Se Cricova impressiona, Mileștii Mici bate um recorde mundial. Esta adega ao sul de Chișinău guarda a maior coleção de vinhos do planeta segundo o Guinness World Records: cerca de um milhão e meio de garrafas, alinhadas na penumbra de um labirinto subterrâneo de uns 200 quilômetros de galerias escavadas no calcário. É um número difícil de imaginar até você descer e percorrer de carro, quilômetro após quilômetro, ruas intermináveis de pedra ladeadas por garrafas que se perdem na distância.
A joia da adega é a chamada 'Coleção de Ouro' (Colecția de Aur), o conjunto de vinhos que lhe rendeu o recorde do Guinness em 2005. Percorrer essas galerias, a 12-14 graus constantes, entre milhões de garrafas adormecidas, é uma experiência que resume a escala colossal do vinho moldavo. Como em Cricova, a temperatura e a umidade se mantêm estáveis o ano todo, e a visita termina com uma degustação dos vinhos da casa em salas subterrâneas, muitas vezes acompanhada de comida típica.
Este guia prático conta como visitar Mileștii Mici: os pacotes e preços, como reservar, como chegar desde Chișinău (aqui vale mesmo pegar táxi ou tour, porque não há transporte público prático), o que esperar do percurso pela maior adega de vinhos do mundo e as dicas de sempre (a começar por não dirigir se for degustar). Junto com Cricova, é a grande visita enoturística da Moldávia.
Mileștii Mici tem a mesma origem das outras grandes adegas subterrâneas da Moldávia: suas galerias nasceram da extração de calcário, que durante décadas foi usado na construção e deixou para trás um imenso labirinto de túneis. Esse subsolo, com temperatura e umidade naturais constantes, se revelou perfeito para o vinho, e em meados do século XX, na época soviética, foi transformado em uma adega estatal. A empresa — hoje a 'Întreprinderea de Stat Combinatul de Vinuri de Calitate Mileștii Mici' — desenvolveu ali, a partir dos anos 60-70, uma rede colossal de galerias de uns 200 km, dos quais uns 55 km são destinados a armazenar e produzir vinho. Com o tempo, reuniu sua famosa 'Coleção de Ouro' (Colecția de Aur), que foi crescendo até chegar a cerca de 1,5 milhão de garrafas. Em 2005, essa coleção foi registrada no Guinness World Records como a maior coleção de vinhos do mundo, um título que ainda mantém e que transformou Mileștii Mici em um dos grandes símbolos turísticos do país. Depois da independência da Moldávia (1991) e das crises do setor vinícola, a adega apostou no turismo e na manutenção de sua coleção recordista, e hoje é, junto com Cricova, a visita imperdível do enoturismo moldavo. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Underground, Moldova hides the largest wine cellar labyrinths in the world: hundreds of kilometres of tunnels where millions of bottles are stored and tasted.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Para entender Mileștii Mici, é preciso começar por duas coisas que definem a Moldávia: o calcário do seu subsolo e o vinho das suas colinas. Assim como em Cricova e em outras localidades, as galerias de Mileștii Mici não foram escavadas para o vinho, mas para extrair pedra. Durante décadas, o subsolo desta região ao sul de Chișinău, no atual distrito de Ialoveni, foi uma grande pedreira de onde se tirava o calcário usado na construção, deixando para trás um labirinto de túneis cada vez maior.
Aquelas galerias tinham uma virtude que acabaria sendo decisiva: a dezenas de metros abaixo da terra, a temperatura se mantinha constante entre 12 e 14 graus durante o ano todo, e a umidade ficava em torno de 85-90 %. Eram as condições perfeitas para conservar e maturar vinho, melhores que as de qualquer adega construída na superfície. Um vazio nascido da indústria da construção escondia, sem saber, a maior adega de vinho que chegaria a existir no mundo.
Acontece que a Moldávia tem uma tradição vinícola milenar. Nestas colinas suaves, a videira é cultivada há milhares de anos, e o vinho está profundamente entrelaçado com a cultura, a economia e o dia a dia do país. Quase toda família do interior produz o seu próprio vinho, e a viticultura é um dos pilares da economia nacional. Unir essa tradição às imensas galerias do subsolo era uma ideia destinada a produzir algo colossal. Esse algo seria Mileștii Mici.
A transformação das pedreiras de Mileștii Mici em uma grande adega estatal aconteceu na época soviética, na segunda metade do século XX. A partir dos anos 60 e 70, a empresa — hoje conhecida como Întreprinderea de Stat Combinatul de Vinuri de Calitate Mileștii Mici, ou seja, o Combinado Estatal de Vinhos de Qualidade de Mileștii Mici — desenvolveu naquele subsolo uma rede de galerias gigantesca, dedicada ao armazenamento, ao envelhecimento e à produção de vinhos.
O resultado foi um labirinto de proporções difíceis de imaginar: cerca de 200 quilômetros de túneis escavados na rocha calcária, dos quais uns 55 quilômetros são destinados ao vinho. As galerias foram organizadas para abrigar milhões de garrafas e grandes tanques, aproveitando ao máximo as condições naturais de temperatura e umidade. Era uma obra na escala monumental que caracterizava muitas empresas soviéticas, pensada para produzir e conservar vinho em quantidades enormes.
Dentro da União Soviética, a Moldávia era uma das grandes regiões produtoras de vinho, abastecendo todo o bloco. Adegas como Mileștii Mici e Cricova eram o orgulho do sistema e símbolos da potência vinícola moldava. Foi nesse contexto que Mileștii Mici começou a reunir a coleção que, com o tempo, a tornaria famosa no mundo inteiro: a que acabaria batendo um recorde mundial.
O grande salto de Mileștii Mici para a fama internacional tem nome próprio: a 'Coleção de Ouro' (Colecția de Aur). Ao longo dos anos, a adega foi reunindo nas profundezas do seu labirinto uma coleção de vinhos cada vez maior, com garrafas de diferentes variedades, safras e estilos, muitas delas de longa guarda, conservadas nas condições ideais que as galerias oferecem.
Essa coleção cresceu até chegar a cerca de 1,5 milhão de garrafas, um número sem paralelo. Em 2005, a 'Coleção de Ouro' de Mileștii Mici foi registrada oficialmente no Livro Guinness dos Recordes como a maior coleção de vinhos do mundo. O reconhecimento internacional colocou a adega — e, com ela, o vinho moldavo — no mapa mundial, e lhe deu um selo de distinção que nenhuma outra adega conseguia igualar.
O recorde Guinness transformou Mileștii Mici em uma atração de fama global e em um dos grandes símbolos turísticos da Moldávia. A ideia de visitar 'a maior adega de vinho do mundo', com um milhão e meio de garrafas enfileiradas em 200 quilômetros de túneis, era irresistível para amantes de vinho e viajantes curiosos. O que antes era uma adega de produção virou também um destino, e a sua coleção passou a ser um tesouro nacional do qual a Moldávia se orgulha.
A independência da Moldávia em 1991, após a dissolução da União Soviética, trouxe tempos difíceis para toda a indústria vinícola do país, da qual depende uma parte importante da economia. A perda dos mercados garantidos do bloco soviético, as crises econômicas dos anos 90 e, mais tarde, os embargos que a Rússia impôs em diferentes momentos aos vinhos moldavos atingiram o setor em cheio e obrigaram as adegas a se reinventar e buscar novos mercados na Europa e no resto do mundo.
Mileștii Mici, assim como Cricova, encontrou no turismo e na sua condição de recordista mundial um caminho para se manter e se projetar. Abrir as portas aos visitantes, mostrar o labirinto e a 'Coleção de Ouro', oferecer degustações e refeições tradicionais debaixo da terra e vender o vinho da casa passou a ser uma parte cada vez mais importante da sua atividade. O recorde Guinness era, além disso, um ímã publicitário de primeira para atrair viajantes do mundo todo.
Assim, a adega foi consolidando o seu duplo papel: de um lado, continuar produzindo vinhos de qualidade — premiados e exportados — que sustentam a tradição vinícola moldava; de outro, ser um destino turístico de referência, capaz de surpreender qualquer um com a dimensão das suas instalações. Em um país pequeno e pouco conhecido, Mileștii Mici se firmou como um dos seus cartões de visita para o mundo.
Hoje, Mileștii Mici é, ao lado de Cricova, a grande visita do enoturismo moldavo e um dos símbolos do país. Recebe viajantes do mundo inteiro atraídos pelo seu recorde Guinness e pela experiência única de percorrer, de carro ou de trenzinho elétrico, um labirinto de cerca de 200 quilômetros de galerias a constantes 12-14 graus, entre um milhão e meio de garrafas que formam a maior coleção de vinhos do planeta.
A visita, sempre guiada e com reserva antecipada, combina a escala impressionante do percurso subterrâneo com o prazer da degustação final, servida em salas escavadas na rocha e acompanhada, conforme o pacote, de petiscos ou de uma refeição tradicional moldava completa — sopas, mămăligă, carnes — harmonizada com os vinhos da casa. Diferentes pacotes, do básico aos mais completos, se adaptam a vários bolsos e interesses, e menores de dez anos não pagam, o que faz da adega também um programa possível em família.
Além dos números e dos recordes, Mileștii Mici conta uma história sobre a Moldávia: a de um país que fez do vinho uma marca de identidade e uma fonte de orgulho, capaz de reunir debaixo da terra o maior tesouro enológico do mundo. Descer às suas galerias, sentir o frescor úmido e ver as garrafas se perderem na penumbra, quilômetro após quilômetro, é entender por que este pequeno canto da Europa, tão pouco visitado, merece um lugar de destaque no mapa mundial do vinho. É, sem exagero, uma das experiências mais impressionantes que a Moldávia oferece.