Fremantle é a alma portuária e boêmia de Perth: uma cidade histórica na foz do rio Swan onde o passado colonial da Austrália Ocidental continua vivo em cada esquina. "Freo", como os locais a chamam com carinho, conserva um dos conjuntos de arquitetura vitoriana do século XIX mais bem preservados do mundo, com ruas inteiras de prédios de calcário que parecem parados no tempo, e uma energia criativa, alternativa e descontraída que a diferencia do brilho do centro de Perth.
Aqui fica a Fremantle Prison, a única construção da Austrália Ocidental declarada Patrimônio da Humanidade, uma imponente prisão erguida por condenados que hoje pode ser visitada em tours fascinantes e, às vezes, de arrepiar. A poucos passos, os Fremantle Markets — um mercado coberto do fim do século XIX — transbordam de barracas de comida, artesanato e produtos; a "Cappuccino Strip" da South Terrace pulsa com cafés ao ar livre; o Round House, o prédio mais antigo da WA, vigia o mar desde 1831; e a orla abriga museus que contam a epopeia de naufrágios e navegadores.
Este guia percorre o essencial de Fremantle com um olhar prático: como chegar de trem ou ferry saindo de Perth, como circular a pé ou nos ônibus CAT gratuitos, que histórias e sabores não perder e como usar Freo como trampolim para a Ilha Rottnest. É um destino com personalidade própria, ideal para quem curte história, café, cerveja artesanal e clima de porto, e um dos melhores bate-voltas (ou mais) a partir de Perth.
Fremantle é Walyalup, "o lugar do walyo" (um pequeno canguru-rato), para o povo whadjuk noongar, que tem uma ligação com esta terra de mais de 50.000 anos; a área junto à colina de Arthur Head se chamava Manjaree, "troca justa", um lugar de encontro e comércio. Em 1829, os colonos da Colônia do Rio Swan desembarcaram aqui, e a cidade foi fundada como o porto de Perth, batizada em homenagem ao capitão Charles Fremantle. Com mão de obra de condenados foram erguidos o Round House (1831) e, mais tarde, a grande Fremantle Prison. A cidade prosperou com a corrida do ouro de 1890 e o novo porto interno e, no século XX, foi porta de entrada de ondas de imigrantes. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓Australia's largest state, covering almost a third of the continent: the ancestral land of the Noongar people and dozens of desert nations, colonised from the Swan River Colony in 1829, transformed by Kalgoorlie gold and today a global iron ore powerhouse. Its capital, Perth, is the most isolated major city on the planet.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Antes de se chamar Fremantle, este promontório à beira-mar, na foz do rio Swan, era Walyalup para o povo whadjuk noongar, cuja ligação com esta terra remonta a mais de 50.000 anos. O nome Walyalup significa "o lugar do walyo", em referência ao woylie, ou bettong-de-cauda-em-pincel, um pequeno marsupial saltador parecido com um canguru-rato que era abundante na região. Para os whadjuk, este era um lugar vivo, com nome, história e significado, muito antes de um navio britânico lançar âncora.
A área em torno da colina de calcário de Arthur Head e da atual Bathers Beach tinha um nome especialmente revelador: Manjaree, que no dialeto whadjuk se traduz como "troca justa". Era um lugar de encontro, comércio e cerimônia entre grupos, onde se trocavam bens, se firmavam acordos e se reuniam os povos da região. Curiosamente, esse caráter de ponto de encontro e de comércio já antecipava o futuro papel de Fremantle como porto: o lugar por onde coisas e pessoas entram e saem, onde se faz comércio com o mundo.
Os whadjuk viviam em harmonia com esse ambiente de costa e de rio. Pescavam no rio Derbarl Yerrigan (o Swan) e no mar, coletavam alimentos nas áreas úmidas e no litoral e organizavam a vida de acordo com as seis estações do calendário noongar. Segundo a tradição do Tempo do Sonho, o rio tinha sido criado pelo Waugal, a serpente arco-íris. Quando os colonos chegaram, em 1829, esta terra não estava vazia: era um território habitado e cuidado, cujo nome, Walyalup, a cidade começou a recuperar e homenagear nas últimas décadas, com instituições como o Walyalup Aboriginal Cultural Centre.
A história colonial de Fremantle começou quase ao mesmo tempo que a de Perth. Em 1829, quando o capitão James Stirling estabeleceu a Colônia do Rio Swan, decidiu fundar duas povoações: uma capital no interior, Perth, e um porto na foz do rio, que seria a porta de entrada da colônia para o mundo. Esse porto recebeu o nome de Fremantle em homenagem ao capitão Charles Fremantle, do navio HMS Challenger, que pouco antes, em maio de 1829, havia tomado posse formal da costa oeste da Austrália em nome da Coroa britânica.
Fremantle nasceu, portanto, como ponto de desembarque: era ali que chegavam os navios com colonos, mantimentos e esperanças, e dali se subia o rio até Perth. Mas o começo foi muito difícil. O banco de areia na foz do rio atrapalhava muito a navegação, e o solo arenoso e as condições adversas deixaram a colônia inteira perto do fracasso nos primeiros anos. Os colonos, atraídos por promessas de terras e prosperidade, deram de cara com um ambiente hostil.
Um dos primeiros sinais de permanência foi a construção, entre 1830 e 1831, da Round House no alto da colina de Arthur Head (Manjaree para os noongar): uma pequena prisão de doze lados que se tornaria o edifício mais antigo ainda de pé na Austrália Ocidental. O prédio, destinado a prender tanto colonos infratores quanto prisioneiros aborígenes, resume bem os dois lados da fundação: o nascimento de uma cidade e, ao mesmo tempo, o início da repressão e da espoliação do povo whadjuk, cujos membros ficariam presos ali antes de serem deportados para a Ilha Rottnest.
Assim como a vizinha Perth, Fremantle deve boa parte de sua fisionomia aos condenados. Diante da estagnação da colônia por falta de mão de obra, a Austrália Ocidental pediu à Grã-Bretanha que lhe enviasse presidiários, e entre 1850 e 1868 chegaram cerca de 10.000 condenados. Foi essa mão de obra forçada que construiu grande parte da infraestrutura da cidade: estradas, cais, prédios públicos e, sobretudo, a imponente Fremantle Prison.
A Fremantle Prison (originalmente o Convict Establishment) foi erguida na década de 1850, talhada no próprio calcário da colina pelos mesmos presos que viveriam nela. É um enorme conjunto de celas, pátios e muros que funcionou como prisão por quase 140 anos, até 1991. Os condenados também construíram o Commissariat (hoje sede das Shipwreck Galleries) e muitos dos sólidos prédios de calcário que dão a Fremantle seu caráter inconfundível. Essa arquitetura vitoriana, feita com a pedra local de tom quente, foi conservada quase intacta e hoje é um dos conjuntos coloniais do século XIX mais bem preservados do mundo.
Com o trabalho dos condenados e a chegada de mais colonos, Fremantle foi crescendo como porto e como povoado. A construção da Fremantle Prison e da rede de estradas e cais lançou as bases para o grande salto que viria no fim do século. A cidade de calcário, erguida sobre o sofrimento dos condenados e sobre a espoliação dos whadjuk, se preparava para seu momento de esplendor, que chegaria pelas mãos do ouro e de um engenheiro visionário.
O destino de Fremantle mudou para sempre no fim do século XIX, com dois acontecimentos quase simultâneos: a corrida do ouro e a construção de um novo porto. Quando, na década de 1890, foram descobertas as enormes jazidas de ouro do interior da WA (Coolgardie, Kalgoorlie), Fremantle, principal porto da colônia, virou a porta por onde entravam dezenas de milhares de pessoas em busca de fortuna e por onde saía a riqueza. A cidade explodiu em atividade e prosperidade.
O grande obstáculo histórico, o banco de areia que bloqueava a foz do rio, foi vencido pelo brilhante engenheiro C. Y. O'Connor, que a partir de 1892 projetou e construiu o Fremantle Inner Harbour (porto interno), dragando e remodelando a foz do Swan para criar um porto de águas profundas capaz de receber grandes navios. Foi uma obra de engenharia ousada, que transformou Fremantle em um dos portos mais importantes da Austrália e na porta de entrada do país pelo oeste.
Ao longo de todo o século XX, esse porto fez de Fremantle o primeiro pedaço da Austrália pisado por milhões de imigrantes. Sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, ondas de europeus (italianos, gregos, portugueses, croatas e muitos outros) desembarcaram em Fremantle em busca de uma vida nova. Essa imigração deu à cidade seu caráter multicultural e mediterrâneo, seu amor pelo café (a Cappuccino Strip nasceu dos cafés italianos) e uma identidade cosmopolita e portuária. Em 1987, Fremantle viveu um momento de glória mundial ao sediar a defesa da America's Cup, depois da vitória histórica do iate Australia II em 1983, o que impulsionou uma grande restauração de seu patrimônio.
A Fremantle de hoje é um lugar de personalidade tão forte que seus moradores a defendem com um orgulho quase tribal. "Freo" é ao mesmo tempo um porto em pleno funcionamento, uma joia do patrimônio vitoriano, um caldeirão criativo de artistas, músicos e cervejeiros e um dos passeios favoritos de quem mora em Perth. A mistura de história, boemia, café, cerveja artesanal e clima marítimo a torna única na Austrália Ocidental.
Seu tesouro histórico é protegido e celebrado: a Fremantle Prison, único lugar da WA declarado Patrimônio da Humanidade, atrai visitantes do mundo todo; os Fremantle Markets, de 1897, continuam pulsando como há mais de um século; a Round House vigia o mar desde 1831; e os museus marítimos guardam desde o iate da America's Cup até as madeiras do naufrágio do Batavia, de 1629. A arte de rua, os festivais, a música ao vivo e uma cena gastronômica multicultural mantêm a cidade viva e jovem.
E, cada vez mais, Fremantle encara sua história completa, incluindo a dos primeiros donos desta terra. O nome Walyalup volta a ser dito junto ao de Fremantle; o Walyalup Aboriginal Cultural Centre compartilha a cultura whadjuk; e reconhece-se que Manjaree, o "lugar da troca justa", foi um ponto de encontro noongar milênios antes de virar porto colonial. Quem passeia hoje por Freo caminha por um porto construído por condenados, que recebeu milhões de imigrantes e que se ergue sobre um lugar sagrado de encontro. Um pedaço de calcário onde se condensa, em poucas ruas à beira-mar, boa parte da história da Austrália Ocidental.