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Copenhague
🇩🇰 Dinamarca · Zelândia e o leste

Copenhague

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📍Região
Copenhague (København) é a capital da Dinamarca e sua maior cidade, situada na costa leste da ilha da Zelândia (Sjælland), de frente para o estreito de Øresund, que a separa da Suécia. Com pouco mais de 650.000 habitantes no município e cerca de dois milhões na região metropolitana, é o coração político, econômico e cultural do país e uma das capitais com melhor qualidade de vida do mundo. Está ligada à cidade sueca de Malmö pela famosa ponte de Øresund
📌Melhor época
O verão (junho a agosto) é a alta temporada: dias longuíssimos, com luz até quase meia-noite, temperaturas agradáveis (18-23 °C), terraços lotados, banhos no porto e tudo aberto. É a época mais bonita, mas também a mais cara e cheia. Maio, início de junho e setembro são ideais: clima bom e menos gente. O inverno (dezembro a fevereiro) é frio, cinzento e escuro, mas mágico no Natal, com as feirinhas e o Tivoli iluminado. O clima muda o ano todo: leve sempre uma jaqueta impermeável
📌Dias sugeridos
Com 2 dias você cobre o essencial: Nyhavn, os jardins do Tivoli, a Pequena Sereia, o palácio de Amalienborg, a torre Rundetårn e um passeio de barco pelos canais. Com 3 a 4 dias, dá para acrescentar Christiania, o bairro de Nørrebro, o castelo de Rosenborg e suas joias da coroa, algum museu (Ny Carlsberg Glyptotek, Museu Nacional) e um bate-volta a Roskilde ou ao castelo de Kronborg. É também a melhor base para explorar a Zelândia
📌Como chegar
O Aeroporto de Copenhague-Kastrup (CPH) é o maior hub da Escandinávia, a apenas 8 km do centro. Do aeroporto ao centro você chega em 13-15 minutos de trem da DSB ou de Metrô (linha M2) por 30 DKK (cerca de €4, 3 zonas). De trem, Copenhague se conecta com toda a Dinamarca pela DSB (InterCity, Lyntog) e com a Suécia (Malmö em 35 min, atravessando a ponte de Øresund). Também chegam trens da Alemanha e ferries internacionais
📌Como se locomover
Copenhague tem um dos melhores transportes públicos da Europa, todo integrado por zonas: Metrô automático 24 h (M1, M2, M3 Cityringen circular e M4), trens urbanos S-tog, ônibus e até ônibus aquáticos (havnebus) pelo porto. Uma passagem de 2 zonas custa 24 DKK (cerca de €3,2). Dá para pagar com o cartão Rejsekort ou, cada vez mais, com os apps Rejsebillet e Rejseplanen (o planejador de viagens nacional). Mas a rainha absoluta é a bicicleta: a cidade é plana, tem mais de 400 km de ciclovias e sistemas de aluguel por toda parte
🗣️Idioma e moeda
O idioma é o dinamarquês, mas o inglês é falado com altíssimo nível em todo lugar. A moeda é a coroa dinamarquesa (DKK, kr), NÃO o euro: 1 euro equivale a cerca de 7,45 coroas (câmbio verificado em julho de 2026). Paga-se com cartão ou celular praticamente em tudo, até nas menores coisas; o dinheiro vivo quase não é usado. É um destino caro, um dos mais caros da Europa
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🌤️ Weather in Copenhague
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Copenhague é uma daquelas capitais que encantam à primeira vista e ficam ainda melhores a cada dia que você passa nela. É a cidade do design escandinavo, das bicicletas que mandam mais que os carros, do hygge (aquela arte dinamarquesa da vida aconchegante) e de uma cena gastronômica que revolucionou a cozinha mundial a partir do restaurante Noma. Encaixada entre canais, portos e parques, é ao mesmo tempo elegante e descontraída, monárquica e contracultural, organizada e cheia de vida. Passear pelo cais de Nyhavn, com suas casinhas coloridas refletidas na água e seus veleiros atracados, é um dos cartões-postais mais felizes da Europa.

Mas Copenhague é muito mais que seu cartão-postal. É a capital de um país pequeno que já foi uma grande potência viking e colonial, sede da monarquia mais antiga da Europa, berço de Hans Christian Andersen e da filosofia de Kierkegaard. É uma cidade que se reinventou como referência mundial em sustentabilidade, com a meta de ser neutra em carbono, canais tão limpos que dá para nadar em pleno centro e bairros como Christiania, a comuna livre que desafia todas as regras. Tudo convive a poucos quarteirões de distância: o palácio real e a comuna hippie, o parque de diversões mais antigo do mundo e a vanguarda arquitetônica.

Este guia percorre o essencial de Copenhague com um olhar prático e caloroso: o que ver, como se locomover no seu transporte público impecável ou sobre duas rodas como um morador, como aproveitar o porto e os canais, onde dormir e comer sem falir (o que na Dinamarca é um verdadeiro desafio) e como usá-la de base para conhecer a Zelândia. Copenhague é o melhor ponto de partida para se apaixonar pela Dinamarca: uma capital em escala humana, verde, culta e feliz, que costuma aparecer entre as melhores cidades do mundo para se viver.

📖 História de Copenhague

Copenhague nasceu por volta dos séculos XI-XII como uma modesta vila de pescadores chamada Havn ('porto'), que o bispo Absalão fortificou em 1167 —data considerada a fundação da cidade— erguendo um castelo na ilhota de Slotsholmen para proteger a entrada do Báltico. Daí vem seu nome, København ('porto dos mercadores'). Cresceu como praça comercial estratégica diante da poderosa Liga Hanseática e, em 1443, tornou-se capital do reino da Dinamarca. Sua época de ouro chegou sob o rei Christian IV (1588-1648), grande construtor que lhe deu muitos de seus edifícios mais emblemáticos, como a Bolsa (Børsen), a torre Rundetårn e o bairro de Nyboder. A cidade sofreu pestes, incêndios devastadores (1728 e 1795) e dois bombardeios britânicos brutais durante as guerras napoleônicas (1801 e 1807), este último com o roubo de toda a frota dinamarquesa. No século XIX, já sem as muralhas, floresceu a 'Era de Ouro' cultural dinamarquesa, com Hans Christian Andersen e Søren Kierkegaard. Ocupada pela Alemanha nazista entre 1940 e 1945, Copenhague é célebre pelo resgate de quase todos os seus judeus, evacuados em barcos para a Suécia neutra em 1943. No pós-guerra, transformou-se na moderna capital do Estado de bem-estar escandinavo e, nas últimas décadas, reinventou-se como capital verde e do design. A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Copenhague fica em Zealand and the east

The island of Zealand and the eastern islands hold a thousand years of Danish power: the capital, Copenhagen, the old Viking capital of Roskilde with its royal pantheon, the castles of Kronborg and Frederiksborg and the chalk cliffs of Møn.

Ler a história de Zealand and the east →

🗺️ O que ver

Passeios que dá para reservar

Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.

1
Nyhavn
O canal mais fotografado da Dinamarca: casinhas coloridas do século XVII, veleiros de madeira e terraços à beira d'água.
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Nyhavn ('porto novo') é o cartão-postal por excelência de Copenhague e provavelmente a imagem que você tem na cabeça quando pensa na cidade. É um canal curto, escavado no século XVII (entre 1670 e 1673) por ordem do rei Christian V para que os navios mercantes chegassem até o coração da cidade, ladeado por uma fileira de casas estreitas e coloridas —vermelhas, amarelas, azuis, ocres— dos séculos XVII e XVIII. Antigamente foi um bairro de marinheiros, tavernas e bordéis de má fama; hoje é uma das áreas mais animadas e turísticas, cheia de restaurantes, bares e terraços. O lado norte, o ensolarado, concentra as fachadas mais bonitas e os terraços. No número 20 morou Hans Christian Andersen, o famoso autor de contos, que também viveu nos números 18 e 67 em diferentes épocas. Na água ficam atracados veleiros históricos de madeira e barcos-museu, que dão aquele ar de porto de outros tempos. De Nyhavn saem, além disso, a maioria dos passeios de barco pelos canais, uma das melhores maneiras de conhecer a cidade. O programa clássico é caminhar ao longo do canal, tirar a foto obrigatória, sentar para tomar algo num terraço (embora os preços sejam de área turística) ou comprar uma cerveja num quiosque e sentar na beira do cais com os pés pendurados, como fazem os moradores no verão. Ao entardecer e nas noites de verão, o clima é imbatível. Como chegar: em pleno centro, a poucos minutos a pé de Kongens Nytorv (com estação de metrô M1/M2/M3/M4). Melhor época: verão, pelo clima, mas é lindo o ano todo, inclusive iluminado no Natal. Dicas: comer ou beber nos terraços de Nyhavn é caro; para economizar, compre num supermercado próximo e sente no cais. Passear é de graça.
ℹ️ Distância: Centro, ao lado de Kongens Nytorv; a pé de qualquer ponto do centro histórico · Melhor época: O ano todo; verão pelos terraços, Natal pelas luzes · Entrada: Grátis (passear); daqui saem os passeios de barco pelos canais · Duração: 30 minutos a 1 hora (mais se você comer ou tomar algo)
2
Jardins do Tivoli
O segundo parque de diversões mais antigo do mundo (1843), em pleno centro, uma mistura de montanhas-russas, jardins e luzes de conto de fadas.
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Os Jardins do Tivoli são uma instituição dinamarquesa e um dos lugares mais queridos de Copenhague. Inaugurado em 1843, é o segundo parque de diversões mais antigo do mundo ainda em funcionamento e uma fonte de inspiração assumida de Walt Disney, que o visitou antes de criar a Disneyland. Mas chamá-lo simplesmente de 'parque de diversões' é pouco: o Tivoli é uma mistura mágica de montanhas-russas históricas, jardins impecáveis, lagos, teatros, salas de concerto, restaurantes e milhares de luzinhas que, ao anoitecer, o transformam numa paisagem de sonho. Fica bem no centro, ao lado da Estação Central, o que o torna único: você passa da cidade para esse mundo de fantasia atravessando um portão. Entre suas atrações há clássicos como a montanha-russa de madeira de 1914 (uma das mais antigas do mundo ainda em operação), a vertiginosa Vertigo ou a Golden Tower, ao lado de carrosséis centenários e brinquedos para os pequenos. Mas muita gente vai simplesmente para passear, jantar, ouvir um show ou curtir o ambiente. O Tivoli abre por temporadas: a de verão (primavera a setembro), a de Halloween e, sobretudo, a de Natal, quando se transforma numa das feiras natalinas mais bonitas da Europa. Às sextas-feiras de verão há shows gratuitos e, nos fins de semana, costuma haver fogos de artifício. Como chegar: ao lado da Estação Central (København H) e da estação de metrô/trem; impossível se perder. Melhor época: ao entardecer e à noite, quando as luzes se acendem; a temporada de Natal é especialmente mágica. Dicas: o ingresso dá acesso ao parque, mas as atrações são pagas à parte (com fichas ou pulseira ilimitada). Comprar online costuma sair mais barato.
ℹ️ Distância: Centro, ao lado da Estação Central (København H) · Melhor época: Temporadas de verão, Halloween e Natal; à noite, pelas luzes · Entrada: Entrada no parque aprox. DKK 165-185 (cerca de €22-25) conforme o dia; pulseira de atrações ilimitadas à parte, aprox. DKK 300 (~€40). Menores conforme a idade (2025-2026, tivoli.dk; verificado julho 2026) · Duração: Meio dia a um dia
3
A Pequena Sereia (Den Lille Havfrue)
A estátua mais famosa da Dinamarca, inspirada no conto de Andersen, sobre uma pedra no calçadão à beira-mar de Langelinie.
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A Pequena Sereia ('Den Lille Havfrue') é o símbolo mais internacional de Copenhague, embora muitos visitantes se surpreendam com o quanto ela é pequena: mede apenas 1,25 metro e pesa cerca de 175 quilos. A escultura de bronze, obra de Edvard Eriksen, foi inaugurada em 1913 e representa a protagonista do conto de Hans Christian Andersen 'A Pequena Sereia' (1837), a jovem sereia que renuncia à vida no mar por amor a um príncipe humano. Foi uma encomenda do magnata cervejeiro Carl Jacobsen, fundador da Carlsberg, fascinado por um balé baseado no conto. A estátua está sentada sobre uma pedra junto à água, no calçadão de Langelinie, olhando melancolicamente para o mar. Ao longo de sua história, foi vítima de inúmeros atos de vandalismo: já foi decapitada várias vezes, teve um braço cortado, foi pintada e até explodida, sempre sendo restaurada. É, sem dúvida, uma visita obrigatória, mas vale ir com as expectativas ajustadas: é uma escultura pequena e costuma estar cercada de turistas. O melhor é combinar a visita com um passeio pela região, que é linda: o parque de Langelinie, a cidadela em forma de estrela de Kastellet (uma fortaleza do século XVII perfeitamente conservada, com seu moinho e sua igreja) e a vizinha fonte de Gefion. Como chegar: no calçadão de Langelinie, ao norte do centro; dá para ir a pé de Nyhavn ou Amalienborg (cerca de 20-25 minutos de caminhada agradável), de ônibus ou de barco pelos canais. Melhor época: logo cedo pela manhã, para evitar multidões. Dicas: é grátis; combine com Kastellet e Amalienborg no mesmo passeio.
ℹ️ Distância: Calçadão de Langelinie, ao norte do centro; a pé de Nyhavn (20-25 min) ou de ônibus · Melhor época: Logo cedo pela manhã, com menos gente · Entrada: Grátis · Duração: 15 minutos (combinar com Kastellet e Amalienborg)
4
Palácio de Amalienborg e a troca da guarda
A residência oficial da família real dinamarquesa: quatro palácios rococó em torno de uma praça octogonal, com troca da guarda diária.
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Amalienborg é a residência de inverno da família real dinamarquesa e um dos conjuntos rococó mais elegantes da Europa. É formado por quatro palácios idênticos, construídos em meados do século XVIII para quatro famílias nobres, dispostos ao redor de uma praça octogonal em cujo centro se ergue uma imponente estátua equestre do rei Frederico V. Depois do incêndio do antigo palácio real (Christiansborg) em 1794, a família real comprou os quatro edifícios e se instalou ali. A Dinamarca tem a monarquia mais antiga da Europa, e em Amalienborg vive hoje o rei Frederico X, que subiu ao trono em janeiro de 2024 após a abdicação de sua mãe, a muito querida rainha Margarida II, que reinou por mais de meio século. Quando a bandeira tremula sobre um palácio, significa que o monarca está em casa. A grande atração para o visitante é a troca da guarda real ('Den Kongelige Livgarde'). Todos os dias ao meio-dia, os guardas, com seus uniformes azuis e seus altos chapéus de pele de urso, marcham do castelo de Rosenborg até Amalienborg para render os colegas; quando o rei está na cidade, a troca é acompanhada de banda de música. Um dos palácios abriga ainda um museu com os aposentos reais dos séculos XIX e XX. Como chegar: no bairro de Frederiksstaden, a poucos minutos a pé de Nyhavn. Logo atrás fica a imponente Igreja de Mármore (Marmorkirken), com a maior cúpula da Escandinávia. Melhor época: ao meio-dia, para ver a troca da guarda. Dicas: a praça é grátis; o museu cobra ingresso à parte (aprox. DKK 125, cerca de €17). Confira o horário exato da troca da guarda.
ℹ️ Distância: Bairro de Frederiksstaden; a pé de Nyhavn (10 min) · Melhor época: Ao meio-dia (12:00) para a troca da guarda · Entrada: Praça e troca da guarda Grátis; Museu de Amalienborg aprox. DKK 125 (~€17) adulto (2025-2026; verificado julho 2026) · Duração: 30 minutos a 1 hora
5
Torre Redonda (Rundetårn)
O observatório astronômico em funcionamento mais antigo da Europa (1642), com uma rampa em espiral no lugar de escadas e vista da cidade.
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A Rundetårn ('Torre Redonda') é um dos edifícios mais singulares e queridos de Copenhague, e uma de suas melhores vistas. Foi construída entre 1637 e 1642 por ordem do rei Christian IV como observatório astronômico, e é o observatório em funcionamento mais antigo da Europa. Com 34,8 metros de altura, faz parte de um conjunto com a igreja da Trindade (Trinitatis) que o rei concebeu como centro do saber, unindo astronomia, teologia e a biblioteca universitária. Sua característica mais impressionante é que não tem escadas: sobe-se por uma rampa helicoidal de pedra com 209 metros de comprimento que dá sete voltas e meia ao redor do núcleo oco da torre. Conta-se —embora seja em parte lenda— que em 1716 o czar Pedro, o Grande, da Rússia, subiu a cavalo e sua esposa, a czarina, de carruagem. A rampa permitia levar instrumentos astronômicos pesados até o topo. Lá no alto há uma plataforma de observação com um gradil de ferro do século XVII e uma vista panorâmica de 360 graus sobre os telhados do centro histórico de Copenhague, com suas torres e campanários verdes de cobre. O pequeno observatório também continua funcionando e, em certas datas, abre ao público para observar o céu. No meio do caminho, no antigo salão da biblioteca, acontecem exposições. Como chegar: em pleno centro, na rua Købmagergade, área de pedestres; a poucos minutos da Rundetårn há estação de metrô (Nørreport, o maior nó de transporte). Melhor época: qualquer dia com boa visibilidade; o entardecer é lindo. Dicas: a subida é acessível para quase todos por ser uma rampa; o ingresso fica em torno de DKK 40 (cerca de €5,4). Confira os horários do observatório.
ℹ️ Distância: Centro, rua Købmagergade; a pé de Nørreport ou da Strøget · Melhor época: Dia limpo; entardecer pela vista · Entrada: Aprox. DKK 40 adulto (~€5,4); crianças DKK 10 (2025-2026, rundetaarn.dk; verificado julho 2026) · Duração: 30 a 45 minutos
6
Christiania, a cidade livre
A comuna autogerida mais famosa da Europa: um enclave alternativo, artístico e controverso em plena Copenhague.
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Christiania ('Cidade Livre de Christiania', Fristaden Christiania) é um dos lugares mais singulares e debatidos de Copenhague. Nasceu em 1971, quando um grupo de ocupantes, hippies e ativistas se instalou em terrenos militares abandonados do bairro de Christianshavn e proclamou uma comuna autogerida, livre das regras do Estado. Mais de meio século depois, continua de pé: cerca de 900 moradores vivem nesse enclave de casas construídas por eles mesmos, oficinas, hortas, cafés, casas de show e arte de rua, com seu próprio sistema de organização em assembleias. Durante décadas, Christiania ficou conhecida sobretudo pela 'Pusher Street', uma rua onde se vendia cannabis abertamente, apesar de ser ilegal na Dinamarca, o que gerou tensões constantes com a polícia e problemas de criminalidade ligados ao tráfico. Em 2024, os próprios moradores decidiram arrancar os paralelepípedos da Pusher Street para acabar com o mercado de drogas e retomar o bairro, uma virada histórica. Vale se informar sobre a situação atual antes de ir. Além da polêmica, Christiania é um experimento social fascinante e um lugar com um clima único: arquitetura criativa e ecológica, murais, esculturas, um lago, áreas verdes e uma vida cultural intensa. Dá para passear livremente, tomar algo, ver um show ou comer num de seus restaurantes veganos ou de comida caseira. Como chegar: no bairro de Christianshavn, a poucos minutos a pé do metrô Christianshavn (M1/M2). Melhor época: de dia, para passear com calma. Dicas: pede-se respeitar algumas regras básicas: não tirar fotos em certas áreas (sobretudo a antiga Pusher Street), não correr (causa alarme) e ser respeitoso. A entrada é gratuita.
ℹ️ Distância: Bairro de Christianshavn; a pé do metrô Christianshavn · Melhor época: De dia; verão pelo clima e pelos shows · Entrada: Grátis; respeitar as regras de fotografia e convivência · Duração: 1 a 2 horas
7
Castelo de Rosenborg e as joias da coroa
Um castelo renascentista de conto de fadas do rei Christian IV, hoje museu com as joias da coroa e os tesouros reais dinamarqueses.
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O castelo de Rosenborg é uma joia do Renascimento holandês em pleno centro de Copenhague, cercado pelo belo jardim real de Kongens Have. Foi construído no início do século XVII (por volta de 1606-1633) pelo incansável rei Christian IV como residência de verão e pavilhão de lazer, e conserva magnificamente seus interiores originais, com tetos pintados, tapeçarias, estuques e móveis de época. Percorrê-lo é como voltar quatro séculos no tempo. Suas salas contam a história da monarquia dinamarquesa por meio das coleções reais: a Sala dos Cavaleiros (Riddersalen), com seu trono de 'chifre de unicórnio' (na verdade, de narval) e três leões de prata em tamanho natural; gabinetes cheios de objetos exóticos, relógios, cristais e curiosidades; e os aposentos de diferentes reis. Mas o grande tesouro fica no porão, protegido por portas grossas: as Joias da Coroa e as Insígnias reais da Dinamarca. Ali estão expostas as coroas dos reis e rainhas, o cetro, o orbe e a espada da coroação, além de um deslumbrante conjunto de joias de esmeraldas, rubis, diamantes e pérolas que a família real ainda usa em ocasiões especiais. É uma das coleções de insígnias reais mais impressionantes da Europa. Como chegar: no centro, ao lado dos jardins de Kongens Have; a estação de metrô Nørreport fica a poucos minutos. Melhor época: qualquer dia; combine com um passeio pelo jardim real, muito popular entre os moradores no verão. Dicas: o ingresso fica em torno de DKK 145-150 (cerca de €20); vale comprar online para evitar filas. O jardim é grátis. Dá para combinar com a vizinha Galeria Nacional (SMK).
ℹ️ Distância: Centro, ao lado de Kongens Have; a pé de Nørreport · Melhor época: O ano todo; verão para aproveitar também o jardim · Entrada: Aprox. DKK 145-150 adulto (~€20); menores de 18 grátis (2025-2026, kongernessamling.dk; verificado julho 2026) · Duração: 1,5 a 2 horas
8
Passeio de barco pelos canais
A melhor maneira de ver Copenhague: a partir da água, entre canais, pontes, a Ópera e a moderna orla marítima.
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Copenhague é uma cidade de água, e vê-la a partir dos seus canais é uma das experiências mais recomendáveis, principalmente no verão. Os passeios de barco aberto percorrem o porto e os canais do centro, oferecendo uma perspectiva diferente e linda da cidade, com comentários sobre a sua história e os seus prédios. É um programa clássico que agrada a todo mundo e uma forma confortável de se situar no primeiro dia. Os passeios costumam sair de Nyhavn ou de Gammel Strand e duram cerca de uma hora. Durante o trajeto, você passa por cantinhos que não dá para ver por terra: o bairro de Christianshavn com seus canais holandeses, a espetacular Ópera de Copenhague (presente do magnata da navegação Maersk), a Biblioteca Real, conhecida como 'Diamante Negro' pela fachada de granito e vidro, o novo bairro de Nordhavn, a Bolsa histórica com sua torre de dragões entrelaçados, a Pequena Sereia vista da água e inúmeras pontes. Uma alternativa mais barata e muito usada pelos moradores é pegar os ônibus aquáticos do transporte público (havnebus, linhas 991, 992 e 993), que percorrem o porto de ponta a ponta com o bilhete normal de transporte: não têm guia, mas permitem ver a orla moderna pelo preço de uma passagem. Como chegar: os passeios turísticos saem de Nyhavn e Gammel Strand; os ônibus aquáticos, de várias paradas do porto. Melhor época: verão e dias ensolarados; muitos operam também na baixa temporada. Dicas: o passeio guiado custa em torno de DKK 120-150 (cerca de €16-20); para economizar, use o havnebus com o seu bilhete de transporte. Leve um agasalho, na água esfria.
ℹ️ Distância: Saídas de Nyhavn e Gammel Strand (passeios turísticos) · Melhor época: Verão e dias ensolarados · Entrada: Passeio guiado aprox. DKK 120-150 (~€16-20); ônibus aquático (havnebus) com bilhete de transporte 24 DKK (2025-2026; verificado julho 2026) · Duração: 1 hora
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Nyhavn (pasear)Grátis
La SirenitaGrátis
Amalienborg (plaza y cambio de guardia)Grátis; Museu aprox. DKK 125 (~€17) (2025-2026; verificado julho 2026)
Jardines de Tivoli (entrada al parque)Aprox. DKK 165-185 (~€22-25) conforme o dia; atrações à parte (2025-2026, tivoli.dk; verificado julho 2026)
Torre Redonda (Rundetårn)Aprox. DKK 40 adulto (~€5,4); crianças DKK 10 (2025-2026; verificado julho 2026)
Castillo de Rosenborg y joyas de la coronaAprox. DKK 145-150 adulto (~€20); menores de 18 grátis (2025-2026; verificado julho 2026)
Ny Carlsberg Glyptotek (arte y esculturas)Aprox. DKK 145 adulto (~€19); menores de 18 grátis; terça-feira grátis para todos (2025-2026; verificado julho 2026)
Museo Nacional de Dinamarca (Nationalmuseet)Aprox. DKK 120 adulto (~€16); menores de 18 grátis (2025-2026; verificado julho 2026)
Palacio de Christiansborg (Parlamento; ruinas, salas reales, torre)Aprox. DKK 175 o combinado; a torre panorâmica é Grátis (2025-2026; verificado julho 2026)
Copenhagen Card (museos + transporte)Aprox. DKK 479 (24h) / 719 (48h) / 899 (72h) adulto; vale a pena se você visitar vários museus e usar transporte (2025-2026, copenhagencard.com; verificado julho 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Passeio de barco pelos canais
Aprox. DKK 120-150 (~€16-20)
Duração1 h
Operadora
Stromma / Netto-Bådene e outros (saídas de Nyhavn e Gammel Strand; verificar)
Aluguel de bicicleta por dia
DuraçãoDia inteiro
OperadoraDonkey Republic, aluguéis locais (verificar)
Preço
Aprox. DKK 100-150/dia (~€13-20); bike elétrica compartilhada (Donkey Republic) a partir de DKK 30 o desbloqueio + tarifa por minuto
Free walking tour pelo centro
PreçoGrátis (gorjeta à vontade, aprox. DKK 100-150)
Duração2 a 3 h
OperadoraEmpresas de free tours (verificar)
Bate-volta ao castelo de Kronborg (Helsingør)
PreçoTrem DSB ida e volta aprox. DKK 200-250 (~€27-34) + entrada Kronborg
DuraçãoDia inteiro
OperadoraPor conta própria de trem DSB ou tour guiado (verificar)
Banho no porto (Islands Brygge, Sandkaj)
PreçoGrátis (piscinas públicas no porto no verão)
Duração1 a 2 h
OperadoraPiscinas públicas municipais (verão; verificar temporada)
Sauna flutuante e banho no porto
PreçoAprox. DKK 150-250 por pessoa/sessão (~€20-34)
Duração1 a 2 h
OperadoraOperadores de saunas do porto (verificar)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Metrô (M1, M2, M3 Cityringen, M4)
PreçoDKK 24 bilhete de 2 zonas (~€3,2) (2026)
DuraçãoVariável
Observações
Metrô automático sem condutor que funciona 24 horas. A linha circular M3 (Cityringen) conecta as principais estações e bairros; a M2 vai até o aeroporto. O mesmo bilhete vale para metrô, trem S-tog, ônibus e ônibus aquático (sistema DOT)
Trem urbano S-tog
PreçoDKK 24 bilhete de 2 zonas (~€3,2) (2026)
DuraçãoVariável
Observações
Rede de trens metropolitanos que liga o centro aos subúrbios e bairros mais afastados. Integrada com metrô e ônibus. Muito útil para chegar a regiões como Frederiksberg ou Valby
Ônibus urbano
PreçoDKK 24 bilhete de 2 zonas (~€3,2) (2026)
DuraçãoVariável
Observações
Ampla rede que complementa metrô e trens; as linhas 'A' são as principais e mais frequentes. Integrada ao mesmo sistema tarifário por zonas
Ônibus aquático do porto (havnebus)
PreçoIncluído no bilhete normal de transporte (DKK 24)
DuraçãoVariável
Observações
Linhas 991, 992 e 993, que percorrem o porto de norte a sul (de Refshaleøen/Nordhavn ao Diamante Negro). Uma forma barata e linda de navegar pela orla com a passagem normal
Cartão Rejsekort / apps Rejsebillet e Rejseplanen
DuraçãoVariável
Preço
Rejsekort com desconto sobre a tarifa; apps para comprar bilhetes e City Pass
Observações
O Rejsekort é o cartão de aproximação recarregável (o formato físico está sendo eliminado gradualmente em 2026, migrando para o app). O Rejseplanen é o planejador de viagens nacional indispensável; o Rejsebillet, o app para comprar bilhetes. O antigo app DOT Billetter foi desativado no fim de 2025
City Pass (passe de transporte)
Duração24 a 120 h
Preço
City Pass Small (zonas 1-4, inclui aeroporto): DKK 100 (24h) até DKK 340 (120h) adulto (2026)
Observações
Ideal para turistas: transporte ilimitado em metrô, trem, ônibus e ônibus aquático dentro das zonas. O Small cobre o centro e o aeroporto; o Large (zonas 1-99), toda a região metropolitana
Bicicleta
DuraçãoVariável
Preço
Aluguel aprox. DKK 100-150/dia; bike elétrica compartilhada (Donkey Republic) com tarifa por minuto
Observações
A forma mais copenhaguense de se locomover. Cidade plana com mais de 400 km de ciclovias segregadas. Respeite as regras: mantenha a direita, sinalize com o braço e não invada a ciclovia a pé
Trem e Metrô a partir do aeroporto (CPH-Kastrup)
PreçoDKK 30 bilhete de 3 zonas (~€4) (2026)
Duração13-15 min até o centro
Observações
O aeroporto fica a apenas 8 km. O trem DSB chega à Estação Central em 13 min; o Metrô M2 chega a Nørreport e Kongens Nytorv. Ambos com o mesmo bilhete de 3 zonas
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Aeroporto de Copenhague-Kastrup (CPH) → centro (trem DSB)DSBDKK 30 (3 zonas, ~€4) (2026)13 min até a Estação Central
Aeroporto de Copenhague-Kastrup (CPH) → centro (Metrô M2)Metrô de CopenhagueDKK 30 (3 zonas, ~€4) (2026)14-15 min até Kongens Nytorv/Nørreport
De Malmö (Suécia) pela ponte de ØresundØresundståg / DSBAprox. 100-120 SEK / DKK 90-100 (~€12-13) (2026; verificar)35-40 min (às vezes com controle de fronteira)
De Aarhus / Odense de tremDSB (InterCity, Lyntog)Aprox. DKK 200-450 conforme a antecedência (~€27-60) (2026; verificar; há tarifas Orange mais baratas)Odense 1h15; Aarhus 3h (cruzando o Grande Belt)
Da Alemanha (Hamburgo) de tremDB / DSBA partir de aprox. €40-90 conforme a antecedência (2026; verificar)Cerca de 4h30-5h
De ferry internacional (Oslo, Noruega)DFDSA partir de aprox. €50-90 por pessoa com cabine (2026; verificar)Copenhague-Oslo, travessia noturna (cerca de 17 h)
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🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Luxo / design no centro
Preço$$$$$
Opções recomendadas
DKK 2.200-4.500 a diária (~€295-600); hotéis de alto padrão e design escandinavo como Hotel d'Angleterre, Nimb (dentro do Tivoli), Villa Copenhagen ou Sanders, nos arredores de Nyhavn, Kongens Nytorv e do centro. Reserve com antecedência no verão
Intermediário bem localizado
Preço$$$$$
Opções recomendadas
DKK 1.100-2.000 a diária (~€150-270); boa oferta de hotéis intermediários e redes escandinavas (Scandic, Wakeup Copenhagen, CABINN) perto da Estação Central, de Vesterbro e do centro. Relação localização-preço razoável para o quanto a Dinamarca é cara
Com charme em Vesterbro / Nørrebro
Preço$$$$$
Opções recomendadas
DKK 1.400-2.400 a diária (~€190-320); hotéis boutique e de design nos bairros da moda (o antigo matadouro de Vesterbro, a região de Kødbyen, a multicultural Nørrebro), para quem busca clima local e vida noturna
Econômico / hostels
Preço$$$$$
Opções recomendadas
DKK 300-800 a diária por cama (~€40-108); hostels modernos (Generator, Steel House, Next House) e hotéis econômicos (CABINN) perto do centro e da estação. Copenhague é cara, então reserve cedo para conseguir um bom preço

🍴 Onde comer

Alta cocina nórdica (New Nordic)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Menu degustação a partir de DKK 1.500-3.000+ por pessoa (~€200-400); Copenhague é o berço da 'Nova Cozinha Nórdica' e tem uma constelação de restaurantes com estrelas Michelin (Noma —hoje em transformação—, Geranium, Alchemist, Kadeau). Reserve com muitíssima antecedência
Smørrebrød y cocina danesa tradicional
Preço$$$$$
Opções / prato típico
DKK 90-180 por unidade de smørrebrød (~€12-24); o clássico sanduíche aberto dinamarquês sobre pão de centeio, com arenque, salmão, camarão, rosbife ou ovo, em restaurantes históricos como Schønnemann ou Aamanns. A tradição gastronômica mais típica do país
Mercados gastronómicos (Torvehallerne, Reffen)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
DKK 80-180 por refeição (~€11-24); o elegante mercado coberto Torvehallerne, ao lado de Nørreport, e o grande street food market de Reffen, em Refshaleøen, com barracas de comida do mundo todo. Ideal para comer de tudo um pouco a um preço um pouco mais razoável
Comida económica (hot dog, shawarma, panaderías)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
DKK 40-120 por refeição (~€5-16); o clássico pølser (cachorro-quente dinamarquês) dos carrinhos de rua, o shawarma de Nørrebro, a pizza e as padarias maravilhosas (prove o 'kanelsnegl', o rolinho de canela, e o pão de centeio). A opção para matar a fome sem quebrar o orçamento

📖 História de Copenhague

Origem, formação e o que dizem as fontes.

De vila de pescadores a fortaleza do bispo Absalão (séculos XI-XII)

Antes de ser a capital reluzente que conhecemos, Copenhague era apenas um punhado de casas de pescadores às margens do estreito de Øresund. Os primeiros assentamentos na região remontam ao século XI, quando o lugar era conhecido simplesmente como Havn, 'o porto'. Sua posição era imbatível: um ancoradouro natural protegido, na rota marítima que ligava o mar Báltico ao mar do Norte, diante dos ricos cardumes de arenque que durante séculos seriam uma mina de ouro para o reino.

A data que a tradição fixa como fundação da cidade é 1167, quando o rei Valdemar I entregou a vila ao bispo Absalão de Roskilde, uma das figuras mais poderosas da Dinamarca medieval. Absalão, guerreiro e estadista além de clérigo, mandou erguer uma fortaleza na pequena ilhota de Slotsholmen para proteger o porto dos ataques dos piratas vendos que assolavam as costas do Báltico. Aquele castelo foi o embrião da cidade, e hoje, sobre essa mesma ilhota, ergue-se o palácio de Christiansborg, sede do Parlamento dinamarquês; embaixo dele se conservam as ruínas do castelo de Absalão, que podem ser visitadas.

Sob a proteção da fortaleza, o pequeno porto pesqueiro prosperou rapidamente como praça comercial. O nome evoluiu para Køpmannæhafn, 'o porto dos mercadores', que daria origem ao atual København. No início do século XIII já era uma vila comercial em plena expansão, com seu mercado, sua igreja e uma população crescente que vivia do comércio e da pesca do arenque.

Cidade cobiçada: a luta com a Hansa e a ascensão a capital (séculos XIII-XV)

A prosperidade de Copenhague lhe trouxe problemas. Seu controle sobre a passagem do Øresund e seu lucrativo comércio de arenque a transformaram em objeto de desejo, sobretudo da poderosa Liga Hanseática, a confederação de cidades comerciais alemãs que dominava o comércio no Báltico. Ao longo dos séculos XIII e XIV, a cidade foi atacada e saqueada várias vezes pelos hanseáticos, que viam nela uma concorrente perigosa. Os bispos, os reis e a nobreza também disputaram seu controle.

Apesar dos cercos, incêndios e saques, Copenhague não parou de crescer. Em 1254 recebeu sua primeira carta municipal (privilégios de cidade), e ao longo do século XV sua importância política disparou. O momento decisivo chegou em 1417, quando o rei Érico da Pomerânia tomou posse do castelo e ali estabeleceu sua residência, tirando-o definitivamente dos bispos. Em 1443, Copenhague foi proclamada oficialmente capital do reino da Dinamarca, deslocando a antiga sede real de Roskilde.

Como capital de uma monarquia que naqueles anos liderou a União de Kalmar —que reuniu sob uma mesma coroa a Dinamarca, a Noruega e a Suécia—, Copenhague entrou em uma nova dimensão. Em 1479 foi fundada a Universidade de Copenhague, a mais antiga da Dinamarca e uma das mais veteranas do norte da Europa, que transformou a cidade em um centro do saber. A cidade medieval, murada e densa, com suas igrejas góticas e suas ruas estreitas, começava a ganhar a forma de uma verdadeira capital.

O século de Christian IV: a cidade que vemos hoje (séculos XVI-XVII)

Se existe um nome gravado na pedra de Copenhague, é o de Christian IV, que reinou entre 1588 e 1648, um dos monarcas mais longevos e ativos da história dinamarquesa. Embora suas guerras contra a Suécia tenham terminado em desastres militares que custaram territórios e dinheiro ao reino, sua paixão pela arquitetura e pelo urbanismo transformou a capital para sempre e lhe deu boa parte de sua cara atual.

Durante seu reinado foram erguidos alguns dos edifícios mais emblemáticos da cidade: o castelo renascentista de Rosenborg, sua residência de lazer; a Rundetårn (Torre Redonda), o observatório com sua famosa rampa em espiral; a Bolsa (Børsen), com sua inconfundível torre de quatro dragões com as caudas entrelaçadas; o bairro de Nyboder, com suas casas amarelas para os marinheiros da armada; e o arsenal e as fortificações. Christian IV ampliou o perímetro da cidade, conquistou terreno ao mar e traçou novos bairros como Christianshavn, inspirado nas cidades holandesas de canais.

Os séculos seguintes, no entanto, trouxeram catástrofes. A peste de 1711 matou um terço da população. Dois incêndios devastadores, em 1728 e em 1795, arrasaram enormes porções da cidade medieval de madeira, por isso boa parte do centro histórico que vemos hoje data, na verdade, da reconstrução posterior, com edifícios mais regulares e de estilo classicista. Cada desgraça obrigava a reconstruir, e a cidade ia trocando de pele sem perder seu traçado.

Bombardeios, perdas e a Era de Ouro cultural (século XIX)

O começo do século XIX foi traumático. Durante as guerras napoleônicas, a Dinamarca tentou manter uma neutralidade armada que a colocou contra a Grã-Bretanha, a grande potência naval da época. Em 1801, a frota britânica atacou Copenhague na batalha do fiorde (onde o almirante Nelson, segundo a lenda, levou a luneta ao olho cego para não ver a ordem de retirada). Mas o pior veio em 1807: a Royal Navy bombardeou a cidade durante três noites para impedir que sua frota caísse nas mãos de Napoleão. Foi um dos primeiros bombardeios deliberados contra a população civil da história moderna; bairros inteiros, a catedral e centenas de casas pegaram fogo, e centenas de civis morreram. Os britânicos levaram toda a frota dinamarquesa.

Como consequência, a Dinamarca acabou do lado perdedor das guerras napoleônicas e, pelo Tratado de Kiel de 1814, perdeu a Noruega, que passou para a Suécia. O país ficou empobrecido e reduzido, e em 1813 o Estado declarou falência. E, no entanto, paradoxalmente, daquelas décadas difíceis surgiu a chamada 'Era de Ouro' da cultura dinamarquesa (Guldalderen). Numa Copenhague pequena e abalada floresceu uma geração extraordinária: o escritor de contos Hans Christian Andersen ('A pequena sereia', 'O patinho feio', 'A rainha da neve'), o filósofo Søren Kierkegaard (pai do existencialismo), o escultor Bertel Thorvaldsen, o físico Hans Christian Ørsted (descobridor do eletromagnetismo) e toda uma escola de pintores.

Em meados do século, a Dinamarca deu ainda um passo histórico: em 1849 adotou uma Constituição que pôs fim à monarquia absoluta e estabeleceu uma monarquia constitucional com parlamento. Em 1857 foram derrubadas as velhas muralhas que sufocavam a cidade, permitindo que ela finalmente se expandisse além de seu espartilho medieval e criasse os grandes bulevares, parques e bairros da Copenhague moderna.

A ocupação nazista, o resgate dos judeus e a capital moderna (séculos XX-XXI)

Em 9 de abril de 1940, a Alemanha nazista invadiu a Dinamarca, que se rendeu em poucas horas diante da impossibilidade de resistir. Nos primeiros anos, a ocupação foi relativamente 'branda' e o governo dinamarquês manteve certa autonomia, mas em 1943 a situação endureceu: foi declarado estado de exceção e os nazistas se prepararam para deportar os judeus dinamarqueses para os campos de extermínio.

Foi então que aconteceu um dos episódios mais luminosos de toda a Segunda Guerra Mundial. Avisados da iminente batida de outubro de 1943, a resistência e milhares de dinamarqueses comuns organizaram, em questão de dias, a evacuação clandestina de quase toda a população judaica do país —mais de 7.000 pessoas— em barcos pesqueiros que atravessaram à noite o estreito de Øresund rumo à Suécia neutra. Graças a essa mobilização popular, mais de 95% dos judeus dinamarqueses sobreviveram ao Holocausto, um caso quase único na Europa ocupada. A resistência dinamarquesa também protagonizou inúmeras sabotagens até a libertação, em maio de 1945.

O pós-guerra transformou Copenhague na capital de um moderno Estado de bem-estar social, próspero e igualitário, exemplo do social-democrata 'modelo nórdico'. Em 1971 nasceu, em antigos quartéis abandonados, a comunidade livre de Christiania, símbolo da contracultura. No ano 2000 foi inaugurada a espetacular ponte de Øresund, que liga a cidade à sueca Malmö por estrada e ferrovia, integrando a região transfronteiriça. Nas últimas décadas, Copenhague se reinventou como uma das capitais mais verdes e agradáveis de viver do planeta: apostou na bicicleta até se tornar a cidade mais ciclística do mundo, limpou as águas do seu porto a ponto de dar para nadar no centro e estabeleceu a meta de ser uma das primeiras capitais neutras em carbono. Hoje é sinônimo de design, sustentabilidade, gastronomia de vanguarda e daquela qualidade de vida que o mundo inteiro inveja.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Copenhague»: https://es.wikipedia.org/wiki/Copenhague
  • Wikipedia (EN) — «Copenhagen»: https://en.wikipedia.org/wiki/Copenhagen
  • Wikipedia (EN) — «History of Copenhagen»: https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Copenhagen
  • Wikipedia (EN) — «Christian IV of Denmark»: https://en.wikipedia.org/wiki/Christian_IV_of_Denmark
  • Wikipedia (EN) — «Battle of Copenhagen (1807)»: https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Copenhagen_(1807)
  • Wikipedia (EN) — «Danish Golden Age»: https://en.wikipedia.org/wiki/Danish_Golden_Age
  • Wikipedia (EN) — «Rescue of the Danish Jews»: https://en.wikipedia.org/wiki/Rescue_of_the_Danish_Jews
  • Wikipedia (EN) — «Denmark in World War II»: https://en.wikipedia.org/wiki/Denmark_in_World_War_II
  • Visit Copenhagen (oficial): https://www.visitcopenhagen.com/

❓ Perguntas frequentes

Quantos dias preciso para conhecer Copenhague?+
Com 2 dias você cobre o essencial: Nyhavn, Tivoli, a Pequena Sereia, Amalienborg, Rundetårn e um passeio de barco pelos canais. Com 3 a 4 dias dá para incluir Christiania, Rosenborg, algum museu, o bairro de Nørrebro e um bate-volta a Roskilde ou ao castelo de Kronborg. Copenhague é compacta e muito fácil de percorrer a pé, então rende bastante em pouco tempo.
Copenhague é muito cara?+
Sim, é uma das cidades mais caras da Europa, principalmente em comida, bebida e restaurantes (um prato fica em torno de DKK 150-250 e uma cerveja, DKK 60-80). Para economizar: aproveite o tanto de coisa grátis (Nyhavn, a Pequena Sereia, Christiania, a torre de Christiansborg, a troca da guarda), use o transporte público ou a bike, coma em mercados e padarias, e lembre que alguns museus são grátis em certos dias (a Glyptotek às terças). A água da torneira é excelente e grátis.
Como chego do aeroporto ao centro?+
O aeroporto de Kastrup (CPH) fica a apenas 8 km do centro. O jeito mais rápido é o trem da DSB (13 minutos até a Estação Central) ou o Metrô M2 (14-15 minutos até Kongens Nytorv ou Nørreport). Os dois custam DKK 30 (um bilhete de 3 zonas, cerca de €4). Dá para comprar nas máquinas ou pelos apps Rejsebillet/DSB. É um dos traslados aeroporto-centro mais práticos da Europa.
Como me locomovo pela cidade?+
Copenhague tem um transporte público excelente e integrado (metrô 24h, trens S-tog, ônibus e ônibus aquáticos), tudo com o mesmo bilhete por zonas (DKK 24 as 2 zonas do centro). Dá para pagar com o Rejsekort ou com os apps Rejsebillet e Rejseplanen. Mas a melhor forma de se locomover é de bike: a cidade é plana e ciclística por excelência. Para vários dias, avalie o City Pass ou o Copenhagen Card. O centro se percorre muito bem a pé.
Qual é a melhor época para visitar Copenhague?+
O verão (junho a agosto) é ideal: dias longuíssimos, clima bom, terraços, banhos no porto e tudo aberto, embora seja a época mais cara e cheia. Maio e setembro são um ótimo meio-termo. O inverno é frio e escuro, mas muito aconchegante (hygge), com o Tivoli e os mercados de Natal iluminados. O clima muda o tempo todo: leve uma jaqueta impermeável em qualquer estação.
Vale a pena comprar o Copenhagen Card?+
Depende do seu ritmo. O Copenhagen Card (a partir de aprox. DKK 479 por 24h) inclui a entrada em mais de 80 museus e atrações e todo o transporte público, inclusive o traslado do aeroporto. Se você pretende visitar vários museus por dia e se deslocar bastante, compensa; se vai com mais calma e aproveita as atrações gratuitas, talvez não. Faça as contas de acordo com o seu roteiro. Existe também o City Pass, mais barato, só para transporte.

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