A Reserva Provincial La Payunia (ou Payunia) é uma das paisagens vulcânicas mais impressionantes da Argentina e, segundo os especialistas, uma das áreas com maior densidade de cones vulcânicos do planeta: abriga mais de 800 vulcões em um vasto território no extremo sul de Mendoza, no departamento de Malargüe. É um cenário arrebatador de campos de lava negra, areias multicoloridas e manadas de guanacos.
Longe dos circuitos de massa, La Payunia é um destino para viajantes que buscam paisagens extremas e solidão: campos de escória vulcânica, o imponente vulcão Payún Matrú, o Payún Liso, os Castillos de Pincheira no caminho, as 'bombas vulcânicas' e as areias coloridas das Pampas Negras e do Campo de Bombas. A fauna — guanacos, choiques (nandus), raposas, pumas — circula livre por esse território quase intocado.
Este guia percorre o essencial de La Payunia: como e de onde visitá-la (Malargüe como base), os principais pontos do roteiro, a importância de ir com passeio ou guia por se tratar de um lugar remoto, as recomendações de clima e equipamento, e por que ela é candidata a Patrimônio da Humanidade. Um destino único para quem ama geologia, vulcões e natureza selvagem.
La Payunia é um campo vulcânico do sul de Mendoza, em Malargüe, formado pela atividade de centenas de vulcões ao longo de centenas de milhares de anos. Terra de antigos povos pehuenches e puelches, foi protegida como reserva provincial para conservar sua excepcional concentração de cones vulcânicos — uma das maiores do mundo — e sua fauna de guanacos. É candidata a Patrimônio da Humanidade da UNESCO.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Imagine parar em um ponto qualquer da estepe de Mendoza e conseguir contar, sem sair do lugar, dezenas de vulcões diferentes recortados contra o horizonte. É isso o que acontece em La Payunia: não um vulcão, nem dois, mas um campo com mais de oitocentos cones vulcânicos espalhados por um território semidesértico no extremo sul de Mendoza. É uma concentração tão extraordinária que os geólogos a citam como uma das maiores densidades de vulcanismo do planeta, mais parecida com paisagens de Marte do que com qualquer outro canto da Argentina.
Esse campo vulcânico é resultado de centenas de milhares de anos de atividade geológica. O território é salpicado por essa quantidade impressionante de cones, o que faz dele, segundo os especialistas, uma das regiões com maior densidade de vulcões do planeta. Essa concentração excepcional é a base do seu valor científico e paisagístico.
As erupções, ocorridas em diferentes períodos geológicos, geraram um mosaico de formas e materiais: extensos derrames de lava solidificada, campos de escória negra (os chamados Pampas Negras, que parecem uma paisagem lunar), cones de cinzas, 'bombas vulcânicas' (fragmentos de lava lançados no ar que se solidificaram em pleno voo) e areias e terras de várias cores, de acordo com os minerais presentes. Dois grandes vulcões dominam o conjunto: o Payún Matrú, com sua ampla caldeira, e o Payún Liso, de perfil cônico, que passa dos 3.600 metros de altitude.
Essa paisagem, austera e monumental, é um verdadeiro laboratório natural de vulcanologia, onde dá para observar praticamente todas as formas do vulcanismo em um só lugar. Para o visitante, percorrê-la é como caminhar por outro planeta: campos negros até o horizonte, cones avermelhados, areias coloridas e um silêncio profundo. A força da Terra ficou gravada aqui de um jeito que poucos lugares do mundo conseguem mostrar.
O sul de Mendoza, onde fica La Payunia, foi território de povos originários como os pehuenches e os puelches, caçadores e coletores adaptados à estepe e à montanha, que se deslocavam por esses vastos territórios seguindo a caça —principalmente do guanaco— e os recursos de cada estação. O nome 'Payún' vem de línguas indígenas da região e, dependendo da interpretação, está ligado à ideia de 'barba' ou ao formato dos vulcões. A presença humana na área é, portanto, muito antiga.
A história mais recente acrescentou episódios pitorescos. No caminho para a reserva ficam os Castillos de Pincheira, formações rochosas que devem o nome aos irmãos Pincheira, célebres bandoleiros de origem chilena que, segundo a tradição, atuaram e se esconderam na região da cordilheira no começo do século XIX, no contexto dos conflitos da época. As lendas sobre suas aventuras e supostos tesouros enriquecem o imaginário local.
Durante muito tempo, essa região remota do sul de Mendoza ficou à margem dos grandes centros, dedicada à pecuária extensiva (sobretudo de cabras e ovelhas) e percorrida por tropeiros e posteiros que aproveitavam suas pastagens. Essa condição de território agreste e pouco povoado ajudou, paradoxalmente, a preservar sua natureza quase intacta, criando as bases para sua posterior proteção como área natural de valor excepcional.
O extraordinário valor geológico, paisagístico e faunístico de La Payunia levou à sua proteção como reserva provincial de Mendoza, com o objetivo de conservar tanto seu excepcional campo vulcânico quanto a fauna que ele abriga. Entre essa fauna se destaca uma das populações de guanacos mais importantes da Argentina, que se deslocam em grandes manadas pela estepe vulcânica, junto com choiques (nandus-de-darwin), raposas, maras, pumas e diversas aves adaptadas a esse ambiente extremo.
A importância de La Payunia foi além do âmbito provincial e nacional: a área foi indicada como candidata a Patrimônio da Humanidade da UNESCO, em reconhecimento ao seu valor universal excepcional como campo vulcânico de altíssima densidade de cones, um fenômeno geológico de relevância mundial. Essa candidatura busca garantir sua conservação e projetar internacionalmente uma das paisagens mais singulares do país.
O turismo em La Payunia é relativamente recente e acontece de forma cuidadosa, por causa da fragilidade do ambiente e do isolamento do território. As visitas normalmente são feitas em excursões guiadas saindo de Malargüe, que se consolidou como a base de serviços para conhecer essa maravilha. Hoje La Payunia é um dos grandes tesouros naturais de Mendoza e um destino imperdível para quem busca paisagens vulcânicas extremas, fauna selvagem e a solidão de um território quase virgem.
Se a geologia é a alma de La Payunia, a fauna é seu coração pulsante. A reserva protege uma das populações de guanacos mais numerosas e mais bem conservadas da Argentina: milhares de animais que se deslocam em grandes manadas pela estepe vulcânica, em migrações sazonais entre áreas de pastagem. Vê-los correr, recortados contra o preto dos Pampas Negras e os cones avermelhados, é uma das imagens mais marcantes que o país oferece. O guanaco é, além disso, uma espécie-chave do ecossistema da Patagônia e de Cuyo, presa natural do puma e dispersor de sementes.
Ao lado do guanaco vivem outras espécies adaptadas a esse ambiente extremo: o choique ou nandu-de-darwin (Rhea pennata), raposas-vermelhas e raposas-cinzentas, maras ou lebres-da-patagônia, pumas —mais esquivos e raramente avistados—, além de aves de rapina, perdizes e várias espécies da estepe. A aridez, o vento e a grande amplitude térmica moldam uma comunidade biológica austera, mas notavelmente bem preservada, justamente por ser um território tão remoto e pouco povoado.
A proteção de La Payunia como reserva provincial buscou conservar esse conjunto excepcional de valores geológicos, paisagísticos e faunísticos. A gestão da área tenta conciliar a conservação com um turismo cuidadoso e de pequena escala, consciente da fragilidade do ambiente. A recuperação e o monitoramento das populações de guanacos, assim como o combate à caça ilegal, têm sido objetivos centrais da administração, que vê a reserva como um patrimônio natural a ser deixado intacto para as próximas gerações.
Nos últimos anos, a província de Mendoza deu um passo fundamental para proteger esse patrimônio: unificou a gestão do acesso às suas áreas naturais protegidas —incluindo La Payunia, a Caverna de las Brujas e a Laguna de Llancanelo— em um sistema de venda de ingressos exclusivamente on-line, pelo portal oficial entradasanp.mendoza.gov.ar e pelo aplicativo Mendoza x Mí. A medida tem um motivo bem concreto: controlar o fluxo de visitantes em um território frágil, sem capacidade para receber turismo de massa nem estrutura para vender ingressos no local. Quem chega à reserva sem ter comprado o ingresso com antecedência corre o risco real de não poder entrar, mesmo depois de rodar centenas de quilômetros de estrada de cascalho para chegar até lá.
Esse ordenamento também definiu tarifas diferentes de acordo com a atividade: um ingresso geral por dia, valores adicionais para quem quer fazer trekking até os vulcões, tarifas por veículo para os passeios 4x4, cavalgadas e até camping dentro da área protegida. O esquema prevê ainda gratuidade para menores de doze anos, aposentados, pessoas com deficiência e ex-combatentes, além de um desconto de cinquenta por cento para os moradores do próprio departamento de Malargüe, numa tentativa de que a comunidade local continue aproveitando seu próprio patrimônio sem que o turismo internacional vire uma barreira econômica.
A consolidação desse sistema acompanha o crescimento constante do interesse turístico por La Payunia, que nos últimos anos se transformou em um dos ícones do chamado 'Corredor de los Volcanes' do sul de Mendoza, divulgado junto com outras atrações de Malargüe, como a Caverna de las Brujas, a Laguna de Llancanelo e os Castillos de Pincheira. As agências locais —Ikatu Viajes, Aymara Viajes, Payunia Travel, Choique e outras— organizam diariamente, na temporada, expedições de dia inteiro que percorrem cerca de 420 quilômetros, ida e volta, por estradas de cascalho, com café da manhã em um posto de criadores de cabras (os crianceros), almoço campestre na localidade de Real del Molle e paradas em pontos marcantes como os Pampas Negras, o Campo de Bombas, Los Colores e o vulcão El Morado, onde costuma rolar uma caminhada final até a borda da cratera. Esse circuito, cada vez mais profissionalizado, mas ainda genuinamente remoto, é hoje a forma como milhares de viajantes do mundo todo conhecem uma das paisagens vulcânicas mais extraordinárias do planeta sem comprometer sua fragilidade.