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Parque Nacional da Serra do Cipó
🇧🇷 Brasil · Sudeste

Parque Nacional da Serra do Cipó

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📍Estado
Minas Gerais
📌Melhor época
Estação seca (abril a setembro) para trilhas; chuvas para cachoeiras mais volumosas
📌Dias sugeridos
2 a 4 dias
📌Moeda
Real brasileiro (BRL)
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A Serra do Cipó é um dos destinos de natureza mais bonitos de Minas Gerais, um conjunto de montanhas, cânions, cachoeiras, rios cristalinos e campos de altitude (campos rupestres) protegido pelo Parque Nacional da Serra do Cipó e por áreas vizinhas, a pouco mais de 100 km de Belo Horizonte. Faz parte da Cordilheira do Espinhaço e se destaca pela biodiversidade, com espécies endêmicas de flora e fauna.

É um paraíso para trilhas, banhos de cachoeira e poços de águas cristalinas, ciclismo e contato com a natureza. Atrações como a Cachoeira da Farofa, a Cachoeira do Tombador, o Cânion das Bandeirinhas e o rio Cipó atraem trilheiros e amantes do ar livre. A região se divide entre vários municípios (como Santana do Riacho e Jaboticatubas) e combina o parque nacional com propriedades particulares e reservas.

Este guia percorre o essencial da Serra do Cipó: as principais cachoeiras e trilhas dentro e fora do parque, as atividades de natureza, como organizar a visita (vagas, guias, acessos) e como chegar saindo de Belo Horizonte. É ideal para trilheiros, amantes de cachoeiras e viajantes em busca de natureza e aventura.

📖 História de Parque Nacional da Serra do Cipó

O Parque Nacional da Serra do Cipó foi criado em 1984 para proteger uma área de excepcional valor natural na Cordilheira do Espinhaço, em Minas Gerais, com seus campos rupestres, cânions, cachoeiras e nascentes de rios importantes. A região, de terras tradicionalmente ligadas à pecuária e a comunidades rurais, se transformou em um dos principais destinos de ecoturismo do estado e integra também a área da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco.

Ler a história completa ↓

🏛️ Parque Nacional da Serra do Cipó fica em Minas Gerais

The state of gold and the baroque: cradle of the Inconfidência and of Tiradentes, of historic towns such as Ouro Preto and Tiradentes, of pão de queijo and of an artistic heritage —that of Aleijadinho— without equal in Brazil.

Ler a história de Minas Gerais →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Belo Horizonte

Saem de Belo Horizonte, a 70 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.

1
Cachoeira da Farofa
Uma das cachoeiras mais famosas do parque, no fim de uma trilha pela serra.
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A Cachoeira da Farofa é uma das grandes cachoeiras do Parque Nacional da Serra do Cipó. Chega-se a ela depois de uma trilha de vários quilômetros pelos campos rupestres, normalmente combinando caminhada (e às vezes bicicleta no trecho inicial). A queda e seus poços convidam ao banho em um cenário de montanha espetacular. É um dos passeios clássicos do parque, de dia inteiro, que recompensa o esforço com uma das paisagens mais bonitas da serra.
ℹ️ Dentro do parque nacional; trilha longa. Acesso com entrada do parque e horários. Leve água e comida.
2
Cânion das Bandeirinhas
Um cânion imponente de paredes rochosas e rio, no coração do parque.
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O Cânion das Bandeirinhas é uma das joias do parque: um cânion profundo de paredes rochosas esculpidas pelo rio, em um cenário selvagem de grande beleza. Chegar até lá exige uma caminhada longa e puxada pela serra, por isso costuma pedir bom preparo físico e, muitas vezes, guia. É uma das experiências mais impressionantes para trilheiros experientes, com paisagens de rocha, água e campos de altitude.
ℹ️ Dentro do parque; trilha longa e puxada, às vezes com guia obrigatório. Confira acesso e distância.
3
Cachoeiras da região (Tombador, Grande, Véu da Noiva)
Inúmeras cachoeiras dentro e fora do parque, com poços para banho.
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A Serra do Cipó está repleta de cachoeiras. Além das que ficam no parque nacional, no entorno (em propriedades particulares e reservas) há quedas acessíveis como a Cachoeira do Tombador, a Cachoeira Grande, o Véu da Noiva e muitos outros poços e balneários de águas cristalinas. Algumas exigem caminhadas curtas; outras ficam perto dos acessos. São ideais para banho e para quem busca natureza sem trilhas tão longas quanto as do interior do parque.
ℹ️ Muitas em propriedade particular com entrada própria. Melhor conferir quais estão abertas e seus acessos.
4
Trilha e rio Cipó (cânions e poços)
O rio que dá nome à serra, com trechos para banho e paisagem.
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O rio Cipó e outros cursos d'água da região oferecem trechos de águas cristalinas, poços e pequenas cachoeiras ideais para se refrescar, além de paisagens de cerrado e campos rupestres. Há trilhas que acompanham o rio e permitem combinar caminhada e banho. É um jeito mais tranquilo de curtir a serra, em contato com suas águas e sua vegetação característica.
ℹ️ Acessos variados; alguns no parque, outros em fazendas. Melhor com tempo bom.
5
Mirante da Serra e paisagens do Espinhaço
Mirantes e estradas panorâmicas com vista da cordilheira.
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A região oferece mirantes e trechos de estrada (como a subida rumo à Serra do Cipó) com vistas panorâmicas da Cordilheira do Espinhaço, seus campos de altitude e suas formações rochosas. A paisagem de campos rupestres, com sua flora endêmica (orquídeas, sempre-vivas e outras espécies únicas), é um dos grandes tesouros da região e pode ser apreciada especialmente desses pontos elevados.
ℹ️ Acessíveis por estrada; melhor com céu limpo. Alguns ficam no caminho para o parque.
6
Cachoeira Véu da Noiva
Uma cachoeira icônica e acessível, em propriedade particular, ideal para banho e para um primeiro contato com a serra.
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A Cachoeira Véu da Noiva é uma das cachoeiras mais famosas e acessíveis da Serra do Cipó, localizada em uma propriedade particular administrada pela ACM (Associação Cristã de Moços de Minas Gerais), que também oferece camping. A queda e o poço fazem dela um clássico para banho e para quem quer curtir a serra sem caminhadas longas. É perfeita para uma primeira aproximação com a paisagem da região. Ela é cercada por várias pousadas (Quintal da Serra, Varandas da Serra, Pousada Serra do Cipó, todas a poucas centenas de metros), o que a torna muito prática como base. O acesso é pago e a entrada é cobrada por hora ou por dia. Como chegar: na região de Santana do Riacho, na MG-010; acesso pela propriedade da ACM. Melhor época: o ano todo; mais volumosa na temporada de chuvas. Dicas: leve roupa de banho; o acesso é pago por hora ou por dia; vale confirmar os horários.
ℹ️ Em propriedade particular (ACM). Entrada: R$ 11 por uma hora ou R$ 30 a diária (verificado em julho de 2026). Acesso fácil, ideal para banho.
7
Cachoeira do Tombador
Uma das cachoeiras mais bonitas da serra, com queda dupla e ótimos poços para nadar.
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A Cachoeira do Tombador é considerada uma das mais bonitas da Serra do Cipó: tem duas quedas, uma delas com cerca de 12 metros de altura, e um ótimo poço para banho. Fica em uma propriedade particular do entorno e o acesso é por uma caminhada curta a média, o que a torna acessível para a maioria dos visitantes que buscam uma cachoeira espetacular sem um trekking puxado. É ideal para combinar com outras cachoeiras da região em um dia dedicado a banhos e natureza. Como muitas das cachoeiras fora do parque nacional, tem acesso e entrada próprios. Como chegar: no entorno da serra (propriedade particular); de carro e caminhada curta a média. Melhor época: o ano todo; mais água na temporada de chuvas. Dicas: confirme se está aberta e o valor da entrada (costuma ficar entre R$ 15–35, conforme a propriedade); leve calçado para caminhada e roupa de banho.
ℹ️ Propriedade particular; queda dupla (uma de ~12 m) e poços. Entrada local aprox. R$ 15–35 (confira).
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Entrada al Parque Nacional da Serra do Cipó (ICMBio)Grátis: a cobrança continua temporariamente suspensa. Abre 8:00–17:00, entrada até as 14:00 (fonte: ICMBio, guia do visitante, verificado em julho de 2026)
Cachoeira Véu da Noiva (ACM, privada)R$ 11 por uma hora ou R$ 30 a diária por pessoa (fonte: ACM-MG e Portal Serra do Cipó, verificado em julho de 2026)
Cascadas en propiedad privada (Tombador, Grande, etc.)Aprox. R$ 15–40 por pessoa, conforme a propriedade (fonte: portais locais e pousadas, verificado em julho de 2026)
Guía para senderos largos (Bandeirinhas, etc.)Aprox. R$ 150–350 por grupo/dia, conforme o roteiro (fonte: guias locais, verificado em julho de 2026)
Alquiler de bicicleta (sendero a la Farofa, ~7 km)Aprox. R$ 50–80 por dia (fonte: locadoras locais, verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Trilhas até cachoeiras e cânions do parque
DuraçãoMeio dia a dia inteiro
OperadoraParque / guias locais
Preço
Entrada no parque grátis (cobrança suspensa; verificado em julho de 2026); guia R$ 150–350 por grupo/dia nas trilhas longas
Banho em cachoeiras e poços (Véu da Noiva, Tombador etc.)
DuraçãoVariável
OperadoraFazendas e reservas locais
Preço
Entradas locais R$ 11–40 por pessoa, conforme a cachoeira (verificado em julho de 2026)
Ciclismo em trilhas (ex.: até a Farofa)
PreçoAluguel de bike aprox. R$ 50–80 por dia (verificado em julho de 2026)
DuraçãoVariável
OperadoraAluguel local de bicicletas
Rapel, tirolesa e aventura
PreçoAprox. R$ 80–200 por pessoa/atividade (verificado em julho de 2026)
DuraçãoVariável
OperadoraOperadoras de aventura locais
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🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Carro próprio ou alugado
DuraçãoVariável
Preço
Aluguel a partir de R$ 120–220 por dia (em Belo Horizonte/Confins) + combustível
Observações
Muito recomendável: as atrações ficam espalhadas pela região e pelo parque; alguns acessos são por estradas de terra
Transfers e passeios
DuraçãoVariável
Preço
Transfer de BH/Confins R$ 200–400 por trecho; passeios de um dia R$ 150–350 por pessoa (verificado em julho de 2026)
Observações
Agências e pousadas oferecem transfers e passeios aos principais pontos
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Belo Horizonte → Serra do Cipó (MG-010)Ônibus (Saritur) ou carroÔnibus aprox. R$ 25–45 por trecho; de carro, só combustível/pedágios (verificado em julho de 2026)Aprox. 2 a 2,5 h (cerca de 100-110 km)
Aeroporto de Confins (CNF) → Serra do CipóTransfer privado ou carro alugadoTransfer R$ 200–400 por trecho; carro a partir de R$ 120/dia (verificado em julho de 2026)Aprox. 1,5 a 2 h
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Pousadas e hotéis-fazenda de alto padrão
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 700–1.800+ a diária; pousadas e hotéis rurais de luxo com spa e piscinas naturais. Ex.: Capim do Mato Pousada & Spa by L'Occitane (a partir de ~R$ 1.600)
Pousadas de padrão médio (Santana do Riacho, entradas do parque)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 250–600 a diária; ampla oferta com café da manhã incluído, várias a poucos metros da Cachoeira Véu da Noiva. Ex.: Quintal da Serra, Varandas da Serra
Campings e opções econômicas
Preço$$$$$
Opções recomendadas
R$ 150–280 a diária (camping a partir de ~R$ 40–70 por pessoa); hostels e pousadas simples, populares entre trilheiros

🍴 Onde comer

Cocina minera tradicional
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 45–90 por pessoa; pratos típicos mineiros (frango com quiabo, feijão tropeiro, tutu) em restaurantes e pousadas da região
Restaurantes y comedores de pousadas
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 30–60 por pessoa; comida caseira, muitas vezes por quilo, e opções para trilheiros perto dos acessos
Cafés y opciones naturales
Preço$$$$$
Opções / prato típico
R$ 15–40 por pessoa; cafés, sucos, açaí e comida simples na área turística

📖 História de Parque Nacional da Serra do Cipó

Origem, formação e o que dizem as fontes.

Um jardim de plantas que não existem em nenhum outro lugar do mundo

Imagine uma montanha tão antiga que já era velha quando os dinossauros apareceram. As rochas da Serra do Cipó têm mais de 1,7 bilhão de anos: elas se formaram no fundo de mares que hoje não existem mais, se dobraram, se ergueram e foram erodidas durante um tempo quase impossível de imaginar. Essa antiguidade extrema é a chave de tudo o que torna especial este cantinho de Minas Gerais, porque uma paisagem tão velha e tão isolada acabou inventando a sua própria vida.

A Serra do Cipó faz parte da Cordilheira do Espinhaço, uma espinha dorsal de montanhas que atravessa o centro de Minas Gerais e se estende até a Bahia, considerada uma das formações geológicas mais antigas do Brasil. Nas suas partes altas, sobre solos pobres, arenosos e pedregosos, varridos pelo vento e pelo sol, desenvolveu-se um ecossistema que os botânicos chamam de campos rupestres: uma vegetação baixa, retorcida e luminosa, adaptada a condições extremas, que esconde uma das maiores concentrações de plantas endêmicas do planeta.

Endêmico significa que só existe ali e em nenhum outro lugar da Terra. Nos campos rupestres da Serra do Cipó crescem sempre-vivas douradas que parecem flores de metal, dezenas de orquídeas minúsculas, velózias, canelas-de-ema com jeito de palmeira anã e plantas carnívoras que capturam insetos com seu orvalho. Os cientistas calculam que a região abriga mais de 1.700 espécies de plantas, centenas delas exclusivas destas montanhas. É, literalmente, um jardim botânico natural que a evolução levou milhões de anos para escrever.

E tem mais: a Serra do Cipó é uma fábrica de água. Nas suas partes altas nascem rios que abastecem bacias fundamentais para Minas Gerais, entre eles o próprio rio Cipó, que dá nome à serra. Essa combinação de geologia antiquíssima, biodiversidade única e nascentes de água limpa transformou a região em um tesouro natural muito antes de o primeiro turista chegar com uma mochila e uma câmera.

Tropeiros, gado e sempre-vivas: a vida antes do parque

Muito antes de se tornar um dos grandes destinos de ecoturismo de Minas Gerais, a Serra do Cipó foi terra de trabalho duro. Durante séculos, a região foi território de pecuária extensiva e de comunidades rurais que viviam da criação de gado, da pequena agricultura e do que a serra podia oferecer. As famílias se espalhavam por municípios como Santana do Riacho e Jaboticatubas, em uma paisagem de campos de altitude, cursos d'água e estradas de terra vermelha.

Por essas montanhas passavam os tropeiros, que conduziam tropas de mulas e gado por longas rotas ligando o interior de Minas a outras regiões do país. Muitas das trilhas que hoje os caminhantes percorrem rumo à Cachoeira da Farofa ou ao Cânion das Bandeirinhas são, na verdade, antigos caminhos de tropa e de passagem do gado, marcas de uma economia que se movia no lombo das mulas. Alguns nomes de lugares, histórias e tradições locais ainda remetem a essa vida rural ligada à terra e à serra.

Uma das atividades mais curiosas dessa época foi a coleta de sempre-vivas. Essas flores secas, que mantêm a forma e a cor durante meses, eram colhidas aos milhares nos campos rupestres e exportadas como enfeite para a Europa e outros mercados. Para muitas famílias da região, foi uma fonte de renda importante, mas a extração intensiva começou a ameaçar plantas que levavam anos para crescer e que só existiam ali.

Com o tempo, a pressão sobre os recursos naturais —o pastoreio, as queimadas para renovar as pastagens, a coleta descontrolada de plantas— e o crescente reconhecimento do valor ecológico da região colocaram na mesa uma pergunta difícil: como proteger um ecossistema frágil e único sem virar as costas para as comunidades que viviam dele havia gerações? Esse equilíbrio, tão delicado, seria o desafio que marcaria a criação do parque nacional.

1984: o ano em que a serra virou parque nacional

Para preservar esse patrimônio natural excepcional, o governo brasileiro criou, em 25 de setembro de 1984, o Parque Nacional da Serra do Cipó, protegendo um amplo território da serra —cerca de 31.000 hectares— com seus campos rupestres, cânions, cachoeiras e nascentes. O parque ficou sob a gestão dos órgãos ambientais federais, hoje o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), com regras voltadas a conservar a flora e a fauna endêmicas e a organizar a visitação do público.

A criação do parque não foi um ato isolado. A região foi ganhando reconhecimento pela sua importância ecológica e passou a integrar a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco em 2005, o que reforçou seu status de área de conservação de relevância internacional. Ao redor do parque nacional foram criadas áreas de proteção ambiental (APAs), como a APA Morro da Pedreira, que ampliam o território protegido e funcionam como uma zona de amortecimento entre o coração selvagem da serra e as atividades humanas do entorno.

Ao mesmo tempo que a conservação avançava, a Serra do Cipó se transformou em um dos grandes destinos de ecoturismo de Minas Gerais. A proximidade de Belo Horizonte —pouco mais de 100 quilômetros, umas duas horas pela rodovia MG-010— colocou a serra ao alcance de milhares de moradores da capital mineira em busca de natureza, trilhas e água fresca nos fins de semana. Suas inúmeras cachoeiras, suas caminhadas por paisagens de montanha e seus poços de águas cristalinas atraíram trilheiros, ciclistas, escaladores e amantes do ar livre de todo o país.

Hoje a região combina o parque nacional administrado pelo ICMBio com dezenas de pousadas, reservas particulares, campings e atrativos em fazendas e sítios, em um modelo que busca conciliar o turismo com a proteção. É um equilíbrio em construção permanente: cada cachoeira liberada para banho, cada trilha aberta e cada nova pousada levanta a mesma pergunta de fundo que acompanha a serra desde 1984: como deixar as pessoas aproveitarem este paraíso sem destruir aquilo que elas vêm admirar.

Um laboratório natural com espécies que levam o nome da serra

Um dos grandes valores da Serra do Cipó é a sua biodiversidade excepcional, fruto de milhões de anos de isolamento dos campos rupestres no alto do Espinhaço. A região abriga uma quantidade enorme de espécies endêmicas de flora e fauna: além das sempre-vivas e das orquídeas, há aves, anfíbios, répteis, peixes e insetos que só são encontrados ali. De tempos em tempos, os biólogos que trabalham na serra descobrem e descrevem uma espécie nova para a ciência —uma perereca, uma flor, um peixinho de córrego— que nunca antes tinha recebido nome. Por essa concentração de vida única, a Serra do Cipó é considerada um dos pontos de maior riqueza biológica do Brasil, um verdadeiro laboratório natural a céu aberto.

Entre seus moradores mais emblemáticos está o lobo-guará, esse canídeo esbelto de pernas longas e pelagem avermelhada que percorre os campos ao entardecer, além de tamanduás, macacos, pacas e dezenas de aves dos campos de altitude. Nos rios e córregos vivem peixes adaptados às águas frias e cristalinas das nascentes. Todo esse mundo depende de um ecossistema tão rico quanto frágil, onde um incêndio, uma obra ou uma temporada de excesso de turistas podem deixar cicatrizes que levam anos para fechar.

Isso porque essa riqueza convive com ameaças reais: os incêndios na estação seca —muitos deles criminosos— que devastam centenas de hectares de campos rupestres, a pressão do turismo sobre trilhas e cachoeiras, a coleta ilegal de plantas ornamentais e a expansão imobiliária no entorno do parque. A gestão do ICMBio, junto com as APAs e as reservas particulares, busca conservar esse patrimônio e, ao mesmo tempo, organizar a visitação pública para que o ecoturismo não degrade justamente aquilo que atrai os visitantes.

A inclusão da região na Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco, reforçou o compromisso de conservar esse território em escala internacional. Hoje, a Serra do Cipó é ao mesmo tempo um santuário de espécies únicas, uma sala de aula aberta para a ciência e um dos destinos de natureza mais queridos de Minas Gerais. O desafio permanente continua sendo o mesmo de 1984: manter o equilíbrio entre a conservação de um ecossistema insubstituível, a vida das comunidades locais e um turismo que, ano após ano, atrai mais viajantes de Belo Horizonte e de todo o Brasil. Quando você estiver caminhando rumo à Cachoeira da Farofa ou entrando nas águas geladas de um poço, vale lembrar que está em uma das paisagens mais antigas e singulares do planeta.

📚 Bibliografia

  • ICMBio — «Parque Nacional da Serra do Cipó» (oficial): https://www.gov.br/icmbio/
  • Wikipedia (ES) — «Parque nacional de la Serra do Cipó»: https://es.wikipedia.org/wiki/Parque_nacional_de_la_Serra_do_Cip%C3%B3
  • Wikipedia (EN) — «Serra do Cipó National Park»: https://en.wikipedia.org/wiki/Serra_do_Cip%C3%B3_National_Park
  • Wikipedia (EN) — «Espinhaço Mountains»: https://en.wikipedia.org/wiki/Espinha%C3%A7o_Mountains
  • Wikipedia (PT) — «Campo rupestre»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_rupestre
  • Wikipedia (PT) — «Sempre-viva»: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sempre-viva
  • Unesco — Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço: https://en.unesco.org/biosphere/lac/serra-do-espinhaco
  • Minas Gerais Turismo (oficial): https://www.minasgerais.com.br/
  • Portal Serra do Cipó — informação turística regional: https://portalserradocipo.com.br/

❓ Perguntas frequentes

O que é a Serra do Cipó?+
É uma região de montanhas, cânions, cachoeiras e campos de altitude na Cordilheira do Espinhaço, em Minas Gerais, protegida em parte pelo Parque Nacional da Serra do Cipó. É um dos grandes destinos de trilhas, cachoeiras e ecoturismo do estado, a cerca de 100 km de Belo Horizonte.
As atrações ficam todas no parque nacional?+
Não. Há cachoeiras e trilhas dentro do Parque Nacional da Serra do Cipó (como a Farofa ou o Cânion das Bandeirinhas), mas muitas outras cachoeiras e balneários ficam em propriedades particulares e reservas do entorno, com acessos e entradas próprios.
Precisa de guia?+
Para as trilhas mais longas e puxadas do parque (como a do Cânion das Bandeirinhas), costuma ser obrigatório ou muito recomendável contratar guia. Para muitas cachoeiras acessíveis do entorno, não é indispensável. Vale conferir as regras vigentes do parque.
Qual é a melhor época para visitar?+
A estação seca (abril a setembro) é ideal para trilhas, com os caminhos em melhor estado, embora algumas cachoeiras fiquem com menos água. Na época de chuvas as cachoeiras ficam mais volumosas, mas as trilhas podem complicar e há risco de cabeças d'água.
Precisa de carro?+
É muito recomendável, já que as atrações ficam espalhadas pela região e muitos acessos são por estradas de terra. Também dá para contar com os transfers e passeios oferecidos pelas pousadas e agências locais.
Como chegar saindo de Belo Horizonte?+
De carro ou ônibus, em cerca de 2 a 2,5 horas (uns 100-110 km), pela rodovia MG-010. É uma escapada de natureza muito popular a partir da capital mineira, ideal para um feriado prolongado.

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