Varna é a capital marítima da Bulgária: a grande cidade do Mar Negro, com um longo calçadão à beira-mar, o frondoso Jardim do Mar, praias urbanas, um centro elegante cheio de vida e, em seu museu, um dos tesouros mais impressionantes da história humana: o ouro mais antigo do mundo, trabalhado há cerca de 6.500 anos. É ao mesmo tempo cidade de praia, porto, sede da marinha e cidade universitária, com um clima jovem e cosmopolita que faz dela a 'capital de verão' do país.
Sua joia é o Museu Arqueológico, que guarda o ouro da Necrópole de Varna, com mais de três mil objetos de ouro encontrados em túmulos do V milênio a.C.: a ourivesaria processada mais antiga que se conhece, anterior às pirâmides e à Suméria. A poucos passos, as imponentes Termas Romanas lembram a Varna antiga, a grega Odessos, enquanto o Jardim do Mar —um dos maiores parques costeiros da Europa— convida a passear entre estátuas, museus e vistas para o mar.
Este guia percorre Varna com olhar prático: o que ver e quanto custam seus museus, onde ficam as melhores praias do centro, como chegar de avião, trem ou ônibus, como se locomover pela cidade e que passeios incluir, do Mosteiro rupestre de Aladzha à enigmática Floresta de Pedra. Uma cidade onde a história mais antiga da Europa convive com a melhor vida de praia do Mar Negro.
Varna é uma das cidades mais antigas da Europa. Perto daqui, a Necrópole de Varna revelou o ouro processado mais antigo do mundo, de cerca de 6.500 anos atrás, testemunho de uma sociedade calcolítica surpreendentemente complexa. No século VI a.C., colonos gregos de Mileto fundaram a cidade de Odessos, próspera colônia comercial do Mar Negro, que depois foi romana e bizantina; dessa época restam as grandes Termas Romanas. Com nome eslavo, Varna foi praça búlgara e bizantina na Idade Média, e em 1444 suas muralhas viram a batalha de Varna, em que o rei Ladislau III da Polônia e da Hungria caiu diante dos otomanos. Depois de séculos de domínio otomano e da libertação de 1878, Varna se desenvolveu como porto e balneário, e hoje é a capital do Mar Negro búlgaro. Contamos tudo isso na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The Black Sea shore was colonised by the Greeks 2,600 years ago and holds everything from the Thracian gold of Varna to the Byzantine churches of Nesebar, among old fishing towns and modern resorts.
Ler a história de The Black Sea coast →Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.
Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.
Origem, formação e o que dizem as fontes.
A história de Varna começa com uma descoberta que obrigou a reescrever manuais inteiros. Em outubro de 1972, enquanto um operário cavava uma vala nos arredores da cidade, apareceu um túmulo cheio de objetos de ouro. Os arqueólogos que foram até o local encontraram algo extraordinário: uma necrópole da Idade do Cobre (calcolítico), de meados do V milênio a.C., ou seja, de uns 6.500 anos atrás. E, em seus túmulos, mais de três mil objetos de ouro que somam vários quilos: a ourivesaria trabalhada mais antiga conhecida no mundo, mais de mil anos anterior ao ouro do Egito ou da Mesopotâmia.
A Necrópole de Varna revelou muito mais do que ouro. A distribuição das riquezas entre os túmulos (alguns pobres, outros carregados de tesouros e um em particular, o do chamado 'homem poderoso', com diademas, braceletes, um arco coberto de ouro e até um adorno para o pênis) mostrou que aquela sociedade pré-histórica já era profundamente hierarquizada, com elites, poder e comércio de longa distância. Foi uma das primeiras civilizações europeias a dominar a metalurgia do ouro e do cobre, no contexto da chamada cultura de Varna, que floresceu graças à sua posição às margens do Mar Negro e às rotas comerciais.
Esse tesouro, hoje exposto no Museu Arqueológico de Varna, faz da cidade um lugar-chave para entender as origens da civilização europeia, milênios antes de gregos e romanos.
Milhares de anos depois daquele ouro pré-histórico, a baía de Varna voltou a atrair os povos do Mediterrâneo. Por volta do século VI a.C., colonos gregos vindos de Mileto, na Ásia Menor, fundaram aqui a cidade de Odessos, uma das colônias gregas do Mar Negro (o Ponto Euxino). Odessos prosperou como porto comercial: negociava grãos, vinho, peixe e escravos com os trácios do interior e com o resto do mundo grego, e cunhou sua própria moeda. A cultura grega e a trácia conviveram ali, e seus templos e necrópoles deixaram testemunhos notáveis.
Com o avanço de Roma pelos Bálcãs, Odessos foi incorporada ao Império Romano no século I a.C. e viveu uma nova época de esplendor dentro da província da Mésia. A cidade ganhou muralhas, templos, um fórum e, sobretudo, grandes termas públicas construídas nos séculos II e III d.C.: as Termas Romanas, cujas ruínas monumentais ainda podem ser visitadas e estão entre as maiores preservadas dos Bálcãs. Odessos também foi um centro cristão precoce, com bispado, e continuou sendo uma cidade importante sob o Império Bizantino, herdeiro de Roma no Oriente.
O nome eslavo Varna aparece nos documentos a partir da Alta Idade Média, quando a região começou a ser povoada por eslavos e a entrar na órbita do nascente Estado búlgaro.
Durante a Idade Média, Varna foi uma praça disputada entre o Império Bizantino e os sucessivos Estados búlgaros. Fez parte do Primeiro e do Segundo Império Búlgaro, foi porto e cidade comercial e mudou de mãos várias vezes conforme o rumo das guerras balcânicas. O porto a tornava valiosa: por ele saíam as mercadorias do interior e entravam as de todo o Mar Negro, inclusive com a presença de mercadores genoveses e venezianos.
O episódio medieval mais célebre aconteceu em 1444. Naquela altura, os turcos otomanos já dominavam boa parte dos Bálcãs, e uma grande cruzada cristã, organizada pelo papado e liderada pelo rei Ladislau III, que reinava ao mesmo tempo na Polônia e na Hungria, ao lado do grande general João Hunyadi, marchou para o leste para frear o avanço otomano. Em 10 de novembro de 1444, cristãos e otomanos se enfrentaram diante das muralhas de Varna numa batalha decisiva. O exército do sultão Murad II venceu, e o jovem rei Ladislau morreu em combate; desde então a história o lembra como Ladislau 'Varnenczyk' ('de Varna'). A derrota selou o destino dos Bálcãs: poucos anos depois cairia Constantinopla (1453), e toda a Bulgária ficaria firmemente sob domínio otomano.
Sob o Império Otomano, Varna se tornou uma fortaleza e um porto militar de primeira ordem, palco de sucessivas guerras, sobretudo nos conflitos entre otomanos e russos durante os séculos XVIII e XIX.
A libertação da Bulgária chegou com a Guerra Russo-Turca de 1877-1878; Varna passou a fazer parte do novo Principado da Bulgária em 1878, depois de séculos de domínio otomano. A cidade, com seu grande porto natural, logo se tornou a principal saída marítima do jovem Estado e um motor econômico. Foram construídos o porto moderno, a ferrovia que a ligava ao interior e prédios públicos e religiosos que simbolizavam o renascimento nacional, como a grande Catedral da Dormição, erguida entre 1880 e 1886.
Ao mesmo tempo, Varna descobriu sua vocação de cidade de veraneio. No fim do século XIX e começo do XX foi criado o Jardim do Mar, um dos maiores parques costeiros da Europa, e a cidade passou a atrair banhistas e quem buscava tratamentos de saúde graças ao clima ameno, às praias e às águas. Na primeira metade do século XX, Varna se consolidou como o grande balneário da Bulgária, com hotéis, cassino e uma vida social animada, e durante um tempo teve outros nomes antes de recuperar o de Varna.
O período socialista (1944-1989) transformou a cidade de novo: o porto e a indústria naval foram ampliados, foram construídos os grandes complexos turísticos do litoral (Golden Sands, Albena, Sunny Day) para o turismo de massa do bloco do Leste, e Varna virou destino de férias para milhões de visitantes de toda a Europa Oriental. Também cresceu como cidade universitária e cultural, sede de festivais de música e cinema.
Depois da queda do comunismo em 1989 e da transição dos anos 1990, Varna se reafirmou como a capital marítima da Bulgária e uma das cidades mais dinâmicas do país. A entrada da Bulgária na União Europeia, em 2007, abriu o litoral a um turismo mais internacional, e hoje a cidade combina seu papel de grande porto comercial e sede da marinha búlgara com o de destino de praia, centro universitário e polo cultural, com festivais de verão, teatros e uma vida noturna intensa.
O visitante encontra em Varna um leque pouco comum: de manhã, pode ver de perto o ouro mais antigo do mundo no Museu Arqueológico ou passear entre as ruínas das Termas Romanas de Odessos; ao meio-dia, se perder pelo Jardim do Mar, com seus museus, seu aquário e seus mirantes; e à tarde, descer até as praias urbanas para um mergulho no Mar Negro. A pouca distância ficam o Mosteiro rupestre de Aladzha, escavado na rocha, e os enigmáticos pilares da Floresta de Pedra.
Oito milênios depois de aquelas comunidades pré-históricas trabalharem o primeiro ouro da humanidade às margens desta baía, Varna continua vivendo de frente para o mar. É, ao mesmo tempo, uma das cidades mais antigas da Europa e a mais veranista da Bulgária: um lugar onde a história profunda do continente convive com o burburinho alegre do litoral.