Se existe um castelo de conto de fadas na Eslováquia, é o de Bojnice. Com suas torres pontiagudas, seus torreões e sua silhueta romântica recortada sobre um parque de árvores centenárias, parece ter saído das páginas de um livro de fantasia ou de um filme da Disney. Não é por acaso: seu visual atual é fruto de uma grande reconstrução do fim do século XIX e início do XX, encomendada pelo conde Ján Ferenc Pálffy, que se inspirou nos castelos do vale do Loire, na França, e no gótico e no Renascimento do Tirol.
Mas, por trás desse romantismo do século XIX, pulsa uma história muito mais antiga: as origens de Bojnice remontam ao século XII, quando era uma fortaleza de madeira, e seus muros viram passar algumas das famílias mais poderosas do reino da Hungria, como os Thurzó e os Pálffy. Hoje é o castelo mais visitado da Eslováquia, sede do Museu Nacional Eslovaco, e uma das atrações mais queridas do país, principalmente pelos seus festivais temáticos — o dos fantasmas é lendário — e pelo teixo milenar que cresce aos seus pés.
Este guia percorre o castelo de Bojnice com um olhar prático: como chegar, quanto custam os ingressos e o que incluem os diferentes roteiros, o que ver nos seus salões e como combiná-lo com o zoológico mais antigo do país, as termas de Bojnice e a caverna embaixo do castelo para montar um dia completo neste cantinho do centro da Eslováquia.
O castelo de Bojnice é mencionado pela primeira vez em 1113 como uma fortaleza de madeira pertencente ao mosteiro de Zobor. Em pedra, foi crescendo ao longo da Idade Média e passou pelas mãos de nobres poderosos: Matúš Čák de Trenčín, o rei Matias Corvino — que gostava de visitá-lo — e, sobretudo, a família Thurzó, que no século XVI o transformou em uma residência renascentista. Em 1637 passou aos Pálffy, que foram seus donos por quase três séculos. Seu visual atual, de castelo romântico de conto de fadas, se deve ao conde Ján Ferenc Pálffy, que entre 1889 e 1910 o reconstruiu por completo, inspirando-se nos castelos franceses do Loire. Depois da morte dele, o castelo passou por vários donos — incluindo o empresário Baťa — e, por fim, ao Estado, que o transformou em museu. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Slovakia's mining heartland and its fortresses: the silver town of Banská Štiavnica, home to Europe's first technical academy, the fairy-tale castle of Bojnice and the caves of the Demänová Valley.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A história do castelo de Bojnice começa sobre uma rocha de travertino formada por fontes termais, uma localização privilegiada no centro do atual território eslovaco. A primeira menção escrita conhecida data de 1113, em um documento do mosteiro de Zobor, que o descreve como uma fortaleza de madeira. Aquelas primeiras muralhas defensivas aproveitavam a altura natural da rocha e controlavam um cruzamento de caminhos no vale do rio Nitra.
Ao longo dos séculos XII e XIII, a fortaleza de madeira foi sendo substituída aos poucos por construções de pedra, seguindo a tendência geral do reino da Hungria após a invasão mongol de 1241, que tinha mostrado a fragilidade das defesas de madeira. Assim, Bojnice virou um castelo de pedra, integrado à rede de fortalezas que estruturava o reino.
Desde muito cedo, a rocha onde ele está revelou outro tesouro: embaixo do castelo se abre uma caverna natural, e da mesma formação de travertino brotam águas termais que, com o tempo, fariam de Bojnice também um lugar de banhos e tratamentos. Natureza e fortaleza ficaram unidas desde a origem neste lugar singular.
No século XIV, Bojnice ficou sob o domínio de uma das figuras mais poderosas e turbulentas da história eslovaca: Matúš Čák de Trenčín, o 'senhor do Váh e dos Tatras', um magnata que chegou a governar de fato boa parte do atual território da Eslováquia como um poder quase independente diante do rei da Hungria. O castelo foi uma das muitas fortalezas de seus vastos domínios até sua morte, em 1321.
Mais tarde, no século XV, Bojnice viveu um de seus períodos mais brilhantes durante o reinado de Matias Corvino, rei da Hungria. Corvino tinha um carinho especial por este castelo e seus arredores, em parte por causa das águas termais, e costumava visitá-lo. A tradição associa o monarca ao famoso teixo milenar que ainda cresce no parque, sob cuja sombra, segundo a lenda, o rei ditava documentos e descansava. Sob sua influência, o castelo começou a ganhar traços mais residenciais e menos puramente militares.
Essa transição de fortaleza defensiva para residência senhorial se aceleraria no século seguinte, quando o castelo passou para as mãos de famílias que buscavam nele não só proteção, mas também prestígio e conforto, transformando pouco a pouco o seu caráter.
No século XVI, o castelo passou para a poderosa família Thurzó, ricos financistas e comerciantes ligados à mineração na Europa Central. Os Thurzó transformaram Bojnice em uma residência renascentista mais confortável e representativa, adaptando a velha fortaleza ao gosto da época. Foi a primeira grande mudança de visual do castelo, que começava a deixar para trás sua função estritamente militar.
Em 1637, Bojnice passou para a família Pálffy, uma das grandes casas nobres do reino da Hungria, que seria dona do castelo por quase três séculos, até o começo do século XX. Durante esse longo domínio, o castelo viveu fases de esplendor e de relativo abandono, conforme as fortunas e os interesses das diferentes gerações da família. Foi palco da vida aristocrática, com seus luxos, suas intrigas e suas lendas.
O período dos Pálffy consolidou Bojnice como um símbolo do poder da nobreza na região. Mas o castelo que admiramos hoje, com seu inconfundível ar de conto de fadas, não é o dos Thurzó nem o dos primeiros Pálffy: é fruto da visão romântica e um tanto excêntrica de um único homem, o último grande senhor do castelo, que no fim do século XIX decidiu reinventá-lo por completo.
O responsável pela aparência atual de Bojnice foi o conde Ján Ferenc Pálffy (János Ferenc Pálffy), um aristocrata culto, viajante e colecionador de arte que, entre 1889 e 1910, empreendeu uma reconstrução total do castelo. Fascinado pelos castelos do vale do Loire, na França, e pela arquitetura gótica e renascentista que tinha visto em suas viagens pela Europa, Pálffy quis transformar a velha residência de seus antepassados em um castelo romântico de sonho.
Por mais de duas décadas, um exército de artesãos, entalhadores, pintores e canteiros trabalhou sob sua direção minuciosa. Foram erguidas as torres pontiagudas e os torreões que dão ao castelo sua silhueta de conto de fadas; os salões foram decorados com madeiras entalhadas, tapeçarias e obras de arte que o conde reunia em suas viagens; e foi criada a deslumbrante Sala Dourada, com um teto inspirado na arte veneziana. Pálffy supervisionou cada detalhe com obsessão, fazendo do projeto a obra da sua vida.
O conde não chegou a ver sua criação totalmente pronta: morreu em 1908, antes do fim das obras. Seu testamento, que pretendia preservar o castelo e suas coleções como um legado artístico, deu origem a longas disputas judiciais entre os herdeiros, e boa parte das obras de arte que ele havia reunido acabou dispersa e vendida. Mas o castelo, com sua nova roupagem romântica, ficou como seu monumento pessoal.
Após a morte do conde Pálffy e a dissolução do Império Austro-Húngaro, o castelo mudou de mãos. Em 1939, foi comprado pelo empresário do ramo de calçados Ján Baťa, o magnata da famosa marca tcheca, cuja empresa foi dona do castelo durante os anos da Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra e da chegada do regime comunista à Tchecoslováquia, o castelo foi nacionalizado e passou para o Estado, que o transformou em museu.
Em 1950, um grave incêndio danificou partes do castelo, o que exigiu trabalhos de restauração ao longo das décadas seguintes. Aos poucos, Bojnice se firmou como sede do Museu Nacional Eslovaco (Slovenské národné múzeum) e abriu-se totalmente ao público, recuperando e exibindo mobiliário histórico e coleções de arte em seus salões reconstruídos. A caverna natural, o parque e o teixo milenar passaram a fazer parte da visita.
Hoje, o castelo de Bojnice é o monumento mais visitado da Eslováquia. Todos os anos ele atrai multidões não só pela arquitetura de conto de fadas, mas também pelo calendário de eventos: o Festival Internacional dos Fantasmas e dos Espíritos, na primavera, é a atração cultural que mais reúne visitantes em todo o país, e os roteiros temáticos de Halloween e de Natal enchem o castelo de vida. Bojnice conseguiu algo pouco comum: ser ao mesmo tempo um monumento histórico sério, sede de um museu nacional, e um lugar de fantasia popular onde castelo, caverna, parque, zoológico e termas formam uma experiência única no coração da Eslováquia.