Tuxtla Gutiérrez é a capital de Chiapas e, para a maioria dos viajantes, a porta de entrada do estado: aqui fica o principal aeroporto, e é daqui (ou da vizinha Chiapa de Corzo) que se chega a uma das grandes maravilhas naturais do México, o Cânion do Sumidero. Diferente da colonial San Cristóbal de las Casas, Tuxtla é uma cidade moderna, quente e agitada, mais voltada aos negócios e à administração do que ao turismo, mas com atrativos próprios que valem uma parada.
Sua joia é o ZooMAT (Zoológico Regional Miguel Álvarez del Toro), considerado um dos melhores zoológicos do México e da América Latina, dedicado exclusivamente à fauna de Chiapas em meio à selva: onças-pintadas, antas, quetzais, araras e crocodilos em habitats naturais. Somam-se a isso o animado Parque de la Marimba, onde toda noite se dança ao som da marimba — instrumento símbolo de Chiapas —, o calçadão e os mirantes sobre o Cânion do Sumidero, e uma culinária chiapaneca saborosa e bem particular.
Este guia reúne o lado prático de Tuxtla: como chegar e se locomover, o que ver na cidade, como organizar daqui a navegação pelo Cânion do Sumidero (que sai do embarcadouro de Chiapa de Corzo) e como encaixar a visita com San Cristóbal de las Casas e o resto de Chiapas. Tuxtla não costuma ser o destino final, mas é a base natural para começar a descobrir um dos estados mais diversos e fascinantes do México.
O nome Tuxtla vem do náuatle 'Tuchtlan', 'lugar de coelhos', tradução do original zoque 'Coyatocmó'. A região foi habitada pelos zoques muito antes da chegada dos espanhóis. Em 1892, substituiu San Cristóbal como capital de Chiapas, e o sobrenome 'Gutiérrez' homenageia Joaquín Miguel Gutiérrez, herói da incorporação de Chiapas ao México. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The southeasternmost province, of jungle, mountains and living Maya cultures: land of Palenque and Pakal the Great, of colonial San Cristóbal, of the Sumidero Canyon and of the 1994 Zapatista uprising.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Muito antes de ser a capital de Chiapas, o lugar onde hoje fica Tuxtla Gutiérrez foi território dos zoques, um dos povos originários mais antigos do estado, com raízes que remontam à órbita cultural olmeca e mixe-zoque. Os zoques tinham aqui um assentamento que chamavam, em sua língua, 'Coyatocmó', nome que costuma ser traduzido como 'casa ou terra de coelhos'.
Com a expansão dos povos de língua náuatle e, mais tarde, a presença mexica na região como parte de sua rede de tributos, esse nome foi traduzido para o náuatle como 'Tuchtlan' (de 'tochtli', coelho, e o locativo '-tlan'), ou seja, 'lugar abundante em coelhos' ou 'lugar de coelhos'. De 'Tuchtlan' vem o atual 'Tuxtla'. Assim, o topônimo da capital chiapaneca guarda, através de duas línguas indígenas, a memória daquela terra de coelhos.
Durante a época pré-hispânica, a região foi marcada pela presença zoque e por contatos com os maias de Los Altos e outras culturas. A chegada dos espanhóis no século XVI transformaria todo esse panorama, integrando o assentamento à nova organização colonial, embora Tuxtla ainda fosse levar séculos para se tornar a cidade importante que é hoje.
Depois da conquista espanhola de Chiapas no século XVI, a região foi integrada à organização colonial, num território que durante boa parte de sua história dependeu administrativamente da Capitania Geral da Guatemala, e não do centro da Nova Espanha. O grande centro de poder colonial de Chiapas foi Ciudad Real, a atual San Cristóbal de las Casas, fundada em 1528 em Los Altos, que concentrou durante séculos a vida política, religiosa e econômica da província.
Tuxtla, por outro lado, continuou durante o período colonial como um povoado mais modesto, habitado majoritariamente por população indígena zoque, nas terras mais quentes e baixas do vale. Sua localização, no entanto, lhe dava um valor estratégico como ponto de passagem e de troca, graças ao clima e à sua posição nas rotas regionais. Aos poucos, foi crescendo em população e em importância comercial.
A grande virada no destino de Chiapas viria com a independência. Em 1821 foi proclamada a independência do México e, em 1824, Chiapas decidiu, por meio de um plebiscito, se incorporar à nova nação mexicana em vez de continuar ligada à América Central. Essa incorporação definiu o rumo do estado e, com o tempo, também a ascensão de Tuxtla frente à histórica San Cristóbal.
Durante o século XIX, Chiapas viveu uma longa rivalidade entre duas cidades e dois projetos: a conservadora San Cristóbal de las Casas, em Los Altos, capital tradicional e reduto do poder colonial e eclesiástico, e a mais liberal e comercial Tuxtla, no vale. Essa tensão, que refletia as disputas entre liberais e conservadores em todo o país, acabaria pendendo a favor de Tuxtla.
Em 1892, durante o governo de Emilio Rabasa e em pleno porfiriato, a capital do estado de Chiapas foi transferida definitivamente de San Cristóbal de las Casas para Tuxtla. A decisão respondia ao peso econômico crescente de Tuxtla, às suas melhores comunicações e à orientação liberal e modernizadora da época. Desde então, Tuxtla é a sede dos poderes do estado.
O sobrenome 'Gutiérrez' que completa o nome da cidade é uma homenagem a Joaquín Miguel Gutiérrez Canales, militar e político liberal chiapaneco do século XIX, defensor da incorporação de Chiapas ao México e figura de destaque nas lutas da época. Em sua honra, a cidade passou a se chamar oficialmente Tuxtla Gutiérrez. Transformada em capital, a cidade iniciou um crescimento constante, que se aceleraria no século XX.
Ao longo do século XX, Tuxtla Gutiérrez deixou de ser um povoado para se tornar uma capital moderna. Como sede dos poderes estaduais, concentrou a administração pública, o comércio e os serviços de Chiapas, e sua população cresceu rapidamente, principalmente na segunda metade do século, com a chegada de moradores de outras partes do estado em busca de trabalho e oportunidades.
A construção de infraestrutura — estradas, o aeroporto, hospitais, universidades — consolidou Tuxtla como o principal centro urbano de Chiapas e a porta de entrada do estado. Uma figura-chave desse período foi o naturalista Miguel Álvarez del Toro, diretor do zoológico durante décadas, que impulsionou a criação do atual ZooMAT, especializado na fauna chiapaneca, e se tornou uma referência nacional em conservação; hoje o zoológico leva seu nome em sua homenagem.
Diferente de San Cristóbal, que preservou sua fisionomia colonial e se voltou para o turismo cultural, Tuxtla se desenvolveu como uma cidade moderna, funcional e comercial, com menos patrimônio histórico, mas com um papel central na economia e na política do estado. A marimba, declarada símbolo musical de Chiapas, se firmou como parte de sua identidade, e o Parque de la Marimba é um de seus espaços mais queridos.
Hoje, Tuxtla Gutiérrez é uma cidade com mais de meio milhão de habitantes (perto de um milhão com a região metropolitana, que inclui Chiapa de Corzo), capital política e econômica de Chiapas e o principal entroncamento de transportes do estado. O Aeroporto Internacional Ángel Albino Corzo faz dela a porta de entrada aérea para a maioria dos viajantes que chegam a Chiapas.
De Tuxtla se organiza a visita à grande maravilha natural da região, o Cânion do Sumidero, percorrido de lancha a partir da vizinha Chiapa de Corzo, e se chega por estrada a San Cristóbal de las Casas, a pouco mais de uma hora, além de outros destinos do estado. Essa posição estratégica define o papel de Tuxtla no turismo: mais do que um destino final, costuma ser base e ponto de partida.
Mesmo assim, a cidade tem atrações que justificam uma parada: o reconhecido ZooMAT, o clima noturno e musical do Parque de la Marimba, os mirantes do cânion e uma cozinha chiapaneca saborosa, além do excelente café e cacau do estado. Para quem quer entender Chiapas — sua diversidade de povos, sua natureza e sua cultura —, Tuxtla é o primeiro capítulo e o centro a partir do qual se desdobra o resto do estado.