Manta é, antes de tudo, uma cidade de mar e de trabalho. É o grande porto pesqueiro do Equador, a capital indiscutível do atum, e isso se sente em cada canto: no vaivém dos barcos, no cheiro de sal e de peixe fresco, nos mercados onde se descarregam toneladas de atum e dourado, e numa gastronomia de frutos do mar que está entre as melhores e mais autênticas do país. Mas Manta também é balneário: a poucos passos do centro, a praia urbana de El Murciélago convida à areia, ao ceviche e ao pôr do sol sobre o Pacífico.
A cidade tem raízes muito antigas. Seu nome evoca a cultura Manteña, os hábeis navegadores e comerciantes pré-hispânicos que dominaram esta costa e chegaram a percorrer o Pacífico em grandes balsas a vela. Essa herança marítima atravessa toda a sua história, dos povos originários até o porto industrial de hoje. Manta também sofreu um golpe duro: o terremoto de 16 de abril de 2016, que sacudiu toda a província de Manabí e deixou cicatrizes na cidade, hoje em plena recuperação.
Este guia percorre Manta com olhar prático: suas praias e seu malecón, sua gastronomia de atum e frutos do mar, como se locomover e, sobretudo, como aproveitá-la como porta de entrada para o esplêndido litoral de Manabí, com a Ruta del Spondylus, o Parque Nacional Machalilla e a observação de baleias logo ali. Manta não é um cartão-postal turístico polido, e sim uma cidade de verdade, viva e saborosa, ideal para quem quer conhecer o litoral equatoriano sem filtros.
A região de Manta foi habitada pela cultura Manteña (aproximadamente entre os séculos VIII e XVI d.C.), um povo de extraordinários navegadores e comerciantes que dominou esta costa e manteve trocas ao longo do Pacífico, chegando, segundo as crônicas, até o litoral do México e dos Andes centrais em grandes balsas a vela. Veneravam a deusa Umiña, associada a uma esmeralda sagrada, em um centro cerimonial da região. Quando os espanhóis chegaram, o local costeiro conhecido como 'Jocay' (que na língua local aludia à 'porta do peixe' ou casa do peixe) foi reconhecido cedo: o conquistador Francisco Pacheco fundou ali, em 1535, a vila de San Pablo de Manta, um dos assentamentos hispânicos mais antigos do litoral equatoriano. Durante a colônia, Manta foi um porto secundário, mas exposto aos ataques de piratas e corsários que rondavam o Pacífico. Com a independência e a formação do Equador, foi crescendo lentamente como vila de pescadores e porto de cabotagem. O grande salto veio no século XX com o desenvolvimento da pesca industrial do atum e a instalação de fábricas de conservas, que transformaram Manta em um dos portos pesqueiros mais importantes do Pacífico Sul e na 'capital do atum'. A cidade cresceu junto com seu porto e sua indústria. Em 16 de abril de 2016, um terremoto de magnitude 7,8 com epicentro no litoral de Manabí atingiu duramente Manta, Portoviejo, Pedernales e toda a província, causando inúmeras vítimas e graves danos; desde então a cidade passa por um processo de reconstrução. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The heart of the central coast: cradle of the Valdivia and Manteño-Huancavilca cultures, land of tuna and of the montubio, of Machalilla National Park, of whale watching at Puerto López and of beaches such as Canoa, Los Frailes and Ayampe.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Na Manta pré-hispânica, venerava-se uma esmeralda do tamanho de um ovo de avestruz. Ela era o coração do culto à deusa Umiña, e as crônicas coloniais contam que peregrinos de toda a costa chegavam para lhe oferecer pedras verdes menores; a grande esmeralda desapareceu depois da conquista e nunca foi encontrada. Esse detalhe deslumbrante resume bem o que Manta foi antes de virar porto atuneiro: o centro de um povo do mar, rico e conectado, que comerciava ao longo do Pacífico. Muito antes de existir a cidade atual, a costa onde hoje fica Manta era habitada pela cultura Manteña, que se desenvolveu aproximadamente entre os séculos VIII e XVI d.C. Eles foram, antes de tudo, um povo do mar: navegadores e comerciantes extraordinários que dominaram essa faixa do Pacífico equatoriano e mantiveram uma rede intensa de trocas. Segundo as crônicas e a pesquisa arqueológica, suas grandes balsas a vela, embarcações de troncos com velas de algodão, permitiam percorrer longas distâncias pelo oceano, comerciando produtos como a concha Spondylus, um molusco de grande valor ritual e econômico em todo o mundo andino e mesoamericano.
O principal assentamento costeiro da região era conhecido como 'Jocay', nome que na língua local costuma ser associado à ideia de 'porta do peixe' ou 'casa do peixe', o que mostra até que ponto a vida desse povo girava em torno do mar e da pesca. Os manteños construíram centros com estruturas de pedra, cadeiras cerimoniais em forma de U (as famosas 'cadeiras manteñas') e estelas, e desenvolveram uma sociedade hierarquizada e próspera graças ao comércio marítimo.
A religiosidade manteña tinha um símbolo central: a deusa Umiña, associada a uma grande esmeralda sagrada que, segundo as crônicas coloniais, era venerada num templo da região e atraía peregrinos. A lenda dessa 'esmeralda de Umiña' e do seu desaparecimento após a conquista faz parte do imaginário da costa de Manabí.
Quando os espanhóis chegaram a esta costa nas primeiras décadas do século XVI, encontraram na região de Jocay um assentamento manteño já em decadência, mas ainda habitado. O local, com sua boa posição costeira, logo chamou a atenção dos conquistadores. A tradição atribui ao capitão Francisco Pacheco a fundação, em 1535, da vila de San Pablo de Manta, o que a torna um dos assentamentos espanhóis mais antigos da costa equatoriana.
O nome 'Manta' acabou se impondo, substituindo o antigo Jocay. Existem diferentes explicações populares para a sua origem: algumas o ligam à língua local, outras às 'mantas' de algodão que os indígenas da região teciam e comerciavam. Seja qual for a raiz, o topônimo ficou para sempre.
Durante o período colonial, Manta foi um porto secundário dentro do sistema espanhol, ofuscado por outros como Guayaquil. Por estar exposta ao mar aberto, também virou alvo dos piratas e corsários que assolavam o Pacífico nos séculos XVI e XVII em busca das riquezas que circulavam pela costa. A vida do porto se dividia entre a pesca, o comércio de cabotagem e a defesa contra essas ameaças, ainda sem alcançar a importância que teria séculos depois.
Depois da independência e da criação da República do Equador em 1830, Manta continuou sendo, durante boa parte do século XIX, uma modesta enseada de pescadores e um porto de cabotagem dentro da província de Manabí. A vida girava em torno da pesca artesanal, do comércio costeiro e da produção agrícola do interior de Manabí (café, cacau, produtos da terra), que em parte saía pelo seu porto.
A região de Manabí teve um peso especial na história equatoriana por ser berço de figuras políticas importantes e cenário de movimentos sociais e revoluções. Já o porto de Manta foi ganhando importância à medida que o comércio crescia e as comunicações com o resto do país melhoravam.
Ao longo do século, Manta foi se consolidando como ponto de saída da produção regional e como centro pesqueiro. Mas a sua verdadeira decolagem, a que a transformaria numa das cidades mais dinâmicas da costa, ainda estava por vir e chegaria graças a um recurso que o mar em frente à sua costa oferecia em abundância: o atum.
O grande salto de Manta veio no século XX com o desenvolvimento da pesca industrial, principalmente da pesca do atum. As águas do Pacífico em frente a Manabí são extraordinariamente ricas em atum e outras espécies, e ao longo do século se instalaram na cidade frotas atuneiras, fábricas de conservas e indústrias de óleo e farinha de peixe. Assim, Manta se tornou um dos portos pesqueiros mais importantes do Pacífico sul-americano e a indiscutível 'capital do atum' do Equador.
A indústria atuneira transformou a cidade: atraiu moradores, gerou milhares de empregos diretos e indiretos, impulsionou o comércio e fez de Manta um polo exportador de primeira linha, com produtos que chegam a mercados do mundo todo. O porto comercial foi modernizado e a cidade cresceu em torno dessa atividade, combinando o perfil industrial com o de balneário.
A essa vocação pesqueira somou-se, nas últimas décadas do século XX e no começo do XXI, o turismo: as praias urbanas como El Murciélago, a orla, a gastronomia de frutos do mar e a proximidade com a Ruta del Spondylus fizeram de Manta também um destino de sol, praia e boa comida. A cidade assumiu uma identidade dupla: grande porto trabalhador de dia e balneário animado à tarde e à noite.
Em 16 de abril de 2016, às 18:58 no horário local, um terremoto de magnitude 7,8 com epicentro em frente à costa de Manabí, entre as localidades de Pedernales e Cojimíes, sacudiu violentamente toda a província. Foi o sismo mais destrutivo que o Equador viveu em décadas. Manta foi duramente atingida: prédios, casas e estruturas desabaram, e bairros como Tarqui, um dos mais afetados da cidade, ficaram devastados. O terremoto deixou centenas de vítimas em toda a província (em Manta, Portoviejo, Pedernales e outras localidades), milhares de feridos e um enorme número de desabrigados.
O golpe também foi econômico e emocional. A indústria, o comércio, o turismo e o dia a dia da cidade foram abalados, e a recuperação exigiu anos de trabalho, ajuda nacional e internacional e um esforço contínuo de reconstrução de moradias, infraestrutura e espaços públicos.
Desde então, Manta vem se reconstruindo e reativando o porto, a indústria e o turismo. A cidade continua sendo o grande motor pesqueiro da costa central e um destino cheio de vida, com sua orla, suas praias e uma gastronomia de frutos do mar incomparável, embora as marcas do terremoto e o processo de recuperação façam parte da sua história recente e da memória dos moradores.