Calgary é a grande cidade do oeste das pradarias canadenses: uma metrópole jovem, moderna e próspera no sul de Alberta, ali onde a imensa planície encontra o primeiro sopé das Montanhas Rochosas, que despontam no horizonte. É o coração da indústria de energia do Canadá, o que lhe dá um skyline de arranha-céus reluzentes, mas conserva com orgulho sua alma de caubói, herança do passado pecuarista, que explode todo mês de julho no lendário Calgary Stampede, 'o maior espetáculo ao ar livre do mundo'.
Para a maioria dos viajantes, Calgary é, antes de tudo, a porta de entrada para as Rochosas: seu grande aeroporto é o ponto de partida ou chegada de quase todas as viagens a Banff, Lake Louise e Jasper, que ficam a pouco mais de uma hora a oeste. Mas a cidade merece um olhar próprio: tem uma animada rua de pedestres histórica (Stephen Avenue), bons museus como o Glenbow e o Studio Bell, da música, parques às margens do rio Bow, um museu vivo do Velho Oeste (Heritage Park) e uma cena gastronômica em alta, tudo com as montanhas como pano de fundo.
Este guia percorre o essencial de Calgary com um olhar prático e acolhedor: como aproveitar o centro e seus museus, viver o clima de caubói (e o Stampede, se a data coincidir), passear à beira do rio, conhecer sua história e usá-la como base perfeita para partir rumo às Rochosas. É uma cidade simpática, segura e com personalidade, que combina a energia de uma metrópole moderna com o charme do Oeste e a proximidade da montanha.
A região de Calgary foi território de povos originários durante milhares de anos, em especial das nações da Confederação Blackfoot (Siksika, Kainai, Piikani), dos Tsuut'ina e dos Stoney Nakoda, que viviam da caça ao bisão nas pradarias. A área da atual Calgary, na confluência dos rios Bow e Elbow, era um lugar de acampamento e encontro. A história moderna começou em 1875, quando a Polícia Montada do Noroeste (North-West Mounted Police, antecessora da atual RCMP) estabeleceu um forte na confluência dos rios para impor a ordem e frear o comércio ilegal de uísque com os povos originários. O forte recebeu o nome de Fort Calgary (um nome de origem escocesa/gaélica, ligado a uma baía na ilha de Mull, na Escócia). Ao redor do forte cresceu um povoado, que disparou com a chegada da ferrovia Canadian Pacific em 1883. Calgary se tornou um centro do comércio de gado: as grandes pradarias ao redor se encheram de fazendas de gado, e a cidade cresceu como capital da pecuária do oeste, forjando sua identidade de caubói (em 1912 nasceu o Calgary Stampede). O grande salto veio no século XX com o petróleo: a descoberta de jazidas em Alberta (especialmente a partir de 1947, com Leduc, perto de Edmonton) transformou a província no centro energético do Canadá, e Calgary, como sede das petrolíferas, viveu um crescimento explosivo e se encheu de arranha-céus. Em 1988 sediou os Jogos Olímpicos de Inverno, os primeiros do Canadá, que deixaram instalações e projeção internacional. Hoje, Calgary é uma metrópole próspera e moderna, coração energético do país, orgulhosa de sua herança caubói e porta de entrada para as Rochosas. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The province of the prairies and the Rockies: Blackfoot and Cree land, land of cattle ranching and oil, home of Banff —Canada's first national park—, of Lake Louise and of the dinosaurs of Drumheller.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A cidade do petróleo e dos arranha-céus leva, curiosamente, o nome de uma praia escocesa: Calgary se chama assim por causa de uma baía na ilha de Mull, na Escócia. Mas muito antes de um policial montado escolher esse nome, e durante milhares de anos, a região onde hoje fica a cidade foi território de povos originários das pradarias. A área, na confluência dos rios Bow e Elbow, no sul da atual Alberta, era frequentada por nações como as da Confederação Blackfoot (Siksika, Kainai/Blood e Piikani/Peigan), os Tsuut'ina (Sarcee) e os Stoney Nakoda (Îyârhe Nakoda). Mais tarde, os Métis também estiveram presentes na região.
A vida desses povos girava, sobretudo, em torno do bisão (buffalo), que povoava as pradarias em manadas enormes e era a base da sua alimentação, vestimenta, moradia e cultura. Eram povos nômades ou seminômades que seguiam as manadas, e desenvolveram técnicas de caça coletiva (como os 'buffalo jumps', precipícios para onde os bisões eram conduzidos). A confluência dos rios Bow e Elbow era um lugar de acampamento, encontro e passagem, com água, abrigo e recursos.
A chegada dos europeus transformou radicalmente esse mundo, sobretudo a partir do século XIX. A caça comercial em massa levou o bisão quase à extinção em poucas décadas, destruindo a base de vida dos povos das pradarias, que foram empurrados para tratados e reservas. Hoje, a presença e a cultura desses povos — reconhecidos no Tratado 7, que abrange a região — são parte fundamental da história de Calgary e de Alberta, e são homenageadas de forma cada vez mais explícita, inclusive durante eventos como o Stampede, que inclui uma aldeia das Primeiras Nações (Elbow River Camp).
A história moderna de Calgary começou em 1875, e sua origem não foi comercial nem agrícola, mas policial. Naquela época, o oeste do Canadá era uma fronteira sem lei, e um problema grave era o comércio ilegal de uísque com os povos originários, feito a partir de postos como o tristemente célebre Fort Whoop-Up, com consequências devastadoras para as comunidades indígenas. Para impor a ordem, fazer cumprir a lei canadense e proteger os povos originários desses abusos, o governo havia criado a North-West Mounted Police (a Polícia Montada do Noroeste, antecessora da atual Real Polícia Montada do Canadá, a RCMP, os famosos 'mounties').
Em 1875, um destacamento da Polícia Montada construiu um forte na estratégica confluência dos rios Bow e Elbow. Esse forte foi o embrião da cidade. No ano seguinte, recebeu o nome de Fort Calgary. O nome 'Calgary' tem uma origem curiosa e distante: vem de um lugar da Escócia (uma baía e uma área na ilha de Mull) e foi proposto por um oficial ligado a essa região; costuma ser associado a um significado em gaélico relacionado a uma pradaria ou baía à beira d'água.
Ao redor do forte foi surgindo um pequeno povoado de colonos, comerciantes e aventureiros. Calgary nascia, assim, como um posto avançado na fronteira do oeste canadense, no coração das grandes pradarias, num momento em que o governo buscava afirmar a soberania e a ordem nesses vastos territórios antes da chegada em massa de colonos. O que ia transformar de verdade aquele pequeno forte, no entanto, era a ferrovia, que estava a caminho.
O grande impulso para Calgary veio em 1883, com a chegada da ferrovia transcontinental Canadian Pacific (CPR). A linha, que ligava o leste do Canadá à costa do Pacífico atravessando as pradarias e as Rochosas, passou por Calgary, conectando-a ao resto do país e ao mundo e desencadeando seu crescimento. O povoado ao redor do forte rapidamente virou vila e depois cidade (foi incorporada como tal em 1894). Um grande incêndio em 1886 levou à reconstrução do centro em arenito, o que deu a Calgary o apelido de 'Sandstone City' e os prédios históricos que ainda se veem na Stephen Avenue.
Com a ferrovia, Calgary se tornou o grande centro da pecuária do oeste canadense. As imensas pradarias ao redor, antes território do bisão, se encheram de ranchos de gado bovino, e Calgary virou o coração do comércio, do transporte (por trem) e do processamento do gado de toda a região. Chegaram rancheiros, vaqueiros (cowboys) e comerciantes, e a cidade forjou a identidade caubói que a define até hoje.
Essa cultura do Oeste e da pecuária encontrou sua expressão máxima em 1912, com a criação do Calgary Stampede, um festival de rodeio e celebração do modo de vida caubói que, com os anos, se tornaria um dos eventos mais famosos do Canadá. Assim, no começo do século XX, Calgary se consolidou como uma próspera cidade das pradarias, capital pecuária e entroncamento ferroviário, com um forte caráter do Oeste. Mas o acontecimento que a catapultaria para a primeira divisão das cidades canadenses ainda estava por vir, e viria de debaixo da terra.
O acontecimento que transformou Calgary de vez foi a descoberta do petróleo. Embora já no começo do século XX tivessem ocorrido descobertas de petróleo e gás na região (como em Turner Valley, a sudoeste da cidade), a grande virada veio em 1947, com a descoberta da enorme jazida de Leduc, perto de Edmonton. Essa descoberta confirmou que Alberta era uma potência petrolífera e desencadeou um boom energético que mudaria a província para sempre.
Por sua posição e sua tradição empresarial, Calgary se tornou a capital corporativa da indústria de petróleo e gás do Canadá: a cidade onde se instalaram as sedes das grandes empresas de energia, os serviços financeiros e técnicos ligados a elas e o centro de decisão de um setor que se tornou fundamental para a economia nacional. (Edmonton, a capital da província, se especializou mais na produção e no refino.) Esse papel atraiu para Calgary um volume enorme de investimento, empregos e moradores.
O resultado foi um crescimento explosivo ao longo da segunda metade do século XX, com altos e baixos ligados às oscilações do preço do petróleo (booms e crises). A cidade se encheu de reluzentes arranha-céus de escritórios que formam seu skyline moderno, símbolo da prosperidade energética. Calgary deixou de ser uma cidade pecuária das pradarias para virar uma próspera metrópole corporativa, uma das de maior renda per capita do Canadá. Sua população se multiplicou, atraindo trabalhadores de todo o país e do mundo, o que também a tornou mais diversa e cosmopolita, sem perder totalmente sua alma caubói.
Um marco que levou Calgary ao palco mundial veio em 1988, quando a cidade sediou os Jogos Olímpicos de Inverno. Foram os primeiros Jogos Olímpicos realizados no Canadá, um acontecimento de enorme importância para a cidade e para o país. Calgary, que naquela altura já era uma próspera metrópole do petróleo, mostrou ao mundo sua capacidade de organização e seu entorno (com as Rochosas ali perto como cenário natural de inverno).
Os Jogos de 1988 deixaram um importante legado de instalações esportivas que continuam em uso, como o Canada Olympic Park (hoje WinSport, onde dá para praticar e assistir a esportes de inverno, incluindo salto de esqui e bobsled, às portas da cidade) e o Olympic Oval (uma pista coberta de patinação de velocidade, na Universidade de Calgary). Também deixaram uma marca no orgulho e na identidade da cidade.
Esses Jogos são lembrados, além disso, por algumas histórias cativantes que deram a volta ao mundo, como a do saltador de esqui britânico 'Eddie the Eagle' Edwards ou a da equipe de bobsled da Jamaica (que inspirou o filme 'Jamaica Abaixo de Zero'), exemplos do espírito olímpico de participação. Calgary 1988 consolidou a imagem internacional da cidade e reforçou sua ligação com os esportes de inverno e as montanhas. A experiência olímpica contribuiu para a confiança e a projeção de uma cidade que, em poucas décadas, tinha passado de forte de fronteira a metrópole moderna com vocação internacional.
A Calgary de hoje é uma metrópole próspera, moderna e dinâmica, a maior do oeste do Canadá depois de Vancouver, e um caso fascinante de cidade que combina identidades aparentemente opostas: o coração corporativo da indústria de energia do país, com seu skyline de arranha-céus, e o orgulho da herança caubói e do Oeste, que explode todo mês de julho no Calgary Stampede. É uma cidade jovem, uma das de maior renda per capita do Canadá, diversa (com imigração crescente) e sempre bem colocada nos rankings de qualidade de vida.
Sua economia, historicamente dependente do petróleo e do gás, viveu os altos e baixos do setor e, nos últimos anos, vem buscando se diversificar rumo à tecnologia, às finanças, à logística e ao turismo. A cidade tem uma boa oferta cultural (museus, o Studio Bell da música, teatros), parques à beira do rio Bow, bairros com personalidade (Kensington, Inglewood) e uma cena gastronômica em alta, famosa pelas carnes de Alberta.
Mas, para a maioria dos viajantes do mundo, Calgary é sobretudo a grande porta de entrada para as Montanhas Rochosas: seu aeroporto internacional é o ponto de partida de quase todas as viagens a Banff, Lake Louise e Jasper, que ficam a pouco mais de uma hora a oeste. Essa posição estratégica, às portas de uma das paisagens mais espetaculares do planeta, reforça seu papel turístico. Para o viajante, Calgary oferece uma metrópole agradável e segura onde aterrissar e se preparar para as Rochosas, com o atrativo extra do seu caráter caubói único e, se a data ajudar, do lendário Stampede. É a cidade onde o Oeste, a energia e a montanha se dão as mãos.