O Cânion do Sumidero é uma das grandes maravilhas naturais do México e o símbolo do estado de Chiapas, tanto que aparece no seu brasão. É um desfiladeiro imponente, escavado ao longo de milhões de anos pelo rio Grijalva, com paredes verticais que em alguns trechos passam dos 1.000 metros de altura. Navegar por dentro dele, entre essas muralhas gigantescas que parecem se fechar sobre a água, é uma experiência impressionante e o passeio imperdível da região.
O passeio clássico é de lancha rápida a partir do embarcadouro de Chiapa de Corzo. Durante cerca de duas horas, o barco entra no cânion e mostra seus cantos mais famosos, como a cachoeira da 'Árvore de Natal' (uma parede coberta de musgo e formações por onde a água escorre, com formato de árvore), a 'Caverna das Cores', a 'Caverna do Silêncio' e a imagem da Virgem de Guadalupe esculpida na rocha. Nas águas e nas margens dá para ver crocodilos de rio tomando sol, garças, macacos-aranha, pelicanos e, com sorte, outras aves e mamíferos.
A outra forma de curtir o cânion é lá de cima: uma estrada que sai de Tuxtla passa por uma série de mirantes (Los Chiapa, La Ceiba, La Coyota, El Roblar, El Tepehuaje) debruçados sobre a beira do precipício, com vistas de dar vertigem do rio lá embaixo. Este guia mostra como organizar a visita, as tarifas oficiais da lancha e do parque nacional, a melhor época e as dicas para aproveitar ao máximo esse cenário natural único, que faz parte de um parque nacional protegido.
O Cânion do Sumidero se formou ao longo de milhões de anos pela erosão do rio Grijalva sobre as rochas calcárias da serra, abrindo um desfiladeiro de paredes verticais com mais de 1.000 metros. Ele também carrega um peso histórico: segundo a tradição, no século XVI um grupo de indígenas chiapanecas teria preferido se atirar no cânion a se render aos conquistadores espanhóis. Em 1980 foi declarado Parque Nacional. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The southeasternmost province, of jungle, mountains and living Maya cultures: land of Palenque and Pakal the Great, of colonial San Cristóbal, of the Sumidero Canyon and of the 1994 Zapatista uprising.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Conta a tradição que, por volta de 1528, um grupo de guerreiros chiapanecas encurralados pelos conquistadores espanhóis tomou uma decisão terrível: em vez de se render e viver subjugados, eles se atiraram com suas famílias no vazio, do alto destas paredes de mais de mil metros. Verídico ou lendário, esse salto transformou o Cânion do Sumidero em um símbolo de resistência tão poderoso que hoje aparece no brasão do estado de Chiapas. Mas o desfiladeiro que foi palco daquele drama é, em si mesmo, muito mais antigo que qualquer história humana: é uma obra da água e do tempo, esculpida ao longo de milhões de anos.
O Cânion do Sumidero se formou ao longo de milhões de anos pela ação erosiva do rio Grijalva, que foi cortando lentamente as rochas calcárias da serra de Chiapas até abrir um desfiladeiro profundíssimo. O resultado é um cânion de paredes praticamente verticais que em alguns trechos passam de 1.000 metros de altura, um dos desfiladeiros mais espetaculares do México.
A rocha predominante é o calcário, formado por sedimentos depositados quando a região estava coberta pelo mar, há dezenas de milhões de anos. Com o soerguimento da serra e o encaixe do rio, a água aproveitou as fraturas e a solubilidade do calcário para escavar o cânion, num processo geológico comparável ao de outros grandes desfiladeiros do mundo. A mesma natureza calcária explica a presença de cavernas e formações minerais, como a cachoeira da 'Árvore de Natal', onde o escoamento de água carregada de minerais gerou depósitos na parede.
O rio Grijalva, que dá vida ao cânion, é um dos mais caudalosos do México e nasce na Guatemala. Rio abaixo do Sumidero, sua vazão é regulada pela represa de Chicoasén (Manuel Moreno Torres), uma das mais importantes do país, cujo reservatório faz parte do passeio de lancha e mantém o nível da água que permite a navegação.
A região do cânion e do vale do Grijalva foi habitada desde tempos muito antigos por diversos povos. Entre os mais importantes estavam os chiapanecas (ou chiapanecos), um povo guerreiro que dominava boa parte da região na chegada dos espanhóis e que deu nome à região e, com o tempo, ao estado de Chiapas. Seu principal assentamento ficava nas proximidades da atual Chiapa de Corzo, à beira do rio.
Os chiapanecas eram conhecidos pela ferocidade e pela resistência, e viviam em conflito com outros povos vizinhos. O rio Grijalva e o cânion faziam parte do seu território e do seu universo simbólico. Essa presença indígena é fundamental para entender a história posterior do cânion, ligada à conquista espanhola.
A região também conserva vestígios arqueológicos: na área de Chiapa de Corzo foram encontrados importantes restos de ocupação pré-hispânica muito antiga, que mostram a longa continuidade do povoamento humano no vale, muito antes da fundação das cidades coloniais.
Ao lado do cais de onde hoje saem as lanchas, Chiapa de Corzo esconde um dos sítios arqueológicos mais antigos e importantes do sul da Mesoamérica, com ocupação humana contínua que remonta a mais de dois mil e quinhentos anos, muito antes do auge maia. Esse assentamento, situado num ponto estratégico do vale do Grijalva, foi um centro das culturas do Pré-Clássico (ou Formativo) que floresceram na região, em contato com o mundo olmeca e com os povos zoques e maias.
Sua descoberta mais famosa é a Estela 2 de Chiapa de Corzo, um fragmento de laje de pedra calcária que conserva uma inscrição calendárica no sistema da 'conta longa' mesoamericana. A data gravada corresponde, segundo a reconstrução dos especialistas, a 8 de dezembro do ano 36 a.C.: é a data em conta longa mais antiga conhecida de toda a Mesoamérica, anterior até à famosa Estela C de Tres Zapotes, em Veracruz. Que o registro calendárico mais antigo do continente venha deste cantinho de Chiapas diz muito sobre a sofisticação dos povos que habitaram o vale do Grijalva.
A peça está hoje no Museo Regional de Chiapas, em Tuxtla Gutiérrez. Sua existência lembra que o cânion e seu entorno não são só um espetáculo natural, mas também um território com uma memória humana profundíssima, onde se mediu o tempo e se ergueram cidades séculos antes da chegada dos espanhóis.
O episódio histórico mais famoso ligado ao Cânion do Sumidero aconteceu durante a conquista espanhola de Chiapas, no século XVI. Segundo a tradição, por volta de 1528, durante os confrontos entre os conquistadores — liderados por capitães como Diego de Mazariegos — e os povos indígenas da região, um grupo de chiapanecas, em vez de se render e se submeter ao domínio espanhol, teria preferido se atirar no vazio do alto do cânion, junto com suas famílias.
Esse relato do 'salto no Sumidero', transmitido por séculos, virou um símbolo da resistência e da dignidade dos povos originários de Chiapas diante da conquista. A imagem dos guerreiros preferindo a morte à submissão ficou gravada na memória coletiva e na identidade chiapaneca, e costuma ser contada pelos barqueiros durante a navegação.
Os historiadores debatem a exatidão e a dimensão do episódio: alguns o consideram um fato histórico, outros uma construção posterior com valor mais simbólico que documental, e discutem números e circunstâncias. Para além da precisão dos detalhes, a lenda do salto no cânion é parte inseparável do significado cultural do Sumidero e da história da conquista de Chiapas.
Por seu valor natural excepcional, o Cânion do Sumidero foi declarado Parque Nacional em 8 de dezembro de 1980, durante o governo de José López Portillo. A declaração buscou proteger não só o cânion em si, mas todo o ecossistema: as paredes calcárias, a mata baixa, a fauna — com seus crocodilos de rio, macacos-aranha, garças e inúmeras aves — e a bacia do rio Grijalva nesse trecho.
A administração do parque está a cargo da Comissão Nacional de Áreas Naturais Protegidas (CONANP). Entre seus desafios estão a conservação da biodiversidade, a gestão do turismo — que é intenso, sobretudo na navegação — e problemas ambientais como o acúmulo de lixo que o rio Grijalva arrasta de rio acima, especialmente na temporada de chuvas, e que as autoridades tentam controlar com mutirões de limpeza.
O Cânion do Sumidero é hoje um dos grandes símbolos de Chiapas: sua silhueta aparece no brasão do estado, como homenagem à lenda da resistência chiapaneca e à grandiosidade de sua paisagem. É um dos destinos naturais mais visitados do sul do México e a principal atração da região de Tuxtla e Chiapa de Corzo, onde o espetáculo geológico, a riqueza biológica e a memória histórica se combinam num mesmo cenário.