Balmaceda é uma pequena localidade da Região de Aysén, em plena estepe patagônica, famosa sobretudo por abrigar o principal aeroporto da região: o Aeroporto Balmaceda, porta de entrada aérea para Coyhaique e para toda a Patagônia central chilena. Para a maioria dos viajantes, Balmaceda é onde a aventura por Aysén começa ou termina.
O povoado é bem pequeno, fica perto da fronteira com a Argentina, numa paisagem de estepe aberta, morros e céus enormes, muito diferente da floresta úmida do norte de Aysén. Sua importância é funcional: aqui pousam os voos vindos de Santiago e Puerto Montt, e daqui saem os traslados para Coyhaique, a capital regional, a uns 50 quilômetros.
Mais do que um destino em si, Balmaceda é a chave de acesso às grandes experiências de Aysén: a Carretera Austral, o Cerro Castillo, o lago General Carrera e as Capillas de Mármol, os rios de pesca e as geleiras. Este guia explica o papel de Balmaceda como ponto de acesso, como chegar a Coyhaique e ao resto da região, que atrações há por perto e o que levar em conta ao chegar.
Balmaceda nasceu em 1917 como uma das localidades pioneiras da colonização de Aysén, na zona de fronteira da estepe patagônica, ligada à criação de ovelhas e ao comércio com o lado argentino, do qual dependiam as primeiras comunidades da região antes de existirem ligações por terra com o resto do Chile. Seu nome homenageia o ex-presidente chileno José Manuel Balmaceda. Durante décadas foi um modesto povoado da estepe, marcado pelo isolamento e pelo clima rigoroso. A grande virada veio com a aviação: a construção e o desenvolvimento do aeroporto que leva seu nome, graças às condições de operação relativamente estáveis em meio à difícil geografia patagônica, o transformaram no principal terminal aéreo de Aysén. Assim, uma localidade pequena e pouco conhecida virou um nome familiar para todo viajante que vai à Patagônia central, porque é pelo seu aeroporto que a aventura austral começa. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The deepest and emptiest Patagonia in Chile: the old Trapananda explored by Darwin and FitzRoy, the pioneer settlement and the 'Chile Chico war', the legendary Carretera Austral, the glaciers and Marble Chapels of Lake General Carrera, and the hanging glacier of Queulat.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Quase todo mundo que viaja para a Patagônia central do Chile passa por Balmaceda, mas quase ninguém para nela. É um dos grandes paradoxos do sul: um povoado minúsculo da estepe, com apenas algumas centenas de habitantes, cujo nome soa familiar a todo viajante de Aysén porque é na sua pista que pousam os aviões que abrem as portas para as geleiras, a Carretera Austral e os lagos turquesa. A primeira imagem da Patagônia, para a maioria, é a estepe amarela, o vento e os céus enormes que cercam esse aeroporto de fronteira. Mas, antes de ser uma porta aérea, Balmaceda foi outra coisa: um assentamento pioneiro, nascido do processo mais tardio e duro da expansão territorial chilena.
No começo do século XX, a Patagônia central chilena era um território remoto, quase despovoado e de difícil acesso, que o Estado buscou integrar por meio da entrega de terras a colonos e da instalação de estâncias de criação de gado na estepe.
Balmaceda surgiu nesse contexto, na região de estepe próxima à fronteira com a Argentina, como um dos assentamentos pioneiros da região. Sua localização fronteiriça e o entorno de pastagens a ligaram à pecuária — especialmente à criação de ovelhas — e ao comércio e ao trânsito com o lado argentino, do qual as comunidades de Aysén dependiam em grande parte antes de existirem ligações terrestres com o resto do Chile.
O nome da localidade homenageia José Manuel Balmaceda, presidente do Chile no fim do século XIX. Nas primeiras décadas, Balmaceda foi um modesto povoado da estepe, marcado pelo isolamento, pelo clima rigoroso e pela vida pecuária da fronteira patagônica, longe de imaginar o papel que assumiria mais adiante.
A grande virada na importância de Balmaceda veio com a aviação. A construção e o desenvolvimento do aeroporto que leva o nome da localidade o transformaram no principal terminal aéreo da Região de Aysén. Sua localização na estepe, com condições de operação relativamente mais estáveis do que outros pontos da geografia acidentada e nublada da Patagônia, o tornou ideal para receber os voos comerciais que ligam a região a Santiago e Puerto Montt.
Essa função transformou Balmaceda na porta de entrada aérea da Patagônia central chilena. Enquanto a pequena localidade mantinha seu tamanho modesto, o aeroporto virou um ponto essencial: é por ali que chegam e partem milhares de viajantes, turistas, moradores e mercadorias de toda a região de Aysén, cujo centro de serviços é a vizinha Coyhaique, a cerca de 50 quilômetros.
Assim, Balmaceda encarna um curioso paradoxo: uma localidade pequena e pouco conhecida em si, mas cujo nome é familiar a todo viajante que vai à Patagônia central, porque é no seu aeroporto que começa a aventura austral. A estepe que cerca a pista é, para muitos, a primeira imagem de Aysén, a antessala da Carretera Austral, das geleiras, dos lagos turquesa e das florestas que esperam mais adiante.
Para entender Balmaceda é preciso entender Aysén, a região que a cerca: uma das últimas áreas do Chile a serem efetivamente colonizadas e integradas ao território nacional. Até boa parte do século XX, a Patagônia central chilena era um território remoto, quase inexplorado pelo Estado, coberto de florestas impenetráveis, fiordes, geleiras e estepe, sem estradas que a ligassem ao resto do país. A cordilheira dos Andes, que nessa latitude se abre e despenca rumo ao Pacífico num labirinto de canais, tornava o acesso pelo norte do Chile praticamente impossível.
A ocupação efetiva começou no fim do século XIX e no início do XX, impulsionada por dois caminhos. De um lado, o Estado concedeu enormes áreas de terra a grandes companhias pecuárias, que instalaram estâncias de ovelhas na estepe, como na região de Balmaceda. De outro, chegaram colonos espontâneos — muitos vindos de Chiloé e outros do lado argentino — que se embrenharam nos vales, derrubaram e queimaram a floresta para abrir campo (os grandes incêndios da colonização devastaram milhões de hectares) e fundaram os primeiros povoados em condições duríssimas de isolamento.
Durante décadas, paradoxalmente, boa parte de Aysén esteve mais conectada à Argentina do que ao resto do Chile: o comércio, o escoamento da lã e até o abastecimento dependiam das passagens de fronteira e dos portos do Atlântico. Localidades da estepe como Balmaceda, bem na fronteira, viviam dessa troca. A integração terrestre plena com o Chile só chegaria muito mais tarde, com a construção da Carretera Austral na segunda metade do século XX.
Por trás da estepe que cerca o aeroporto de Balmaceda se esconde um dos territórios naturais mais valiosos do Chile, e seu melhor símbolo é um animal arisco: o huemul. Esse cervo andino, que junto com o condor sustenta o brasão nacional chileno, está ameaçado de extinção: restam apenas entre 1.000 e 1.500 exemplares em estado selvagem, a maioria na Patagônia chilena. A pouco mais de uma hora de Balmaceda, o Parque Nacional Cerro Castillo abriga entre 118 e 120 huemules — cerca de 10% da população do país — em seus mais de 140.000 hectares de montanhas, bosques de lenga e lagoas glaciais, o que faz dele um dos melhores lugares do mundo para tentar avistá-lo.
O destino do huemul está tragicamente entrelaçado com a própria história da colonização que deu origem a Balmaceda. A pecuária extensiva degradou as florestas e os campos de que ele depende, as cercas de arame impedem seus deslocamentos e — uma ironia amarga — hoje cerca de um terço das mortes registradas da espécie são atropelamentos na mesma Carretera Austral que abriu a região para o mundo. Salvar o huemul virou uma causa emblemática de Aysén.
Mas o huemul é só a ponta de um iceberg de biodiversidade. Em poucos quilômetros, o viajante que chega a Balmaceda passa da estepe seca para a floresta úmida patagônica, com suas lengas, coigües e ñirres que no outono tingem as encostas de vermelho e dourado. Há condores planando sobre os morros, pumas, raposas, pica-paus-de-magalhães e rios de águas transparentes cheios de trutas. Toda essa riqueza natural, que faz de Aysén um dos grandes santuários da Patagônia, começa a se insinuar assim que se sai da pista do aeroporto.
O marco que mudou Aysén para sempre — e reforçou o papel de Balmaceda como ponto de entrada — foi a construção da Carretera Austral (Ruta 7), iniciada na década de 1970 e estendida ao longo de anos. Essa obra monumental, aberta à base de explosivos e maquinário através de florestas, montanhas e fiordes, ligou pela primeira vez por terra as comunidades espalhadas da Patagônia central chilena entre si e, com a ajuda de balsas, ao resto do país. Antes dela, circular por Aysén era uma odisseia que dependia do mar, do ar ou da passagem pela Argentina.
Com a Carretera Austral, e com o aeroporto de Balmaceda como porta aérea, Aysén se abriu para o turismo. O que durante um século tinha sido uma terra de isolamento, pecuária e colonos pioneiros se revelou um dos grandes destinos de natureza do Chile: o Parque Nacional Cerro Castillo, o lago General Carrera com suas Capelas de Mármore, o Parque Nacional Queulat, as geleiras, os rios de pesca com mosca de fama mundial e a própria experiência de percorrer a mítica Ruta 7.
Nesse novo cenário, Balmaceda mantém seu caráter duplo. De um lado, continua sendo um pequeno povoado de estepe, com sua história de colonização, seu entorno de fronteira e sua vida tranquila. De outro, seu aeroporto é o coração logístico da região: pela pista passam os milhares de viajantes que todo ano descobrem a Patagônia central, e a estepe que cerca a pista é, para muitos, a primeira e a última imagem de Aysén. Uma localidade modesta cujo nome, graças ao seu papel de porta de entrada, é conhecido por todo mundo que viaja para o sul profundo do Chile.