A Gold Coast é o grande parque de diversões ao ar livre da Austrália: 57 quilômetros de praias douradas, uma selva de arranha-céus de frente para o mar em Surfers Paradise e a maior concentração de parques temáticos do país. É o lugar onde os australianos vão se bronzear, surfar, andar de montanha-russa e cair na noite, um destino feito para o prazer e a diversão, que não leva nada muito a sério.
Mas a Gold Coast é mais do que neon e adrenalina. Suas praias estão entre as melhores do país, com picos de surfe lendários como Burleigh Heads e Snapper Rocks. E a apenas meia hora para o interior fica o 'hinterland': um mundo verde de floresta subtropical, cachoeiras e mirantes nos parques nacionais de Lamington e Springbrook, com vaga-lumes bioluminescentes e vistas de tirar o fôlego. No mesmo dia dá para ir de uma montanha-russa a uma cachoeira na floresta.
Este guia percorre o melhor da Gold Coast com olhar prático: quais parques temáticos escolher e quanto custam, que praias e picos de surfe não perder, como escapar para o hinterland, como se locomover de bonde a 50 centavos a viagem, quando ir e onde comer. Um destino ideal para famílias e para quem busca sol, praia e diversão sem fim.
Muito antes dos arranha-céus, este litoral era o Country do povo Yugambeh, com mais de 60.000 anos de conexão com a terra; o clã Kombumerri vivia junto ao rio Nerang e às praias, e a região era local de grandes encontros (corroborees) entre povos. Os 'cedar getters' chegaram no século XIX em busca do valioso cedro-vermelho, e Nerang foi fundada em 1865. O turismo decolou com a ponte Jubilee (1925) e o Surfers Paradise Hotel de Jim Cavill: em 1933 o povoado passou a se chamar Surfers Paradise, e o boom dos arranha-céus e a febre do surfe dos anos 50 e 60 criaram a cidade de hoje. A história completa está na nossa página de história.
Ler a história completa ↓The state of sunshine and the tropics: land of dozens of Aboriginal nations, born as the Moreton Bay penal settlement in 1824, separated from New South Wales in 1859 and shaped by sugar cane, wool and mining. It is home to the Great Barrier Reef and the Daintree Rainforest, two World Heritage Sites.
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Origem, formação e o que dizem as fontes.
Antes dos arranha-céus, das montanhas-russas e do neon, esta faixa de praias douradas e rios sinuosos era o Country do povo Yugambeh, cujos clãs habitavam a terra entre os rios Logan e Tweed há muitos milhares de anos (as estimativas variam: algumas fontes falam em mais de 20.000 anos de ocupação arqueológica, e o próprio povo Yugambeh reivindica uma conexão com a terra, a água e o céu de mais de 60.000 anos). Os Yugambeh falavam a língua yugambeh, com vários dialetos, e estavam organizados em clãs, entre eles o Kombumerri, gente do litoral que vivia às margens do rio Nerang e nas praias da atual Surfers Paradise.
Esta não era uma terra qualquer: era um lugar de encontro. A região ao redor da atual Bundall, perto do rio Nerang, era um ponto de reunião aonde chegavam povos de lugares tão distantes quanto Grafton, ao sul, e Maryborough, ao norte, para celebrar grandes 'corroborees' (cerimônias com dança, canto e histórias). Ainda hoje se conservam na região da Gold Coast e do rio Tweed vestígios de acampamentos aborígenes e 'bora rings' intactos, os círculos de terra onde eram realizadas cerimônias sagradas.
Os Kombumerri eram, acima de tudo, um povo da água: pescavam nos estuários, coletavam ostras e frutos do mar e conheciam em detalhe os ciclos dos rios, das marés e das praias. O nome 'Nerang', que hoje batiza um rio e uma cidade, vem de uma palavra aborígene que se traduz como 'tubarão-de-focinho-de-pá'. Cada canto deste litoral tinha nome, história e significado muito antes da chegada do primeiro europeu.
A chegada dos europeus a este litoral seguiu o padrão de tantas regiões da Austrália: primeiro o interesse econômico, depois a expropriação dos povos originários. O que atraiu os colonos em meados do século XIX foi a madeira: as matas do interior (o hinterland) estavam cheias de cedro-vermelho (red cedar), uma árvore de madeira valiosíssima e muito cobiçada. Os 'cedar getters' — os cortadores de cedro — entraram nas florestas em grande número, e em 1865 foi fundada a cidade de Nerang como base dessa indústria madeireira. Depois vieram as fazendas, o gado e as plantações de cana-de-açúcar e araruta.
Para os Yugambeh, esse avanço foi devastador. Perderam o acesso às suas terras de caça e aos seus lugares sagrados, e sofreram com a violência e as doenças da fronteira. O golpe institucional veio com a Aborigines Protection Act de 1897, uma lei que inaugurou uma longa era de 'proteção' e segregação: sob ela, muitos Yugambeh foram removidos de suas terras tradicionais e enviados a missões e reservas espalhadas por todo o Queensland, separados de seu Country, sua língua e sua cultura.
Mesmo assim, nem todos foram embora. Muitos Kombumerri conseguiram permanecer em seu território tradicional, trabalhando para fazendeiros, produtores de ostras, pescadores, madeireiros e nas serrarias da região, enquanto mantinham, na medida do possível, suas práticas culturais, suas leis e seus costumes. Essa persistência é a razão pela qual a comunidade Yugambeh segue viva e ativa até hoje: o Yugambeh Museum, em Beenleigh, preserva e compartilha sua língua e sua história, e os donos tradicionais participam cada vez mais da vida cultural da cidade.
O destino turístico começou a tomar forma no início do século XX, quando os moradores de Brisbane descobriram estas praias como lugar de veraneio. O ponto de virada chegou em 1925: foi concluída a estrada litorânea que ligava Brisbane a Southport e, nesse mesmo ano, um hoteleiro e empreendedor chamado Jim Cavill comprou um terreno num vilarejo chamado Elston e construiu ali o Surfers Paradise Hotel, um hotel de 16 quartos com um pequeno zoológico particular que virou atração. Cavill percebeu o valor daquelas praias intocadas.
O hotel deu nome a tudo. A marca 'Surfers Paradise' se mostrou tão atraente e comercial que, em 1º de dezembro de 1933, o vilarejo de Elston foi oficialmente rebatizado de Surfers Paradise. Foi uma jogada de marketing à frente do seu tempo, e deu certo: o nome evocava sol, ondas e prazer, exatamente o que as pessoas procuravam.
O próprio nome 'Gold Coast' (Costa do Ouro) tem uma origem curiosa e não tem nada a ver com ouro de verdade. Surgiu como apelido por volta de 1950: depois da Segunda Guerra Mundial, os soldados que voltavam descobriram que as terras e os imóveis neste litoral tinham ficado caríssimos, e começaram a chamá-lo, meio de brincadeira, de 'costa do ouro' pelo quanto custava. No começo os moradores não gostaram, mas o nome pegou, e a indústria do turismo acabou adotando-o: em 1958, o conselho municipal da Costa Sul passou a se chamar oficialmente 'Gold Coast Town Council'. Assim, uma cidade inteira acabou batizada por uma reclamação sobre os preços.
A partir dos anos 50 e 60, a Gold Coast explodiu. Em 1959 foi erguido o primeiro arranha-céu, o Kinkabool, em Surfers Paradise, marcando o início da transformação da orla na 'muralha' de torres que a caracteriza hoje. A cidade se encheu de hotéis, apartamentos, cassinos e vida noturna, num boom imobiliário e turístico que não parou de crescer por décadas.
Ao mesmo tempo, chegou a febre do surfe. Nos anos 60, com o auge mundial da cultura do surfe, a Gold Coast virou sinônimo desse novo estilo de vida à beira-mar. Seus picos de surfe — Burleigh Heads, Kirra, Snapper Rocks com seu lendário 'Superbank' — ficaram famosos no mundo todo, atraindo surfistas e turistas de todo o planeta. A cidade abraçou uma identidade de sol, praia, corpos bronzeados e diversão sem culpa.
O grande capítulo seguinte foram os parques temáticos. A partir dos anos 80 e 90 abriram os grandes parques — Sea World, Dreamworld, Warner Bros. Movie World, Wet'n'Wild — que transformaram a Gold Coast na capital do entretenimento familiar da Austrália e lhe deram um segundo atrativo, além da praia. A cidade se consolidou como o grande destino de férias do país.
Hoje a Gold Coast é a sexta maior cidade da Austrália, com mais de 600.000 habitantes, um aeroporto internacional, um bonde moderno (o G:link) e uma economia que combina turismo, construção e serviços. Em 2018 foi sede dos Jogos da Commonwealth, uma vitrine para o mundo. Mas por trás do glamour dos arranha-céus ainda pulsa a outra história, mais antiga: a dos Yugambeh e dos Kombumerri, cuja presença de dezenas de milhares de anos volta a ser reconhecida nos nomes de lugares, no museu de Beenleigh e nos passeios culturais. E por trás da praia, a meia hora de distância, sobrevive o hinterland de mata subtropical, as Gondwana Rainforests declaradas Patrimônio da Humanidade, um lembrete de que, antes de ser a costa do ouro, este sempre foi um lugar extraordinário.