Turku é a cidade mais antiga da Finlândia e, durante séculos, foi sua capital: aqui ficava o centro religioso, político e cultural do país quando a Finlândia fazia parte do reino da Suécia. Essa história se sente nos seus dois grandes monumentos medievais, o castelo de Turku, junto ao porto, e a imponente catedral, coração espiritual da nação, ambos erguidos no século XIII. Passear por Turku é mergulhar nas próprias origens da Finlândia.
Mas Turku não é só passado. É uma cidade universitária, jovem e criativa, cortada pelo rio Aura, cujas margens são a grande sala ao ar livre da cidade: calçadões, terraços, barcos-restaurante atracados, museus e vida noturna. Foi Capital Europeia da Cultura em 2011 e mantém uma cena artística e gastronômica vibrante, com mercados, cervejarias e uma relação estreita com o mar e o arquipélago.
Porta de entrada para o maior arquipélago da Europa — milhares de ilhas espalhadas em direção a Åland e à Suécia — e para a litorânea Naantali, com seu Mundo Moomin, Turku combina história medieval, clima estudantil e natureza báltica. Este guia percorre o essencial da antiga capital finlandesa: o que ver, como chegar e se locomover com a Föli, quanto custa e como aproveitar a cidade em qualquer estação.
Turku é a cidade mais antiga da Finlândia: desenvolveu-se no século XIII em torno de um porto e da sede episcopal, e sua catedral, consagrada em 1300, tornou-se o coração religioso do país. Durante os séculos de domínio sueco, foi a capital de fato da Finlândia e seu principal centro: aqui foi fundada, em 1640, a primeira universidade do país, a Real Academia de Åbo. Tudo mudou depois da anexação russa: em 1812 a capital foi transferida para Helsinque, e em 1827 um incêndio devastador — o maior da história nórdica — destruiu quase toda a cidade, que foi reconstruída com um novo traçado. Turku manteve seu castelo, sua catedral e seu papel de grande cidade do sudoeste. A história completa está na nossa página de história.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Turku é, literalmente, a cidade onde começa a história urbana da Finlândia. O próprio nome já diz: 'Turku' vem de uma antiga palavra de origem eslava que significa 'mercado' ou 'praça de comércio', enquanto o nome sueco, Åbo, faz referência ao povoado junto ao rio ('å' é rio, 'bo' é morada). Num vau do rio Aura, perto do mar, existia desde tempos antigos um ponto de trocas, e ali, no século XIII, surgiu a primeira cidade de verdade do país.
O impulso decisivo veio da Igreja e da coroa sueca. Depois das cruzadas suecas que incorporaram a Finlândia ao reino da Suécia e ao cristianismo ocidental, foi criada uma sede episcopal para a nova província. A catedral de Turku, coração desse bispado, foi consagrada em 1300 e se tornou o templo mais importante da Finlândia, símbolo da cristandade no país. Ao redor dela cresceu a cidade, com sua praça, seu mercado e suas casas de madeira.
Quase ao mesmo tempo, por volta de 1280, os suecos começaram a erguer na foz do rio o castelo de Turku, uma fortaleza para controlar militarmente a região e o acesso ao mar Báltico. Com a catedral como centro religioso e o castelo como centro do poder, Turku se consolidou como a capital de fato da Finlândia dentro do reino da Suécia: aqui moravam o bispo e, muitas vezes, o governador ou o duque que administrava o território em nome do rei.
Durante os séculos de domínio sueco, Turku foi a cidade mais importante da Finlândia e sua capital em tudo, menos no nome. Era o maior núcleo populacional, o centro administrativo, comercial e religioso, e o principal ponto de contato com Estocolmo, a capital do reino, do outro lado do mar. O castelo de Turku foi palco da vida política e da corte: no século XVI, o duque João (o futuro rei João III da Suécia) e sua esposa polonesa, Catarina Jagelão, mantiveram ali uma corte renascentista de certo esplendor, até que as disputas dinásticas os levaram à prisão.
A Reforma protestante chegou a Turku no século XVI e teve um protagonista finlandês de enorme importância: Mikael Agricola, bispo de Turku, considerado o pai da língua finlandesa escrita. Agricola traduziu o Novo Testamento para o finlandês e publicou os primeiros livros nesse idioma, lançando as bases do finlandês literário. A catedral de Turku passou a ser luterana e continuou sendo o coração espiritual do país.
O grande salto cultural veio em 1640, quando foi fundada em Turku a Real Academia de Åbo, a primeira universidade da Finlândia, por iniciativa da rainha Cristina da Suécia e do governador Per Brahe. A universidade transformou Turku no centro intelectual do país e formou as elites finlandesas por quase dois séculos. A cidade, com sua catedral, seu castelo e sua academia, era o coração indiscutível da Finlândia.
O destino de Turku deu uma reviravolta no início do século XIX. Em 1809, depois da Guerra da Finlândia, a Suécia cedeu a Finlândia à Rússia, e o país virou o Grão-Ducado da Finlândia, sob o czar. No começo, Turku continuou sendo a capital e a sede das instituições. Mas sua posição, no extremo sudoeste e de frente para a Suécia, era incômoda para os novos governantes russos: ficava longe demais de São Petersburgo, a capital imperial.
Em 1812, o czar Alexandre I decidiu transferir a capital da Finlândia para Helsinque, muito mais próxima da Rússia e protegida pela fortaleza de Sveaborg. Foi um golpe duríssimo para Turku, que perdia seu papel histórico de centro do país. A sangria se completou poucos anos depois: em 1827, após o grande incêndio, a universidade também foi transferida para Helsinque, deixando a antiga capital sem sua grande instituição cultural.
Em apenas duas décadas, Turku deixou de ser a capital da Finlândia e virou uma grande cidade do interior. Mesmo assim, não perdeu sua importância: continuou sendo o principal núcleo do sudoeste, um porto movimentado com ligação à Suécia e um centro comercial e industrial. E manteve o que a tornava única: seu castelo, sua catedral e seu papel de cidade mais antiga do país, o berço da história finlandesa.
Em 4 de setembro de 1827, Turku viveu a maior catástrofe de sua história e um dos piores incêndios urbanos de toda a história dos países nórdicos. O fogo, atiçado pelo vento e pela grande quantidade de casas de madeira coladas umas às outras, se espalhou com uma rapidez devastadora e destruiu a maior parte da cidade em poucas horas. Estima-se que cerca de três quartos de Turku tenham queimado, e milhares de pessoas ficaram desabrigadas. A própria catedral foi gravemente danificada, embora sua estrutura de pedra tenha resistido.
O incêndio marcou um antes e um depois. Na reconstrução, foi aplicado um novo plano urbano, desenhado pelo arquiteto Carl Ludvig Engel — o mesmo que havia projetado o centro monumental de Helsinque —, com ruas largas e retas, praças e bulevares arborizados pensados para frear a propagação do fogo no futuro. A Turku que vemos hoje, com seu traçado organizado, nasceu em grande parte dessa reconstrução posterior a 1827.
Um único bairro escapou das chamas: Luostarinmäki, um conjunto de casas de madeira de artesãos numa colina, que ficou milagrosamente intacto. Hoje é um museu a céu aberto e o único testemunho preservado de como era a cidade de madeira antes do incêndio, uma janela única para a velha Åbo. A reconstrução, junto com a perda do status de capital e da universidade, encerrou a fase de Turku como coração da Finlândia e abriu a de grande cidade regional.
Ao longo dos séculos XIX e XX, Turku se reinventou como uma cidade industrial e portuária de primeira linha. Seu porto, voltado para a Suécia e o Báltico, fez dela um centro-chave da construção naval finlandesa: os estaleiros de Turku ficaram famosos por construir alguns dos maiores navios de cruzeiro do mundo, uma indústria que continua ativa até hoje. A cidade também recuperou seu papel universitário: no século XX foram fundadas novas universidades (a Universidade de Turku, em finlandês, e a Åbo Akademi, em sueco), que a trouxeram de volta à linha de frente acadêmica do país e lhe deram seu característico clima jovem e estudantil.
Turku sofreu, como toda a Finlândia, as guerras contra a União Soviética. Em 1941, durante a Guerra da Continuação, a cidade e seu castelo foram atingidos por bombardeios aéreos soviéticos; o castelo ficou danificado, mas foi restaurado com cuidado nas décadas seguintes. Passada a guerra, Turku cresceu e se modernizou, mantendo seu vínculo com o mar e com o vasto arquipélago do sudoeste, o maior da Europa, que se tornou uma de suas grandes atrações turísticas e o cenário do verão finlandês.
Nas últimas décadas, Turku reforçou seu perfil cultural: foi Capital Europeia da Cultura em 2011, tem uma cena musical e gastronômica reconhecida e revitalizou as margens do rio Aura como seu grande espaço público, com museus, bares com mesas ao ar livre e os típicos barcos-restaurante. A cidade mantém com orgulho duas tradições que a ligam a toda a Finlândia: ser a cidade mais antiga do país e proclamar todo 24 de dezembro, desde a época medieval, a 'Paz de Natal', uma cerimônia transmitida para toda a nação. A antiga capital continua sendo, de certa forma, o coração histórico da Finlândia.