O Parque Nacional Tunari é um extenso parque de montanha que abraça a cidade de Cochabamba pelo norte, protegendo as encostas e os cumes da cordilheira do Tunari. Criado para resguardar as bacias, as florestas e o entorno natural da cidade, oferece desde mirantes e bosques de pinheiros na parte baixa até lagoas de altitude, páramos e o imponente cume do cerro Tunari, o ponto mais alto do departamento.
Sua parte mais acessível, nos arredores de Cochabamba, é um espaço de recreação e passeio para os moradores da cidade: áreas de floresta, mirantes com vistas panorâmicas do vale e caminhos para caminhar ou andar de bicicleta. Mais acima e em direção ao interior do parque se abre um mundo de alta montanha, com lagoas glaciais, bosques de Puya Raimondi, fauna andina e a possibilidade de subir ao cerro Tunari (mais de 5.000 m).
Este guia reúne o essencial do Parque Nacional Tunari: o que oferecem sua zona baixa e sua zona alta, como chegar a partir de Cochabamba, que atividades fazer, os custos das excursões e dicas práticas para aproveitar o grande pulmão verde e montanhoso da cidade.
O Parque Nacional Tunari foi criado em 1962 (e ampliado depois, especialmente em 1991) para proteger a cordilheira que cerca Cochabamba, suas bacias hidrográficas e seu entorno natural, além de frear a erosão e resguardar o abastecimento de água da cidade. O cume do Tunari e a cordilheira também têm significado na cultura andina da região, como montanhas tutelares ('Apus'). A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The department of the central valleys and the granary of Bolivia: Quechua land of temperate climate, gastronomic capital of the country, cradle of the Heroines of La Coronilla and of the Water War, gateway to the Inca ruins of Incallajta and to the caves and dinosaur footprints of Torotoro.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
A cordilheira do Tunari domina o horizonte norte do vale de Cochabamba, erguendo-se como uma cortina de montanhas que separa a fértil bacia cochabambina das regiões mais altas e, rumo ao norte, da descida para o trópico. Seu cume principal, o cerro Tunari, com pouco mais de 5.000 metros de altitude, é o ponto mais alto do departamento e uma referência visual permanente para os moradores do vale.
Como outras grandes montanhas dos Andes, o Tunari sempre teve um peso simbólico na cultura da região. Na cosmovisão andina, os cerros tutelares — os 'apus' ou 'achachilas' — são entidades protetoras ligadas à água, à fertilidade e à vida das comunidades. A cordilheira que abraça Cochabamba, fonte dos rios e das chuvas que dão vida ao vale, se encaixa nessa visão das montanhas como guardiãs do bem-estar das pessoas.
Do ponto de vista natural, a cordilheira do Tunari é essencial para Cochabamba: nas suas alturas nascem as águas que abastecem o vale, e suas encostas regulam o clima e o regime hídrico da região. Essa importância ecológica e hidrológica acabaria se tornando, com o tempo, um dos motivos de fundo para sua proteção como parque nacional.
O Parque Nacional Tunari nasceu de uma emergência bem concreta: as enchentes. Ano após ano, durante a temporada de chuvas, as torrentes que desciam da cordilheira — potencializadas pela erosão e pelo desmatamento das encostas — inundavam os municípios ao norte de Cochabamba, causando danos recorrentes à cidade e aos arredores. Para frear esse problema, em 30 de março de 1962 o governo de Víctor Paz Estenssoro promulgou o Decreto Supremo N.º 6045, declarando parque nacional a faixa de montanha situada ao norte da cidade. Um ano e meio depois, em 4 de novembro de 1963, essa proteção foi elevada à categoria de lei por meio da Lei N.º 253, dando ao Tunari uma base jurídica mais sólida e duradoura.
Curiosamente, o próprio nome do parque tem origem botânica: em quíchua, 'Tunari' é interpretado como 'lugar onde há muitas tunas' ou 'plantação de nopal', em referência aos cactos (tunas ou opúntias) que cresciam nas encostas mais baixas e secas da cordilheira. É um nome que lembra a vegetação original dessas montanhas antes que as plantações de pinheiros e eucaliptos, introduzidas depois para conter a erosão, mudassem boa parte da paisagem que se vê de Cochabamba.
Com o passar das décadas, o parque foi ampliado de forma notável, estendendo-se por uma vasta área da cordilheira — hoje distribuída entre as províncias de Ayopaya, Cercado, Quillacollo, Chapare e Tapacarí — para abranger não só a zona próxima à cidade, mas também amplas áreas de alta montanha, lagoas glaciais e páramos. Na parte baixa foram desenvolvidos programas de reflorestamento e criados espaços de lazer para a população, enquanto a gestão da área teve de lidar, de forma constante, com os desafios típicos de um parque que margeia uma grande cidade em expansão: ocupações irregulares, incêndios florestais e a pressão pelo uso de seus recursos hídricos.
Hoje o Parque Nacional Tunari é, ao mesmo tempo, o grande pulmão verde e a montanha de Cochabamba. Sua zona baixa, acessível e próxima da cidade, funciona como um espaço de lazer aonde os cochabambinos vão para caminhar, praticar esportes, curtir os mirantes sobre o vale e passar o dia em contato com a natureza. É um dos lugares de lazer mais queridos da região.
Já a zona alta oferece um cenário de alta montanha: a subida ao cerro Tunari, as lagoas de origem glacial, os páramos e a fauna andina atraem trilheiros e montanhistas. Esse contraste entre uma parte baixa urbana e recreativa e uma parte alta agreste e montanhosa é uma das marcas do parque, que em poucos quilômetros passa do agito da cidade ao silêncio dos cumes.
No entanto, essa proximidade com uma cidade de mais de um milhão de habitantes em sua região metropolitana também é a maior ameaça que o parque enfrenta. Pesquisas e reportagens das últimas décadas documentaram o avanço de loteamentos e ocupações irregulares sobre as encostas protegidas, além de incêndios florestais recorrentes na estação seca, que destroem boa parte da cobertura vegetal ano após ano. Organizações ambientais e a própria gestão da área apontam que, mais de sessenta anos depois de sua criação, os trabalhos de controle, reflorestamento e regularização de limites continuam insuficientes diante da pressão urbana da região metropolitana de Cochabamba (às vezes chamada de 'Kanata').
O Parque Tunari resume, assim, a relação nem sempre simples entre Cochabamba e sua cordilheira: a montanha que fornece a água, regula o clima, oferece lazer e marca a identidade da paisagem do vale, mas que também precisa ser defendida ativamente do crescimento da própria cidade que protege. Conservá-lo é, para Cochabamba, cuidar ao mesmo tempo da sua natureza, do seu abastecimento de água e do seu espaço de lazer ao ar livre para as próximas gerações.
Embora o Parque Tunari seja conhecido sobretudo pela cordilheira e pelo seu papel hídrico, seu valor natural se completa com uma flora e uma fauna de altitude notáveis. Nos seus diferentes andares ecológicos — das encostas com florestas plantadas de pinheiros e eucaliptos à puna e ao páramo dos cumes — convivem espécies adaptadas ao frio, à altitude e à secura do ambiente andino.
Sua joia botânica é a Puya Raimondi (titanka), considerada a maior planta do mundo no seu gênero: uma bromélia gigante que cresce lentamente durante décadas e, no fim da vida, produz uma inflorescência espetacular que pode passar de dez metros de altura, com milhares de flores, antes de morrer. Os agrupamentos de Puya Raimondi do Tunari são um patrimônio natural singular e um espetáculo botânico que poucos ecossistemas do planeta oferecem.
Quanto à fauna, as alturas do parque abrigam aves andinas, viscachas, raposas e outros animais adaptados à puna, além da vida que se concentra em torno das lagoas glaciais. Essa biodiversidade de altitude, somada à sua função como reservatório de água, reforça a importância de conservar o Tunari não só como pulmão recreativo de Cochabamba, mas como um ecossistema andino com valor próprio, vulnerável aos incêndios, ao avanço urbano e às mudanças climáticas.