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Cidade de Goiás
🇧🇷 Brasil · Centro-Oeste

Cidade de Goiás

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📍Estado
Goiás, na região Centro-Oeste, a cerca de 140 km a noroeste de Goiânia (a capital atual) pela GO-070. Conhecida como Goiás Velho, foi a antiga capital colonial do estado e conserva um dos conjuntos urbanos coloniais mais bem preservados do centro do Brasil, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2001.
📌Melhor época
Estação seca (maio a setembro): melhor clima para caminhar pelo centro histórico. A Semana Santa é muito especial por causa da Procissão do Fogaréu, mas a cidade fica bem cheia e é bom reservar com antecedência.
📌Dias sugeridos
1 a 2 dias. Dá para percorrer com calma o centro histórico, os museus e as igrejas; vale a pena dormir lá para curtir a cidade ao entardecer.
📌Moeda
Real (BRL). Vale levar dinheiro em espécie: alguns museus (como a Casa de Cora Coralina) só aceitam dinheiro, e nas feiras e nos comércios pequenos nem sempre tem maquininha.
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Cidade de Goiás, carinhosamente conhecida como Goiás Velho, é a antiga capital colonial do estado de Goiás e um dos conjuntos urbanos coloniais mais bem conservados do centro do Brasil. Fundada como Vila Boa em pleno ciclo do ouro do século XVIII, conserva ruas de pedra, casas brancas de telhados vermelhos, igrejas barrocas e um centro histórico que em 2001 foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A cidade se acomoda às margens do rio Vermelho, ao pé da Serra Dourada, numa paisagem de cerrado que no inverno fica seca e dourada. O clima tranquilo, a rica tradição artesanal e literária — foi berço da poeta Cora Coralina — e a gastronomia goiana fazem de Goiás um destino encantador, bem diferente da agitação das grandes capitais.

Este guia percorre o essencial de Cidade de Goiás: o centro histórico e suas igrejas, a casa-museu de Cora Coralina, as famosas festas religiosas como a Procissão do Fogaréu, a cozinha goiana e como chegar a partir de Goiânia. É um passeio ideal para quem busca história, arte e a calma de uma cidade colonial parada no tempo.

📖 História de Cidade de Goiás

Fundada por volta de 1727 como Arraial de Sant'Ana durante a corrida do ouro liderada pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva (o Anhanguera), tornou-se Vila Boa e depois capital da capitania e da província de Goiás. Manteve esse posto até 1937, quando a capital foi transferida para a planejada Goiânia. Seu excepcional conjunto colonial lhe rendeu em 2001 o título de Patrimônio da Humanidade da Unesco. A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Cidade de Goiás fica em Goiás

The state of the Central-West and the Cerrado: land of the colonial gold of Goiás Velho, of the hot springs of Caldas Novas and of the landscapes of the Chapada dos Veadeiros, one of Brazil's great natural sanctuaries.

Ler a história de Goiás →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Goiania

Saem de Goiania, a 125 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.

1
Centro histórico colonial
O centro antigo de ruas de pedra e arquitetura colonial, Patrimônio da Humanidade.
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O coração de Cidade de Goiás é o seu centro histórico, um traçado de ruas estreitas calçadas com pedras (o famoso calçamento 'pé de moleque') ladeadas por casas caiadas de telhas vermelhas e janelas de madeira, erguidas durante o ciclo do ouro do século XVIII. Reconhecido pela Unesco em 2001 como Patrimônio da Humanidade, o conjunto é um dos mais bem preservados do Brasil colonial. Passear pelos seus cantinhos leva a praças como a Praça do Coreto e a Praça do Chafariz, ao antigo Mercado Municipal e aos casarões que hoje abrigam museus e ateliês de artesãos. A luz dourada do cerrado realça o branco das fachadas, principalmente ao entardecer.
ℹ️ Como percorrer: A pé; ideal de manhã ou ao entardecer · Entrada: Acesso livre às ruas e praças; os museus cobram entrada à parte · Duração: Meio dia
2
Casa de Cora Coralina (Museu Casa de Cora Coralina)
A casa-museu da célebre poeta e doceira goiana às margens do rio Vermelho.
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Às margens do rio Vermelho fica a casa onde viveu Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, conhecida como Cora Coralina (1889-1985), uma das vozes poéticas mais queridas do Brasil, que publicou seu primeiro livro depois dos 75 anos e que também era doceira de ofício. O velho casarão colonial, hoje museu, conserva seus móveis, manuscritos, fotografias e a cozinha onde ela fazia seus doces. É um lugar encantador e muito visitado, que une literatura, memória e intimidade doméstica.
ℹ️ Entrada: R$ 15 por pessoa, preço único, só em dinheiro (fonte: site oficial museucoracoralina.com.br, verificado em julho de 2026) · Horário: Terça a sábado 9:00-16:40; domingos e feriados 9:00-12:40 · Duração: 1 hora
3
Igrejas barrocas e Museu de Arte Sacra da Boa Morte
Templos coloniais do século XVIII, alguns transformados em museus de arte sacra.
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O patrimônio religioso é um dos grandes tesouros de Goiás. A Igreja de São Francisco de Paula, do século XVIII, é uma das mais bonitas e conserva pinturas atribuídas ao artista local André Antônio da Conceição. A Igreja da Boa Morte abriga hoje o Museu de Arte Sacra da Boa Morte, com imagens do célebre escultor goiano José Joaquim da Veiga Valle. Outras igrejas, como Nossa Senhora do Carmo e Santa Bárbara, completam um circuito de arte sacra e arquitetura colonial espalhado por todo o centro.
ℹ️ Entrada: Museu de Arte Sacra da Boa Morte: R$ 4 inteira, R$ 2 meia; estudantes, idosos e moradores grátis (fonte: Museus Ibram Goiás, verificado em julho de 2026). As outras igrejas abrem para culto, sem custo · Horário: Museu: terça 9:00-13:00, quarta a sábado 8:00-18:00, domingos e feriados 8:00-12:00 (fechado às segundas) · Duração: 1 a 2 horas (circuito das igrejas)
4
Museu das Bandeiras e Palácio Conde dos Arcos
A antiga câmara e cadeia coloniais e o palácio dos governadores.
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O Museu das Bandeiras ocupa o antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia (século XVIII), que servia ao mesmo tempo de câmara municipal e prisão, e exibe mobiliário, documentos e objetos da época colonial. Em frente à praça principal, o Palácio Conde dos Arcos foi a residência oficial dos governadores da capitania e da província de Goiás; restaurado, pode ser visitado e lembra a época em que a cidade era capital. Os dois são paradas obrigatórias para entender a história administrativa da região.
ℹ️ Entrada: Museu das Bandeiras: entrada gratuita (fonte: Curta Cidade de Goiás, verificado em julho de 2026). Palácio Conde dos Arcos: entrada simbólica de R$ 5 a R$ 10 (faixa segundo guias locais, verificado em julho de 2026) · Horário: Museu das Bandeiras: terça, domingos e feriados 9:00-13:00; quarta a sábado 9:00-19:00 (fechado às segundas) · Duração: 1 a 2 horas
5
Serra Dourada e Cachoeira das Andorinhas
O entorno natural de cerrado com mirantes, cachoeiras e trilhas.
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Cidade de Goiás é cercada pela Serra Dourada, um relevo de cerrado com afloramentos rochosos, mirantes e vegetação típica. Perto da cidade há opções de natureza como a Cachoeira das Andorinhas, uma cachoeira e área de banho popular entre moradores e visitantes, além de outras quedas e poços nos arredores. É um bom complemento para quem quer combinar a visita cultural com caminhadas e banho de água doce.
ℹ️ Entrada: Algumas cachoeiras têm acesso livre; outras cobram entrada simbólica em propriedade particular, R$ 10–30 por pessoa (faixa segundo operadores locais, verificado em julho de 2026) · Melhor época: Estação seca (maio a setembro); depois das chuvas há mais volume de água · Duração: Meio dia
6
Procissão do Fogaréu e Mercado Municipal
A procissão noturna mais famosa de Goiás na Semana Santa e o mercado tradicional da cidade.
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A Procissão do Fogaréu é a festa mais célebre de Cidade de Goiás: uma procissão noturna de raízes coloniais realizada na madrugada da Quarta-feira Santa, em que figuras encapuzadas (os 'farricocos') percorrem as ruas iluminadas apenas por tochas, recriando a busca e a prisão de Cristo. É um espetáculo dramático e único, declarado patrimônio cultural, que enche a cidade de visitantes. Fora da Semana Santa, o Mercado Municipal e as ruas do centro mantêm vivo o pulso cotidiano da cidade: artesanato, doces caseiros, doces de frutas (herança da tradição doceira de Cora Coralina) e a cozinha goiana.
ℹ️ Entrada: Procissão do Fogaréu: grátis (evento público). Mercado Municipal: acesso livre · Quando: A procissão acontece na madrugada da Quarta-feira Santa (Semana Santa); o mercado funciona o ano todo · Duração: Uma noite (procissão) / 1 hora (mercado)
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Casa de Cora Coralina (museo)R$ 15 por pessoa, preço único, só em dinheiro (fonte: site oficial museucoracoralina.com.br, verificado em julho de 2026)
Museu das BandeirasEntrada gratuita (fonte: Curta Cidade de Goiás, verificado em julho de 2026)
Museo de Arte Sacra da Boa Morte (Igreja da Boa Morte)R$ 4 inteira, R$ 2 meia; estudantes, idosos e moradores grátis (fonte: Museus Ibram Goiás, verificado em julho de 2026)
Palácio Conde dos ArcosR$ 5–10 por pessoa de entrada simbólica (faixa segundo guias locais, verificado em julho de 2026)
Recorrido por el centro históricoGrátis (ruas e praças); museus à parte
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Tour guiado pelo centro histórico colonial
Duração2-3 h
OperadoraGuias locais / Secretaria de Turismo
Preço
R$ 50–120 por pessoa conforme o guia/grupo (faixa segundo guias locais e Secretaria de Turismo, verificado em julho de 2026)
Visita à Procissão do Fogaréu (Semana Santa)
Grátis (evento público)
DuraçãoUma noite
OperadoraEvento religioso local
Passeio às cachoeiras da Serra Dourada
DuraçãoMeio dia
OperadoraOperadores locais
Preço
R$ 80–200 por pessoa conforme operador e traslado (faixa segundo operadores locais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

A pé
Grátis
DuraçãoVariável
Observações
O centro histórico é compacto e dá para percorrer a pé, embora tenha calçamento de pedra e ladeiras
Táxi / mototáxi
DuraçãoVariável
ObservaçõesÚtil para chegar às cachoeiras ou a pontos afastados do centro
Preço
R$ 10–40 os trajetos curtos; mototáxi mais barato (faixa segundo viajantes locais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Goiânia → Cidade de Goiás (rodovia GO-070)
Companhias aéreas / empresasÔnibus intermunicipais (Viação Empresa Moreira) e carro
DuraçãoAprox. 2,5 a 3,5 h (cerca de 140 km)
Preço médio
Ônibus R$ 61–155 conforme a categoria (convencional ou executivo) (fonte: Empresa Moreira, Rodoviária de Goiânia, verificado em julho de 2026); de carro, combustível à parte
Brasília → Cidade de Goiás (via Goiânia)
Companhias aéreas / empresasÔnibus com conexão em Goiânia; carro
DuraçãoAprox. 5 h
Preço médio
R$ 120–200 com conexão conforme a categoria (faixa segundo buscadores de passagens, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Pousadas charmosas no centro histórico
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 250–450 a diária: pousadas em casarões coloniais restaurados dentro do centro histórico, com pátios, café da manhã regional e localização a poucos passos dos museus (faixa segundo Booking.com e Tripadvisor, verificado em julho de 2026)
Hotéis e pousadas intermediários
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 150–250 a diária: opções médias na cidade e arredores, práticas para uma ou duas noites (faixa segundo Booking.com, verificado em julho de 2026)
Hospedagens econômicas
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 80–150 a diária: pousadas simples e hostels para orçamentos apertados, alguns perto da rodoviária (faixa segundo buscadores de hospedagem, verificado em julho de 2026)

🍴 Onde comer

Cocina goiana tradicional
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 35–80 por pessoa: pratos típicos como empadão goiano, galinhada, arroz com pequi, guariroba e pamonha em restaurantes e comedorias locais do centro histórico (faixa segundo Tripadvisor, verificado em julho de 2026)
Dulces y doces caseros
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 5–25 por produto: tradição doceira local (a de Cora Coralina), com doces de frutas e compotas; encontrados em lojas, no Mercado Municipal e em feiras (faixa segundo blogs de viajantes, verificado em julho de 2026)
Restaurantes y cafés del centro
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 25–60 por pessoa: opções para almoçar e jantar no centro histórico, com cafés, lanchonetes e restaurantes regionais (faixa segundo Tripadvisor, verificado em julho de 2026)

📖 História de Cidade de Goiás

Origem, formação e o que dizem as fontes.

O ciclo do ouro e a fundação de Vila Boa

Conta a lenda que Bartolomeu Bueno da Silva ameaçou os indígenas Goiá de pôr fogo em um rio: pegou aguardente, ateou fogo nela diante deles e disse que faria o mesmo com as águas se não lhe revelassem onde estava o ouro. Apavorados, os Goiá lhe mostraram as lavras de ouro do rio Vermelho. Daí vem seu apelido, Anhanguera — 'diabo velho' em língua indígena —, e dessa lenda fundadora, verdadeira ou não, nasce a cidade que hoje é a Cidade de Goiás.

A história da Cidade de Goiás nasce no ritmo da corrida do ouro que sacudiu o interior do Brasil no começo do século XVIII. Depois das descobertas de ouro em Minas Gerais, as expedições de bandeirantes paulistas avançaram cada vez mais para o oeste em busca de novas jazidas. Uma dessas expedições, liderada por Bartolomeu Bueno da Silva — o mesmo Anhanguera da lenda —, chegou por volta de 1722 às terras do atual Goiás e descobriu ouro às margens do rio Vermelho.

Em torno dessas lavras surgiu, por volta de 1727, um povoado conhecido como Arraial de Sant'Ana, que rapidamente se encheu de mineradores, comerciantes, africanos escravizados e aventureiros atraídos pela riqueza. A exploração do ouro, baseada em boa parte no trabalho escravo, deu origem a uma sociedade colonial hierárquica e à construção das primeiras igrejas e casas que até hoje definem o centro histórico.

Em 1739 o arraial foi elevado à categoria de vila com o nome de Vila Boa de Goiás, tornando-se o centro administrativo da região. A prosperidade do ouro, porém, seria relativamente breve: os veios mais ricos se esgotaram ao longo do século XVIII, mas a essa altura a vila já tinha se consolidado como o coração político e urbano de Goiás.

Capital da capitania e da província de Goiás

Com a criação da capitania de Goiás em 1748, separada de São Paulo, Vila Boa passou a ser sua capital, sede do governador e da administração colonial. A essa altura o ouro já estava em declínio, e a economia da região foi se voltando para a pecuária e a agricultura de subsistência, num longo período de relativo isolamento e estagnação que, paradoxalmente, ajudou a manter intacta a arquitetura colonial da cidade.

Ao longo do século XIX, já no Brasil independente, a vila adotou o nome de Cidade de Goiás e continuou sendo a capital da província (e depois do estado) de Goiás. Foram construídos palácios de governo, como o Palácio Conde dos Arcos — residência dos governadores desde o século XVIII, hoje museu com mobiliário de época e uma coleção de peças que contam a vida administrativa da capitania —, e a cidade manteve sua vida administrativa, religiosa e cultural como centro da região.

Esse mesmo século XIX viu florescer uma das expressões artísticas mais notáveis do interior do Brasil: a arte sacra de José Joaquim da Veiga Valle (1806-1874), escultor autodidata nascido na própria Vila Boa, que esculpiu em madeira policromada dezenas de imagens religiosas para as igrejas goianas. Suas obras, de um estilo barroco tardio muito pessoal, hoje estão guardadas no Museu de Arte Sacra da Boa Morte e são consideradas um dos pontos altos da arte colonial do Centro-Oeste brasileiro, comparáveis em importância regional ao que o Aleijadinho representou para Minas Gerais.

A cidade manteve por quase dois séculos seu papel de capital, o que reforçou sua identidade histórica e seu rico patrimônio de igrejas, casarões e edifícios públicos. Essa continuidade institucional deixou uma marca profunda: a Cidade de Goiás não foi só uma vila mineradora, mas o centro do poder de toda uma vasta região do interior brasileiro, com câmara municipal, cadeia, palácio de governo e uma intensa vida religiosa organizada em torno de várias igrejas e irmandades.

A transferência da capital e o nascimento de Goiás Velho

O século XX trouxe a mudança mais drástica na história da cidade. Na década de 1930, no contexto das políticas de modernização e interiorização promovidas pelo governo de Getúlio Vargas e pelas autoridades estaduais, decidiu-se construir uma nova capital planejada para Goiás. O argumento era que a antiga capital, espremida entre montanhas, não tinha espaço para crescer nem boas comunicações.

Assim nasceu Goiânia, uma cidade projetada do zero, inaugurada oficialmente como nova capital do estado em 1937 (com a transferência consolidada nos anos seguintes). A Cidade de Goiás perdeu então a condição de capital que havia mantido por quase dois séculos e passou a ser conhecida popularmente como 'Goiás Velho', para se diferenciar da moderna Goiânia.

Longe de ser uma sentença de morte, a transferência da capital teve um efeito inesperado: ao ficar à margem do desenvolvimento urbano acelerado, a cidade conservou quase intacto seu conjunto colonial. Essa preservação seria, décadas depois, a base de seu reconhecimento como patrimônio. A perda do poder político se transformou, com o tempo, no ganho de um legado histórico excepcional.

Patrimônio da Humanidade, Cora Coralina e a cultura viva

O reconhecimento internacional chegou em 2001, quando a Unesco inscreveu o centro histórico da Cidade de Goiás na lista do Patrimônio Mundial. A organização valorizou o conjunto urbano colonial como um testemunho excepcional da ocupação e colonização do centro da América do Sul durante os séculos XVIII e XIX, destacando a harmonia entre a arquitetura, o traçado das ruas e a paisagem da Serra Dourada ao redor. Diferente de Ouro Preto ou de outras vilas mineradoras mais monumentais, Goiás impressiona pela escala modesta e doméstica: casas baixas, ruas estreitas e uma relação íntima com a paisagem de cerrado que a cerca.

A identidade cultural de Goiás está intimamente ligada à figura de Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), poeta e doceira nascida na cidade, no mesmo casarão à beira do rio Vermelho que hoje é museu. Cora viveu boa parte da vida fora de Goiás, dedicada a criar os filhos e a fazer doces para ganhar a vida, e só publicou seu primeiro livro, 'Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais', em 1965, quando já tinha 75 anos. Essa estreia tardia não a impediu de se tornar uma das vozes mais queridas da literatura brasileira: sua poesia, simples e profunda, retrata a vida cotidiana, as mulheres humildes, os ofícios populares e a memória dos becos de sua cidade natal. Morreu em 1985, pouco depois de receber o título de doutora honoris causa pela Universidade Federal de Goiás.

A cultura viva de Goiás também se expressa em suas tradições religiosas, entre as quais se destaca a Procissão do Fogaréu da Semana Santa. Ela acontece na madrugada da Quarta-feira Santa e encena a busca e a prisão de Cristo: dezenas de 'farricocos' — figuras encapuzadas, com túnicas vermelhas ou pretas e capuzes pontudos que escondem totalmente o rosto — percorrem as ruas do centro histórico carregando tochas acesas, enquanto as luzes elétricas da cidade são apagadas para intensificar o efeito dramático do fogo. A tradição, de raízes ibéricas e coloniais, passa de geração em geração entre famílias goianas e hoje é reconhecida como patrimônio cultural imaterial, atraindo milhares de visitantes todos os anos. Somadas à gastronomia goiana — o empadão, a galinhada, o arroz com pequi —, ao artesanato e ao clima tranquilo, essas tradições fazem da Cidade de Goiás um lugar onde o passado colonial não é só pedra, mas uma cultura ainda pulsante que se renova a cada Semana Santa.

📚 Bibliografia

  • Unesco — «Historic Centre of the Town of Goiás»: https://whc.unesco.org/en/list/993
  • Wikipedia (EN) — «Goiás (city)»: https://en.wikipedia.org/wiki/Goi%C3%A1s_(city)
  • Wikipedia (ES) — «Goiás (Goiás)»: https://es.wikipedia.org/wiki/Goi%C3%A1s_(Goi%C3%A1s)
  • Wikipedia (EN) — «Goiânia»: https://en.wikipedia.org/wiki/Goi%C3%A2nia
  • Wikipedia (EN) — «Cora Coralina»: https://en.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina
  • Wikipedia (ES) — «Cora Coralina»: https://es.wikipedia.org/wiki/Cora_Coralina
  • Wikipédia (PT) — «Bartolomeu Bueno da Silva» (o Anhanguera): https://pt.wikipedia.org/wiki/Bartolomeu_Bueno_da_Silva
  • Wikipédia (PT) — «José Joaquim da Veiga Valle»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Joaquim_da_Veiga_Valle
  • Wikipédia (PT) — «Procissão do Fogaréu»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Prociss%C3%A3o_do_Fogar%C3%A9u
  • Museu Casa de Cora Coralina (site oficial): https://www.museucoracoralina.com.br/
  • Museus Ibram em Goiás — Museu de Arte Sacra da Boa Morte (obra de Veiga Valle): https://museusibramgoias.museus.gov.br/museus-ibram-em-goias/museu-de-arte-sacra-da-boa-morte/
  • Curta Cidade de Goiás — Museu das Bandeiras (Casa de Câmara e Cadeia): https://curtacidadedegoias.com.br/museu-das-bandeiras/

❓ Perguntas frequentes

Por que Cidade de Goiás também se chama Goiás Velho?+
Porque foi a antiga capital do estado de Goiás (daí 'Goiás Velho') até 1937, quando a capital foi transferida para a recém-construída Goiânia. Mantém o nome oficial de Cidade de Goiás e seu excepcional centro colonial, Patrimônio da Humanidade da Unesco desde 2001.
Quais museus existem e quanto custa a entrada?+
Os principais são a Casa de Cora Coralina (R$ 15, só em dinheiro), o Museu de Arte Sacra da Boa Morte (R$ 4 inteira, R$ 2 meia; grátis para estudantes, idosos e moradores) e o Museu das Bandeiras, que tem entrada gratuita. As ruas e praças do centro histórico têm acesso livre (fonte: sites oficiais de cada museu, verificado em julho de 2026).
O que é a Procissão do Fogaréu?+
É uma procissão noturna da Semana Santa, de raízes coloniais, na madrugada da Quarta-feira Santa, em que figuras encapuzadas (os 'farricocos') percorrem as ruas iluminadas apenas por tochas, recriando a busca de Cristo. É a festa mais famosa da cidade, é gratuita e atrai muitos visitantes.
Quem foi Cora Coralina?+
Foi uma poeta e doceira goiana (1889-1985), nascida e falecida na cidade, que alcançou fama nacional já bem idosa. Sua casa às margens do rio Vermelho é hoje um museu e uma das principais atrações da cidade.
Quantos dias vale a pena ficar?+
Com um ou dois dias dá para percorrer com calma o centro histórico, os museus e as igrejas. Vale a pena dormir na cidade para aproveitá-la ao entardecer e, se coincidir, suas festas religiosas como a Procissão do Fogaréu.
Como chegar saindo de Goiânia?+
Pela rodovia GO-070, em cerca de 2,5 a 3,5 horas de carro ou de ônibus intermunicipal (uns 140 km). A passagem de ônibus com a Viação Empresa Moreira fica entre R$ 61 e R$ 155, dependendo da categoria (fonte: Empresa Moreira, verificado em julho de 2026). Goiânia é o ponto de conexão habitual, com aeroporto.

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