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Reserva La Payunia
🇦🇷 Argentina · Cuyo

Reserva La Payunia

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📍Província/Estado
Mendoza (departamento de Malargüe, sul da província)
📌Melhor época
Primavera e outono (outubro-novembro, março-abril); evite o inverno por causa da neve e do frio
📌Dias sugeridos
1 dia inteiro (passeio saindo de Malargüe)
📌Moeda
Peso argentino (ARS). Muitas operadoras cotam os passeios em dólares (US$) por causa da inflação
📌Como chegar
Base em Malargüe; a reserva fica a várias horas por estrada de cascalho e é visitada em passeio 4x4 guiado
📌Duração do passeio
Jornada longa de 10 a 12 horas (percurso de uns 400-420 km ida e volta)
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A Reserva Provincial La Payunia (ou Payunia) é uma das paisagens vulcânicas mais impressionantes da Argentina e, segundo os especialistas, uma das áreas com maior densidade de cones vulcânicos do planeta: abriga mais de 800 vulcões em um vasto território no extremo sul de Mendoza, no departamento de Malargüe. É um cenário arrebatador de campos de lava negra, areias multicoloridas e manadas de guanacos.

Longe dos circuitos de massa, La Payunia é um destino para viajantes que buscam paisagens extremas e solidão: campos de escória vulcânica, o imponente vulcão Payún Matrú, o Payún Liso, os Castillos de Pincheira no caminho, as 'bombas vulcânicas' e as areias coloridas das Pampas Negras e do Campo de Bombas. A fauna — guanacos, choiques (nandus), raposas, pumas — circula livre por esse território quase intocado.

Este guia percorre o essencial de La Payunia: como e de onde visitá-la (Malargüe como base), os principais pontos do roteiro, a importância de ir com passeio ou guia por se tratar de um lugar remoto, as recomendações de clima e equipamento, e por que ela é candidata a Patrimônio da Humanidade. Um destino único para quem ama geologia, vulcões e natureza selvagem.

📖 História de Reserva La Payunia

La Payunia é um campo vulcânico do sul de Mendoza, em Malargüe, formado pela atividade de centenas de vulcões ao longo de centenas de milhares de anos. Terra de antigos povos pehuenches e puelches, foi protegida como reserva provincial para conservar sua excepcional concentração de cones vulcânicos — uma das maiores do mundo — e sua fauna de guanacos. É candidata a Patrimônio da Humanidade da UNESCO.

Ler a história completa ↓

🏛️ Reserva La Payunia fica em Mendoza

The land of sun and good wine: a Huarpe oasis at the foot of Aconcagua, cradle of San Martín's Army of the Andes, rebuilt after the 1861 earthquake and turned into the world capital of Malbec and the high mountains.

Ler a história de Mendoza →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Malargue

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1
Vulcão Payún Matrú e Payún Liso
Os dois grandes vulcões que dominam a reserva e lhe dão nome.
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O coração de La Payunia são seus dois vulcões maiores: o Payún Matrú, um vulcão imponente com uma grande caldeira (depressão formada pelo colapso do cone após grandes erupções), e o Payún Liso, de perfil mais cônico e elegante, que passa dos 3.600 metros. Ao redor deles se estende o campo vulcânico com suas centenas de cones menores. A paisagem, dominada por esses colossos, pelos derrames de lava e pelas cores da terra, tem uma beleza austera e monumental.
ℹ️ Dá para apreciá-los durante o passeio; subir até os cumes exige uma expedição específica.
2
Campo de lava, Pampas Negras e areias coloridas
Extensos campos de escória negra e areias multicoloridas de origem vulcânica.
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Um dos espetáculos mais impressionantes de La Payunia são seus campos de lava e escória: as chamadas Pampas Negras, vastas extensões cobertas de fragmentos vulcânicos escuros que parecem uma paisagem lunar ou marciana. Elas contrastam com trechos de areias e terras coloridas — ocres, avermelhadas, amareladas — resultado dos diferentes materiais vulcânicos. Percorrer esses campos, com os cones no horizonte, é uma experiência inesquecível e única no país.
ℹ️ São percorridos no circuito guiado; respeite as trilhas e não retire material.
3
Manadas de guanacos e fauna da estepe
A reserva abriga uma das maiores populações de guanacos do país.
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La Payunia não é só geologia: é também um refúgio de fauna. A reserva protege uma das populações de guanacos mais importantes da Argentina, que se deslocam em grandes manadas pela estepe vulcânica. Também vivem ali choiques (nandus-de-darwin), raposas, pumas, maras e diversas aves. Ver os guanacos recortados contra os campos de lava negra e os vulcões é uma das imagens mais características e emocionantes do lugar.
ℹ️ Observação durante o percurso; leve binóculos e câmera com zoom.
4
Castillos de Pincheira (no caminho)
Formações rochosas de origem vulcânica a caminho da reserva.
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No trajeto de Malargüe até La Payunia ficam os Castillos de Pincheira, formações espetaculares de rochas e sedimentos vulcânicos erodidos que parecem torres, muralhas e castelos naturais, num cenário de rio e montanha. O nome lembra os irmãos Pincheira, bandoleiros que, segundo a tradição, se refugiaram na região no século XIX. É uma parada habitual e muito fotogênica dos passeios.
ℹ️ A uns 27 km a oeste de Malargüe, no caminho; costuma estar incluído nos passeios. Tem camping e serviços.
5
O Campo de Bombas e as bombas vulcânicas
Uma área onde o chão está coberto de fragmentos de lava que se solidificaram no ar.
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As 'bombas vulcânicas' são fragmentos de lava lançados ao ar durante as erupções que se solidificaram enquanto caíam, ganhando formas arredondadas, fusiformes ou retorcidas. Em La Payunia há trechos onde essas bombas cobrem o chão em grande quantidade, junto a cones de escória e derrames. É um dos pontos mais didáticos do roteiro para entender a dinâmica do vulcanismo, e um ímã para quem curte geologia e fotografia.
ℹ️ É visitado dentro do circuito guiado; é proibido retirar rochas ou bombas da reserva.
6
Derrames de lava e morfologia vulcânica
Rios de lava petrificada que se estendem pela estepe.
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Boa parte de La Payunia está coberta por derrames de lava solidificada, alguns com vários quilômetros de extensão, que desceram dos cones e congelaram no tempo. Caminhar pela borda desses derrames, observar suas texturas (lava em cordas, blocos quebrados) e a vegetação pioneira que começa a colonizá-los permite ler a história geológica do lugar como um livro aberto. O contraste entre o negro da lava e as cores das areias é um dos grandes atrativos visuais.
ℹ️ Faz parte do percurso; ideal para fotografia com a luz baixa da manhã ou do fim da tarde.
7
Mirantes panorâmicos do campo vulcânico
Pontos altos naturais de onde se enxerga a imensidão dos 800 cones.
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Durante o passeio, os guias sobem até certos pontos altos e mirantes naturais de onde se vê, até o horizonte, a incrível densidade de cones vulcânicos que torna La Payunia única. Desses pontos, com boa visibilidade, dá para contar dezenas de vulcões num só olhar, uma imagem que explica por que a reserva é candidata a Patrimônio da Humanidade. É o momento mais impactante do roteiro.
ℹ️ O acesso depende das condições da estrada e da visibilidade; confira o roteiro com sua operadora.
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Acceso a la Reserva Provincial La Payunia (entrada general al área, por día)$7.000 ARS por pessoa acima de 12 anos (fonte: portal oficial entradasanp.mendoza.gov.ar, tarifas 2025 levantadas via Ser y Hacer de Malargüe, verificado em julho de 2026; a venda é 100% online, não se compram ingressos no local). Menores de 12, aposentados, pessoas com deficiência e ex-combatentes entram grátis; moradores de Malargüe têm 50% de desconto com comprovante de residência
Trekking a los volcanes dentro de la reserva (actividad adicional)$23.400 ARS por pessoa (fonte: portal oficial entradasanp.mendoza.gov.ar, verificado em julho de 2026)
Excursión 4x4 oficial dentro de la reserva (tasa por vehículo, aparte del tour contratado)$46.700 ARS por veículo (fonte: portal oficial entradasanp.mendoza.gov.ar, verificado em julho de 2026)
Cabalgata dentro de la reserva$9.400 ARS por pessoa (fonte: portal oficial entradasanp.mendoza.gov.ar, verificado em julho de 2026)
Acampe dentro de la reserva$11.700 ARS por pessoa por dia (fonte: portal oficial entradasanp.mendoza.gov.ar, verificado em julho de 2026)
Excursión 4x4 de día completo desde Malargüe (con guía, traslados y comidas; entrada a la reserva no incluida)$151.000 ARS por pessoa com impostos na Ikatu Viajes (inclui café da manhã, lanche frio e lanche da tarde; fonte: ikatuviajes.tur.ar, verificado em julho de 2026); faixa de mercado US$ 90–150 conforme a agência — confirme o valor exato e lembre que o ingresso oficial da reserva é pago à parte
Castillos de Pincheira (entrada al complejo, en el camino a la reserva)$7.000–10.000 ARS por pessoa aprox. (faixa segundo avaliações do Tripadvisor e o site oficial malargue.tur.ar, verificado em julho de 2026; não há tarifa exata publicada online, confirme no local)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Passeio 4x4 de dia inteiro a La Payunia
Duração10 a 12 horas (dia inteiro, percurso de uns 420 km)
Preço
$151.000 ARS por pessoa na Ikatu Viajes (faixa de mercado US$ 90–150 conforme a agência), mais o ingresso oficial de $7.000 ARS da reserva (fonte: ikatuviajes.tur.ar e agências de Malargüe como Aymara Viajes e Payunia Travel, verificado em julho de 2026)
Operadora
Operadoras credenciadas de Malargüe (Mendoza Tours, Payunia Travel, Ikatu Viajes, Aymara Viajes, Choique)
Expedição fotográfica vulcânica / safári de fauna
DuraçãoDia inteiro
OperadoraGuias especializados de Malargüe (verifique disponibilidade)
Preço
US$ 100–170 por pessoa aprox. (faixa segundo agências especializadas de Malargüe, verificado em julho de 2026), versão voltada para fotografia com paradas mais longas
Visita aos Castillos de Pincheira
DuraçãoMeio dia
OperadoraOperadoras locais de Malargüe
Preço
Ingresso $7.000–10.000 ARS aprox.; passeios saindo de Malargüe US$ 25–45 por pessoa (faixa segundo agências locais, verificado em julho de 2026)
Expedição de subida ao Payún Matrú ou Payún Liso
Duração1 a 2 dias (com acampamento)
OperadoraGuias de montanha credenciados (reserve com antecedência)
Preço
US$ 150–300 por pessoa conforme logística e dias, mais a taxa oficial de trekking de $23.400 ARS por pessoa (fonte: entradasanp.mendoza.gov.ar, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Passeio 4x4 com traslado incluído desde o hotel
DuraçãoO dia todo
Preço
Incluído no passeio de dia inteiro (US$ 90–150 por pessoa, verificado em julho de 2026)
Observações
É a forma habitual e recomendada de se locomover: a reserva não tem transporte público nem serviços
Remis ou táxi dentro de Malargüe
DuraçãoPoucos minutos
Preço
$2.000–5.000 ARS por corrida urbana (faixa estimada segundo tarifas locais, verificado em julho de 2026)
Observações
Útil para circular pela cidade; não para chegar à reserva. Confira a tarifa ao embarcar
Carro próprio / aluguel (só até o acesso)
DuraçãoVariável
Preço
Aluguel de carro a partir de US$ 50–90 por dia (faixa segundo locadoras em Mendoza, verificado em julho de 2026); 4x4 mais caro
Observações
As estradas internas da reserva são de cascalho e exigentes, e o ideal é um 4x4; a entrada na reserva exige guia credenciado e ingresso online comprado com antecedência em entradasanp.mendoza.gov.ar
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Malargüe → La Payunia (passeio 4x4)
Companhias aéreas / empresas
Operadoras credenciadas de Malargüe (entrada só com guia credenciado e ingresso online prévio)
Preço médio
US$ 90–150 por pessoa mais ingresso oficial de $7.000 ARS da reserva (faixa verificada em julho de 2026)
Duração
Dia inteiro (a reserva fica a várias horas; percurso total de uns 420 km)
Mendoza capital → Malargüe (ônibus de média distância)
DuraçãoAprox. 4h30 a 7h (uns 430 km, conforme o serviço)
Companhias aéreas / empresas
CATA Internacional e outras linhas regionais (cerca de 3 saídas diárias, entre 6h e 20h)
Preço médio
$24.500 ARS a passagem (fonte: tarifas de média e longa distância de Mendoza, verificado em julho de 2026)
San Rafael → Malargüe (ônibus/carro)
Companhias aéreas / empresasLinhas regionais; carro particular
DuraçãoAprox. 2,5-3 horas (uns 185 km)
Preço médio
$8.000–18.000 ARS de ônibus (faixa segundo empresas regionais, verificado em julho de 2026)
Buenos Aires → Mendoza/Malargüe (avião + ônibus)
DuraçãoVoo de umas 2h + 4h30 a 7h de ônibus
Companhias aéreas / empresas
Aerolíneas Argentinas, Flybondi, JetSmart até Mendoza; depois ônibus até Malargüe
Preço médio
Voo a partir de US$ 60–150 só ida (faixa segundo buscadores de passagens, verificado em julho de 2026) + trecho de ônibus ($24.500 ARS)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Hospedagens econômicas e hostels em Malargüe
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Hostels, pousadas e cabanas simples: a partir de $30.000–46.000 ARS a diária (faixa segundo Kayak e Alquiler Argentina, verificado em julho de 2026). Boa base econômica para sair cedo para o passeio
Hotéis intermediários em Malargüe
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Hotéis de categoria média, como Hotel El Nevado ou Hotel Malargüe: média de $63.800 ARS a diária (fonte: agregadores de hotéis tipo Kayak/Tripadvisor, verificado em julho de 2026), com café da manhã
Hotéis boutique e lodges superiores
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Opções como Hotel Risco Plateado Room & Suite ou Los Cardos Lodge & Glamping: a partir de $103.595 ARS a diária segundo Hoteles.com (verificado em julho de 2026), com mais serviços e conforto
Cabanas, camping e glamping nos arredores
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Camping nos Castillos de Pincheira e cabanas rurais, além do acampamento oficial dentro da reserva a $11.700 ARS por pessoa por dia (fonte: entradasanp.mendoza.gov.ar, verificado em julho de 2026)

🍴 Onde comer

Servicios en la reserva
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Não há serviços dentro de La Payunia; os passeios levam a comida (o roteiro habitual inclui café da manhã num posto de criadores de cabras e almoço em Real del Molle, segundo operadoras como a Ikatu Viajes, verificado em julho de 2026). É indispensável levar sua própria água; não há banheiros no percurso
Parrillas y cocina regional en Malargüe
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Cabrito na brasa, empanadas e parrilla: US$ 12–25 por prato (faixa segundo avaliações do Tripadvisor de restaurantes de Malargüe, verificado em julho de 2026). O chivo malargüino (cabrito de Malargüe) é o prato estrela da região
Restaurantes y bodegones intermedios
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Massas, milanesas (bife à milanesa), pizzas e pratos do dia no centro de Malargüe: US$ 6–14 por prato (faixa segundo avaliações locais, verificado em julho de 2026)
Cafés, panaderías y comida rápida
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Cafés, doces de padaria (facturas), sanduíches e lanches da tarde: US$ 3–8 (faixa estimada segundo comércios do centro de Malargüe, verificado em julho de 2026). Práticos para o café da manhã antes de sair

📖 História de Reserva La Payunia

Origem, formação e o que dizem as fontes.

A origem vulcânica: um campo de 800 cones

Imagine parar em um ponto qualquer da estepe de Mendoza e conseguir contar, sem sair do lugar, dezenas de vulcões diferentes recortados contra o horizonte. É isso o que acontece em La Payunia: não um vulcão, nem dois, mas um campo com mais de oitocentos cones vulcânicos espalhados por um território semidesértico no extremo sul de Mendoza. É uma concentração tão extraordinária que os geólogos a citam como uma das maiores densidades de vulcanismo do planeta, mais parecida com paisagens de Marte do que com qualquer outro canto da Argentina.

Esse campo vulcânico é resultado de centenas de milhares de anos de atividade geológica. O território é salpicado por essa quantidade impressionante de cones, o que faz dele, segundo os especialistas, uma das regiões com maior densidade de vulcões do planeta. Essa concentração excepcional é a base do seu valor científico e paisagístico.

As erupções, ocorridas em diferentes períodos geológicos, geraram um mosaico de formas e materiais: extensos derrames de lava solidificada, campos de escória negra (os chamados Pampas Negras, que parecem uma paisagem lunar), cones de cinzas, 'bombas vulcânicas' (fragmentos de lava lançados no ar que se solidificaram em pleno voo) e areias e terras de várias cores, de acordo com os minerais presentes. Dois grandes vulcões dominam o conjunto: o Payún Matrú, com sua ampla caldeira, e o Payún Liso, de perfil cônico, que passa dos 3.600 metros de altitude.

Essa paisagem, austera e monumental, é um verdadeiro laboratório natural de vulcanologia, onde dá para observar praticamente todas as formas do vulcanismo em um só lugar. Para o visitante, percorrê-la é como caminhar por outro planeta: campos negros até o horizonte, cones avermelhados, areias coloridas e um silêncio profundo. A força da Terra ficou gravada aqui de um jeito que poucos lugares do mundo conseguem mostrar.

A densidade de cones vulcânicos
La Payunia é citada como uma das regiões com maior densidade de cones vulcânicos do mundo, com mais de 800 vulcões em seu território. Os números exatos e as comparações globais vêm de estudos geológicos e da divulgação de sua candidatura a Patrimônio da Humanidade.
Fonte: https://es.wikipedia.org/wiki/La_Payunia

Povos originários, bandoleiros e a história humana

O sul de Mendoza, onde fica La Payunia, foi território de povos originários como os pehuenches e os puelches, caçadores e coletores adaptados à estepe e à montanha, que se deslocavam por esses vastos territórios seguindo a caça —principalmente do guanaco— e os recursos de cada estação. O nome 'Payún' vem de línguas indígenas da região e, dependendo da interpretação, está ligado à ideia de 'barba' ou ao formato dos vulcões. A presença humana na área é, portanto, muito antiga.

A história mais recente acrescentou episódios pitorescos. No caminho para a reserva ficam os Castillos de Pincheira, formações rochosas que devem o nome aos irmãos Pincheira, célebres bandoleiros de origem chilena que, segundo a tradição, atuaram e se esconderam na região da cordilheira no começo do século XIX, no contexto dos conflitos da época. As lendas sobre suas aventuras e supostos tesouros enriquecem o imaginário local.

Durante muito tempo, essa região remota do sul de Mendoza ficou à margem dos grandes centros, dedicada à pecuária extensiva (sobretudo de cabras e ovelhas) e percorrida por tropeiros e posteiros que aproveitavam suas pastagens. Essa condição de território agreste e pouco povoado ajudou, paradoxalmente, a preservar sua natureza quase intacta, criando as bases para sua posterior proteção como área natural de valor excepcional.

A reserva e a candidatura a Patrimônio da Humanidade

O extraordinário valor geológico, paisagístico e faunístico de La Payunia levou à sua proteção como reserva provincial de Mendoza, com o objetivo de conservar tanto seu excepcional campo vulcânico quanto a fauna que ele abriga. Entre essa fauna se destaca uma das populações de guanacos mais importantes da Argentina, que se deslocam em grandes manadas pela estepe vulcânica, junto com choiques (nandus-de-darwin), raposas, maras, pumas e diversas aves adaptadas a esse ambiente extremo.

A importância de La Payunia foi além do âmbito provincial e nacional: a área foi indicada como candidata a Patrimônio da Humanidade da UNESCO, em reconhecimento ao seu valor universal excepcional como campo vulcânico de altíssima densidade de cones, um fenômeno geológico de relevância mundial. Essa candidatura busca garantir sua conservação e projetar internacionalmente uma das paisagens mais singulares do país.

O turismo em La Payunia é relativamente recente e acontece de forma cuidadosa, por causa da fragilidade do ambiente e do isolamento do território. As visitas normalmente são feitas em excursões guiadas saindo de Malargüe, que se consolidou como a base de serviços para conhecer essa maravilha. Hoje La Payunia é um dos grandes tesouros naturais de Mendoza e um destino imperdível para quem busca paisagens vulcânicas extremas, fauna selvagem e a solidão de um território quase virgem.

O reino do guanaco: fauna e conservação

Se a geologia é a alma de La Payunia, a fauna é seu coração pulsante. A reserva protege uma das populações de guanacos mais numerosas e mais bem conservadas da Argentina: milhares de animais que se deslocam em grandes manadas pela estepe vulcânica, em migrações sazonais entre áreas de pastagem. Vê-los correr, recortados contra o preto dos Pampas Negras e os cones avermelhados, é uma das imagens mais marcantes que o país oferece. O guanaco é, além disso, uma espécie-chave do ecossistema da Patagônia e de Cuyo, presa natural do puma e dispersor de sementes.

Ao lado do guanaco vivem outras espécies adaptadas a esse ambiente extremo: o choique ou nandu-de-darwin (Rhea pennata), raposas-vermelhas e raposas-cinzentas, maras ou lebres-da-patagônia, pumas —mais esquivos e raramente avistados—, além de aves de rapina, perdizes e várias espécies da estepe. A aridez, o vento e a grande amplitude térmica moldam uma comunidade biológica austera, mas notavelmente bem preservada, justamente por ser um território tão remoto e pouco povoado.

A proteção de La Payunia como reserva provincial buscou conservar esse conjunto excepcional de valores geológicos, paisagísticos e faunísticos. A gestão da área tenta conciliar a conservação com um turismo cuidadoso e de pequena escala, consciente da fragilidade do ambiente. A recuperação e o monitoramento das populações de guanacos, assim como o combate à caça ilegal, têm sido objetivos centrais da administração, que vê a reserva como um patrimônio natural a ser deixado intacto para as próximas gerações.

La Payunia hoje: ingressos on-line e um turismo cada vez mais regulado

Nos últimos anos, a província de Mendoza deu um passo fundamental para proteger esse patrimônio: unificou a gestão do acesso às suas áreas naturais protegidas —incluindo La Payunia, a Caverna de las Brujas e a Laguna de Llancanelo— em um sistema de venda de ingressos exclusivamente on-line, pelo portal oficial entradasanp.mendoza.gov.ar e pelo aplicativo Mendoza x Mí. A medida tem um motivo bem concreto: controlar o fluxo de visitantes em um território frágil, sem capacidade para receber turismo de massa nem estrutura para vender ingressos no local. Quem chega à reserva sem ter comprado o ingresso com antecedência corre o risco real de não poder entrar, mesmo depois de rodar centenas de quilômetros de estrada de cascalho para chegar até lá.

Esse ordenamento também definiu tarifas diferentes de acordo com a atividade: um ingresso geral por dia, valores adicionais para quem quer fazer trekking até os vulcões, tarifas por veículo para os passeios 4x4, cavalgadas e até camping dentro da área protegida. O esquema prevê ainda gratuidade para menores de doze anos, aposentados, pessoas com deficiência e ex-combatentes, além de um desconto de cinquenta por cento para os moradores do próprio departamento de Malargüe, numa tentativa de que a comunidade local continue aproveitando seu próprio patrimônio sem que o turismo internacional vire uma barreira econômica.

A consolidação desse sistema acompanha o crescimento constante do interesse turístico por La Payunia, que nos últimos anos se transformou em um dos ícones do chamado 'Corredor de los Volcanes' do sul de Mendoza, divulgado junto com outras atrações de Malargüe, como a Caverna de las Brujas, a Laguna de Llancanelo e os Castillos de Pincheira. As agências locais —Ikatu Viajes, Aymara Viajes, Payunia Travel, Choique e outras— organizam diariamente, na temporada, expedições de dia inteiro que percorrem cerca de 420 quilômetros, ida e volta, por estradas de cascalho, com café da manhã em um posto de criadores de cabras (os crianceros), almoço campestre na localidade de Real del Molle e paradas em pontos marcantes como os Pampas Negras, o Campo de Bombas, Los Colores e o vulcão El Morado, onde costuma rolar uma caminhada final até a borda da cratera. Esse circuito, cada vez mais profissionalizado, mas ainda genuinamente remoto, é hoje a forma como milhares de viajantes do mundo todo conhecem uma das paisagens vulcânicas mais extraordinárias do planeta sem comprometer sua fragilidade.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «La Payunia»: https://es.wikipedia.org/wiki/La_Payunia
  • Wikipedia (ES) — «Payún Matrú»: https://es.wikipedia.org/wiki/Pay%C3%BAn_Matr%C3%BA
  • Wikipedia (ES) — «Payún Liso»: https://es.wikipedia.org/wiki/Pay%C3%BAn_Liso
  • Wikipedia (ES) — «Malargüe»: https://es.wikipedia.org/wiki/Malarg%C3%BCe
  • Wikipedia (ES) — «Guanaco»: https://es.wikipedia.org/wiki/Lama_guanicoe
  • Wikipedia (ES) — «Castillos de Pincheira»: https://es.wikipedia.org/wiki/Castillos_de_Pincheira
  • Malargüe Turismo (oficial): https://www.malargue.gov.ar/
  • Turismo Malargüe — Sitio oficial de la provincia de Mendoza: https://www.malargue.tur.ar/
  • Portal oficial de entradas — Áreas Naturales Protegidas de Mendoza: https://entradasanp.mendoza.gov.ar/
  • Ser y Hacer de Malargüe — Cómo reservar online y cuánto cuesta ingresar a las áreas naturales protegidas: https://seryhacerdemalargue.online/63948/

❓ Perguntas frequentes

Quanto custa visitar La Payunia?+
O ingresso oficial da reserva custa $7.000 ARS por pessoa acima de 12 anos (menores, aposentados e pessoas com deficiência entram grátis) e é comprado exclusivamente online no portal entradasanp.mendoza.gov.ar ou no app Mendoza x Mí: não se vendem ingressos no local (fonte oficial, verificado em julho de 2026). A isso se soma o passeio 4x4 de dia inteiro saindo de Malargüe, que fica em torno de US$ 90–150 por pessoa e inclui guia, traslados, café da manhã, lanche e lanche da tarde. Como a Argentina tem muita inflação, muitas operadoras cotam em dólares; vale confirmar o preço na hora de reservar.
Dá para visitar por conta própria?+
Não. Desde a implantação do sistema de ingressos online, a entrada em La Payunia exige ingresso comprado antes pela internet e só é possível com guia credenciado; quem chega sem ingresso pode ficar sem entrar, mesmo tendo viajado muitos quilômetros. O habitual e seguro é visitá-la em passeio de dia inteiro saindo de Malargüe, com operadoras autorizadas que conhecem o terreno e cuidam do ingresso.
Qual é a melhor época para ir?+
A primavera e o outono (outubro-novembro e março-abril) oferecem o melhor clima. O verão pode ser muito ventoso e quente durante o dia; o inverno traz neve, frio intenso e estradas complicadas que podem fechar o acesso. Vale consultar as condições antes de ir.
Onde fica e como chegar?+
La Payunia fica no extremo sul de Mendoza, no departamento de Malargüe. A base é a cidade de Malargüe, a umas 6-7 horas de ônibus de Mendoza capital e umas 2,5-3 horas de San Rafael. Os passeios saem de Malargüe; a reserva fica a várias horas de estrada, então a visita é uma jornada longa de dia inteiro.
O que levar?+
Bastante água, comida ou lanche (não há serviços na reserva), protetor solar, boné, agasalho (a amplitude térmica e o vento são fortes), calçado confortável e câmera com zoom para a fauna e as paisagens. Os passeios costumam indicar o equipamento necessário.
Que fauna dá para ver?+
Sobretudo guanacos, que habitam a reserva em grandes manadas (uma das populações mais importantes do país). Também choiques (emas), raposas, maras, pumas (mais esquivos) e diversas aves. Vê-los contra o fundo de lava negra e vulcões é um dos grandes cartões-postais do lugar.

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