Victoria de Durango — conhecida simplesmente como Durango — é uma cidade de cantaria, serra e lenda. Capital do estado de mesmo nome, ela se espalha por um vale do norte do México ao pé da Sierra Madre Occidental, com um centro histórico colonial de igrejas barrocas, praças e casarões que contam seu passado de mineração e pecuária. É uma cidade tranquila e elegante, de clima temperado e céu amplo, onde se respira história a cada passo.
Mas Durango tem uma identidade muito particular que a diferencia das demais: durante décadas, foi a grande capital do cinema western. Suas paisagens áridas, seus morros e sua luz especial atraíram Hollywood e o cinema mexicano, que filmaram aqui centenas de filmes de faroeste com estrelas como John Wayne. Nos arredores sobrevivem sets de filmagem transformados em parques temáticos, onde ainda dá para caminhar pelas ruas poeirentas de uma cidadezinha do Velho Oeste. E é, além disso, a terra de Pancho Villa, o lendário revolucionário nascido no estado.
Este guia mostra o essencial de Durango com um olhar prático: o que ver no centro histórico de cantaria, como seguir os rastros do cinema western nos sets dos arredores, onde pegar o teleférico para ver a cidade do alto e como se aventurar pela serra e pela espetacular estrada do Espinazo del Diablo, uma das mais impressionantes do país, rumo a Mazatlán e ao Pacífico.
A região era habitada por povos do norte, como os tepehuanes e outros grupos. A cidade foi fundada em 8 de julho de 1563 pelo conquistador basco Francisco de Ibarra, com o nome de Villa de Durango (em homenagem à localidade basca de Durango, na Espanha), como sede da então província de Nova Biscaia, o enorme território do norte da Nova Espanha. Durante o período colonial, cresceu ligada à mineração (especialmente de prata e ao célebre Cerro del Mercado, uma jazida de ferro) e à pecuária, e foram erguidas sua catedral e suas igrejas barrocas. Foi também sede episcopal de um vasto bispado. Após a independência, Durango se tornou estado e capital. O estado foi o berço de Pancho Villa (Doroteo Arango), uma das grandes figuras da Revolução Mexicana, e participou desse movimento. No século XX, Durango ganhou fama mundial como cenário do cinema western: a partir dos anos 1950 e durante décadas, suas paisagens áridas e sua luz atraíram produções de Hollywood e do cinema mexicano, que filmaram centenas de filmes de faroeste em sets construídos nos arredores. A cidade se consolidou como centro administrativo, pecuário, minerador e madeireiro do norte. Hoje, seu centro histórico é Patrimônio reconhecido e combina seu legado colonial, revolucionário e cinematográfico. A história completa está na nossa página de história.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Na borda da cidade ergue-se um morro que não é um morro qualquer: é uma montanha de ferro. O Cerro del Mercado, uma massa de minério de ferro tão pura e colossal que está entre as maiores jazidas do seu tipo no mundo, foi durante séculos uma promessa de riqueza que atraiu colonizadores, alimentou a siderurgia mexicana e, segundo a lenda local, fez mais de um conquistador acreditar que tinha encontrado uma montanha de prata. Essa geologia prodigiosa explica boa parte do porquê de Durango existir onde existe. Mas muito antes de o primeiro espanhol chegar para olhar esse morro com cobiça, o vale já tinha donos.
Antes da chegada dos espanhóis, o vale onde hoje fica Durango e a região ao redor eram habitados por diversos povos do norte do México, entre eles os tepehuanes, além de outros grupos da área. Eram sociedades adaptadas a um ambiente semiárido, entre o vale e os contrafortes da Sierra Madre Occidental, que viviam da agricultura, da caça e da coleta.
A grande exploração industrial do Cerro del Mercado só viria muito mais tarde, já nos séculos XIX e XX, mas desde cedo a sua presença ancorou a região numa vocação mineradora — ferro, mas também a prata que abundava em toda a Nova Biscaia — que definiria a sua economia durante séculos.
A relação entre os povos originários e os colonizadores foi, como em boa parte do norte, conflituosa e prolongada, com resistências e rebeliões ao longo de todo o período colonial. A região foi integrada à enorme e agreste província da Nova Biscaia, uma fronteira de minas, fazendas de gado e missões em permanente tensão com os povos nômades e seminômades do norte.
A cidade foi fundada em 8 de julho de 1563 pelo conquistador basco Francisco de Ibarra, uma das grandes figuras da expansão espanhola rumo ao norte da Nova Espanha. Ibarra, que explorou e colonizou vastos territórios do norte em busca de minas, estabeleceu aqui a Villa de Durango, batizada assim em lembrança da localidade de Durango, no País Basco, sua terra natal.
A nova vila foi concebida como sede da Nova Biscaia, o enorme território que abrangia boa parte do atual centro-norte do México (os atuais Durango, Chihuahua e áreas vizinhas). Sua localização, num vale fértil, bem conectado e perto de recursos minerais, fez com que crescesse como centro administrativo, comercial e religioso da região. Com o tempo, tornou-se sede de um vasto bispado, o que reforçou sua importância.
Durante o período colonial, Durango se desenvolveu no ritmo da mineração de prata e da pecuária, e foram erguidos seus principais edifícios religiosos e civis, entre eles a catedral. Sua condição de capital da Nova Biscaia a manteve como um dos centros mais importantes do norte da Nova Espanha durante séculos, numa região de fronteira marcada pelos conflitos com os povos indígenas.
Durante os séculos coloniais, Durango se consolidou como o grande centro do centro-norte da Nova Espanha. Sua economia se sustentou na mineração — em especial a prata dos distritos próximos — e na pecuária extensiva, favorecida pelos amplos vales da região. As fazendas de gado e agrícolas, algumas enormes, marcaram a paisagem social e econômica e lançaram as bases da tradição pecuária e vaqueira que caracteriza o estado.
Como capital da Nova Biscaia e sede de um extenso bispado que abrangia um território imenso, Durango foi também um importante centro religioso e administrativo. A essa condição se deve a construção da sua catedral — erguida ao longo dos séculos XVII e XVIII, depois de incêndios e reconstruções — e de inúmeros templos e conventos que ainda hoje marcam o seu centro histórico. A cidade se encheu de casarões de cantaria das famílias mineradoras e pecuaristas mais prósperas.
A vida nessa fronteira do norte não foi isenta de dificuldades: os conflitos com os povos nômades, as distâncias enormes e a dureza do clima semiárido condicionaram o desenvolvimento. Mesmo assim, Durango manteve seu papel central no norte durante todo o período colonial, forjando uma identidade de cidade senhorial, católica, mineradora e pecuarista que perduraria depois da independência.
Depois da consumação da independência do México em 1821, a antiga província da Nova Biscaia foi dividida e Durango se constituiu como estado da federação mexicana, com a cidade de Durango como capital. Mais tarde, a cidade receberia o nome completo de Victoria de Durango, em homenagem a Guadalupe Victoria, primeiro presidente do México, natural do próprio estado.
O século XIX foi, como em boa parte do país, um período de instabilidade política, com as lutas entre liberais e conservadores e os efeitos das diferentes guerras nacionais. A região manteve seu caráter mineiro e pecuarista e continuou sendo uma fronteira marcada pelos conflitos com os povos indígenas do norte.
O estado de Durango contribui para a história nacional com uma de suas figuras mais lendárias: Francisco 'Pancho' Villa (Doroteo Arango), nascido no estado e transformado num dos grandes líderes da Revolução Mexicana iniciada em 1910. Embora seu grande palco de operações tenha sido Chihuahua, sua origem duranguense é motivo de orgulho regional, e a cidade conserva um Museo Francisco Villa dedicado à sua figura e à Revolução. A região viveu, como todo o norte, os anos convulsionados do movimento revolucionário.
O capítulo mais singular da história moderna de Durango começou em meados do século XX, quando a cidade e seus arredores se tornaram um dos grandes cenários mundiais do cinema de faroeste. A partir da década de 1950, produtoras de Hollywood e do cinema mexicano descobriram que as paisagens áridas, os morros, os céus amplos e a luz especial da região eram ideais para recriar o Velho Oeste americano, com a vantagem de custos mais baixos.
Durante décadas foram filmados em Durango centenas de filmes de faroeste, muitos com grandes estrelas internacionais, entre elas John Wayne, um dos ícones do gênero, que rodou vários filmes na região. Para as filmagens foram construídos sets que recriavam cidadezinhas do Oeste, com suas ruas empoeiradas, saloons, bancos e igrejas. Alguns desses sets, como Villa del Oeste e Chupaderos, sobrevivem hoje transformados em parques temáticos e atrações turísticas.
Essa intensa atividade cinematográfica deu a Durango o apelido de 'terra do cinema' e virou uma marca de identidade da cidade. Embora a era de ouro do faroeste tenha ficado para trás, o legado continua vivo nos sets abertos à visitação, no Museo de Cine do centro histórico e no orgulho local de ter sido cenário de tantos filmes. É um traço que faz de Durango um destino diferente de qualquer outra cidade colonial do norte.
Nas últimas décadas, Durango se consolidou como um centro administrativo, pecuarista, mineiro e florestal do norte do México, e como capital de um estado de grande extensão e diversidade geográfica, que vai dos vales semiáridos às altas serras cobertas de florestas. A cidade cuidou e restaurou seu centro histórico de cantaria, apostando no turismo cultural ligado ao seu patrimônio colonial, ao seu legado revolucionário e, de forma muito característica, à sua história com o cinema.
Um marco recente que transformou a conexão de Durango com o resto do país foi a modernização da rota rumo ao Pacífico. A histórica e temida estrada do Espinazo del Diablo, que cruzava a Sierra Madre Occidental em direção a Mazatlán entre curvas e abismos, ganhou o complemento de uma rodovia moderna inaugurada na década de 2010, que inclui o impressionante Puente Baluarte, uma das pontes estaiadas mais altas do mundo. Essa obra reduziu drasticamente o tempo de viagem entre Durango e a costa do Pacífico.
Hoje, Durango combina sua identidade de cidade colonial senhorial com sua faceta de capital do cinema de faroeste e com seu papel de porta de entrada para paisagens serranas espetaculares, como o Cañón de Mexiquillo. Sua mistura de patrimônio histórico, natureza e legado cinematográfico faz dela um destino com personalidade própria dentro do norte do México.