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Santa Teresa e Cocalmayo
🇵🇪 Peru · Selva

Santa Teresa e Cocalmayo

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📍Província/Departamento
Distrito de Santa Teresa, província de La Convención, departamento de Cusco (ceja de selva)
📌Melhor época
Estação seca, de maio a outubro (melhor estado de estradas e trilhas)
📌Horário das Termas de Cocalmayo
Todos os dias das 5h às 23h, aproximadamente (abrem de madrugada, ideal para o banho noturno). Confirmar ao visitar
📌Dias sugeridos
1 a 2 dias (muitas vezes dentro da rota para Machu Picchu por Hidroeléctrica)
📌Moeda
Sol peruano (PEN); leve dinheiro em espécie para as termas, mototáxis e restaurantes populares
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Santa Teresa é um povoado da ceja de selva cusquenha, no distrito de mesmo nome da província de La Convención, às margens do rio Vilcanota-Urubamba e de seu afluente, o Sacsara. Cercado de montanhas, cafezais e vegetação tropical, tornou-se um ponto-chave do circuito alternativo — mais barato e aventureiro — para chegar a Machu Picchu pela rota de Hidroeléctrica, além de ser um destino por si só, com suas águas termais e seu entorno de aventura.

Sua maior atração são as Termas de Cocalmayo, um complexo de piscinas de águas termais cristalinas junto ao rio Urubamba, a poucos quilômetros do povoado. Banhar-se em suas piscinas de água morna, rodeado de selva e sob as estrelas, é o fecho perfeito depois de uma caminhada até Machu Picchu ou de um dia de aventura. A região oferece também tirolesa (canopy), rafting no Urubamba, café de altitude e o clima descontraído de um povoado de selva.

Este guia percorre o essencial de Santa Teresa e Cocalmayo com um olhar prático: o preço real das termas, quanto custam a tirolesa e o rafting, como o destino se encaixa na rota econômica para Machu Picchu via Hidroeléctrica (com preços de van, colectivo e trem), onde dormir e comer e como chegar desde Cusco. É uma parada que combina relaxamento, natureza e aventura na porta de entrada da selva cusquenha.

📖 História de Santa Teresa e Cocalmayo

O distrito de Santa Teresa pertence à província de La Convención, uma região da ceja de selva cusquenha colonizada em tempos coloniais e republicanos para o cultivo de coca, cana, café e frutas, e palco das grandes lutas camponesas do século XX que precederam a reforma agrária. O povoado foi duramente atingido pela enchente de 1998, que arrasou boa parte da localidade e obrigou a realocá-la e reconstruí-la. Desde então, graças às suas águas termais e ao seu papel na rota alternativa para Machu Picchu por Hidroeléctrica, Santa Teresa ressurgiu como destino de turismo de aventura e de passagem. A história completa está na nossa página de história.

Ler a história completa ↓

🏛️ Santa Teresa e Cocalmayo fica em Cusco

The 'navel of the world': capital of the Inca empire and today the archaeological capital of the Americas, gateway to Machu Picchu, the Sacred Valley and the Vilcanota range.

Ler a história de Cusco →

🗺️ O que ver

Passeios por perto, em Ollantaytambo

Saem de Ollantaytambo, a 38 km daqui. Se você reservar por este link ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais.

1
Termas de Cocalmayo
Complexo de piscinas de águas termais cristalinas junto ao rio Urubamba, a grande atração da região.
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As Termas de Cocalmayo são o ímã de Santa Teresa: um complexo de piscinas de águas termais de origem natural, limpas e cristalinas (ao contrário de muitas termas de aspecto turvo), localizadas às margens do rio Urubamba, a poucos quilômetros do povoado. São três grandes piscinas alimentadas por nascentes subterrâneas de origem vulcânica, com temperaturas que vão de 38°C a 44°C, em um cenário de selva e montanha que convida a ficar horas. São especialmente populares entre quem faz a caminhada ou o trekking até Machu Picchu pela rota de Hidroeléctrica, já que oferecem o descanso ideal para os músculos depois do esforço. O complexo conta com serviços básicos, como vestiários, armários e áreas para sentar. Muitos visitantes destacam a experiência de se banhar à noite, sob um céu estrelado e o som do rio.
ℹ️ A poucos km de Santa Teresa, junto ao rio Urubamba; abrem das 5h às 23h, aprox. Entrada: S/ 10 estrangeiros / S/ 5 peruanos / S/ 2,50 moradores de Cusco (verificado em julho de 2026). Leve roupa de banho, toalha, chinelo e dinheiro em espécie (nem sempre aceitam cartão).
2
Santa Teresa é a base da via alternativa, mais econômica, para chegar a Aguas Calientes e Machu Picchu.
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Santa Teresa é o ponto nevrálgico da rota alternativa e econômica para Machu Picchu, conhecida como 'a rota por Hidroeléctrica'. Desde Cusco, chega-se por estrada até a usina Hidroeléctrica (passando por Santa María e Santa Teresa) e, de lá, caminha-se cerca de duas a três horas pelos trilhos do trem ao longo do rio Urubamba até Aguas Calientes (Machupicchu Pueblo), aos pés da cidadela. É a opção preferida de mochileiros e viajantes com orçamento apertado. Muitos pernoitam em Santa Teresa ou em Aguas Calientes para visitar Machu Picchu no dia seguinte e, na volta, aproveitar as termas de Cocalmayo. Também é possível pegar o trem na estação de Hidroeléctrica para quem não quiser caminhar. A caminhada pelos trilhos, entre selva e montanhas, com o Urubamba lá embaixo, é uma experiência linda por si só.
ℹ️ Caminhada de aprox. 2h30 de Hidroeléctrica a Aguas Calientes; alternativa: trem (US$ 25-40, verificado em julho de 2026). O ingresso para Machu Picchu é comprado à parte e com antecedência no site oficial (joinnus / tuboleto).
3
Aventura: tirolesa (canopy) e rafting
Tirolesa sobre o cânion e descida de corredeiras no rio Urubamba/Vilcanota, em meio à selva.
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O relevo abrupto e os rios de Santa Teresa a transformaram em um pequeno centro de turismo de aventura. A atividade mais famosa é a tirolesa ou canopy zipline: operadoras como a Jungle Vertikal oferecem circuitos com vários cabos (até 5 linhas e cerca de 3 km no total) mais uma ponte tibetana de mais de 100 metros, cruzando o cânion a boa altura, com vistas panorâmicas do vale e da selva. Soma-se a isso o rafting (canotagem) nas águas do rio Vilcanota-Urubamba, com trechos de corredeiras de cerca de 2 horas de navegação, adequados para diferentes níveis, e outras atividades, como caminhadas e passeios por cafezais. Essas experiências costumam ser contratadas com operadoras locais ou agências de Cusco, muitas vezes dentro de pacotes que combinam aventura com a rota para Machu Picchu.
ℹ️ Tirolesa a partir de US$ 45 por pessoa (inclui traslado desde Cusco/Urubamba/Ollantaytambo, verificado em julho de 2026); rafting aprox. US$ 35-60 por meio dia. Melhor época: estação seca.
4
Café, cafezais e vida de povoado de selva
Entorno de cafezais e pomares da ceja de selva, com o clima descontraído de um povoado amazônico cusquenho.
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Santa Teresa está encravada em uma zona fértil de ceja de selva, onde o café de altitude é um cultivo emblemático, junto com frutas, cacau e cana. Percorrer os arredores permite ver cafezais, conhecer o processo do café e curtir uma paisagem verde e úmida, muito diferente da serra alta de Cusco. Algumas fazendas e empreendimentos locais oferecem visitas guiadas e degustações do café da região. O próprio povoado, reconstruído depois da enchente de 1998, tem um ambiente tranquilo e acolhedor, com sua praça, suas hospedagens e restaurantes populares para recuperar as energias antes ou depois da aventura. É um bom lugar para descansar, sentir o ritmo pausado da selva e se preparar para Machu Picchu ou para as termas.
ℹ️ Visitas a cafezais por conta própria ou com guia local, geralmente incluídas em tours de aventura ou combinadas diretamente com as fazendas.
5
Ponte suspensa e trilhos do trem junto ao Urubamba
Percurso cênico junto ao rio, entre selva, plantações e o leito do Urubamba.
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O trecho entre Hidroeléctrica e Aguas Calientes, e boa parte do entorno de Santa Teresa, é percorrido junto aos trilhos do trem e ao curso do rio Urubamba, cruzando pontes suspensas e de pedestres sobre o cânion. É um passeio de grande beleza cênica, com a selva se fechando dos lados, plantações de banana e café e o rugido constante do rio. Muitos viajantes o consideram um dos trechos mais bonitos de toda a rota para Machu Picchu, além de sua função prática como acesso.
ℹ️ Percorre-se a pé, sem custo; leve calçado confortável, água e protetor solar. Ideal para fazer com luz do dia.
6
A usina que dá nome à rota alternativa e ponto de partida da caminhada até Aguas Calientes.
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A Central Hidroeléctrica Machu Picchu, sobre o rio Urubamba, é a instalação que dá nome a toda a rota alternativa até a cidadela. Embora não seja uma atração turística em si, é o ponto de referência obrigatório: aqui termina o trajeto de veículo desde Cusco (via Santa María e Santa Teresa) e começa a caminhada ou o trecho de trem até Aguas Calientes. O entorno da usina, cercado de montanhas íngremes e vegetação densa, dá uma boa ideia da magnitude da infraestrutura energética construída em pleno cânion do Urubamba.
ℹ️ Ponto de transição entre o transporte terrestre e a caminhada/trem até Machu Picchu; há barracas de comida e banheiros básicos na área.
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Entrada a las Termas de Cocalmayo (turista extranjero)S/ 10 por pessoa (fonte: site oficial cocalmayo.com e operadoras locais, verificado em julho de 2026). Somente dinheiro em espécie; nem sempre aceitam cartão
Entrada a las Termas de Cocalmayo (turista peruano / local de Cusco)S/ 5 turistas peruanos / S/ 2,50 moradores de Cusco (verificado em julho de 2026)
Tirolesa / canopy zipline (Jungle Vertikal y similares)A partir de US$ 45 por pessoa (verificado em julho de 2026; inclui traslado desde Cusco, Urubamba ou Ollantaytambo)
Rafting en el río Urubamba/VilcanotaUS$ 35-60 por pessoa, meio dia (verificado em julho de 2026, conforme operadora e trecho)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

Banho nas Termas de Cocalmayo
PreçoS/ 10 estrangeiros / S/ 5 peruanos (verificado em julho de 2026)
Duração1 a várias horas
OperadoraAdministração local das termas
Tirolesa (canopy zipline, 5 linhas + ponte tibetana)
PreçoA partir de US$ 45 por pessoa (verificado em julho de 2026)
DuraçãoAprox. 2-3 h com traslados
Operadora
Jungle Vertikal Zipline e outras operadoras de aventura de Santa Teresa/Cusco
Rafting no rio Vilcanota-Urubamba
PreçoUS$ 35-60 por pessoa (verificado em julho de 2026)
DuraçãoMeio dia (aprox. 2 h de navegação)
OperadoraOperadoras de canotagem locais e agências de Cusco
Trekking a Machu Picchu via Hidroeléctrica (pacote de 2 dias/1 noite)
Duração2 dias / 1 noite
OperadoraAgências de Cusco especializadas na rota Hidroeléctrica
Preço
US$ 180-280 por pessoa, aproximadamente (verificado em julho de 2026, inclui transporte, guia, ingresso para Machu Picchu e às vezes hospedagem)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Mototáxi / táxi até o complexo de Cocalmayo
PreçoS/ 5-10 por pessoa (verificado em julho de 2026)
DuraçãoPoucos minutos
Observações
Forma habitual de chegar às termas desde o povoado; também dá para ir a pé em 20-30 min. Santa Teresa é um povoado pequeno: não há transporte urbano formal nem app de ônibus; os mototáxis são pegos na praça e pagos SEMPRE em dinheiro (não há QR nem cartão). Combine o preço antes de subir.
A pé (caminhada Hidroeléctrica - Aguas Calientes)
Grátis
DuraçãoAprox. 2h30 por trecho
Observações
Caminha-se pelos trilhos do trem junto ao rio Urubamba; leve água, lanches e lanterna
Táxi colectivo Santa Teresa - Hidroeléctrica
PreçoS/ 15-20 (aprox. US$ 4-6) por pessoa (verificado em julho de 2026)
DuraçãoAprox. 20-30 min
Observações
Colectivos frequentes na temporada rumo ao ponto de início da caminhada; pagam-se em dinheiro ao motorista, sem app nem cartão. Saem do centro de Santa Teresa quando enchem.
Trem de Hidroeléctrica a Aguas Calientes
PreçoUS$ 25-40 por pessoa (verificado em julho de 2026)
DuraçãoAprox. 30-45 min
Observações
Alternativa à caminhada; compre com antecedência na alta temporada no site oficial da PeruRail ou da Inca Rail (pagamento com cartão online)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

Cusco → Santa María → Santa Teresa / Hidroeléctrica (ônibus turístico por Abra Málaga)
DuraçãoAprox. 6 a 7 h
Companhias aéreas / empresas
Empresas de transporte turístico (Mirabus, Machupicchu Bus Hidroeléctrica e similares)
Preço médio
US$ 12-14 por pessoa ida / US$ 25 ida e volta (verificado em julho de 2026); reserva-se e paga-se online com cartão
Santa Teresa → Hidroeléctrica (início da caminhada a Machu Picchu)
Companhias aéreas / empresasTáxi colectivo
Duração20-30 min
Preço médio
S/ 15-20 (US$ 4-6) por pessoa, em dinheiro (verificado em julho de 2026)
Cusco → Hidroeléctrica direto (ônibus turístico)
Preço médioUS$ 12-14 por trecho (verificado em julho de 2026)
DuraçãoAprox. 7 h
Companhias aéreas / empresas
Ônibus turísticos diretos (saída diária na alta temporada, de maio a setembro)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Pousadas com charme e eco-lodges
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 40-70 a noite; alguns lodges de melhor categoria no entorno de Santa Teresa, voltados a viajantes que buscam conforto e natureza (verificado em julho de 2026)
Hostais e hotéis intermediários
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 27-38 a noite; hostais e hotéis de categoria média no povoado, práticos para uma ou duas noites na rota para Machu Picchu (verificado em julho de 2026)
Hostels e opções econômicas
Preço$$$$$
Opções recomendadas
US$ 8-23 a noite; hospedagens econômicas e hostels para mochileiros, alguns perto das termas (verificado em julho de 2026)

🍴 Onde comer

Comida de selva y criolla cusqueña
Preço$$$$$
Opções / prato típico
S/ 20-40 por prato; pratos da ceja de selva e cozinha crioula em restaurantes populares e restaurantes do povoado: frango, truta, pratos com banana-da-terra e café local (verificado em julho de 2026)
Menús turísticos y comida casera
Preço$$$$$
Opções / prato típico
S/ 15-25 o menu; menus econômicos e comida caseira para viajantes de passagem, em torno da praça do povoado (verificado em julho de 2026)
Café local y refrescos de frutas
Preço$$$$$
Opções / prato típico
S/ 5-15; café de altitude da região e sucos e refrescos de frutas tropicais em cafeterias e barracas (verificado em julho de 2026)

📖 História de Santa Teresa e Cocalmayo

Origem, formação e o que dizem as fontes.

La Convención: a ceja de selva cusquenha

O povoado que hoje recebe os mochileiros a caminho de Machu Picchu não é o povoado original: o velho Santa Teresa ficou sob a lama e as pedras numa noite de 1998, quando o rio Sacsara desceu desembestado e o apagou do mapa. O que se vê ao chegar é um assentamento erguido quase do zero, meio quilômetro mais acima, por gente que decidiu não se render. Para entender por que este recanto da selva cusquenha pulsa como pulsa -entre cafezais, águas termais e adrenalina-, é preciso começar muito antes dessa catástrofe, na longa história de La Convención.

Santa Teresa pertence à província de La Convención, a mais extensa do departamento de Cusco, situada na ceja de selva, essa faixa de transição onde os Andes descem em direção à Amazônia. É uma terra de vales profundos, rios caudalosos como o Vilcanota-Urubamba, muita umidade e uma vegetação exuberante, muito diferente da do altiplano cusquenho. Desde tempos pré-hispânicos, esta região foi uma zona de contato entre o mundo andino e o amazônico: os incas a conheciam e a valorizavam por seus produtos tropicais, como a coca, as plumas, as frutas e a madeira.

Durante a época colonial e, sobretudo, durante a república, La Convención foi sendo colonizada por meio de grandes fazendas dedicadas a cultivos tropicais. O vale se tornou um importante produtor de coca (de uso tradicional), cana-de-açúcar, café, cacau e frutas, aproveitando seu clima quente e úmido. Essa economia de fazenda marcou fortemente a estrutura social da região, com fazendeiros, arrendatários e camponeses.

Nesse contexto foram se formando os povoados do vale, entre eles Santa Teresa, ligados ao trabalho agrícola e às rotas que conectavam a selva com a cidade de Cusco por passos de montanha. A identidade de Santa Teresa nasce, portanto, dessa dupla condição: um povoado de selva quente, produtor de café e frutas, mas intimamente conectado com a serra cusquenha e com a bacia do Urubamba, o mesmo rio que mais abaixo banha o santuário de Machu Picchu.

Reforma agrária e lutas camponesas

O século XX foi decisivo para La Convención. Em meados do século, o vale se tornou um dos grandes palcos das lutas camponesas do Peru. Os arrendatários e camponeses que trabalhavam as terras das fazendas, submetidos a duras condições, começaram a se organizar em sindicatos para reivindicar melhorias e, por fim, a propriedade da terra que cultivavam. A figura mais conhecida desse processo é Hugo Blanco Galdós, dirigente camponês de filiação trotskista que em 1962 chegou a ser secretário-geral da Federação Provincial de Camponeses de La Convención e Lares, e impulsionou uma 'reforma de baixo para cima' sob o lema 'Terra ou Morte'. Seu movimento organizou sindicatos de base nos vales de La Convención e Lares e teve enorme repercussão nacional, embora tenha sido desarticulado e Blanco, capturado em 1963.

Esses movimentos camponeses de La Convención foram um antecedente direto da reforma agrária que transformaria o campo peruano. A reforma, impulsionada com força a partir de 1969, desmantelou o sistema de fazendas e redistribuiu a terra entre os camponeses. Em vales como o de Santa Teresa, isso significou a passagem de uma economia de fazenda para uma de pequenos e médios produtores, muitos deles dedicados ao café, que com o tempo se tornaria um dos produtos emblemáticos da região e uma marca de identidade da zona.

Essa história de organização camponesa e de apego à terra explica boa parte do caráter dos povoados de La Convención: comunidades trabalhadoras, ligadas à agricultura tropical, com uma forte identidade local. Santa Teresa cresceu como um desses povoados agrícolas da ceja de selva, ainda longe de imaginar o papel turístico que o destino lhe reservava graças à proximidade com Machu Picchu e às suas águas termais.

A enchente de 1998 e a mudança do povoado

A história recente de Santa Teresa é marcada por uma grande tragédia. Em 1998, no contexto das intensas chuvas associadas ao fenômeno El Niño, a bacia do rio Sacsara -afluente do Urubamba que desce das alturas glaciais vizinhas- transbordou em uma violenta enxurrada que arrasou por completo a antiga capital do distrito. O desastre foi de tal magnitude que obrigou a evacuar cem por cento da população e a tomar uma decisão drástica: não reconstruir no mesmo lugar, mas transferir o povoado inteiro para um local mais seguro, cerca de 500 metros acima da zona devastada, em um terreno plano e menos exposto a futuras enxurradas.

Assim nasceu 'Nuevo Santa Teresa', o povoado que hoje recebe os viajantes, construído praticamente do zero por seus próprios moradores depois de perderem boa parte de seu patrimônio material. É um capítulo doloroso, mas também de resiliência: uma comunidade que, golpeada pela natureza, conseguiu se reorganizar e reconstruir sua vida coletiva em um novo lugar.

O risco geológico da região não ficou completamente para trás: nos anos seguintes, a área registrou novos huaicos e deslizamentos menores -entre eles um em 2020 que voltou a danificar casas e pontes-, ligados em parte a processos de deglaciação nas cabeceiras das bacias por causa da mudança climática. Essa realidade lembra que Santa Teresa convive com um entorno geográfico lindo, mas também dinâmico e potencialmente perigoso, algo que as autoridades locais e os próprios moradores monitoram de perto a cada temporada de chuvas.

O renascimento turístico: Hidrelétrica e Cocalmayo

Do renascer da tragédia de 1998 surgiu, com o tempo, uma nova vocação econômica. A reconstrução do povoado coincidiu com o auge sustentado do turismo em torno de Machu Picchu e com a consolidação da rota alternativa por Hidroeléctrica, que faz de Santa Teresa uma passagem quase obrigatória para os viajantes que chegam à cidadela pelo caminho mais econômico, caminhando ao lado dos trilhos do trem até Aguas Calientes. O povoado se transformou assim em uma parada estratégica de mochileiros e turistas com orçamento apertado, gerando renda que antes dependia quase por completo da agricultura.

A esse papel somou-se o atrativo das águas termais de Cocalmayo, junto ao rio Urubamba, que com os anos ganharam fama internacional pela limpeza e pelo entorno de selva, muito diferente do de outras termas da região. Em paralelo, desenvolveram-se atividades de aventura como tirolesa e rafting, aproveitando o relevo abrupto do cânion e a vazão do Vilcanota-Urubamba, atraindo um público mais jovem e esportivo.

De povoado agrícola golpeado pela natureza, Santa Teresa passou a ser um pequeno centro de turismo de aventura e de passagem, que combina relax, adrenalina e a magia de ser uma das portas de entrada para Machu Picchu. Hoje boa parte de sua economia gira em torno de hospedagens, restaurantes, transporte turístico e operadoras de aventura, sem abandonar de todo sua identidade cafeeira e agrícola, que continua sendo parte da paisagem e da vida cotidiana do vale.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Distrito de Santa Teresa»: https://es.wikipedia.org/wiki/Distrito_de_Santa_Teresa
  • Wikipedia (ES) — «Provincia de La Convención»: https://es.wikipedia.org/wiki/Provincia_de_La_Convenci%C3%B3n
  • Wikipedia (ES) — «Reforma agraria en el Perú»: https://es.wikipedia.org/wiki/Reforma_agraria_en_el_Per%C3%BA
  • Wikipedia (ES) — «Hugo Blanco Galdós»: https://es.wikipedia.org/wiki/Hugo_Blanco_Gald%C3%B3s
  • Wikipedia (ES) — «Machu Picchu»: https://es.wikipedia.org/wiki/Machu_Picchu
  • PromPerú (oficial) — Perú Travel: https://www.peru.travel/
  • La República — Cusco: Desgracia en Santa Teresa la habría causado deglaciación (2020): https://larepublica.pe/sociedad/2020/02/26/cusco-desgracia-en-santa-teresa-la-habria-causado-deglaciacion-huaico-aluvion-lrsd
  • La República — Cusco: Aluvión en distrito de Santa Teresa arrasó viviendas e hizo colapsar tres puentes (2020): https://larepublica.pe/sociedad/2020/02/23/cusco-aluvion-en-distrito-de-santa-teresa-provoco-huaico-que-arraso-viviendas-e-hizo-colapsar-tres-puentes-lrsd
  • El Comercio Perú — Cusco: aumenta a tres la cifra de muertos tras huaico en Santa Teresa: https://elcomercio.pe/peru/cusco-aumenta-a-tres-la-cifra-de-muertos-tras-huaico-en-santa-teresa-segun-indeci-nndc-noticia/
  • CuscoPeru.com — Aguas Termales de Cocalmayo, Santa Teresa: https://www.cuscoperu.com/en/useful-information/data-for-traveler/cocalmayo-hot-springs-santa-teresa/
  • Boleto Machu Picchu — Aguas Termales de Cocalmayo: https://www.boletomachupicchu.com/aguas-termales-cocalmayo/
  • PeruRail — Ruta Hidroeléctrica a Machu Picchu: https://www.perurail.com/es/destinos/hidroelectrica/

❓ Perguntas frequentes

Quanto custa a entrada nas Termas de Cocalmayo?+
A entrada custa S/ 10 por pessoa para turistas estrangeiros, com tarifas menores para turistas peruanos (S/ 5) e moradores de Cusco (S/ 2,50). Paga-se em dinheiro (nem sempre aceitam cartão). Abrem todos os dias das 5h às 23h, aproximadamente, então dá para entrar de madrugada ou à noite. Há três piscinas principais com temperaturas de 38°C a 44°C, alimentadas por nascentes de origem vulcânica. Verificado em julho de 2026.
Como Santa Teresa se encaixa na rota para Machu Picchu?+
Santa Teresa é a base da rota alternativa e econômica para Machu Picchu por Hidroeléctrica. Desde Cusco, chega-se de ônibus turístico (US$ 12-14 por trecho / US$ 25 ida e volta, umas 6-7 h) até a usina Hidroeléctrica, passando por Santa Teresa, e de lá caminha-se cerca de 2h30 pelos trilhos do trem até Aguas Calientes. Também é possível pegar o trem em Hidroeléctrica (US$ 25-40). Verificado em julho de 2026.
Como se paga o transporte em Santa Teresa e existe app de ônibus?+
Santa Teresa é um povoado pequeno de selva e não tem transporte urbano formal nem app de colectivos: para se locomover, você usa mototáxis, que são pegos na praça e pagos sempre em dinheiro (não há cartão nem QR). O colectivo para Hidroeléctrica (S/ 15-20) também é pago em dinheiro ao motorista. Já o ônibus turístico desde Cusco e o trem de Hidroeléctrica são reservados e pagos online com cartão nos sites das empresas (PeruRail/Inca Rail para o trem). Leve dinheiro em soles para tudo o que for local: termas, mototáxis, restaurantes populares e colectivos. Verificado em julho de 2026.
Como chegar a Santa Teresa desde Cusco e quanto custa?+
De ônibus turístico direto ou combinando transportes, pela estrada que cruza o Abra Málaga e passa por Santa María, em uma viagem de aproximadamente 6 a 7 horas. A passagem fica em torno de US$ 12-14 por trecho ou US$ 25 ida e volta (verificado em julho de 2026) e é reservada online com cartão. É comum contratar o transporte dentro dos pacotes para Machu Picchu por Hidroeléctrica. Na estação das chuvas, convém verificar o estado da estrada.
Quais atividades de aventura existem e quanto custam?+
As mais populares são a tirolesa ou canopy zipline (a partir de US$ 45 por pessoa, com 5 linhas e uma ponte tibetana) e o rafting no rio Vilcanota-Urubamba (US$ 35-60 por pessoa, meio dia). Convém contratar operadoras sérias e conferir o equipamento e as medidas de segurança. Preços verificados em julho de 2026, sujeitos a alterações.
Qual é a melhor época para visitar?+
A estação seca (maio a outubro) é a melhor: estradas e trilhas em melhor estado e vazões mais tranquilas para o rafting. Na estação das chuvas (novembro a abril), a paisagem fica bem verde, mas há mais lama, possíveis deslizamentos e estradas difíceis; convém se informar antes de viajar.
Vale a pena dormir em Santa Teresa?+
Sim. Muita gente passa pelo menos uma noite em Santa Teresa (hospedagens a partir de US$ 8-23 a noite nas opções econômicas) dentro da rota para Machu Picchu, o que permite aproveitar as termas de Cocalmayo com calma, fazer uma atividade de aventura e descansar em um clima tranquilo de povoado de selva antes ou depois da visita à cidadela.

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