Xalapa é o lado verde, fresco e culto de Veracruz. Capital do estado e encravada entre montanhas a 1.400 metros de altitude, esta cidade universitária desafia o estereótipo litorâneo do Golfo: aqui reinam a neblina, o 'chipichipi' (aquela garoa fina e constante), as florestas de neblina e o aroma de café passado na hora. É chamada de 'a Atenas veracruzana' pela intensa vida cultural e acadêmica.
Seu grande tesouro é o Museo de Antropología de Xalapa (MAX), considerado o segundo museu de arqueologia mais importante do México, atrás apenas do da capital. Em suas salas e jardins estão as colossais cabeças olmecas, esculturas totonacas e huastecas e milhares de peças que contam a história das culturas do Golfo. Só ele já justifica a visita à cidade.
Este guia reúne o lado prático para aproveitar Xalapa: o MAX e seus preços, os parques e lagos urbanos, o centro histórico, a riquíssima cena de cafés (estamos em plena terra cafeeira) e os passeios a pueblos mágicos próximos, como Coatepec e Xico. Uma cidade para curtir com calma, guarda-chuva numa mão e xícara de café na outra.
Xalapa tem raízes pré-hispânicas: seu nome vem do náuatle 'Xallapan', que significa 'nascente na areia' ou 'água no areal'. Antes da conquista, era um povoado formado pela união de vários bairros indígenas (totonacas, toltecas, chichimecas e mexicas). Com a chegada dos espanhóis no século XVI, ficou na rota do Camino Real entre Veracruz e a Cidade do México, o que lhe deu importância comercial. Nos séculos XVII e XVIII, Xalapa sediou a famosa Feira de Xalapa, onde se negociavam as mercadorias que chegavam da Europa pelo porto, um acontecimento que enriqueceu a vila. No século XIX, durante a guerra contra os Estados Unidos, travou-se nos arredores a batalha de Cerro Gordo (1847). Em 1885 tornou-se capital do estado de Veracruz e acrescentou ao nome o sobrenome do governador Juan de la Luz Enríquez. No século XX, a fundação da Universidad Veracruzana (1944) consolidou seu caráter de cidade cultural e universitária, e o Museo de Antropología a projetou internacionalmente. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Mexico's great gateway to the Gulf: where Cortés came in and the conquest set out, Totonac land of El Tajín and the flyers, of coffee, vanilla, son jarocho and the country's first port and town council.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Há cidades que se explicam por uma batalha, um santo ou uma mina de prata. Xalapa se explica pela neblina. A 1.400 metros de altitude, nas encostas do Cofre de Perote e sobre a rota que sobe do trópico quente rumo ao altiplano frio, esta capital veracruzana vive envolta no 'chipichipi', aquela garoa fina e perpétua que ensopa sem molhar e que transformou a cidade num estranho reino de floresta de neblina, café de altitude e cafés literários. Nada aqui se parece com o Veracruz de praia, danzón e calor que a maioria imagina: Xalapa é a outra face do Golfo, a culta e a fria, e sua história começa — como não poderia deixar de ser — com a água. O nome Xalapa vem do náuatle 'Xallapan', formado por 'xalli' (areia) e 'apan' (lugar de água ou rio), que costuma ser traduzido como 'fonte na areia' ou 'água no areal'. Essa etimologia fala do entorno de nascentes e água abundante que caracteriza esta região de floresta de neblina, nas encostas do Cofre de Perote.
Na época pré-hispânica, o povoado de Xalapa se formou pela união de vários bairros ou povoados de origens diferentes. As crônicas mencionam a confluência de grupos totonacas, toltecas, chichimecas e, por fim, mexicas, que por volta do século XV incorporaram a região ao domínio do império mexica. Essa diversidade de povos deixou uma marca precoce de mestiçagem cultural.
A localização de Xalapa, na transição entre a costa quente do Golfo e o altiplano frio, fez dela desde a Antiguidade um ponto de passagem natural. Por suas terras circulavam pessoas, produtos e rotas que ligavam o mar ao interior, uma vocação de encruzilhada que marcaria toda a sua história.
Depois da conquista espanhola, no século XVI, Xalapa ficou numa posição estratégica: sobre o Caminho Real que ligava o porto de Veracruz à Cidade do México, a principal via de comunicação entre a Nova Espanha e a Europa. Essa posição lhe deu importância comercial e a transformou em parada obrigatória de viajantes, tropeiros e mercadorias.
O grande momento colonial de Xalapa chegou no século XVIII com a Feira de Xalapa. A partir de 1720, as frotas que chegavam da Espanha descarregavam suas mercadorias em Veracruz, e elas eram comercializadas numa grande feira realizada em Xalapa, para onde os comerciantes do interior subiam para se abastecer. Durante várias décadas, essa feira foi um dos principais acontecimentos comerciais do vice-reino e trouxe prosperidade e prestígio à vila, que se encheu de casarões e comércios.
Xalapa também foi berço de figuras notáveis, como Antonio López de Santa Anna, o polêmico militar e presidente mexicano que nasceu aqui em 1794. A vila foi ganhando importância política e econômica, antecipando seu futuro papel como capital do estado.
O século XIX trouxe à região episódios bélicos importantes. Durante a guerra entre o México e os Estados Unidos, em abril de 1847, as tropas americanas que avançavam de Veracruz rumo à capital derrotaram o exército mexicano na batalha de Cerro Gordo, travada nos arredores de Xalapa. Foi uma das batalhas decisivas daquela guerra, que terminaria com a perda de grande parte do território mexicano.
Apesar das turbulências, Xalapa foi ganhando peso político. Em diferentes momentos do século, foi sede dos poderes estaduais e, finalmente, em 1885, se estabeleceu de forma definitiva como capital do estado de Veracruz. Pouco depois, em homenagem ao governador Juan de la Luz Enríquez, a cidade acrescentou ao nome o sobrenome 'Enríquez', ficando Xalapa-Enríquez, sua denominação oficial.
Como capital, Xalapa concentrou a administração estadual, instituições de ensino e a vida cultural. Seu clima ameno, seu entorno verde e sua tradição intelectual foram forjando a imagem de cidade culta e tranquila que a distingue dentro de um estado majoritariamente quente e litorâneo.
O século XX consolidou a vocação cultural de Xalapa. Um marco fundamental foi a fundação da Universidad Veracruzana em 1944, que transformou a cidade no grande centro educacional do estado e atraiu estudantes, professores e artistas de toda a região. A presença universitária encheu a vida da cidade de cafés, livrarias, teatros, cinema, música e um clima jovem e intelectual que lhe rendeu o apelido de 'a Atenas veracruzana'.
Xalapa desenvolveu uma rica vida artística: abriga a Orquestra Sinfônica de Xalapa, uma das mais antigas do México, além de festivais, feiras do livro, galerias e uma intensa atividade teatral e musical. A cidade também ficou conhecida por sua cena de cafés — natural em plena terra cafeeira, ao lado de Coatepec e Xico — e por uma cultura urbana que valoriza a conversa, a leitura e a arte.
A criação do Museu de Antropologia de Xalapa (MAX), em sua sede atual inaugurada em 1986, projetou a cidade internacionalmente. O museu, considerado o segundo mais importante do México no seu gênero, guarda as colossais cabeças olmecas e milhares de peças das culturas do Golfo, e se tornou a principal atração turística de Xalapa.
A Xalapa atual mantém sua dupla identidade de capital política e coração cultural de Veracruz. É uma cidade de porte médio, com uma região metropolitana de cerca de 700.000 habitantes, marcada pelo clima fresco e úmido, pelo característico 'chipichipi' (a garoa fina e constante) e pelas florestas de neblina que a cercam. Essa atmosfera verde e nublada lhe dá um caráter único no Golfo.
A vida em Xalapa gira em torno de seus parques urbanos — o Paseo de los Lagos, Los Tecajetes, o Jardín Botánico Clavijero —, de seu centro histórico de ruas íngremes, da Catedral, dos museus e, muito especialmente, da cultura do café. A cidade é ponto de partida para explorar a região cafeeira e de neblina do centro de Veracruz, com Pueblos Mágicos como Coatepec e Xico a poucos quilômetros e o vulcão Cofre de Perote dominando o horizonte.
Universitária, culta, chuvosa e cercada de verde, Xalapa oferece ao viajante uma face diferente de Veracruz: a da montanha, do café de altitude e da vida intelectual. É o complemento perfeito para o calor e a música do porto, e uma das capitais mais agradáveis e com mais personalidade do México.