de desenvolvimento do leste que ele havia impulsionado.
Tudo mudou em fevereiro de 1989, quando um golpe de Estado liderado pelo general Andrés Rodríguez derrubou Stroessner e pôs fim à ditadura mais longa da história paraguaia. No contexto da transição política e do desmonte simbólico do regime, a cidade foi rebatizada com o nome que leva até hoje: Ciudad del Este, uma denominação neutra e geográfica que remete à sua localização no extremo oriental do país.
A mudança de nome foi muito mais que uma formalidade: marcou o fim de uma etapa e a vontade de livrar a cidade de sua carga política. Já como Ciudad del Este, a metrópole continuou crescendo e consolidou seu perfil como grande polo comercial e como capital do departamento de Alto Paraná, deixando para trás o topônimo que a tinha identificado durante suas primeiras décadas de vida.
Ciudad del Este é o vértice paraguaio da chamada Tríplice Fronteira, o ponto onde se encontram Paraguai, Brasil e Argentina, separados pelos rios Paraná e Iguaçu. Do lado brasileiro está Foz do Iguaçu; do argentino, Puerto Iguazú; e do paraguaio, Ciudad del Este. É uma das zonas de fronteira mais dinâmicas e singulares da América do Sul, onde três países, várias línguas (espanhol, português, guarani, árabe, chinês) e moedas diferentes convivem em uma intensa relação cotidiana.
O traço que define a cidade diante do mundo é o seu comércio. Graças a um regime tributário e aduaneiro favorável, Ciudad del Este se tornou um gigantesco centro de compras que recebe milhões de pessoas por ano, sobretudo brasileiros e argentinos, em busca de eletrônicos, perfumes, roupas, informática e mercadorias de todo tipo a preços competitivos. O microcentro, com suas galerias e shoppings, movimenta cifras enormes e deu fama à cidade como um dos maiores polos comerciais do continente.
Essa atividade atraiu comunidades de imigrantes de origens muito diversas, que deixaram sua marca na sociedade e na paisagem urbana: comerciantes árabes (libaneses e sírios), chineses, coreanos, taiwaneses, além de brasileiros e, claro, paraguaios. O resultado é uma cidade profundamente multicultural, com templos, mesquitas, restaurantes e costumes de muitas partes do mundo. A Tríplice Fronteira tem sido, além disso, uma região de grande complexidade —objeto de atenção por questões de segurança e contrabando—, mas também um fascinante laboratório de convivência e intercâmbio entre povos e culturas.