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San Gregorio de Polanco é uma cidadezinha pitoresca do departamento de Tacuarembó, no norte do Uruguai, às margens da represa do Río Negro (a barragem de Rincón del Bonete ou Gabriel Terra). É conhecida por duas características que a tornam única: suas praias de água doce, que a transformaram em um balneário fluvial muito querido do interior, e sua condição de 'museu a céu aberto', graças aos inúmeros murais que decoram as paredes da cidade.
O projeto dos murais fez de San Gregorio um caso singular no turismo uruguaio: artistas plásticos interferiram nas fachadas e muros da cidade com obras de arte, criando uma galeria ao ar livre que se percorre a pé e que deu ao lugar fama e identidade próprias. Somado às suas extensas praias de areia na represa, San Gregorio combina arte, natureza e descanso de um jeito pouco comum.
Este guia reúne tudo o que é prático para visitar San Gregorio de Polanco: as praias e a represa do Río Negro, o roteiro pelos murais da cidade-museu, as atividades náuticas e de pesca, onde se hospedar e acampar, e como chegar a partir de Tacuarembó. Um destino do norte profundo, original e tranquilo, ideal para quem procura um balneário diferente e uma proposta cultural inesperada.
San Gregorio de Polanco cresceu como povoado às margens do Río Negro e se transformou após a construção da barragem de Rincón del Bonete (Gabriel Terra) na década de 1940, que formou a grande represa e deu origem às suas praias. No fim do século XX, um projeto de arte pública cobriu suas paredes de murais, transformando-a em uma 'cidade-museu' a céu aberto. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓O departamento mais extenso do país, no norte gaúcho: terra da Cuchilla de Haedo e da Fiesta de la Patria Gaucha, do disputado berço de Carlos Gardel em Valle Edén e das praias e murais de San Gregorio de Polanco.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Imagine uma cidadezinha do interior, perdida no norte do Uruguai, onde quase nada acontecia: casas baixas, uma praça, o gado, o rio ao lado. E de repente, duas vezes em menos de um século, essa cidadezinha mudou completamente. Primeiro ganhou de presente um mar de água doce; depois foi transformada na maior galeria de arte a céu aberto do país. San Gregorio de Polanco é isso: um lugar que se reinventou duas vezes e que hoje não se parece com quase nenhum outro canto do Uruguai.
San Gregorio surgiu como uma cidadezinha do norte uruguaio, no departamento de Tacuarembó, às margens do Rio Negro, o principal curso de água interno do país. Como tantas localidades do interior, cresceu ligada à vida rural e ao rio, em uma região de campo, pecuária e comunicações fluviais e terrestres que articulavam o norte do território. A vida da cidadezinha sempre foi marcada pela relação com a água: o Rio Negro era uma via de comunicação e um recurso, e as margens, um espaço da vida cotidiana. Essa proximidade com o rio definiu a identidade do lugar muito antes de ele se transformar no destino turístico que é hoje.
O topônimo, San Gregorio de Polanco, combina a invocação religiosa com o nome da região, na tradição das cidades do interior uruguaio. Durante muito tempo foi uma localidade tranquila e pouco conhecida fora da sua região, até que dois marcos —a represa de meados do século XX e, décadas depois, os murais— lhe dariam projeção nacional e a transformariam em um caso único, capaz de oferecer ao viajante praias de areia, arte urbana e a calma do norte profundo em um mesmo lugar.
O grande ponto de virada na história de San Gregorio foi a construção da represa de Rincón del Bonete, sobre o Rio Negro. As obras começaram em 1937 e a usina foi inaugurada em 21 de dezembro de 1945: foi a primeira grande usina hidrelétrica da América do Sul e, durante décadas, a principal fonte de energia renovável do Uruguai, até a chegada de Salto Grande. Durante muitos anos ela foi conhecida oficialmente como usina hidrelétrica Gabriel Terra —em homenagem ao presidente da época—, até que em 2019 o Parlamento aprovou uma lei (19.795) que lhe devolveu o nome popular: Rincón del Bonete.
Essa obra, projetada originalmente pelo engenheiro alemão Adolf Ludin e concebida décadas antes pelo uruguaio Víctor Sudriers, formou um reservatório descomunal: cerca de 1.240 km² de superfície, o maior lago artificial do país. O reservatório inundou vastas extensões e modificou as margens, mas ao mesmo tempo deu origem a um dos maiores trunfos turísticos de San Gregorio: suas praias de água doce. A grande massa de água do lago, de águas calmas e sem ondas fortes, criou extensas praias de areia que, com o tempo, transformaram a cidadezinha em um balneário fluvial, um caso singular em um país cujo turismo de praia se concentra no litoral oceânico.
Assim, uma obra concebida para gerar energia hidrelétrica acabou dando a San Gregorio de Polanco uma nova vocação. As praias do reservatório atraíram veranistas do interior norte, que encontraram neste canto de Tacuarembó uma alternativa de sol, areia e água doce, longe do mar, mas com o charme de um balneário próprio. Boa parte da cidadezinha que vemos hoje —com sua orla, seus acessos à praia e sua vida de verão— se explica por aquele lago que nasceu da represa.
O grande marco da história recente de San Gregorio chegou em 10 de abril de 1993, quando a cidadezinha se tornou o primeiro Museu Aberto de Artes Visuais do Uruguai e da América. A ideia era tão simples quanto ousada: se a cidade não tinha dinheiro para construir um museu, então a cidade inteira seria o museu. Em vez de pendurar quadros em uma sala, seriam pintadas as paredes das casas, os muros, as fachadas, e a obra ficaria ao ar livre, à vista de todos, de graça, para sempre.
A iniciativa surgiu da Comisión de Amigos del Arte y la Cultura de San Gregorio, com o apoio da Junta Local, dos moradores e, mais tarde, da Intendencia Departamental de Tacuarembó, tomando como referência uma experiência semelhante desenvolvida na Espanha. Foi fundamental o compromisso dos próprios moradores, que cederam suas paredes para que os artistas fizessem suas intervenções: sem essa permissão casa por casa, o museu não teria existido.
Uma semana antes da inauguração, numerosos artistas plásticos foram convocados à cidade e registraram sua arte diretamente nas paredes e ruas de San Gregorio. Entre os nomes de destaque dessa etapa fundadora estão Gustavo Alamón, Cléver Lara, Tomás Blezio, Luis Scarpa e Luis Muro. No dia da inauguração já havia mais de 30 obras concluídas, um número que cresceria ano após ano. Desde então, caminhar por San Gregorio é dar de cara com arte a cada passo: um retrato na parede de um armazém, uma paisagem abstrata na lateral de uma casa, uma cena que dialoga com a cidade e com o rio. O museu não tem portas, nem horários, nem ingresso, e essa é justamente a graça.
Com o passar dos anos, o projeto ganhou o nome de MAAIS (Museo a Cielo Abierto de Arte de Latinoamérica de San Gregorio de Polanco) e se consolidou como um museu vivo: hoje reúne em média 150 murais, um número que varia constantemente porque as obras ficam expostas ao tempo e vão sendo renovadas ou repintadas. Todo verão costumam surgir novas intervenções, muitas vezes realizadas durante encontros e oficinas com artistas convidados do Uruguai e do exterior.
Em 2023 o museu completou 30 anos, com atividades comemorativas que reuniram artistas, moradores e autoridades departamentais e nacionais, reafirmando o papel do MAAIS como uma referência pioneira da arte urbana e do muralismo na região. Hoje o projeto é administrado em conjunto pelo Municipio de San Gregorio de Polanco, pela Intendencia de Tacuarembó e por órgãos de cultura e turismo.
Assim, San Gregorio combinou duas identidades complementares: a de balneário fluvial, nascida da represa da década de 1940, e a de cidade-museu, nascida da arte em 1993. Essa fusão singular de natureza e cultura é o que define hoje a localidade e a diferencia no mapa turístico uruguaio, oferecendo ao viajante uma experiência tão inesperada quanto memorável no norte profundo do país.