Viajá con Gus
Início › Bolívia › Parque Nacional Tunari
Parque Nacional Tunari
🇧🇴 Bolívia · Vales

Parque Nacional Tunari

🪪 Que documentos eu preciso para entrar em Bolívia?Escolha sua cidadania: a gente diz o visto, os dias e os trâmites, com a fonte oficial.

Ao deixar seu e-mail e sua cidadania você aceita receber a documentação que pediu e novidades de viagem toda semana. Você pode cancelar quando quiser. Como cuidamos dos seus dados.
Pule para o que você procura
📍Departamento
Cochabamba (Bolívia). O parque abraça a cidade de Cochabamba pelo norte, protegendo a cordilheira do Tunari, com mais de 300.000 hectares que vão das encostas às portas da cidade até cumes de mais de 5.000 metros, como o cerro Tunari (5.035 m), o ponto mais alto do centro da Bolívia
📌Cidade de apoio
Cochabamba é a base: da cidade se chega em minutos à zona baixa de recreação e se organizam as excursões à zona alta. Conta com aeroporto (Jorge Wilstermann), hotéis, restaurantes, bancos e caixas eletrônicos. Para a zona alta e o cerro Tunari, vale a pena ir de 4x4 ou com tour organizado
📌Melhor época
Estação seca, de maio a outubro, com céu limpo, melhores vistas dos cumes e trilhas em melhor estado. Na temporada de chuvas (novembro a março) a montanha costuma ficar nublada e os caminhos se complicam
📌Dias sugeridos
Com meio dia dá para percorrer os mirantes e a zona baixa de recreação; com um dia inteiro é possível fazer caminhadas até lagoas de altitude ou a subida ao cerro Tunari (esta última, puxada e longa)
📌Moeda
Boliviano (BOB). Leve algum dinheiro em espécie para o registro, guias e transporte; na cidade há caixas eletrônicos, no parque não
💱 USD exchange rate
Loading rate…
🌤️ Weather in Parque Nacional Tunari
Loading weather…

O Parque Nacional Tunari é um extenso parque de montanha que abraça a cidade de Cochabamba pelo norte, protegendo as encostas e os cumes da cordilheira do Tunari. Criado para resguardar as bacias, as florestas e o entorno natural da cidade, oferece desde mirantes e bosques de pinheiros na parte baixa até lagoas de altitude, páramos e o imponente cume do cerro Tunari, o ponto mais alto do departamento.

Sua parte mais acessível, nos arredores de Cochabamba, é um espaço de recreação e passeio para os moradores da cidade: áreas de floresta, mirantes com vistas panorâmicas do vale e caminhos para caminhar ou andar de bicicleta. Mais acima e em direção ao interior do parque se abre um mundo de alta montanha, com lagoas glaciais, bosques de Puya Raimondi, fauna andina e a possibilidade de subir ao cerro Tunari (mais de 5.000 m).

Este guia reúne o essencial do Parque Nacional Tunari: o que oferecem sua zona baixa e sua zona alta, como chegar a partir de Cochabamba, que atividades fazer, os custos das excursões e dicas práticas para aproveitar o grande pulmão verde e montanhoso da cidade.

📖 História de Parque Nacional Tunari

O Parque Nacional Tunari foi criado em 1962 (e ampliado depois, especialmente em 1991) para proteger a cordilheira que cerca Cochabamba, suas bacias hidrográficas e seu entorno natural, além de frear a erosão e resguardar o abastecimento de água da cidade. O cume do Tunari e a cordilheira também têm significado na cultura andina da região, como montanhas tutelares ('Apus'). A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Parque Nacional Tunari fica em Cochabamba

The department of the central valleys and the granary of Bolivia: Quechua land of temperate climate, gastronomic capital of the country, cradle of the Heroines of La Coronilla and of the Water War, gateway to the Inca ruins of Incallajta and to the caves and dinosaur footprints of Torotoro.

Ler a história de Cochabamba →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Cochabamba

Saem de Cochabamba, a 20 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.

1
Cerro Tunari (5.035 m)
O cume mais alto do departamento de Cochabamba e do centro da Bolívia.
Leer más ↓
O cerro Tunari, com pouco mais de 5.000 metros de altitude, é o ponto culminante do parque e de todo o departamento de Cochabamba (e do centro do país). Sua subida é um objetivo clássico para montanhistas e trekkers com bom preparo físico e aclimatação; do topo se têm vistas excepcionais dos vales, da cordilheira e, em dias claros, de um vasto horizonte andino. A rota mais comum sobe pelo norte em um dia, combinando transporte 4x4 até uns 4.500 m e depois cerca de 6 horas de caminhada até o cume; também pode ser feita pelo sul em dois dias. A subida exige planejamento, equipamento adequado, boa aclimatação e, em geral, guia. Como chegar: a partir de Cochabamba, de 4x4 até o ponto de partida (uns 4.500 m), com guia. Melhor época: estação seca (maio a outubro). Dicas: aclimate-se bem antes (o cume passa dos 5.000 m), leve agasalho, protetor solar, água e calçado de montanha; saia cedo.
ℹ️ Acesso: De Cochabamba, 4x4 até ~4.500 m + caminhada, com guia · Entrada: Registro no parque (grátis ou taxa simbólica); tour guiado com 4x4 aprox. US$ 60–120 por pessoa (verificado em julho de 2026) · Duração: Dia inteiro (longa; ~6 h de caminhada)
2
Zona baixa: florestas e áreas de recreação
Espaço de passeio, piquenique e trilhas às portas de Cochabamba.
Leer más ↓
A parte baixa do parque, nas encostas que dominam Cochabamba, é a mais acessível e visitada. Inclui áreas de floresta (em parte de pinheiros e eucaliptos plantados para estabilizar as encostas), áreas de piquenique, trilhas e cabanas. No setor recreativo, a uns 10 km de Cochabamba, há cabanas, cerca de 10 km de trilhas ecológicas e algumas cachoeiras. É um lugar habitual de passeio, esporte e excursão de meio dia para os cochabambinos e os visitantes. Para entrar, é preciso se registrar nos escritórios do parque na entrada. Como chegar: em poucos minutos a partir de Cochabamba, de táxi ou carro. Melhor época: o ano todo; melhor em dias de céu limpo. Dicas: leve água e comida para piquenique, boné e protetor solar; ideal para ir em família ou praticar esporte.
ℹ️ Acesso: A poucos minutos de Cochabamba (táxi ou carro); registro na entrada · Entrada: Registro no parque (grátis ou taxa simbólica de poucos bolivianos, verificado em julho de 2026) · Duração: Meio dia
3
Lagoas de altitude (Toro, Taquiña e outras)
Lagoas glaciais de águas azuis na zona alta, destino de caminhadas.
Leer más ↓
Nas zonas altas do Parque Tunari há numerosas lagoas de origem glacial (como a Laguna Toro, a Laguna Taquiña e outras), em um ambiente de puna e páramo, que fazem parte do sistema hídrico que abastece de água a região. De águas azuis e margens às vezes habitadas pela fauna, oferecem paisagens de grande beleza. Algumas são destino de caminhadas e excursões de dia inteiro, às vezes em circuitos que ligam várias lagoas, em uma paisagem de alta montanha com fauna andina (aves, viscachas e outros animais). Vale a pena ir com guia ou tour, já que o acesso combina veículo e caminhada. Como chegar: a partir de Cochabamba, com veículo 4x4 e caminhada, de preferência com guia. Melhor época: estação seca. Dicas: agasalho e protetor solar (a altitude engana), água, calçado de trekking; vá com calma por causa da altitude.
ℹ️ Acesso: Zona alta do parque; veículo 4x4 + caminhada, com guia · Entrada: Registro no parque; excursão guiada aprox. US$ 50–100 por pessoa conforme o grupo (verificado em julho de 2026) · Duração: Dia inteiro
4
Varandas naturais com vistas panorâmicas da cidade e do vale.
Leer más ↓
Das encostas do parque, vários mirantes oferecem vistas panorâmicas esplêndidas da cidade de Cochabamba e de todo o seu vale, estendido aos pés da cordilheira. São paradas clássicas para fotografar a cidade, especialmente no fim da tarde, quando a luz doura o vale. Há também um setor de observação de aves no caminho para Morochata, na região de San Miguel. Os mirantes combinam facilmente com um passeio pela zona baixa de recreação e não exigem grande esforço físico. Como chegar: de carro ou táxi pelos caminhos da zona baixa do parque. Melhor época: dias de céu limpo, fim de tarde para as melhores fotos. Dicas: leve câmera, um agasalho leve (venta) e água.
ℹ️ Acesso: Caminhos da zona baixa do parque, de carro ou táxi · Entrada: Registro no parque (grátis ou taxa simbólica, verificado em julho de 2026) · Duração: 1 a 2 horas (dá para combinar com a zona baixa)
5
Bosque de Puya Raimondi
Agrupamentos da maior planta do mundo, que floresce uma única vez na vida.
Leer más ↓
O Parque Tunari protege agrupamentos de Puya Raimondi (titanka), considerada a maior planta do mundo em seu gênero: uma bromélia gigante de altitude que pode passar dos 10 metros quando emite sua espetacular inflorescência, o que acontece uma única vez na vida (depois de décadas) antes de morrer. É um exemplo extraordinário da flora andina de altitude. Ver esses agrupamentos, sobretudo se der a sorte de encontrar exemplares em flor, é uma experiência botânica única. Crescem em zonas de altitude do parque e são visitados em excursões específicas, muitas vezes combinadas com lagoas ou com a subida ao cerro. Como chegar: na zona alta do parque, com guia e veículo. Melhor época: estação seca; a floração é imprevisível (consulte localmente). Dicas: respeite as plantas (são protegidas e frágeis), leve agasalho, água e protetor solar.
ℹ️ Acesso: Zona alta do parque, com guia e veículo · Entrada: Registro no parque; costuma estar incluído nas excursões à zona alta (aprox. US$ 50–100 por pessoa, verificado em julho de 2026) · Duração: Dentro de excursões de dia inteiro
6
Mountain bike e trekking
Caminhos e trilhas de montanha para bike e trekking com vista para o vale.
Leer más ↓
As encostas e os caminhos do Parque Tunari são um terreno ideal para mountain bike e trekking, com rotas que combinam esforço, natureza e vistas panorâmicas do vale de Cochabamba. Há desde percursos leves pela zona baixa até descidas e trekkings mais exigentes em altitude. Várias operadoras de Cochabamba oferecem saídas de mountain bike e caminhadas guiadas pelo parque, uma boa forma de combinar esporte e paisagem. É uma atividade muito popular entre cochabambinos e visitantes ativos. Como chegar: a partir de Cochabamba, por conta própria (zona baixa) ou com operadoras (rotas mais altas). Melhor época: estação seca. Dicas: capacete e equipamento adequado para a bike; em altitude, hidrate-se e aclimate-se; verifique o estado das trilhas.
ℹ️ Acesso: De Cochabamba; por conta própria ou com operadoras locais · Entrada: Registro no parque; saída guiada/aluguel de bike aprox. US$ 30–70 por pessoa (verificado em julho de 2026) · Duração: Meio dia a dia inteiro
📶Em nenhuma viagem fiquei sem internet. Chego e meu celular se conecta à rede mais forte do país que estou visitando: já posso avisar que cheguei, organizar o transporte, reservar passeios e seguir publicando conteúdo por um preço muito conveniente (barato mesmo!). Sempre uso o eSIM da Maya Mobile, confira os planos clicando no banner.Ver planos →Maya Mobile eSIM — conecte-se antes de aterrissar
O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Ingreso al parque (registro en oficinas, zona baja/recreación)Grátis ou taxa simbólica de poucos bolivianos (fonte: Global National Parks e Boliviaentusmanos, verificado em julho de 2026)
Excursión guiada al cerro Tunari (con 4x4)Aprox. US$ 60–120 por pessoa conforme o grupo (inclui 4x4, guia e refeições, verificado em julho de 2026)
Excursión guiada a lagunas de alturaAprox. US$ 50–100 por pessoa conforme o grupo (verificado em julho de 2026)
Salida de mountain bike / senderismo guiadoAprox. US$ 30–70 por pessoa conforme o programa e o aluguel de equipamento (verificado em julho de 2026)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

AtividadePreçoDuraçãoOperadora
Subida ao cerro Tunari (5.035 m)Aprox. US$ 60–120 por pessoa (4x4 + guia + refeições, verificado em julho de 2026)Dia inteiro (longa; ~6 h de caminhada)Agências e guias de montanha de Cochabamba (South America Planet e outros)
Trekking e mirantes na zona baixaPor conta própria: só registro/taxa simbólica; com guia aprox. US$ 20–40 (verificado em julho de 2026)Meio diaPor conta própria ou guias locais
Excursão às lagoas de altitude (Toro, Taquiña etc.)Aprox. US$ 50–100 por pessoa conforme o grupo (verificado em julho de 2026)Dia inteiroAgências locais de Cochabamba
Mountain bikeAprox. US$ 30–70 por pessoa (saída + aluguel, verificado em julho de 2026)Meio dia a dia inteiroOperadoras de bike de Cochabamba
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Carro próprio ou táxi
DuraçãoMinutos até a zona baixa
Preço
Táxi de Cochabamba à zona baixa aprox. Bs 30–60 só ida (verificado em julho de 2026)
Observações
A forma mais prática de chegar à zona baixa e de se aproximar da zona alta. Vale combinar o preço do táxi antes
Tour com transporte 4x4 incluído
DuraçãoVariável
Preço
Incluído na excursão (parte dos US$ 50–120 do tour, verificado em julho de 2026)
Observações
As excursões ao cume e às lagoas incluem o traslado em 4x4 a partir de Cochabamba; é a forma habitual de chegar à zona alta
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Cochabamba → acessos ao Parque Tunari (zona baixa)Táxi, carro próprio ou tourTáxi aprox. Bs 30–60 só ida (verificado em julho de 2026)Minutos (o parque margeia a cidade)
Cochabamba → zona alta e cerro TunariTour 4x4 ou carro próprio (alta exigência)Excursão 4x4 + guia aprox. US$ 50–120 por pessoa (verificado em julho de 2026)Várias horas conforme o ponto
Voo para Cochabamba (Jorge Wilstermann) + trasladoBoA, Amaszonas até CBB + táxi/tourVoo conforme a tarifa + traslado local (táxi Bs 30–60, verificado em julho de 2026)Voo + traslado até os acessos do parque
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Hotéis de categoria superior em Cochabamba
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Como base, Cochabamba oferece hotéis de categoria alta (p. ex. redes e boutique): aprox. Bs 400–800 (US$ 57–115) a diária (verificado em julho de 2026). Veja o guia de Cochabamba
Hotéis intermediários em Cochabamba
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Ampla oferta de hotéis intermediários na cidade: aprox. Bs 180–400 (US$ 26–57) a diária (verificado em julho de 2026). Práticos como base para visitar o parque
Hostels e hospedagem econômica em Cochabamba
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Hostels e pousadas simples para orçamentos apertados: aprox. Bs 70–180 (US$ 10–26) a diária (verificado em julho de 2026)
Cabanas e áreas recreativas do parque
Preço$$$$$
Opções recomendadas
No setor recreativo (km 10) há cabanas básicas; consulte disponibilidade e tarifa nos escritórios do parque (aprox. Bs 100–250 a diária, verificado em julho de 2026)

🍴 Onde comer

Comida cochabambina (pique macho, silpancho)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Antes ou depois da visita, Cochabamba —capital gastronômica da Bolívia— oferece pratos famosos como o pique macho, o silpancho e a falsa: aprox. Bs 30–70 por prato (verificado em julho de 2026)
Restaurantes y cafés en Cochabamba
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Ampla oferta de restaurantes de cozinha boliviana e internacional na cidade: aprox. Bs 40–100 por prato conforme o nível (verificado em julho de 2026). Veja o guia de Cochabamba
Mercados y comida popular
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Mercados como La Cancha oferecem almoços, salteñas e lanches baratos: aprox. Bs 10–30 por refeição (verificado em julho de 2026)
Áreas de pícnic en el parque
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Na zona baixa é comum levar comida para piquenique; vale a pena se abastecer na cidade: aprox. Bs 20–50 em provisões (verificado em julho de 2026)

📖 História de Parque Nacional Tunari

Origem, formação e o que dizem as fontes.

A cordilheira do Tunari e seu significado andino

A cordilheira do Tunari domina o horizonte norte do vale de Cochabamba, erguendo-se como uma cortina de montanhas que separa a fértil bacia cochabambina das regiões mais altas e, rumo ao norte, da descida para o trópico. Seu cume principal, o cerro Tunari, com pouco mais de 5.000 metros de altitude, é o ponto mais alto do departamento e uma referência visual permanente para os moradores do vale.

Como outras grandes montanhas dos Andes, o Tunari sempre teve um peso simbólico na cultura da região. Na cosmovisão andina, os cerros tutelares — os 'apus' ou 'achachilas' — são entidades protetoras ligadas à água, à fertilidade e à vida das comunidades. A cordilheira que abraça Cochabamba, fonte dos rios e das chuvas que dão vida ao vale, se encaixa nessa visão das montanhas como guardiãs do bem-estar das pessoas.

Do ponto de vista natural, a cordilheira do Tunari é essencial para Cochabamba: nas suas alturas nascem as águas que abastecem o vale, e suas encostas regulam o clima e o regime hídrico da região. Essa importância ecológica e hidrológica acabaria se tornando, com o tempo, um dos motivos de fundo para sua proteção como parque nacional.

A criação do parque e a proteção do vale

O Parque Nacional Tunari nasceu de uma emergência bem concreta: as enchentes. Ano após ano, durante a temporada de chuvas, as torrentes que desciam da cordilheira — potencializadas pela erosão e pelo desmatamento das encostas — inundavam os municípios ao norte de Cochabamba, causando danos recorrentes à cidade e aos arredores. Para frear esse problema, em 30 de março de 1962 o governo de Víctor Paz Estenssoro promulgou o Decreto Supremo N.º 6045, declarando parque nacional a faixa de montanha situada ao norte da cidade. Um ano e meio depois, em 4 de novembro de 1963, essa proteção foi elevada à categoria de lei por meio da Lei N.º 253, dando ao Tunari uma base jurídica mais sólida e duradoura.

Curiosamente, o próprio nome do parque tem origem botânica: em quíchua, 'Tunari' é interpretado como 'lugar onde há muitas tunas' ou 'plantação de nopal', em referência aos cactos (tunas ou opúntias) que cresciam nas encostas mais baixas e secas da cordilheira. É um nome que lembra a vegetação original dessas montanhas antes que as plantações de pinheiros e eucaliptos, introduzidas depois para conter a erosão, mudassem boa parte da paisagem que se vê de Cochabamba.

Com o passar das décadas, o parque foi ampliado de forma notável, estendendo-se por uma vasta área da cordilheira — hoje distribuída entre as províncias de Ayopaya, Cercado, Quillacollo, Chapare e Tapacarí — para abranger não só a zona próxima à cidade, mas também amplas áreas de alta montanha, lagoas glaciais e páramos. Na parte baixa foram desenvolvidos programas de reflorestamento e criados espaços de lazer para a população, enquanto a gestão da área teve de lidar, de forma constante, com os desafios típicos de um parque que margeia uma grande cidade em expansão: ocupações irregulares, incêndios florestais e a pressão pelo uso de seus recursos hídricos.

O parque hoje: pulmão e montanha de Cochabamba

Hoje o Parque Nacional Tunari é, ao mesmo tempo, o grande pulmão verde e a montanha de Cochabamba. Sua zona baixa, acessível e próxima da cidade, funciona como um espaço de lazer aonde os cochabambinos vão para caminhar, praticar esportes, curtir os mirantes sobre o vale e passar o dia em contato com a natureza. É um dos lugares de lazer mais queridos da região.

Já a zona alta oferece um cenário de alta montanha: a subida ao cerro Tunari, as lagoas de origem glacial, os páramos e a fauna andina atraem trilheiros e montanhistas. Esse contraste entre uma parte baixa urbana e recreativa e uma parte alta agreste e montanhosa é uma das marcas do parque, que em poucos quilômetros passa do agito da cidade ao silêncio dos cumes.

No entanto, essa proximidade com uma cidade de mais de um milhão de habitantes em sua região metropolitana também é a maior ameaça que o parque enfrenta. Pesquisas e reportagens das últimas décadas documentaram o avanço de loteamentos e ocupações irregulares sobre as encostas protegidas, além de incêndios florestais recorrentes na estação seca, que destroem boa parte da cobertura vegetal ano após ano. Organizações ambientais e a própria gestão da área apontam que, mais de sessenta anos depois de sua criação, os trabalhos de controle, reflorestamento e regularização de limites continuam insuficientes diante da pressão urbana da região metropolitana de Cochabamba (às vezes chamada de 'Kanata').

O Parque Tunari resume, assim, a relação nem sempre simples entre Cochabamba e sua cordilheira: a montanha que fornece a água, regula o clima, oferece lazer e marca a identidade da paisagem do vale, mas que também precisa ser defendida ativamente do crescimento da própria cidade que protege. Conservá-lo é, para Cochabamba, cuidar ao mesmo tempo da sua natureza, do seu abastecimento de água e do seu espaço de lazer ao ar livre para as próximas gerações.

Flora e fauna de altitude: a gigante Puya Raimondi

Embora o Parque Tunari seja conhecido sobretudo pela cordilheira e pelo seu papel hídrico, seu valor natural se completa com uma flora e uma fauna de altitude notáveis. Nos seus diferentes andares ecológicos — das encostas com florestas plantadas de pinheiros e eucaliptos à puna e ao páramo dos cumes — convivem espécies adaptadas ao frio, à altitude e à secura do ambiente andino.

Sua joia botânica é a Puya Raimondi (titanka), considerada a maior planta do mundo no seu gênero: uma bromélia gigante que cresce lentamente durante décadas e, no fim da vida, produz uma inflorescência espetacular que pode passar de dez metros de altura, com milhares de flores, antes de morrer. Os agrupamentos de Puya Raimondi do Tunari são um patrimônio natural singular e um espetáculo botânico que poucos ecossistemas do planeta oferecem.

Quanto à fauna, as alturas do parque abrigam aves andinas, viscachas, raposas e outros animais adaptados à puna, além da vida que se concentra em torno das lagoas glaciais. Essa biodiversidade de altitude, somada à sua função como reservatório de água, reforça a importância de conservar o Tunari não só como pulmão recreativo de Cochabamba, mas como um ecossistema andino com valor próprio, vulnerável aos incêndios, ao avanço urbano e às mudanças climáticas.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Parque nacional Tunari»: https://es.wikipedia.org/wiki/Parque_nacional_Tunari
  • Wikipedia (ES) — «Tunari (cerro)»: https://es.wikipedia.org/wiki/Tunari
  • Wikipedia (ES) — «Puya raimondii»: https://es.wikipedia.org/wiki/Puya_raimondii
  • SERNAP — Servicio Nacional de Áreas Protegidas (Bolivia): https://sernap.gob.bo/
  • Bolivia Turismo (oficial): https://boliviatravel.gob.bo/
  • Global National Parks — Parque Nacional Tunari (Cochabamba): https://www.globalnationalparks.com/es/bolivia/tunari/
  • Boliviaentusmanos — Parque nacional Tunari: https://www.boliviaentusmanos.com/turismo/atractivos/parque-nacional-tunari.html
  • Bolivia Online — Cordillera del Tunari / Parque Nacional Tunari: http://www.bolivia-online.net/es/cochabamba/134/cordillera-del-tunari-parque-nacional-tunari

❓ Perguntas frequentes

Quanto custa visitar o Parque Tunari?+
A zona baixa de recreação só exige registro nos escritórios do parque na entrada, com acesso gratuito ou uma taxa simbólica de poucos bolivianos. As atividades guiadas custam mais: uma excursão de mountain bike ou trilha fica em torno de US$ 30–70 por pessoa, uma saída às lagoas de altitude uns US$ 50–100, e a subida guiada ao cerro Tunari (com 4x4) aproximadamente US$ 60–120 por pessoa (faixa segundo South America Planet e agências de Cochabamba, verificado em julho de 2026). Confira com operadores de Cochabamba; em grupos o preço por pessoa cai.
O que é o Parque Nacional Tunari?+
É um parque nacional de montanha que cerca a cidade de Cochabamba pelo norte, protegendo a cordilheira do Tunari, suas florestas, lagoas e bacias hidrográficas, com mais de 300.000 hectares. Vai desde zonas baixas de recreação às portas da cidade até cumes de mais de 5.000 metros, como o cerro Tunari (5.035 m).
Dá para subir o cerro Tunari?+
Sim. A subida ao cerro Tunari (5.035 m) é um objetivo clássico para trilheiros e montanhistas com bom preparo físico e aclimatação. A rota mais comum sobe pelo norte em um dia, com 4x4 até uns 4.500 m e depois umas 6 horas de caminhada. Vale a pena ir com guia e equipamento adequado. As vistas do cume são extraordinárias.
Como se chega ao parque?+
A zona baixa, de recreação, fica às portas de Cochabamba e se chega em poucos minutos de táxi (aprox. Bs 30–60) ou veículo. Para a zona alta, as lagoas e o cerro Tunari, vale a pena ir com veículo 4x4 ou com uma excursão organizada a partir da cidade, já que o acesso é mais complicado.
É preciso aclimatação?+
Para a zona baixa e os mirantes não é necessária uma aclimatação especial. Mas para subir aos cumes de mais de 5.000 metros, sim, é importante estar aclimatado à altitude (idealmente alguns dias em Cochabamba ou no altiplano antes), já que o esforço nessa altitude é considerável.
O que dá para fazer além de subir cumes?+
Na zona baixa dá para caminhar, fazer piquenique, andar de bicicleta e aproveitar os mirantes sobre o vale de Cochabamba. Na zona alta há caminhadas até lagoas de origem glacial (Toro, Taquiña), observação de fauna e paisagem andina, e a possibilidade de ver a singular floresta de Puya Raimondi, a maior planta do mundo.

Outros destinos de Bolívia

PotosíReserva Nacional de Fauna Andina Eduardo AvaroaRurrenabaqueSalar de UyuniSamaipataSan Ignacio de Velasco
Ver todos os destinos de Bolívia →A história de Bolívia →
Fontes consultadas (10)
Continua planejando?
Explore mais destinos de Bolívia
Ver todos os destinos →