Há povoados que parecem pintados à mão, e Taxco é um deles. Empoleirada na encosta de um morro da Sierra Madre do Sul, no estado de Guerrero, ela desenrola um labirinto de ruas de pedra tão íngremes que parecem escadas, casas brancas com telhados de telha vermelha e, presidindo tudo do coração do povoado, a espetacular fachada churrigueresca da igreja de Santa Prisca. Caminhar por Taxco é se perder entre becos, praças escondidas e vistas que se abrem de repente sobre o conjunto branco e vermelho do povoado e as montanhas.
Mas, se existe uma palavra ligada para sempre ao nome de Taxco, é 'prata'. A riqueza mineira da região — que vem dos tempos coloniais — e, sobretudo, o impulso que o estadunidense William Spratling deu ao design de joias no século XX transformaram Taxco na capital mundial da prataria. Hoje suas ruas estão cheias de ateliês e lojas onde se trabalha e se vende prata de todas as formas, e o povoado celebra todo ano a sua famosa Feira Nacional da Prata.
Este guia percorre o essencial de Taxco com um olhar prático e acolhedor: como chegar a partir da Cidade do México ou de Cuernavaca, o que ver no centro colonial, como aproveitar a prataria, quais museus e mirantes visitar, como se locomover pelas ladeiras, onde comer e quais passeios próximos não perder, como as Grutas de Cacahuamilpa. Um Pueblo Mágico que encanta pela beleza, pela história mineira e pelo artesanato.
A região de Taxco foi habitada na época pré-hispânica por povos que pagavam tributo ao império mexica; seu nome vem do náuatle 'Tlachco', geralmente relacionado ao jogo de bola ('lugar do jogo de bola') ou a um local para jogar. Depois da conquista, os espanhóis logo se interessaram pela área ao descobrir suas ricas jazidas de prata e outros metais: já no século XVI, Taxco foi um dos primeiros centros de mineração da Nova Espanha, e por aqui passaram figuras ligadas à mineração. O grande auge chegou no século XVIII com José de la Borda, um mineiro riquíssimo (de origem francesa) que fez uma fortuna imensa com as minas de Taxco e financiou, em agradecimento, a construção da deslumbrante igreja de Santa Prisca, uma das obras-primas do barroco churrigueresco mexicano, erguida por volta de 1751-1758. Depois de um período de decadência mineira, Taxco viveu no século XX um segundo renascimento graças à prata, mas desta vez pelo design: na década de 1930, o estadunidense William (Guillermo) Spratling se instalou no povoado e fundou ateliês de joalheria em prata que resgataram e modernizaram o ofício, dando trabalho a artesãos locais e transformando Taxco em referência mundial da prataria. Seu traçado colonial, suas ruas de pedra e sua arquitetura lhe valeram o título de Pueblo Mágico e a proteção como monumento. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The state of the southern Pacific, between the Sierra Madre and the sea: home of the silver of Taxco and of the Manila galleon at Acapulco, scene of the Congress of Chilpancingo of 1813 and of the 'Sentimientos de la Nación', a state that bears the name of the insurgent Vicente Guerrero and the land of the Afro-Mexican culture of the Costa Chica.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
O nome Taxco vem do náhuatl 'Tlachco', palavra que a maioria das fontes relaciona ao jogo de bola mesoamericano: costuma ser traduzida como 'lugar do jogo de bola' ou 'lugar onde se joga bola'. A raiz 'tlachtli' designava justamente a quadra desse jogo ritual tão difundido na Mesoamérica, o que sugere que o assentamento pré-hispânico da região pode ter tido um campo de jogo ou estado associado a essa atividade.
Com a chegada dos espanhóis e a castelhanização dos topônimos indígenas, 'Tlachco' se transformou por adaptação fonética em 'Taxco', forma pela qual é conhecida até hoje. É o mesmo tipo de processo pelo qual passaram tantos nomes de lugares mexicanos ao irem do náhuatl para o espanhol.
O nome oficial completo do município é 'Taxco de Alarcón', sobrenome acrescentado em homenagem a Juan Ruiz de Alarcón, célebre dramaturgo do Século de Ouro espanhol nascido nesta região (no início do século XVII), uma das grandes figuras do teatro em língua espanhola. Assim, o topônimo de Taxco une em suas palavras a herança pré-hispânica do jogo de bola e a homenagem a uma glória literária local.
Antes da chegada dos espanhóis, a região de Taxco era habitada por povos da zona montanhosa do atual Guerrero, integrados às redes de poder e comércio mesoamericanas. No período de auge do império mexica, os assentamentos dessa região ficaram sob seu domínio e estavam entre as comunidades que pagavam tributo a Tenochtitlan.
Entre os produtos que a região fornecia ao tributo mexica, as fontes mencionam bens típicos da área, e é muito provável que já naquela época a riqueza mineral destas montanhas fosse conhecida e explorada, ao menos de forma incipiente. A presença do nome 'Tlachco' (ligado ao jogo de bola) aponta para a existência de uma vida cerimonial e comunitária organizada na região.
Essa integração ao mundo mesoamericano e, sobretudo, a riqueza mineral do subsolo seriam decisivas para o destino de Taxco: quando os espanhóis chegassem à região, o que despertaria seu interesse de imediato não seria o jogo de bola nem o tributo, mas a promessa dos metais preciosos escondidos naquelas montanhas, em especial a prata que daria fama mundial à cidade séculos mais tarde.
Depois da conquista do México, os espanhóis voltaram muito cedo sua atenção para as montanhas de Taxco, ao saberem da existência de jazidas de prata e outros metais. Já nas décadas seguintes à queda de Tenochtitlan, a região se tornou um dos primeiros 'reales de minas' (centros de mineração) da Nova Espanha, atraindo caçadores de fortuna, mineiros e comerciantes.
A exploração mineira do século XVI deu origem ao assentamento colonial e às primeiras construções. Pela região passaram e atuaram figuras ligadas à mineração inicial do vice-reino, e foram estabelecidas as lavras que extraíam a prata dos veios da serra. A mineração marcou desde o início a fisionomia da cidade: seu traçado se adaptou à encosta íngreme onde se concentravam as minas e as moradias, dando origem ao labirinto de ruas que hoje a caracteriza.
A relação de Taxco com a prata teria altos e baixos ao longo dos séculos, com períodos de grande bonança seguidos de fases de esgotamento dos veios e decadência. Mas a marca ficou para sempre: Taxco nasceu, como povoado colonial, da mineração de prata, e a ela deveria tanto seu maior esplendor no século XVIII quanto seu renascimento no século XX.
O grande momento de esplendor de Taxco chegou no século XVIII e está ligado a um nome: José de la Borda. Esse mineiro de origem francesa (seu sobrenome original era Laborde) chegou à região e, depois de anos de trabalho e da descoberta de veios extraordinariamente ricos, acumulou uma das maiores fortunas da Nova Espanha. A ele é atribuída a famosa frase, talvez apócrifa, 'Deus dá a Borda, e Borda dá a Deus', que resume sua relação entre a riqueza mineira e a devoção religiosa.
Como forma de agradecimento pela fortuna que as minas de Taxco lhe deram, José de la Borda financiou integralmente a construção da igreja de Santa Prisca, erguida em um tempo surpreendentemente curto (por volta de 1751-1758). O resultado é uma das obras-primas absolutas do barroco churrigueresco mexicano: uma fachada de pedra rosa exuberantemente lavrada, duas torres altas, uma cúpula de azulejos e um interior deslumbrante, com retábulos totalmente revestidos de folha de ouro e pinturas de Miguel Cabrera.
Santa Prisca transformou Taxco em uma cidade monumental e deixou registrado o nível de riqueza que a prata podia gerar. A família Borda, além disso, deixou sua marca em outros lugares (como o Jardín Borda, em Cuernavaca). Aquele século de ouro da mineração, no entanto, não duraria para sempre: depois do auge, os veios mais ricos foram se esgotando e Taxco entrou em um longo período de decadência que se estendeu por boa parte do século XIX.
Depois do esplendor do século XVIII, Taxco viveu uma longa decadência. O esgotamento dos veios mais produtivos, somado às convulsões do século XIX — a Guerra de Independência, as lutas internas —, fez com que a mineração perdesse força e a cidade ficasse como um belo conjunto colonial parado no tempo, sem o vigor econômico de outrora. Essa mesma 'parada', porém, preservou sua arquitetura e seu traçado, que chegariam intactos ao século XX.
O renascimento de Taxco veio na década de 1930, e mais uma vez pelas mãos da prata, mas por um caminho novo: o design e o artesanato. O norte-americano William Spratling (no México, Guillermo Spratling), arquiteto e artista, se instalou em Taxco e teve uma ideia decisiva: em vez de apenas extrair a prata, era preciso transformá-la em joias e objetos de design. Spratling abriu oficinas, formou artesãos locais e combinou a tradição da prataria com motivos e técnicas inspirados na arte pré-hispânica e popular mexicana.
O sucesso foi estrondoso. Os designs de Spratling e das oficinas que surgiram ao seu redor deram a Taxco fama internacional e transformaram a cidade na capital da prataria do México. Gerações de prateiros mantiveram e desenvolveram o ofício, e a prata passou a ser o motor econômico e a marca registrada do lugar. Spratling é lembrado hoje com um museu que leva seu nome.
A Taxco de hoje vive em boa parte de sua beleza e de sua prata. Seu excepcional conjunto urbano colonial — o traçado de ruas de pedra, as casas brancas de telhados vermelhos, a igreja de Santa Prisca — é protegido como patrimônio, e a cidade foi incluída no programa Pueblos Mágicos da Secretaria de Turismo do México, distinção que reconhece localidades com atributos especiais que as tornam únicas.
A prataria continua sendo o coração econômico e cultural do lugar. As ruas do centro estão repletas de oficinas e lojas, e todo ano acontece a Feria Nacional de la Plata, que reúne os melhores artesãos em concursos e exposições, mantendo viva e em constante renovação a tradição iniciada por Spratling. O artesanato em prata de Taxco é exportado e reconhecido no mundo todo.
Soma-se a isso sua rica vida religiosa e festiva — com celebrações muito tradicionais, especialmente na Semana Santa — e um turismo atraído pela combinação de paisagem, história e compras. Bem conectada à Cidade do México, a Cuernavaca e a Acapulco, e perto de maravilhas naturais como as Grutas de Cacahuamilpa, Taxco se consolidou como uma das cidades coloniais mais queridas e visitadas do México: um lugar onde a prata, a fé e a pedra se fundem em um cenário inesquecível.