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Villa Serrana é um pequeno e encantador refúgio serrano encravado nos vales dos cerros Penitente e Marmarajá, no departamento de Lavalleja, a cerca de 25 km da cidade de Minas. Concebida em 1946 como um empreendimento turístico integrado à paisagem, deve grande parte da sua identidade ao arquiteto uruguaio Julio Vilamajó, autor dos seus edifícios mais célebres, que lhe deram uma marca arquitetônica única no país.
Cercada de cerros, matas nativas e riachos, Villa Serrana é hoje um destino de descanso de baixa densidade, com cabanas e casas espalhadas pela natureza, sem a urbanização em massa de outros lugares. O clima é de tranquilidade absoluta: trilhas, mirantes, vegetação e silêncio, ideal para desconectar, caminhar e curtir a paisagem serrana. Seus edifícios emblemáticos — o Mesón de las Cañas e o Ventorrillo de la Buena Vista — são Monumentos Históricos Nacionais e marcos do patrimônio arquitetônico uruguaio.
Este guia percorre Villa Serrana com olhar prático: sua origem e sua arquitetura singular, as trilhas e mirantes das serras, onde se hospedar em cabanas e pousadas, como chegar a partir de Minas e Montevidéu, e por que este cantinho de Lavalleja é uma das escapadas de natureza e descanso mais recomendáveis do interior do Uruguai.
Villa Serrana foi projetada em 1946 pelo arquiteto uruguaio Julio Vilamajó como um empreendimento turístico de montanha nos vales dos cerros Penitente e Marmarajá, em Lavalleja. Vilamajó traçou o plano urbanístico e desenhou seus dois edifícios emblemáticos — o Mesón de las Cañas e o Ventorrillo de la Buena Vista —, usando pedra, madeira e palha para conseguir uma integração quase mimética com a paisagem. Foi sua última grande obra: ele morreu em 1948, pouco depois de concluí-la. Os dois edifícios foram declarados Monumento Histórico Nacional. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓O departamento serrano do leste, que leva o nome do caudilho Juan Antonio Lavalleja, líder dos Treinta y Tres Orientales: com capital em Minas, é terra das Serras do Leste, da água mineral, de Villa Serrana e do Cerro Arequita.
Ler a história de Departamento de Lavalleja →Saem de Piriapolis, a 66 km daqui. Link de afiliado: ficamos com uma comissão.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Villa Serrana nasceu em meados da década de 1940 como uma ideia ambiciosa: criar, bem no coração das serras de Lavalleja, um empreendimento turístico que aproveitasse a beleza da paisagem serrana do leste uruguaio. Num país conhecido por suas planícies e seu litoral, os vales dos cerros Penitente e Marmarajá, perto da cidade de Minas, ofereciam um cenário diferente —morros, matas nativas, riachos— ideal para um complexo de descanso na montanha, algo pouco comum no Uruguai.
O projeto surgiu por iniciativa de um grupo de investidores reunidos na sociedade Villa Serrana S.A., constituída em 16 de abril de 1945 por nomes como Eduardo Acevedo, Antonio Rubio, Felipe Gil, Federico Crocker, Ángel Ugarte, Gonzalo Cortinas e Joel Petit de la Villón, com o objetivo de transformar aquele cantinho das serras em um centro turístico. Pouco depois, encomendaram o projeto urbanístico a um arquiteto de renome. A ideia era clara: erguer uma vila turística em estilo europeu que não destruísse o entorno natural, mas se integrasse a ele, mantendo a baixa densidade e o respeito pelo relevo e pela vegetação original.
Desde o início, Villa Serrana foi pensada como um lugar para o descanso, o contato com a natureza e o prazer da paisagem, bem diferente dos balneários lotados que na época cresciam no litoral uruguaio. Essa vocação de refúgio tranquilo, longe do agito, se manteve ao longo das décadas e continua sendo, até hoje, seu maior atrativo.
O responsável por dar forma a Villa Serrana foi o arquiteto uruguaio Julio Vilamajó (1894-1948), uma das figuras mais importantes da arquitetura moderna do Rio da Prata, reconhecido internacionalmente por sua participação no projeto do edifício das Nações Unidas em Nova York. Vilamajó visitou o local em 1946 e na hora ficou encantado com a força da paisagem, que decidiu preservar quase intacta.
Sua proposta foi radical para a época: em vez de impor um traçado urbano rígido, desenhou ruas sinuosas que acompanhavam a topografia natural e projetou os edifícios com materiais locais —pedra, madeira e palha da região— buscando uma relação quase mimética entre arquitetura e entorno. Desse trabalho nasceram suas duas obras mais célebres na vila: o Ventorrillo de la Buena Vista, concluído em 1946, um mirante-restaurante instalado num ponto panorâmico privilegiado; e o Mesón de las Cañas, de 1947, uma pousada com um telhado característico coberto de caniços e palha.
Este foi o último grande projeto de Julio Vilamajó: ele morreu em 1948, pouco depois de concluir o Mesón de las Cañas, com a colaboração do jovem arquiteto Miguel Ángel Odriozola. Os dois edifícios foram declarados Monumento Histórico Nacional —o Ventorrillo em 1979— e hoje são considerados peças fundamentais do patrimônio arquitetônico moderno do Uruguai, estudados em universidades da região por sua sensibilidade ambiental precoce.
Durante boa parte da segunda metade do século XX, Villa Serrana viveu fases de esplendor e de abandono. O Ventorrillo de la Buena Vista, em particular, sofreu uma forte deterioração pela passagem do tempo, pela falta de manutenção e por episódios de vandalismo, a ponto de sua recuperação virar uma preocupação pública para as autoridades departamentais e os órgãos de patrimônio.
Com os anos, diferentes administrações privadas e o reconhecimento oficial como Monumento Histórico Nacional permitiram realizar processos de restauração tanto no Ventorrillo quanto no Mesón de las Cañas, devolvendo a eles sua função original de hospedagem e gastronomia sem perder o espírito com que Vilamajó os concebeu: a pedra, a madeira e os telhados de palha continuam sendo a marca registrada dos dois edifícios.
Esse vaivém entre deterioração e recuperação faz parte da própria história de Villa Serrana e explica por que hoje ela é valorizada não só como destino turístico, mas também como estudo de caso de conservação do patrimônio arquitetônico moderno em um ambiente natural protegido.
O que torna Villa Serrana única não é só a sua localização, mas a forma como Julio Vilamajó pensou cada construção como uma extensão do terreno. Numa época em que boa parte da arquitetura moderna uruguaia olhava para o racionalismo do concreto e das linhas retas, Vilamajó seguiu o caminho inverso: nas serras de Lavalleja, apostou na pedra local, na madeira e nos telhados de caniço e palha, materiais que envelhecem junto com a paisagem em vez de contrastar com ela. O resultado é o que hoje se estuda como um caso precoce de arquitetura orgânica no Rio da Prata, uma obra que antecipou em décadas a preocupação ambiental que só se tornaria central no século XXI.
O Mesón de las Cañas, concluído em 1947, é o melhor exemplo dessa filosofia. Seu grande telhado de caniço e palha, suas paredes de pedra e sua enorme lareira a lenha central não são um capricho pitoresco: respondem a uma ideia precisa de como se devia viver na serra, com o calor de casa no inverno e sombra fresca no verão. O Ventorrillo de la Buena Vista, um ano anterior, foi instalado num ponto alto escolhido por Vilamajó justamente pelas vistas, de modo que o edifício não compete com o panorama, e sim o emoldura. Nos dois casos, o arquiteto trabalhou com o jovem Miguel Ángel Odriozola, que seria peça-chave para concluir as obras após a morte de Vilamajó em 1948.
Esse fim precoce —Vilamajó morreu aos 54 anos, pouco depois de concluir o Mesón— carregou Villa Serrana de simbolismo: trata-se, literalmente, do seu testamento arquitetônico. Talvez por isso o reconhecimento patrimonial tenha chegado com força. O Ventorrillo de la Buena Vista foi declarado Monumento Histórico Nacional em 1979, e o conjunto passou a ser objeto de estudo em escolas de arquitetura do Uruguai e da região. Pesquisas acadêmicas recentes, como a tese 'Villa Serrana. Concepción y vigencia de un paisaje lejano', analisam como essas ideias de integração entre arquitetura e natureza continuam atuais quase oitenta anos depois, e por que Villa Serrana é muito mais do que uma estância serrana: é um manifesto construído sobre como habitar uma paisagem sem destruí-la.
Com o passar das décadas, Villa Serrana se consolidou como um dos destinos de descanso e natureza mais apreciados do interior uruguaio. Seu perfil de baixa densidade, seu entorno serrano e sua tranquilidade fizeram dela um lugar ideal para escapadas a dois, em família ou para quem busca paz e desconexão, longe do ritmo das cidades e das multidões do litoral.
A vila faz parte do circuito turístico das serras de Lavalleja, cujo centro é a cidade de Minas, a uns 25 km. Isso permite combinar a estadia em Villa Serrana com a visita a outras atrações da região, como o Cerro Arequita, com suas grutas e trilhas, ou o Salto del Penitente, uma cachoeira de 60 metros transformada em parque de esportes de aventura, numa mesma viagem pelas serras do leste uruguaio.
Hoje Villa Serrana mantém sua identidade original: um refúgio de chalés e casas no meio da mata, com a arquitetura de Julio Vilamajó como coração simbólico, suas trilhas e seus mirantes, e uma atmosfera de calma que é, por si só, sua principal proposta. É um exemplo de turismo de natureza e descanso que soube preservar o espírito com que foi concebido há mais de três quartos de século.