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Okinawa
🇯🇵 Japão · Norte e sul (Hokkaido e Okinawa)

Okinawa

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📍Região
Okinawa (沖縄) é a província mais ao sul do Japão: um arquipélago subtropical de mais de 150 ilhas espalhadas pelo mar da China Oriental, a meio caminho entre a ilha principal do Japão e Taiwan. Sua capital, Naha, fica na ilha principal (Okinawa Honto). É um Japão radicalmente diferente do continental: aqui não há neve nem templos zen, e sim praias de areia branca e mar turquesa, recifes de coral, clima quente o ano todo e uma cultura própria, a do antigo Reino de Ryukyu, com sua música, sua gastronomia, seu artesanato e seu jeito descontraído. É o grande destino de praia, mergulho e natureza tropical do país, e uma das 'zonas azuis' de grande longevidade do mundo.
📌Cidade de apoio
Naha, a capital, é a cidade de apoio de Okinawa: ali ficam o aeroporto internacional de Naha (OKA), o principal terminal de balsas para as ilhas menores, hospitais, a avenida comercial Kokusai-dori, hotéis de todo tipo e os escritórios de turismo. Okinawa fica longe do resto do Japão: chega-se de avião (cerca de 2 horas e meia a partir de Tóquio). Na ilha principal não há trem de longa distância; só um monotrilho urbano em Naha (Yui Rail), e para percorrer a ilha o mais comum é alugar um carro ou usar ônibus. De Naha saem voos e balsas para as ilhas remotas (Ishigaki, Miyako, as Kerama), verdadeiros paraísos do mergulho.
📌Melhor época
Okinawa tem clima subtropical e pode ser visitada quase o ano todo. A melhor temporada de praia e mergulho vai do fim de abril ao início de outubro, com mar quente e sol; o auge do verão (julho-agosto) é quente, úmido e coincide com a temporada de tufões, que podem bagunçar voos e balsas. A primavera e o outono são agradáveis. O inverno (dezembro a fevereiro) é ameno (uns 15-20 °C), pouco indicado para banho de mar, mas bom para percorrer a ilha, ver baleias-jubarte (janeiro-março) e aproveitar preços mais baixos; além disso, as cerejeiras de Okinawa florescem em janeiro, antes do resto do país. Atenção à temporada de tufões (verão e início do outono).
📌Dias sugeridos
Com 3 ou 4 dias dá para ver o essencial da ilha principal: Naha e sua cultura ryukyu (o castelo de Shuri, a avenida Kokusai-dori), o famoso aquário Churaumi no norte, alguma praia e os comoventes memoriais da batalha de 1945 no sul. Com 5 a 7 dias ou mais, você pode somar dias de praia e mergulho e, sobretudo, dar uma escapada às ilhas menores —as Kerama, Ishigaki, Miyako, Iriomote—, que têm algumas das melhores praias e recifes do Japão. Okinawa recompensa o ritmo lento: é um destino para combinar natureza, mar e descanso.
📌Como se locomover
Em Naha há um prático monotrilho (Yui Rail) que liga o aeroporto ao centro e ao castelo de Shuri, com passagens de ¥230-370 e passes de 24 h (¥800). Mas, para percorrer a ilha principal de Okinawa, a forma mais prática, de longe, é alugar um carro: o aquário Churaumi, as praias e os memoriais ficam distantes entre si, e o transporte público é limitado e lento. Também há ônibus intermunicipais e excursões organizadas. Para as ilhas menores, combinam-se voos curtos e balsas. Dirigir em Okinawa é simples (a mão é inglesa, como em todo o Japão).
🗣️Idioma e moeda
O idioma oficial é o japonês; historicamente se falavam as línguas ryukyuanas, hoje ameaçadas, que sobrevivem em palavras e topônimos locais. No aeroporto, nos hotéis e nas áreas turísticas há informação em inglês. A moeda é o iene japonês (JPY, ¥). Em julho de 2026, de forma aproximada, US$1 ≈ ¥155 e €1 ≈ ¥168 (o câmbio varia: confira antes de viajar). Vale levar algum dinheiro em espécie para mercados, ilhas pequenas e estabelecimentos locais, embora cartões e pagamentos com cartão IC sejam cada vez mais aceitos. Os caixas eletrônicos da 7-Eleven e dos correios aceitam cartões estrangeiros.
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🌤️ Weather in Okinawa
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Okinawa é o Japão que quase ninguém espera: em vez de arranha-céus, templos milenares e frio de inverno, você encontra praias de areia branca, um mar de um turquesa incrível, recifes de coral cheios de vida e um ritmo de vida tranquilo sob o sol subtropical. Este arquipélago do extremo sul do país foi durante séculos um reino independente, o Reino de Ryukyu, e essa história própria deixou uma cultura diferente —na música, na culinária, no artesanato e no jeito de ser— que se sente assim que se chega. Aqui as pessoas dizem 'nankurunaisa', algo como 'vai dar tudo certo', e essa filosofia está no ar.

Há duas Okinawas que convivem. De um lado, a do paraíso tropical: o espetacular aquário Churaumi com seus tubarões-baleia, as praias e os pontos de mergulho de fama mundial —sobretudo nas ilhas menores, como as Kerama ou Ishigaki—, e uma natureza exuberante que faz deste um dos lugares onde as pessoas vivem mais no planeta. Do outro, a Okinawa da memória: aqui foi travada em 1945 uma das batalhas mais terríveis da Segunda Guerra Mundial, e a ilha viveu décadas sob administração norte-americana. As duas faces fazem parte de sua identidade.

Este guia percorre Okinawa com um olhar prático e respeitoso: como chegar e se locomover, o que ver na ilha principal —de Naha ao aquário, das praias aos memoriais—, como escapar para as ilhas dos sonhos, onde mergulhar e o que comer de sua culinária singular. E faz isso tratando com a sobriedade que merecem os lugares de memória da guerra. Okinawa é praia e cultura, mas também história: entendê-la por inteiro faz parte de aproveitá-la de verdade.

📖 História de Okinawa

Okinawa nem sempre fez parte do Japão. Durante séculos, estas ilhas formaram o Reino de Ryukyu, um Estado independente que, a partir do século XV, unificado sob a dinastia Sho com capital no castelo de Shuri, prosperou como intermediário comercial entre Japão, China, Coreia e o Sudeste Asiático. Desse comércio e da influência chinesa e japonesa nasceu uma cultura ryukyuana única, com língua, religião, música (o sanshin) e artesanato próprios. Em 1609, o reino caiu sob o controle do domínio japonês de Satsuma, embora tenha mantido uma autonomia formal e sua relação tributária com a China, num delicado jogo duplo. Em 1879, o Japão moderno da era Meiji aboliu o reino e anexou as ilhas como a província de Okinawa, dando início a uma assimilação que reprimiu a cultura local. O capítulo mais trágico chegou em 1945, quando Okinawa foi palco de uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial, com uma enorme mortandade de civis. Depois da guerra, as ilhas ficaram sob administração militar norte-americana até 1972, quando foram devolvidas ao Japão; a presença de bases dos Estados Unidos continua sendo um tema sensível. A história completa, do Reino de Ryukyu até hoje, está na nossa página de história.

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🏛️ Okinawa fica em North and south (Hokkaido and Okinawa)

The far ends of Japan: Hokkaido, ancestral land of the Ainu colonised in the 19th century, and Okinawa, the former Ryukyu Kingdom and scene of the bloodiest battle of 1945.

Ler a história de North and south (Hokkaido and Okinawa) →

🗺️ O que ver

Passeios que dá para reservar

Se você reservar por aqui ganhamos uma comissão e você não paga nada a mais. Preços e disponibilidade são da Civitatis.

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Aquário Churaumi e o Ocean Expo Park
Um dos maiores aquários do mundo, com um tanque colossal de tubarões-baleia e raias-manta.
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O Aquário Churaumi ('mar bonito' na língua de Okinawa) é a grande atração da ilha principal e um dos aquários mais impressionantes do mundo. Sua estrela é o tanque 'Kuroshio', um dos maiores do planeta, um aquário gigantesco com uma janela descomunal atrás da qual nadam vários tubarões-baleia —o maior peixe do mundo, que pode passar dos oito metros— ao lado de enormes raias-manta e cardumes, num espetáculo hipnótico que deixa todo mundo de queixo caído. O percurso, muito bem montado, recria os mares de Okinawa: dos recifes de coral rasos, com seus peixes coloridos, às profundezas escuras, passando por tanques de toque, tubarões e um show de golfinhos ali perto. O aquário fica dentro do Ocean Expo Park (Kaiyohaku Koen), um grande parque na península de Motobu, no norte da ilha, que além do aquário tem a linda praia Emerald, jardins, um planetário, um recinto de peixes-boi e tartarugas, e shows de golfinhos gratuitos. Dá para passar ali meio dia ou um dia inteiro, sobretudo em família. Como chegar: fica no norte da ilha, a cerca de 2 horas de carro de Naha (o mais prático é ir de carro alugado ou em excursão); também há ônibus. Melhor época: qualquer dia do ano; durante a semana há menos gente. Dicas: entrada do aquário ¥2.180 adultos (há descontos on-line e no fim da tarde); o parque e os shows de golfinhos são gratuitos; combine com as praias do norte e a cidadezinha de Motobu.
ℹ️ Distância: Norte da ilha (península de Motobu); ~2 h de carro a partir de Naha · Melhor época: O ano todo; durante a semana há menos gente · Entrada: Aquário ¥2.180 adultos, ¥1.440 ensino médio, ¥710 crianças; menores de 6 grátis; parque grátis (fonte: site oficial Churaumi), verificado em julho de 2026 · Duração: Meio dia (com o parque)
2
Castelo de Shuri e o legado do Reino de Ryukyu
A antiga sede dos reis de Ryukyu em Naha, em plena reconstrução após o incêndio de 2019.
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O castelo de Shuri (Shuri-jo) foi, por mais de quatro séculos, o centro político, religioso e cultural do Reino de Ryukyu, a residência de seus reis e o coração de uma cultura própria e diferente da do resto do Japão. Sua arquitetura, de um vermelho vivo e com forte influência chinesa misturada a elementos japoneses e locais, refletia o papel de Ryukyu como reino comercial e intermediário entre grandes civilizações. É Patrimônio da Humanidade (as ruínas e muralhas do castelo fazem parte de um conjunto de sítios ryukyu inscritos pela Unesco em 2000). O castelo foi destruído e reconstruído várias vezes ao longo da história, incluindo sua devastação total na batalha de Okinawa de 1945. A versão reconstruída em 1992 voltou a pegar fogo num grave incêndio em outubro de 2019, que consumiu o salão principal e outros edifícios. Desde então, Okinawa empreendeu uma cuidadosa reconstrução usando técnicas tradicionais da era Ryukyu; o exterior do salão principal foi restaurado em 2025, e a previsão é que a obra termine no outono de 2026, com a reabertura do edifício principal por volta do fim de novembro de 2026 (confira a situação antes de ir). Mesmo durante as obras, o recinto, suas muralhas, portões como o icônico Shureimon e as vistas de Naha podem ser visitados, e dá para ver de perto o processo de reconstrução, algo excepcional. Como chegar: de monotrilho Yui Rail até a estação Shuri e depois a pé, ou de carro. Melhor época: qualquer dia; confira o andamento da reconstrução. Dicas: há uma entrada paga para a área principal: ¥400 adultos, ¥300 alunos do ensino médio e ¥160 alunos do ensino fundamental, grátis para menores de 6 e para titulares da carteira japonesa de pessoa com deficiência com um acompanhante (tabela oficial do parque, consultada em 08/08/2026); partes do recinto e os portões são gratuitos; combine com um passeio pelo bairro histórico de Shuri.
ℹ️ Distância: Naha, bairro de Shuri; monotrilho Yui Rail até a estação Shuri + caminhada, ou carro · Melhor época: O ano todo; reabertura do salão principal prevista para o fim de novembro de 2026 (confirmar) · Entrada: Área paga ¥400 adultos, ¥300 ensino médio e ¥160 ensino fundamental; menores de 6 e titulares da carteira de pessoa com deficiência (mais um acompanhante), grátis. O recinto externo e os portões são gratuitos (tabela oficial do Shurijo Castle Park Management Center, oki-park.jp/shurijo/en/info/14, consultada em 08/08/2026) · Duração: 1,5 a 2 horas
3
Naha e a avenida Kokusai-dori
A animada capital de Okinawa, com sua grande avenida comercial, mercados e cultura ryukyu.
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Naha é a capital de Okinawa e a porta de entrada das ilhas, uma cidade calorosa e descontraída onde pulsa a cultura ryukyu. Sua espinha dorsal é a Kokusai-dori ('avenida internacional'), uma via de quase dois quilômetros cheia de lojas, restaurantes, bares, barracas de lembrancinhas, artesanato local e casas de música ao vivo, especialmente animada ao entardecer. É o lugar ideal para sentir o pulso da vida okinawana, provar comida local e comprar desde o sanshin (o instrumento típico de três cordas) até os shisa (os leões-cães guardiões de cerâmica que protegem as casas) ou o awamori (a bebida destilada de Okinawa). Ao lado da avenida fica o mercado Makishi (Daiichi Makishi), um mercado coberto onde dá para ver e provar os ingredientes da culinária singular de Okinawa: peixes tropicais coloridos, carne de porco (base de muitos pratos), verduras locais como o goya (melão-de-são-caetano), e onde algumas barracas preparam na hora o que você compra. Os bairros de Tsuboya (famoso por sua cerâmica tradicional) e de Shuri completam a Naha com mais charme histórico. Como chegar: o monotrilho Yui Rail percorre Naha a partir do aeroporto; a Kokusai-dori fica junto às estações Kencho-mae e Makishi. Melhor época: ao entardecer e à noite, pelo clima. Dicas: passear é grátis, paga-se o que se consome; prove pratos locais como o goya champuru ou o soba de Okinawa; bom lugar para se hospedar e organizar os passeios pela ilha.
ℹ️ Distância: Centro de Naha; monotrilho Yui Rail (Kencho-mae/Makishi) · Melhor época: Entardecer e noite (avenida animada) · Entrada: Passear é grátis; paga-se o que se consome (soba de Okinawa a partir de ¥600-900), verificado em julho de 2026 · Duração: 2 a 3 horas com refeição
4
Praias, mergulho e as ilhas Kerama
Praias de areia branca, recifes de coral e alguns dos melhores pontos de mergulho e snorkel do Japão.
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Okinawa é o grande destino de praia e de mundo submarino do Japão, com águas quentes e transparentes, recifes de coral e uma fauna marinha espetacular. Na ilha principal há praias acessíveis e bonitas, sobretudo na região centro-norte, como as da península de Motobu, a Emerald Beach do Ocean Expo Park ou as dos grandes resorts da costa oeste, boas para nadar e fazer snorkel. Mas as joias estão nas ilhas menores. Pertinho de Naha, as ilhas Kerama (Zamami, Aka, Tokashiki), a meia hora ou uma hora de balsa, têm algumas das praias mais incríveis do país, com um azul intenso batizado de 'Kerama blue', e são um paraíso para snorkel, mergulho e observação de tartarugas. Mais ao sul, Ishigaki, Miyako e Iriomote oferecem recifes, raias-manta e florestas. O mergulho em Okinawa tem fama mundial: há pontos para todos os níveis, de recifes fáceis para iniciantes a lugares lendários como a formação rochosa submarina de Yonaguni ou as grutas da 'Blue Cave' perto de Onna, na ilha principal, um clássico do snorkel e do mergulho por sua luz azul. Vários centros oferecem batismos, cursos e saídas guiadas. Como chegar: praias da ilha principal de carro; ilhas Kerama de balsa rápida a partir do porto de Tomari (Naha); outras ilhas de avião. Melhor época: do fim de abril a outubro, pelo mar quente (atenção aos tufões em pleno verão). Dicas: muitas praias são gratuitas; as saídas de mergulho/snorkel são pagas à parte (batismo a partir de ¥8.000-12.000); respeite o coral e a fauna; no verão, informe-se sobre o risco de águas-vivas e sobre o clima.
ℹ️ Distância: Praias do centro-norte da ilha de carro; ilhas Kerama de balsa a partir de Naha (30-70 min) · Melhor época: Fim de abril a outubro (mar quente); cuidado com tufões no verão · Entrada: Praias em geral gratuitas; snorkel/mergulho guiado a partir de ¥8.000-12.000 (uns US$52-77), verificado em julho de 2026 · Duração: Meio dia a vários dias
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Parque Memorial da Paz e os locais da batalha de 1945
Os lugares de memória da batalha de Okinawa, tratados com sobriedade e respeito pelas vítimas.
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No sul da ilha principal, perto de Itoman, ficam os principais lugares de memória da batalha de Okinawa de 1945, um dos episódios mais trágicos da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. Esses locais não são uma 'atração' turística comum, e sim espaços de recolhimento que vale visitar com respeito e com vontade de entender o que aconteceu. O principal é o Parque Memorial da Paz de Okinawa (Okinawa Prefectural Peace Memorial Park), um extenso parque de frente para o mar que abriga o Museu Memorial da Paz da Província, dedicado a documentar a batalha e seu terrível custo humano, e o monumento 'Cornerstone of Peace' (Pedra fundamental da paz), onde estão gravados os nomes de mais de 240.000 pessoas que morreram na batalha, sem distinção de nacionalidade nem de lado: soldados japoneses e norte-americanos, e uma enorme quantidade de civis de Okinawa. Perto fica o Monumento da Torre Himeyuri (Himeyuri-no-To), dedicado a um grupo de estudantes e professoras mobilizadas como enfermeiras durante a batalha, muitas das quais morreram; seu museu, com depoimentos das sobreviventes, é um dos mais comoventes do Japão. Também se conserva o quartel subterrâneo da marinha japonesa (Former Japanese Navy Underground Headquarters), escavado na rocha. Como chegar: no sul da ilha, perto de Itoman; o mais prático é ir de carro ou em excursão organizada. Melhor época: qualquer dia; espaços para a reflexão, não para a pressa. Dicas: o parque tem acesso livre; os museus cobram uma entrada modesta (o da Paz e o de Himeyuri, uns ¥300-500, confirmar); visite-os com a seriedade e o silêncio que merecem.
ℹ️ Distância: Sul da ilha, perto de Itoman; de carro ou excursão a partir de Naha · Melhor época: O ano todo; lugares de memória e reflexão · Entrada: Parque grátis; museus da Paz e Himeyuri uns ¥300-500 (confirmar), verificado em julho de 2026 · Duração: Meio período
6
Cabo Manzamo e a costa de Onna
Um penhasco em forma de tromba de elefante sobre o mar turquesa, na bonita costa oeste dos resorts.
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O cabo Manzamo (Manza-mo) é uma das paisagens costeiras mais famosas da ilha principal de Okinawa: um penhasco de calcário sobre o mar turquesa cuja silhueta lembra a tromba de um elefante bebendo água, formando um arco natural sobre as ondas. Fica na região de Onna, na costa oeste, e oferece uma caminhada curta e espetacular pelo alto do penhasco, com vista para o oceano aberto e para a costa, especialmente bonita ao pôr do sol. Seu nome alude a uma lenda segundo a qual um antigo rei de Ryukyu declarou que ali cabiam 'dez mil pessoas sentadas'. É uma parada clássica e gratuita em qualquer roteiro pela ilha. A região de Onna, onde fica o cabo, é a principal faixa de resorts de praia de Okinawa, com hotéis pé na areia, praias, atividades aquáticas e a vizinha 'Blue Cave', uma gruta marinha famosa por sua luz azul, muito procurada para snorkel e mergulho. É uma boa base para quem quer combinar praia, mar e conforto, a meio caminho entre Naha e o aquário do norte. Como chegar: na costa oeste (Onna), a pouco mais de uma hora de carro de Naha; o mais prático é o carro. Melhor época: ao entardecer, pela melhor luz; da primavera ao outono, pelo mar. Dicas: o cabo tem acesso livre e gratuito; há um centro de visitantes; combine com as praias de Onna e a Blue Cave, e no caminho para o aquário Churaumi.
ℹ️ Distância: Costa oeste (Onna); pouco mais de 1 h de carro a partir de Naha · Melhor época: Entardecer (luz); primavera a outono para o mar · Entrada: Grátis (acesso livre ao cabo), verificado em julho de 2026 · Duração: 30 a 45 min (mais as praias próximas)
7
Local sagrado de Sefa-utaki
O local de culto mais sagrado do Reino de Ryukyu, um espaço natural entre rochas e floresta, Patrimônio da Humanidade.
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Sefa-utaki, no sudeste da ilha principal, é o local de culto mais sagrado da antiga religião ryukyuana e uma janela única para a espiritualidade própria de Okinawa, muito diferente do xintoísmo e do budismo do resto do Japão. Não é um templo construído, e sim um espaço natural sagrado na floresta: um conjunto de formações rochosas, cavernas e cantinhos no meio da vegetação onde, durante séculos, foram celebrados os ritos mais importantes do reino e onde oficiavam as sacerdotisas (noro), já que na religião ryukyu o poder espiritual estava nas mãos das mulheres. O ponto mais famoso é o Sangui, um triângulo natural formado por duas enormes rochas inclinadas que se apoiam uma na outra, criando uma passagem até um pequeno mirante de onde se vê a ilha sagrada de Kudaka, considerada o berço mítico do povo de Ryukyu. O lugar transmite uma atmosfera serena e misteriosa, entre a mata subtropical e as pedras cobertas de umidade. Faz parte do conjunto de sítios ryukyu declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2000, junto com o castelo de Shuri e outros. É uma visita diferente, mais tranquila e cultural, que ajuda a entender as raízes de Okinawa. Como chegar: no sudeste, em Nanjo; o mais prático é ir de carro (ou em excursão). Melhor época: qualquer dia; melhor evitar chuva forte por causa das trilhas. Dicas: a entrada é modesta (uns ¥300); é um lugar sagrado, trate com respeito; em certos dias de rituais o acesso pode ser restrito; use calçado confortável para as trilhas de pedra.
ℹ️ Distância: Sudeste da ilha (Nanjo); de carro ou em excursão a partir de Naha · Melhor época: O ano todo; evite chuva forte por causa das trilhas · Entrada: Uns ¥300 adultos (verificar), verificado em julho de 2026 · Duração: 1 hora
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O que ninguém te conta

💵 Preços

Ingressos

TipoPreço
Acuario Churaumi¥2.180 adultos, ¥1.440 ensino médio, ¥710 crianças; menores de 6 anos grátis (descontos online), verificado em julho de 2026
Ocean Expo Park (parque y shows de delfines)Grátis (o aquário é pago à parte), verificado em julho de 2026
Castillo de Shuri (zona principal)¥400 adulto, ¥300 alunos do ensino médio e ¥160 alunos do ensino fundamental; grátis para menores de 6 anos. Em grupos de 20 ou mais, ¥320, ¥240 e ¥120. Entrada gratuita para quem apresentar a carteira japonesa de pessoa com deficiência e para um acompanhante. Só se paga a área interna; o recinto externo é grátis (tabela oficial do Shurijo Castle Park Management Center, oki-park.jp/shurijo/en/info/14, consultado em 08/08/2026)
Museo Memorial de la Paz de OkinawaUns ¥300-500 adultos; parque grátis (verificar), verificado em julho de 2026
Monumento y museo HimeyuriUns ¥450-500 adultos (verificar), verificado em julho de 2026
Sefa-utaki (sitio sagrado)Uns ¥300 adultos (verificar), verificado em julho de 2026
Cabo ManzamoGrátis (acesso livre), verificado em julho de 2026
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Atividades e passeios

AtividadePreçoDuraçãoOperadora
Batismo ou saída de mergulho (Blue Cave, recifes)¥8.000-15.000 por pessoa (uns US$52-97), 2026Meio períodoCentros de mergulho de Onna, Naha e das ilhas (verificar)
Snorkel guiado nas ilhas Kerama (dia inteiro)¥8.000-15.000 por pessoa com ferry (uns US$52-97), 2026Dia inteiroOperadoras de Naha / Zamami (verificar)
Bate-volta ao aquário Churaumi e ao norte¥5.000-9.000 por pessoa com transporte (uns US$32-58), 2026Dia inteiroAgências de passeios (verificar)
Aluguel de carro por dia¥5.000-9.000 por dia conforme a categoria (uns US$32-58), 2026Por diaLocadoras (Naha e aeroporto)
Observação de baleias-jubarte (inverno)¥5.000-7.000 por pessoa (uns US$32-45), 2026Meio períodoOperadoras de Naha e Kerama (janeiro-março, verificar)
Ferry rápido para as ilhas Kerama (Zamami/Aka)Ida e volta uns ¥6.000-7.000 (uns US$39-45), 202630-70 min por trechoFerries saindo do porto de Tomari (Naha)
Oficina de cultura ryukyu (sanshin, cerâmica shisa)¥2.000-5.000 por pessoa (uns US$13-32), 20261 a 2 hOficinas de Naha e Tsuboya (verificar)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🚌 Como chegar e distâncias

No destino

Carro alugado
Preço¥5.000-9.000 por dia + combustível (uns US$32-58), 2026
DuraçãoPor dia
Observações
A forma mais prática de percorrer a ilha principal: o aquário, as praias e os memoriais ficam longe uns dos outros e o transporte público é limitado. Dirige-se pela esquerda, como em todo o Japão. Reserve com antecedência na alta temporada; é preciso ter a Permissão Internacional para Dirigir
Monotrilho Yui Rail (Naha)
DuraçãoVariável
Preço
Bilhete ¥230-370; passe de 24 h ¥800, 48 h ¥1.400 (uns US$1,5-2,4), 2026
Observações
A única ferrovia de Okinawa: liga o aeroporto de Naha ao centro, à avenida Kokusai-dori e ao castelo de Shuri. Muito útil dentro de Naha, mas não chega ao resto da ilha. Paga-se com cartão IC (o OKICA local, ou Suica) ou bilhete
Ônibus intermunicipais
PreçoConforme a distância; há passes turísticos, 2026
DuraçãoVariável (lento)
Observações
Há ônibus que ligam Naha ao norte (aquário), ao sul (memoriais) e à costa, mas são lentos e têm menos flexibilidade que o carro. Uma opção para quem não quer dirigir, que dá para combinar com passeios organizados. Confira os horários
Ferries para as ilhas menores
Duração30 min a várias horas
Preço
De Naha (porto de Tomari) para as Kerama ¥3.000-3.500 por trecho, 2026
Observações
Para chegar às ilhas menores (Kerama, Kume etc.) usam-se ferries que saem dos portos de Naha; para as mais distantes (Ishigaki, Miyako), avião. Os ferries podem ser cancelados por mau tempo ou tufões: deixe uma folga no roteiro
Voos entre ilhas
PreçoConforme a rota e a antecedência; há low cost, 2026
Duração30 min a 1 h
Observações
Naha tem voos curtos para as ilhas remotas de Ishigaki e Miyako, entre outras, com ANA, JAL e low cost. É a forma mais rápida de pular entre os grandes grupos de ilhas do arquipélago
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

Como chegar

RotaCompanhias aéreas / empresasPreço médioDuração
Tóquio → Naha de aviãoANA, JAL e low cost (Peach, Jetstar, Skymark, Solaseed)¥15.000-35.000 só ida em companhias tradicionais; a partir de uns ¥7.000 em low cost (uns US$45-226), 2026Voo ~2 h 30 min
Osaka → Naha de aviãoANA, JAL, Peach e outras low cost¥12.000-30.000 conforme a companhia e a antecedência (uns US$77-193), 2026Voo ~2 h 10 min
Aeroporto de Naha (OKA) → centro de NahaMonotrilho Yui Rail ou táxiMonotrilho ¥270-340 até o centro (uns US$2), 2026Monotrilho 12-20 min
Naha → ilhas menores (Kerama, Ishigaki, Miyako)Ferries (Kerama) e voos (Ishigaki, Miyako)Ferry para Kerama a partir de ¥3.000 por trecho; voos conforme a rota, 2026Ferry 30-70 min (Kerama); voo ~1 h (Ishigaki/Miyako)
🔄 atualizado mensalmenteValores oficiais / de referência · confira na hora de comprar

🏨 Onde dormir

Sem preços exatos: escala de $ (econômico) a $$$$$ (luxo), com 2 ou 3 opções por categoria.

Resorts de luxo (costa de Onna, norte, ilhas)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
¥30.000-120.000+ a diária (uns US$193-770+), 2026; grandes resorts de frente para o mar com praia privativa, piscinas e spa na costa oeste (Onna), no norte e nas ilhas menores. Ideais para férias de praia. Reserve com antecedência no verão e na Golden Week
Hotéis intermediários (Naha e costa)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
¥10.000-25.000 a diária (uns US$65-160), 2026; hotéis confortáveis em Naha (bons para cultura, cidade e para organizar passeios) ou na costa (para praia). Bom custo-benefício fora da alta temporada
Business e econômico (Naha)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
Business hotels ¥7.000-13.000 a diária; hotéis-cápsula a partir de ¥3.000, 2026. Práticos e bem localizados perto da Kokusai-dori e do monotrilho, ideais como base urbana antes de partir para as ilhas ou a costa
Hostels, guesthouses e minshuku (Naha e ilhas)
Preço$$$$$
Opções recomendadas
¥2.500-5.000 por pessoa em quarto compartilhado; ¥7.000-12.000 em quartos privativos econômicos, 2026. Okinawa tem muitos hostels de clima descontraído e minshuku (pousadas familiares), sobretudo em Naha e nas ilhas menores, perfeitos para quem vai pela praia e pelo mergulho

🍴 Onde comer

Cocina de Okinawa (goya champuru, rafute)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
¥800-2.000 por prato (uns US$5-13), 2026. A singular cozinha okinawana: goya champuru (refogado de melão-de-são-caetano, tofu, ovo e porco), rafute (barriga de porco ensopada em awamori e açúcar) e muito porco em geral. Saborosa e diferente, ligada à longevidade da ilha
Soba de Okinawa (Okinawa soba)
Preço$$$$$
Opções / prato típico
¥600-1.000 a tigela (uns US$4-6), 2026. Um prato emblemático e barato: macarrão grosso de trigo num caldo de porco e bonito, servido com costela de porco (soki soba) ou barriga de porco. Não tem nada a ver com o soba de trigo-sarraceno do resto do Japão. Tem em todo lugar
Marisco y sushi tropical
Preço$$$$$
Opções / prato típico
¥1.500-4.000 por refeição (uns US$10-26), 2026. Peixes e frutos do mar de águas quentes, peixes coloridos de recife, algas locais (umibudo, as 'uvas do mar') e sushi com ingredientes tropicais. Os mercados de Naha e os restaurantes da costa são ideais para provar
Awamori y postres locales
Preço$$$$$
Opções / prato típico
Awamori a partir de ¥400 a dose; sobremesas a partir de ¥300, 2026. O awamori é a aguardente destilada tradicional de Okinawa, forte e marcante, base da cultura local de bate-papo depois da refeição. De sobremesa, o sata andagi (bolinhos fritos) e o sorvete de sal ou de cana-de-açúcar. Ideal para fechar uma refeição na sombra

📖 História de Okinawa

Origem, formação e o que dizem as fontes.

O Reino de Ryukyu: um pequeno reino mercante entre gigantes

Para entender Okinawa, é preciso começar por uma ideia que surpreende muita gente: durante séculos, essas ilhas não eram o Japão, e sim um reino independente com nome próprio, o Reino de Ryukyu. As ilhas Ryukyu, um rosário que se estende do sul de Kyushu até perto de Taiwan, foram habitadas desde tempos antigos por povos com língua e cultura próprias. Por volta do século XIV, a principal delas, Okinawa, estava dividida em três pequenos principados em guerra, até que, em 1429, um rei chamado Sho Hashi os unificou sob uma única coroa, com capital no castelo de Shuri. Nascia assim o Reino de Ryukyu.

O extraordinário em Ryukyu foi como um reino tão pequeno e com tão poucos recursos naturais conseguiu prosperar: tornando-se um hábil intermediário comercial. Situado no cruzamento das rotas marítimas da Ásia Oriental, Ryukyu teceu uma densa rede de comércio que ligava China, Japão, Coreia e o Sudeste Asiático (Sião, Malaca, Java). Seus navios levavam produtos de um lugar para outro — seda, porcelana, especiarias, metais — e desse comércio o reino obtinha riqueza e influência muito maiores do que seu tamanho. Mantinha uma relação tributária com a China imperial, da qual recebia prestígio, comércio privilegiado e uma forte influência cultural.

Desse encontro de mundos nasceu uma cultura ryukyuana única e refinada, diferente da japonesa: uma religião própria centrada na natureza e nos antepassados, na qual as mulheres detinham o poder espiritual como sacerdotisas; uma música com o sanshin (um instrumento de três cordas revestido de pele de cobra, antepassado do shamisen japonês); danças da corte, uma língua própria, uma gastronomia baseada na carne de porco e um artesanato têxtil e cerâmico notável. O castelo de Shuri, com sua arquitetura de cores intensas e influência chinesa, era o coração daquele reino mercante e culto.

Ryukyu como potência comercial
O Reino de Ryukyu (1429-1879) baseou sua prosperidade no comércio marítimo de intermediação entre China, Japão, Coreia e o Sudeste Asiático, aproveitando sua posição estratégica e sua relação tributária com a China. Apesar do tamanho reduzido e dos poucos recursos, essa 'era do grande comércio' lhe deu riqueza e influência. Sua cultura, diferente da japonesa, reflete essas múltiplas influências, especialmente a chinesa. Os castelos (gusuku) e sítios associados do reino são hoje Patrimônio Mundial.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Ryukyu_Kingdom

Entre dois senhores: a invasão de Satsuma e o fim do reino

A independência de Ryukyu começou a rachar no início do século XVII. Em 1609, o poderoso domínio feudal japonês de Satsuma, no sul de Kyushu, invadiu as ilhas com um exército bem armado e submeteu o reino. A partir de então, Ryukyu ficou sob o controle efetivo de Satsuma e, por meio dele, do xogunato Tokugawa que governava o Japão, obrigado a pagar tributos e a se submeter à sua vigilância. No entanto — e aqui está o insólito da situação —, o reino não foi anexado nem dissolvido: foi autorizado a continuar existindo como reino, com sua corte e seu rei, e a manter sua relação tributária com a China.

Essa dupla dependência respondia a um cálculo interessado de Satsuma: manter Ryukyu com aparência de reino independente e tributário da China permitia ao Japão lucrar, por meio dele, com o rentável comércio com o império chinês, que restringia o contato direto com os japoneses. Assim, por mais de dois séculos e meio, Ryukyu viveu uma existência ambígua e equilibrista: formalmente um reino que prestava homenagem à China, na prática um território sob controle japonês, obrigado a disfarçar essa sujeição diante dos enviados chineses. Foi um delicado jogo de máscaras que, paradoxalmente, ajudou a preservar por mais tempo a cultura e as instituições ryukyuanas.

O fim chegou com a modernização do Japão. Após a Restauração Meiji de 1868, o novo Estado japonês, decidido a definir e consolidar suas fronteiras, não tolerou a ambiguidade de um reino pela metade. Em um processo que culminou em 1879, o Japão aboliu formalmente o Reino de Ryukyu, depôs seu último rei, Sho Tai, e anexou as ilhas como mais uma província: a província de Okinawa. Quatro séculos e meio de reino independente chegavam ao fim, e começava uma etapa de assimilação forçada em que a língua, a religião e os costumes ryukyuanos foram reprimidos e desprezados em nome da integração ao Japão moderno.

A anexação de 1879 (Ryukyu shobun)
A abolição do Reino de Ryukyu e sua anexação como província de Okinawa em 1879 é conhecida como 'Ryukyu shobun' ('disposição de Ryukyu'). Pôs fim a séculos de existência do reino e à sua ambígua dupla dependência do Japão e da China. A medida fez parte da consolidação territorial do Japão Meiji e inaugurou uma política de assimilação que reprimiu a língua e a cultura ryukyuanas. A China protestou contra a anexação, mas não chegou a impedi-la.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Ryukyu_Kingdom

1945: a batalha de Okinawa e seu custo terrível

O capítulo mais trágico da história de Okinawa foi escrito na primavera de 1945, nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial. Quando as forças norte-americanas avançavam rumo ao arquipélago japonês, Okinawa se tornou o palco da última grande batalha terrestre da guerra no Pacífico. De 1º de abril até o fim de junho de 1945, a ilha foi arrasada por combates de violência extrema entre o exército norte-americano e as forças japonesas entrincheiradas, no que ficou conhecido como a 'tempestade de aço', pela intensidade dos bombardeios. A batalha deixou uma devastação quase total: vilarejos inteiros desapareceram, o castelo de Shuri foi destruído e boa parte da ilha ficou reduzida a ruínas.

O mais dilacerante foi o custo humano, e muito especialmente o da população civil. Calcula-se que cerca de 200.000 pessoas morreram na batalha, entre elas dezenas de milhares de soldados dos dois lados, mas sobretudo uma quantidade enorme de civis okinawanos: estima-se que tenha morrido cerca de um quarto da população da ilha. Muitos morreram presos no fogo cruzado, outros de fome e doenças, e houve casos trágicos de civis que morreram em circunstâncias atrozes, incluindo suicídios em massa induzidos pela propaganda e pela coerção, diante do terror espalhado sobre o que aconteceria com a chegada do inimigo. Grupos de estudantes foram mobilizados para a guerra, como as jovens do corpo de enfermeiras Himeyuri, muitas das quais morreram. Esse sofrimento da população civil deixou uma ferida profunda e duradoura na memória de Okinawa.

Hoje, essa memória é honrada com sobriedade nos locais da batalha: o Parque Memorial da Paz, cujo monumento 'Cornerstone of Peace' traz inscritos os nomes de todas as vítimas, sem distinção de lado ou nacionalidade, e o Monumento Himeyuri, entre outros. Não se comemora nenhuma vitória: presta-se homenagem aos mortos e transmite-se uma mensagem contra a guerra. Para Okinawa, a batalha de 1945 não é um episódio distante, e sim uma experiência que marcou gerações e que sustenta um forte sentimento pacifista nas ilhas.

O custo civil da batalha
A batalha de Okinawa (abril-junho de 1945) foi uma das mais sangrentas da Guerra do Pacífico. As estimativas mais citadas falam em cerca de 200.000 mortos, com uma proporção muito alta de civis okinawanos: calcula-se que morreu aproximadamente um quarto da população da ilha. Além das mortes em combate, foram documentadas mortes por fome, doenças e suicídios forçados de civis. Esse enorme custo civil é central na memória histórica de Okinawa e em seu marcado caráter pacifista.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Okinawa

Sob bandeira norte-americana: a ocupação e a volta ao Japão

Quando a guerra terminou, Okinawa não seguiu o mesmo caminho que o resto do Japão. Enquanto o Japão continental recuperou sua soberania em 1952, Okinawa ficou sob administração militar direta dos Estados Unidos, uma situação que se prolongaria por vinte e sete anos. Para as forças norte-americanas, a posição estratégica das ilhas, no coração do Pacífico Ocidental e perto da China, da Coreia e do Sudeste Asiático, era valiosa demais para ser abandonada, sobretudo em plena Guerra Fria e com os conflitos da Coreia e do Vietnã. Okinawa se transformou em uma gigantesca base militar, com extensas instalações que ocupavam uma parte significativa do território da ilha principal.

Aquelas décadas sob administração norte-americana foram ambivalentes para os okinawanos. Por um lado, deixaram uma marca cultural particular — da mão de direção pela direita (que depois voltaria a ser pela esquerda) a influências na música, na comida e no dia a dia —, além de certa atividade econômica ligada às bases. Por outro, geraram tensões e ressentimentos: a desapropriação de terras para as instalações militares, os acidentes, o barulho e os crimes associados à presença das tropas alimentaram um profundo mal-estar e um forte movimento a favor da volta ao Japão.

Esse anseio se realizou em 1972, quando os Estados Unidos devolveram Okinawa à soberania japonesa, no chamado processo de 'reversão'. Foi um momento histórico e emocionante. No entanto, a reversão não acabou com a questão das bases: boa parte das instalações militares norte-americanas no Japão continua concentrada em Okinawa, que carrega um peso desproporcional em relação ao seu tamanho e à sua população. O debate sobre essas bases — seu impacto, os incidentes, os planos de realocação — continua sendo hoje um dos assuntos políticos mais sensíveis e persistentes das ilhas, e uma fonte recorrente de atrito entre Okinawa, o governo de Tóquio e os Estados Unidos.

A reversão de 1972 e a questão das bases
Okinawa esteve sob administração norte-americana de 1945 até sua 'reversão' ao Japão em 1972. Embora tenha recuperado a soberania japonesa, uma proporção muito alta das bases militares dos Estados Unidos no Japão permanece em Okinawa, o que gera um peso desproporcional para a província e um debate político persistente sobre terras, incidentes e planos de realocação (como o da base de Futenma). É um dos temas mais sensíveis da política okinawana e japonesa atual.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Okinawa_Prefecture

Okinawa hoje: cultura ryukyu, paraíso tropical e memória viva

A Okinawa de hoje é uma província japonesa que, no entanto, conserva uma identidade inconfundivelmente própria, herdeira do antigo Reino de Ryukyu. Depois de décadas em que sua cultura foi desprezada, nos últimos tempos houve um forte ressurgimento do orgulho ryukyuano: a música do sanshin, as danças tradicionais, os têxteis e a cerâmica, a gastronomia e até a língua — ameaçada, mas alvo de esforços de recuperação — são valorizados como um patrimônio precioso. Em 2000, vários castelos (gusuku) e sítios associados ao reino, incluindo Shuri, foram declarados Patrimônio Mundial, um reconhecimento a essa história singular.

Ao mesmo tempo, Okinawa se consolidou como o grande destino tropical do Japão. Suas praias de areia branca, seu mar azul-turquesa, seus recifes de coral e suas ilhas de sonho — as Kerama, Ishigaki, Miyako, Iriomote — atraem viajantes japoneses e estrangeiros em busca de sol, mergulho e descanso, um contraste total com as cidades do norte. Para quem vem do Brasil, o clima e o mar lembram mais o Nordeste do que a imagem clássica do Japão. A ilha também é famosa pela longevidade de seus habitantes: durante muito tempo foi estudada como uma das 'zonas azuis' do mundo, lugares onde as pessoas vivem mais, algo atribuído em parte à dieta, ao clima e ao estilo de vida tranquilo, resumido no 'nankurunaisa' local.

Mas Okinawa não é só praia. É também um lugar de memória, marcado pela tragédia de 1945 e pelo longo pós-guerra sob administração norte-americana, cuja marca — incluindo a persistente questão das bases militares — continua presente na vida e na política das ilhas. Essa dupla condição, de paraíso subtropical e de terra que sofreu como poucas os horrores da guerra, faz parte do seu caráter. Conhecer Okinawa de verdade é aproveitar sua natureza e sua cultura vibrante, sim, mas também se aproximar com respeito da sua história: a de um reino que foi ponte entre civilizações, a de um povo que conserva com orgulho sua identidade, e a de ilhas que conheceram o inferno da guerra e hoje levantam, com conhecimento de causa, a bandeira da paz.

📚 Bibliografia

  • Wikipedia (ES) — «Prefectura de Okinawa»: https://es.wikipedia.org/wiki/Prefectura_de_Okinawa
  • Wikipedia (ES) — «Reino de Ryukyu»: https://es.wikipedia.org/wiki/Reino_de_Ryuky%C5%AB
  • Wikipedia (ES) — «Batalla de Okinawa»: https://es.wikipedia.org/wiki/Batalla_de_Okinawa
  • Wikipedia (EN) — «Okinawa Prefecture»: https://en.wikipedia.org/wiki/Okinawa_Prefecture
  • Wikipedia (EN) — «Ryukyu Kingdom»: https://en.wikipedia.org/wiki/Ryukyu_Kingdom
  • Wikipedia (EN) — «Invasion of Ryukyu»: https://en.wikipedia.org/wiki/Invasion_of_Ryukyu
  • Wikipedia (EN) — «Battle of Okinawa»: https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Okinawa
  • Wikipedia (EN) — «Okinawa Reversion Agreement»: https://en.wikipedia.org/wiki/Okinawa_Reversion_Agreement
  • Unesco — «Gusuku Sites and Related Properties of the Kingdom of Ryukyu»: https://whc.unesco.org/en/list/972/
  • Okinawa Prefectural Peace Memorial Museum (oficial) (o site não está mais no ar)

❓ Perguntas frequentes

Como chego a Okinawa e quanto tempo leva?+
Okinawa fica longe do resto do Japão, então se chega de avião: há muitíssimos voos diários de Tóquio (Haneda ou Narita) para o aeroporto de Naha (OKA), com ANA, JAL e low cost; o voo dura umas 2 horas e meia, e as tarifas vão de uns ¥15.000-35.000 nas companhias tradicionais a bem menos nas low cost (verificado em julho de 2026). De Osaka são umas 2 horas. Do aeroporto de Naha ao centro são 12-20 minutos de monotrilho.
Preciso alugar carro em Okinawa?+
Para a ilha principal, é muito recomendável. As grandes atrações (o aquário Churaumi no norte, as praias da costa oeste, os memoriais do sul) ficam longe umas das outras, e o transporte público é limitado e lento. Na cidade de Naha, o monotrilho Yui Rail dá conta, mas para rodar a ilha o carro alugado (a partir de uns ¥5.000/dia) dá muito mais liberdade. Dirige-se pela esquerda e é preciso ter a Permissão Internacional para Dirigir. Outra opção são os passeios organizados.
Qual é a melhor época para ir a Okinawa?+
Para praia e mergulho, do fim de abril a outubro, com o mar quente; mas o auge do verão (julho-agosto) é muito quente, úmido e coincide com a temporada de tufões, que podem afetar voos e ferries. A primavera e o outono são ideais. O inverno (dez-fev) é ameno, pouco indicado para banho de mar, mas bom para conhecer a ilha, ver baleias (jan-mar) e com preços mais baixos; além disso, as cerejeiras de Okinawa florescem em janeiro. Fique sempre de olho na previsão de tufões.
Dá para visitar o castelo de Shuri? Ele pegou fogo, né?+
Sim, dá para visitar o recinto, embora o salão principal esteja sendo reconstruído depois do grave incêndio de 2019. A obra usa técnicas tradicionais da era Ryukyu: o exterior do edifício principal foi restaurado em 2025 e a previsão é que seja concluído no outono (do hemisfério norte) de 2026, com reabertura no fim de novembro de 2026 (confira a situação antes de ir). Mesmo durante as obras, dá para ver as muralhas, os portões como o Shureimon, a vista de Naha e o próprio processo de reconstrução.
O que aconteceu na batalha de Okinawa e como visito os memoriais?+
Em 1945, Okinawa foi palco de uma das batalhas mais sangrentas da Segunda Guerra Mundial, com um número enorme de mortos, incluindo grande parte da população civil da ilha. Os principais lugares de memória ficam no sul (perto de Itoman): o Parque Memorial da Paz, com seu museu e o monumento 'Cornerstone of Peace', e o comovente Monumento Himeyuri. Não são atrações comuns: são visitados com respeito e em silêncio, como espaços de reflexão sobre o custo da guerra.
Vale a pena ir às ilhas menores ou a ilha principal basta?+
Depende do tempo que você tem. A ilha principal (Okinawa Honto) tem o aquário, a cultura ryukyu, os memoriais e boas praias, e rende 3-4 dias. Mas as praias e os recifes mais espetaculares ficam nas ilhas menores: as Kerama (a meia hora de ferry de Naha, um paraíso do snorkel e do 'Kerama blue'), ou as mais distantes Ishigaki, Miyako e Iriomote. Se você procura as melhores praias e o melhor mergulho do Japão e tem 5-7 dias ou mais, dê uma escapada para as ilhas: vale muito a pena.

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