A pouco mais de uma hora de Santiago, Pomaire é um daqueles lugares onde o tempo parece correr diferente. Este pequeno vilarejo rural da comuna de Melipilla é a capital da olaria chilena: em suas ruas de terra e casas de adobe, gerações de artesãos moldam a greda (argila) com as mãos para dar forma às pailas, travessas, jarras, panelas e figuras que enchem as cozinhas e as mesas de todo o Chile.
Mas Pomaire não é só cerâmica. É também um destino gastronômico cultuado: as pessoas vêm aqui para comer as famosas empanadas gigantes — enormes, de pino (carne, cebola, ovo e azeitona) — e os pratos da cozinha caipira crioula servidos, claro, em louça de barro que realça o sabor. Percorrer os ateliês, ver os artesãos trabalhando o barro, comprar uma paila para o pastel de choclo e fechar com um almoço típico é o programa perfeito.
Este guia percorre Pomaire com um olhar prático e acolhedor: como chegar saindo de Santiago, o que ver e comprar nas ruas dos artesãos, onde comer a melhor empanada gigante, como funciona o ofício da greda e o que levar em conta para aproveitar a visita. Uma escapada curta, barata e profundamente chilena, ideal para um fim de semana.
Pomaire é um vilarejo de tradição oleira cujas raízes remontam a tempos pré-hispânicos. A região foi habitada por povos originários do Chile central, e o nome 'Pomaire' é associado a termos indígenas locais. Durante a Colônia, Pomaire foi um 'pueblo de indios', uma das localidades onde a Coroa espanhola reagrupou a população indígena; a tradição de trabalhar a greda, que já existia entre os povos originários, se manteve e foi passada de geração em geração. A grande riqueza do lugar é sua terra: as jazidas de argila de excelente qualidade dos arredores são a matéria-prima que sustentou o ofício durante séculos. Com o tempo, Pomaire se especializou na cerâmica utilitária — pailas, travessas, panelas, jarras — que se espalhou por todo o país e se tornou parte essencial da cozinha chilena tradicional. A proximidade com Santiago e a fama de seu artesanato e de sua gastronomia transformaram o vilarejo, sobretudo a partir de meados do século XX, num destino turístico muito querido pelos santiaguinos. Hoje a olaria de Pomaire é reconhecida como patrimônio cultural do Chile, e o vilarejo vive em boa parte do turismo atraído por sua greda e suas empanadas gigantes. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The political and economic heart of Chile: Santiago, founded in 1541 at the foot of the Andes, with the La Moneda palace and the canalised Mapocho River; pottery villages such as Pomaire; the mountain country of the Cajón del Maipo; and the world-class ski resorts of the Tres Valles.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A história de Pomaire remonta a tempos anteriores à chegada dos espanhóis. A área do atual povoado, no vale de Melipilla, fazia parte do território habitado por povos originários do Chile central, que se dedicavam à agricultura, à coleta e à produção de objetos de barro a partir das argilas locais. Essa tradição de trabalhar a greda — que com o tempo se tornaria a marca registrada de Pomaire — tem suas raízes nesse mundo pré-hispânico.
O próprio nome 'Pomaire' é associado a palavras de línguas indígenas da zona central. Como acontece com muitos topônimos de origem indígena, existem diferentes interpretações sobre o seu significado exato, por isso vale a pena encará-las com cautela. O que fica claro é que o nome, assim como o ofício da cerâmica, é uma herança dos antigos habitantes do vale.
A região também esteve sob a influência do Império Inca antes da conquista espanhola, integrada às redes de domínio que os incas estenderam rumo ao sul do continente. Sobre essa base de povoamento indígena e de tradição ceramista se construiria, já nos tempos coloniais, a Pomaire que conhecemos hoje.
Durante o período colonial, Pomaire se configurou como um dos chamados 'pueblos de indios', as localidades onde a Coroa espanhola reagrupava e administrava a população indígena, separando-a em certa medida das terras e fazendas dos espanhóis. Essa organização buscava facilitar o controle, a evangelização e a cobrança de tributos, e deixou como marca uma estrutura de povoamento que em muitos casos perdura até hoje.
Nesse contexto, a comunidade de Pomaire manteve e desenvolveu sua tradição ceramista. O trabalho com a greda, herdado dos tempos pré-hispânicos, virou uma atividade econômica fundamental para os moradores do povoado, que produziam objetos utilitários de barro — panelas, travessas, jarras — para uso doméstico e para troca com outras áreas do vale central. A abundância e a qualidade das argilas dos arredores sempre foram o grande recurso do lugar.
Assim, enquanto boa parte do Chile central se transformava com as fazendas e a economia colonial, Pomaire conservou uma identidade própria, ligada à terra, à comunidade camponesa e, sobretudo, ao ofício de modelar o barro, transmitido de pais para filhos como um saber comunitário.
A alma de Pomaire é a greda, nome pelo qual se conhece no Chile a argila usada para modelar cerâmica. As jazidas de argila de excelente qualidade nos arredores do povoado são, há séculos, a matéria-prima que sustenta o ofício. Os artesãos extraem a greda, preparam, modelam à mão ou no torno, deixam secar e levam ao forno para obter peças resistentes.
O mais impressionante em Pomaire é que essa tradição não virou peça de museu: ela se manteve viva e foi passada de geração em geração. Famílias inteiras se dedicam à cerâmica, e os mestres ensinam o ofício aos filhos desde pequenos. Com o tempo, o povoado se especializou sobretudo na cerâmica utilitária — pailas, travessas, panelas, jarras —, que se espalhou por todo o Chile e passou a fazer parte da cozinha típica chilena: a 'paila de greda' e a travessa de barro são objetos do dia a dia em muitas casas chilenas.
Além das peças utilitárias, Pomaire também produz peças decorativas e figuras, entre elas o famoso 'chanchito de la suerte', um porquinho da sorte de três patas, amuleto popular que se dá de presente para atrair boa sorte. Essa combinação de utilidade, tradição e simbolismo transformou a cerâmica de Pomaire em um patrimônio cultural reconhecido do Chile.
Ao longo do século XX, e principalmente a partir da metade do século, Pomaire foi se tornando um destino turístico muito querido pelos moradores de Santiago. Vários fatores contribuíram para isso: a proximidade com Santiago (pouco mais de uma hora de viagem), a fama crescente do seu artesanato em greda e o charme da sua cozinha camponesa, com a empanada gigante como grande símbolo gastronômico.
A melhoria das estradas e o aumento do turismo interno transformaram a visita a Pomaire em um passeio clássico de fim de semana: percorrer as oficinas, comprar cerâmica e almoçar um prato típico bem reforçado. O povoado adaptou parte da sua rotina a essa atividade, com ruas cheias de lojas de artesanato e restaurantes típicos, sem perder totalmente o seu jeito de interior.
Hoje, o turismo é uma das principais fontes de renda de Pomaire, e ali convivem dois mundos: o da comunidade ceramista, que mantém viva uma tradição de séculos, e o de um destino popular que recebe milhares de visitantes. O desafio do povoado é preservar a autenticidade do seu ofício e da sua identidade diante da pressão do turismo de massa, mantendo a greda e a cozinha típica chilena como suas marcas registradas.
Se a greda é a identidade artesanal de Pomaire, a cozinha é a sua identidade gastronômica, e as duas estão profundamente ligadas: os pratos típicos são servidos, tradicionalmente, em louça de greda. O grande símbolo culinário do povoado é a empanada gigante, uma versão descomunal da clássica empanada de pino chilena (carne moída, cebola, ovo, azeitona e às vezes uva-passa), que pode pesar mais de um quilo e virou uma atração por si só.
A origem dessa tradição está ligada ao desenvolvimento turístico do povoado: os restaurantes camponeses de Pomaire transformaram a fartura e o jeito caseiro da cozinha chilena em atrativo, e a empanada gigante passou a ser uma marca registrada que muitos visitantes vêm especialmente para provar. Em torno dela, oferece-se toda a mesa típica chilena: pastel de choclo, cazuela, costillar, arrollado, pernil e sobremesas tradicionais.
Essa união de greda e comida resume o espírito de Pomaire: um povoado onde o barro modelado à mão e a cozinha camponesa do Chile central andam de mãos dadas. Provar um prato típico servido em uma paila de greda feita no próprio povoado talvez seja a melhor maneira de entender por que Pomaire ocupa um lugar tão especial no coração dos chilenos.