A apenas 46 quilômetros de Santiago, mas a mais de 3.000 metros de altitude, Valle Nevado é o grande centro de esqui da cordilheira dos Andes centrais e um dos mais importantes da América do Sul. O que na cidade é uma capital agitada, aqui vira um mundo de picos nevados, pistas de neve seca e powder, céu limpo e um sol de montanha que a gente agradece a cada descida.
Inaugurado em 1988 com um projeto de inspiração francesa, Valle Nevado foi concebido como um complexo de esqui completo na altitude, com hotéis ao pé das pistas, uma ampla rede de teleféricos e quilômetros de pistas para todos os níveis. E ele não está sozinho: conectado aos vizinhos La Parva e El Colorado, forma o domínio esquiável dos 'Tres Valles', que permite percorrer uma área enorme de montanha com um único passe de conexão.
Este guia percorre Valle Nevado com um olhar prático: como chegar de Santiago pela estrada dos 'caracoles', qual é a melhor época de neve, o que o domínio esquiável oferece, o que fazer se você não esquia, onde se hospedar e comer na montanha e o que levar em conta por causa da altitude. O plano perfeito para combinar a cidade com alguns dias de neve pertinho da capital.
Valle Nevado nasceu como um projeto turístico relativamente recente, mas fica em uma das áreas de montanha historicamente ligadas ao esqui no Chile. A prática do esqui na cordilheira perto de Santiago remonta às primeiras décadas do século XX, quando surgiram os centros pioneiros de Farellones e El Colorado na estrada de montanha que sobe a partir de Lo Barnechea. Nesse contexto, Valle Nevado foi inaugurado em 1988, fruto de um investimento com forte participação francesa que buscava criar um complexo de esqui de nível internacional, inspirado nas grandes estações dos Alpes franceses, com hotéis ao pé das pistas e um sistema integrado de teleféricos. Desde então, o centro cresceu até se tornar o maior dos Andes centrais chilenos e um dos principais da América do Sul, atraindo tanto esquiadores chilenos quanto visitantes estrangeiros que aproveitam o inverno do hemisfério sul (de junho a setembro) para esquiar fora da temporada europeia ou norte-americana. Sua conexão com os vizinhos La Parva e El Colorado formou o grande domínio esquiável dos 'Tres Valles'. Ao longo da sua história, Valle Nevado sediou eventos e competições e consolidou seu lugar como destino de inverno emblemático perto de Santiago. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The political and economic heart of Chile: Santiago, founded in 1541 at the foot of the Andes, with the La Moneda palace and the canalised Mapocho River; pottery villages such as Pomaire; the mountain country of the Cajón del Maipo; and the world-class ski resorts of the Tres Valles.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Poucas grandes capitais do mundo podem dizer que têm uma estação de esqui de nível internacional a menos de duas horas de suas ruas. Santiago pode: basta subir a encosta dos Andes que se ergue a leste da cidade para passar, em uma única manhã, do agito urbano para mais de 3.000 metros de altitude, entre picos nevados. Mas, para entender como Valle Nevado surgiu, é preciso olhar primeiro para a longa relação entre Santiago e a neve da sua cordilheira. Essas montanhas, com picos que passam com folga dos 4.000 e 5.000 metros, oferecem neve abundante durante o inverno do hemisfério sul e, já no começo do século XX, passaram a atrair os pioneiros dos esportes de inverno no Chile.
O grande foco inicial foi a região de Farellones e, mais acima, El Colorado, na estrada de montanha que sobe a partir de Lo Barnechea. Ali surgiram, a partir das primeiras décadas do século XX, os primeiros refúgios, teleféricos e centros de esqui do país, impulsionados por clubes andinos e por entusiastas da montanha. Farellones virou um dos vilarejos de esqui mais tradicionais do Chile e a porta de entrada para a prática do esqui perto da capital.
Sobre essa tradição da cordilheira — estradas de montanha, refúgios, clubes de esqui e uma cultura andina ligada a Santiago — seria construído, décadas depois, o projeto moderno de Valle Nevado, que veio somar um complexo de grande porte a um território que já tinha o esqui na sua identidade.
Valle Nevado foi construído entre 1987 e 1988, num momento em que o Chile buscava impulsionar o turismo de inverno e atrair esquiadores internacionais. A ideia partiu do arquiteto chileno Eduardo Stern, que durante anos sonhou em aproveitar o potencial dos Andes chilenos para abrigar uma grande estação de esqui. O projeto foi concebido como um complexo integrado e moderno, bem diferente dos centros tradicionais: em vez de um vilarejo de montanha com refúgios espalhados, a proposta era uma estação com hotéis ao pé das pistas, uma rede planejada de teleféricos e serviços concentrados, pensada para que o visitante se hospedasse na própria montanha e saísse esquiando direto do hotel.
Uma característica decisiva do projeto foi seu forte componente francês. A multinacional francesa Spie Batignolles entrou como sócia investidora; na época, a empresa tinha forte presença no Chile (havia trabalhado na usina hidrelétrica de Colbún) e estava se abrindo para projetos turísticos e imobiliários. O complexo se inspirou no modelo das grandes estações integradas dos Alpes franceses, especialmente Les Arcs. Essa marca aparece no conceito de 'estação integrada' em altitude e no próprio desenho do complexo, fruto de uma cooperação franco-chilena.
A localização escolhida, a mais de 3.000 metros acima do nível do mar e a poucas dezenas de quilômetros de Santiago, unia duas grandes vantagens: a qualidade e a abundância de neve da alta cordilheira e a proximidade de uma grande capital com aeroporto internacional. Com cerca de 900 hectares esquiáveis e dezenas de pistas para todos os níveis, Valle Nevado se firmou desde o início como o maior complexo de esqui do Chile e uma aposta no esqui de padrão internacional na América do Sul.
Uma das chaves do sucesso de Valle Nevado foi sua integração a um conjunto esquiável maior. A estação fica no mesmo maciço da cordilheira que suas vizinhas La Parva e El Colorado (esta última ligada a Farellones), e a conexão entre as três deu origem ao domínio esquiável conhecido como 'Tres Valles', um dos mais extensos da América do Sul.
Graças a essa conexão, os esquiadores com o ingresso correspondente podem ir de uma estação a outra esquiando ou por meio de teleféricos de ligação, tendo acesso a uma área de pistas muito maior do que a de cada estação separadamente. Cada centro mantém seu próprio jeito — Valle Nevado, o mais moderno e integrado; La Parva, mais residencial; El Colorado/Farellones, o mais tradicional —, mas juntos formam uma oferta que fortalece toda a região como destino de esqui.
Esse modelo de domínio conectado, também inspirado na experiência europeia, transformou a área da cordilheira perto de Santiago em um dos polos de esqui mais importantes do hemisfério sul, capaz de atrair esquiadores chilenos e visitantes do Brasil, da América do Norte e da Europa — estes últimos em busca de esquiar durante o verão do hemisfério norte, quando no Chile é inverno.
Desde a inauguração, Valle Nevado foi crescendo em infraestrutura, teleféricos e capacidade hoteleira até se consolidar como a maior estação de esqui dos Andes centrais chilenos e uma das principais da América do Sul. A combinação de boa neve, grande domínio esquiável, hotéis ao pé das pistas e proximidade de Santiago fez dele um destino atraente tanto para o esquiador chileno quanto para o visitante estrangeiro — e é um dos favoritos dos brasileiros que querem ver neve sem cruzar o oceano.
Um dos seus grandes trunfos comerciais é o calendário: por estar no hemisfério sul, sua temporada de inverno (de junho a setembro/outubro) coincide com o verão da Europa e da América do Norte. Isso permite que esquiadores e profissionais do hemisfério norte — incluindo equipes e treinadores — continuem esquiando 'na contraestação', o que deu a Valle Nevado e à região um perfil internacional.
Ao longo dos anos, a estação foi palco de eventos e competições internacionais: desde 2003 recebe uma etapa da Copa do Mundo de Snowboard, e o domínio dos Tres Valles abriga competições de freeride como a Andes Freeride Week. Paralelamente, Valle Nevado foi modernizando suas instalações e hoje, além do esqui no inverno, busca diversificar sua oferta com atividades de montanha fora de temporada. Para o viajante que chega a Santiago, Valle Nevado representa a chance de passar, em questão de horas, do ritmo de uma grande capital para a alta montanha andina, consolidando-se como um dos grandes ícones do turismo de inverno no Chile.
Não dá para contar a história de Valle Nevado sem falar da estrada que leva até ele. O acesso às estações de esqui da região é feito pela estrada para Farellones, que sobe a partir de Lo Barnechea, no leste de Santiago, ganhando altitude rapidamente por uma sequência enorme de curvas em ferradura, conhecidas popularmente como 'caracoles'. São mais de quarenta dessas curvas numeradas, que escalam a encosta da cordilheira com vistas cada vez mais amplas.
Essa estrada de montanha foi, historicamente, o caminho que permitiu o desenvolvimento do esqui em Farellones, El Colorado, La Parva e, por fim, Valle Nevado. Sua construção e as melhorias feitas ao longo do tempo permitiram que os moradores de Santiago — e depois os turistas — chegassem à neve em poucas horas saindo da cidade, algo pouco comum entre as grandes capitais do mundo.
A estrada também impõe suas regras: estreita e sinuosa, no inverno exige correntes ou tração e costuma ter controle de trânsito e restrições de horário para subir e descer, de modo a organizar o fluxo de veículos com neve e gelo. Por isso, muitos visitantes preferem subir de transfer ou em excursão. Além da função prática, a rota dos 'caracoles' é, por si só, uma experiência cênica e um símbolo da ligação entre Santiago e sua cordilheira nevada.